domingo, 13 de fevereiro de 2011

Oposição à Maçonaria e Livros Antimaçônicos


Charles Evaldo Boller

Sinopse: Análise resumida da perseguição religiosa e política aos maçons pelo mundo e o que realmente se faz dentro dos templos da Maçonaria.

Inúmeras obras antimaçônicas foram escritas no passado. Algumas com consequências mortais, instigando a perseguição de parte dos fundamentalistas políticos e religiosos. São exemplos: a perseguição na Alemanha, por Adolf Hitler; na Espanha, Francisco Franco; diversos papas católicos e líderes de outras miríades de religiões fundamentalistas. Milhares de maçons foram assassinados em consequência destas obras escritas apenas para público profano desejoso de conhecer os "terríveis segredos da Maçonaria". Outros tinham por alvo disseminar mentira e instigar à discriminação racial, guerras ideológicas e sanguinárias, como no caso de "Os Protocolos dos Sábios de Sião".

Houve obras antimaçônicas que causaram até bem para a ordem maçônica porque trouxeram mais informação útil que alguns livros maçônicos escritos com o objetivo de auxiliar, ou registrar fundamentos, filosofias e sua história ou liturgia. Existem obras de autores maçônicos causadores de danos graves; são os escritos por pessoas de pouco ou nenhum conhecimento técnico histórico. Inventaram estórias e dados inconsistentes que, de tanto serem replicadas, alcançaram até status de verdade, mas alimentam as baterias dos detratores. Existem casos onde os fatos relatados têm mínima chance diante de uma pesquisa superficial; é pura ficção, de pouco ou nenhum suporte. Obras que não respeitam a inteligência dos antimaçons, e certamente, muito menos ainda, a dos maçons. O observador arguto deduz prontamente que, os piores inimigos estão dentro da Maçonaria, constituído de "irmãos" oportunistas e astutos na preparação de ardis, que à luz da pesquisa desmoronam, revelando sórdidos objetivos comerciais. Estes sim expõem a Maçonaria Universal a ridículo e perigo; geram a munição que os detratores da instituição maçônica buscam para carregar suas armas insidiosas.

Apenas um ano após a aparição da primeira constituição maçônica, quando, em 1724, foi escrito o Livro das Constituições de James Anderson, surgiu em Londres, de autor anônimo e edição de Willian Wilmont, um pequeno impresso com o título "Revelado o Grande Mistério dos Maçons". Tudo leva a crer que o autor foi um covarde maçom, cujo único objetivo foi vender informações maçônicas ao maior número de pessoas. Depois surgiu "Toda a Instituição Maçônica", revelando até sinais e palavras. Foram muitos os textos que surgiram na época, alguns até plágio dos primeiros, mas todos com o objetivo de fazer dinheiro à custa da curiosidade profana. A partir de 1730 surgiram obras antimaçônicas de vulto e impacto: "A Maçonaria Dissecada" de Samuel Prichard. Em 1744, o abade Perau publicou o livro: "A Ordem dos Franco-maçons Traída e Seus Segredos Revelados". Neste mesmo ano, Luiz Traveno publicou diversos livros versando sobre Maçonaria, sempre expondo assuntos internos, no claro objetivo de apenas vender livros e fazer dinheiro. Em 1760 foi editado um livro de autor desconhecido, "As Três Batidas Distintas". Em 1762 apareceu o livro "Jaquim e Boaz". Depois surgiu "Memórias do Jacobismo", do padre Augustinho Barruel, o qual é considerado, de fato, o pai da antimaçonaria, pois sua criatividade criou fábulas tão verossímeis que estas ainda hoje prejudicam os maçons.

De todos estes autores podemos aceitar até motivação por ódio e oportunismo comercial contra a Maçonaria, pois não eram maçons. Entretanto, o maior mestre do engodo, de todos os tempos, foi o aprendiz maçom Leo Taxil, este causou estragos terríveis à ordem maçônica. Depois deste "irmão" surgiu frei Boaventura em seu livro "A Maçonaria no Brasil", também pretendia contar os "segredos" dos homens que se reuniam a portas fechadas em confrarias fraternas.

O supremo campeão é sem dúvidas "Os Protocolos dos Sábios de Sião", obra ficcional na qual foram baseadas as invenções de alguns detratores e principalmente de parte do padre Barruel, dando conta de uma suposta "Conspiração Maçônica", e onde foram dramatizadas situações sem fundamento que muitos males causaram aos maçons ao longo do tempo; nem as dramatizações de Leo Taxil e todos os anteriores ao padre Barruel causaram tanto mal. Mesmo escrevendo diversos livros dos dramas e problemas proporcionados, não se esgota o assunto da antimaçonaria.

Na Internet encontram-se inúmeros sites contendo informações desencontradas da organização e ação da Maçonaria que carecem até de algum discernimento para perceber o engodo nelas contido. Em sua maioria são produções que usam os livros já citados e até da bíblia judaico-cristã como plataforma da calúnia e raciocínio falso. Todo extremismo, todo fundamentalismo religioso e político tem estas características; quando não consegue convencer pelo argumento lógico e claro, apela para a mentira e fantasia, torce o sentido das palavras de seus livros sagrados para denegrir qualquer obstáculo que lhes embarace o caminho aos negócios bilionários ou caça ao poder efêmero.

Felizmente a instituição maçônica provê abertura para debate de amplo leque. Maçonaria não se faz com templos, livros, grandes lojas, grandes orientes, sinais, palavras de passe ou palavras sagradas! Estas são apenas ferramentas, utensílios que facilitam o raciocínio, abrem o entendimento. Maçonaria se faz dentro da mente e no coração! Todo o resto é ilusão! Nem mágica ou misticismo colaboram, antes denigrem e municiam os inimigos com argumentação para quebrar e hegemonia da Maçonaria Universal. Não fossem a pequenez e fragilidade humana, as ferramentas, obediências, ritos e locais de reunião seriam até desnecessárias! A Maçonaria seria dispensável! Tentar revelar os "segredos" da ordem maçônica é seguramente um vão esforço dos detratores de alcançarem o vento na corrida! Grandes pensadores já intuíram em tempos idos que, onde existirem pessoas que se tratam como irmãos e demonstram profundo amor entre si, com certeza ali estará o espírito do Grande Arquiteto do Universo e se pratica a verdadeira Maçonaria; independente se as pessoas forem ou não iniciadas. A iniciação verdadeira ocorre no coração. É dádiva divina! Resultado de sã racionalidade, lógica e espiritualidade, equilibrados.

Uma dos mais fantásticos insights proporcionados pela Maçonaria é o autoconhecimento; "o conhece-te a ti mesmo", de Sócrates; a viagem interior que afasta da mente todo apego estrito à palavra escrita ou falada e revela a espiritualidade; o lugar onde está o Deus, onde cada um tem o Deus criado a partir de antropomorfismo que é característica do homem comum. O maçom sequer discute ou gera Deuses à sua imagem e semelhança, porque seres desta magnitude não cabe dentro da lógica e apenas gera separação e ranger de dentes, daí usar apenas do conceito de um Princípio Criador, ao qual denomina Grande Arquiteto do Universo. É a razão da paz encontrada entre as colunas das lojas dos maçons.

É o conhecimento da verdade relativa em todas as questões que conduz ao crescimento pessoal e espiritualidade avançada; o maçom que possui o conhecimento da Maçonaria em si não é idólatra, materialista ou medíocre. O fundamentalismo de qualquer espécie terá muito trabalho para manter a cegueira que subjuga por uns tempos, já que a evolução espiritual e do autoconhecimento do maçom promovem o discernimento que conduz à sabedoria e liberdade.

O livre pensador torna-se independente de intermediários na busca de sua espiritualidade. O Deus que busca está perto para o iniciado e muito longe ao cego escravizado, num hipotético céu, em virtude de estar submetido a dogmas e fantasias dos inimigos da liberdade. As religiões querem escravos do pensamento para manter seu poder temporal efêmero, algo do que a Maçonaria liberta seus homens e, devido a isto, as religiões odeiam a ordem maçônica criando mentiras. O mesmo faz o poder político absolutista, ditatorial.

Vencer aos detratores da Maçonaria é a razão do maçom cauterizar e envolver sua mente de forte couraça de aço. Aprende a usar da espada numa mão, que é sua língua manejada com maestria na derrubada das mentiras ou raciocínios ilógicos e, na outra mão, porta a trolha com a qual constrói e apazigua uma sociedade livre de obscurantismo.

O corpo do maçom, que constitui seu templo, o seu lugar de adoração sagrado, permanece puro, imaculado da perfídia imunda do obscurantismo gerados por religiões e ideologias políticas que conspurca a sociedade humana. Porque o Deus que reside no maçom é tão verdadeiro como aquele que reside em qualquer outra criação do Universo. A Maçonaria promove nos homens por ela treinados a mais ampla liberdade; a suprema liberdade do pensamento; é onde qualquer ser racional é absolutamente livre por característica de projeto devido ao Grande Arquiteto do Universo.

Bibliografia:

1. BAYARD, Jean-Pierre, A Espiritualidade na Maçonaria, Da Ordem Iniciática Tradicional às Obediências, tradução: Julia Vidili, ISBN 85-7374-790-0, primeira edição, Madras Editora Ltda., 368 páginas, São Paulo, 2004;

2. BOUCHER, Jules, A Simbólica Maçônica, Editora Pensamento, 1979;

3. CARVALHO, Francisco de Assis, O Avental Maçônico e Outros Estudos, Nº 6, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 160 páginas, Londrina, 1989;

4. FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio de, Dicionário de Maçonaria, Seus Mistérios, seus Ritos, sua Filosofia, sua História, quarta edição, Editora Pensamento Cultrix Ltda., 550 páginas, São Paulo, 1989;

5. PROBER, Kurt, História do Supremo Conselho do Grau 33 do Brasil, Volume 1, 1832 a 1927, primeira edição, Kosmos, 405 páginas, Rio de Janeiro, 1981;

6. WESTCOTT, William Wynn, Maçonaria e Magia, título original: Tha Magical Mason, tradução: Joaquim Palácios, ISBN 85-315-0384-1, primeira edição, Editora Pensamento Cultrix Ltda., 240 páginas, São Paulo, 1983.

Biografia:

1. Augustin Barruel ou Abbé Augustin Barruel, jesuita francês. Nasceu em 2 de outubro de 1741. Faleceu, em 5 de outubro de 1820, com 78 anos de idade. Escreveu que a revolução francesa foi planejada e executada por sociedades secretas;

2. Francisco Franco ou Francisco Bahamonde Franco, escultor, militar e político espanhol e português. Nasceu em El Ferrol, Galícia em 4 de dezembro de 1892. Faleceu em Lisboa, em 20 de novembro de 1975, com 82 anos de idade. Caudilho do povo espanhol;

3. Hitler ou Adolf Hitler, estadista, militar e político alemão. Nasceu em Braunau, Áustria em 20 de abril de 1889. Faleceu em Berlim, Alemanha, em 30 de abril de 1945, com 56 anos de idade, suicídio. Fundador do Partido Nacional Socialista Alemão;

4. James Anderson, escritor, maçom e ministro religioso inglês. Nasceu em Aberdeen, Escócia em 1679. Faleceu, em 1739, com 59 anos de idade. Conhecido pela autoria da Constitutição dos Maçons Livres ou a Constituição de Anderson;

5. Luiz Travenol, escritor e maçom francês. Também conhecido por Leonardo Gabanon. Em 1743, Publicação de Catechismes des Franc-maçons, revelando segredos, de autoria de Travenol;

6. Marie Joseph Gabriel Antoine Jogand-Pagès, falsário francês. Também conhecido por Léo Taxil. Nasceu em 21 de março de 1854. Faleceu, em 31 de março de 1907, com 53 anos de idade;

7. Samuel Prichard, escritor e maçom inglês. Em 1730, Publicação do livro Maçonaria Dissecada de Samuel Prichard, que divulgou Segredos Maçônicos e provocou alterações nos Rituais dos Modernos. Inglaterra. Em 1738, Publicação de Recepção Misteriosa, tradução mal feita de Maçonaria Dissecada de Samuel Prichard.

Data do texto: 07/11/2005

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná

Local: Curitiba

Grau do Texto: Aprendiz Maçom

Área de Estudo: Intolerância, Maçonaria, Obscurantismo, Política, Religião

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