quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Memética na Maçonaria


Charles Evaldo Boller

Sinopse: A transmissão de conhecimento entre os maçons pela utilização de blocos de códigos simbólicos; estórias e parábolas.

Que fascínio exercem os contadores de histórias, romancistas e dramaturgos? Porque os seres humanos dedicam tantas horas concentrados, até alienados, em assistir filmes, ler livros ou jogar conversa fora? E como é gratificante ouvir o som das palmas de uma criança quando lhe é prometido um conto; júbilo este que se propaga entre adultos. São atitudes que certificam que a espécie humana é a única que troca estórias entre si. O hábito provavelmente estabeleceu-se na pré-história do homem, em momentos de ociosidade dentro das cavernas, onde contavam estórias entre os acontecimentos do dia. Isto propiciou o fato da maioria dos conceitos éticos e morais aportarem no presente por intermédio de parábolas. Em função disto determinou-se que a sociedade humana só está em seu atual desenvolvimento em resultado da transmissão dos mitos e de como estes influenciaram na psique humana; é tanto que, são as ficções as responsáveis pelas explicações das mais diversas realidades espirituais, transcendentais, sociais e cósmicas.

O iniciado na Ordem Maçônica é diversas vezes conduzido em viagens simbólicas; conduzem-no por sendas imaginárias que lhe são dadas a desbravar física, emocional e mentalmente. Para aumentar o impacto e aguçar a sensibilidade emocional e cognitiva, alguns destes passeios são feitos às cegas, com os olhos vendados. Mesmo na rigidez ritualística com que estes deslocamentos físicos são efetuados, em virtude da individualidade, cada indivíduo os percebe psicológica e racionalmente a sua maneira, alicerçado em seus próprios referenciais, baseado nos mitos e sistemas de crenças previamente fixados pela sua experiência de vida.

Surge um questionamento: até onde estas jornadas da Maçonaria conduzem? Até a morte; a maior ameaça que pode atingir alguém. Cada vez que um maçom passa de grau por iniciação, dispara-se nele simbolicamente uma angústia existencial aterradora, experimenta o fim, a morte. Estas reiteradas mortes fictícias têm por objetivo negociar com o pavor da abominável destruição. Ao homem maçom é dado aprender a morrer para condições anteriores; a valores morais e éticos, e ao mesmo tempo é auxiliado emocionalmente a superar a angústia da morte. Resumindo: aprende a morrer bem, para viver bem. Para Sócrates, o homem virtuoso não pode sofrer nenhum mal, nem da vida, nem da morte. Nem da vida porque os outros podem danificar-lhe os haveres ou o corpo, mas não arruinar-lhe a harmonia interior e a ordem da alma. Nem na morte, porque, se existe um além, o virtuoso será premiado; se não existe, ele já viveu bem no aquém, ao passo que o além é como um ser no nada" (G. Reale). As religiões criaram mecanismos para atenuação emocional deste trauma: promessa de uma vida futura num jardim de delícias; restauração em um novo sistema de governo mais justo aqui na Terra mesmo; outras declaram que o adepto será levado a um lugar onde será servido por dezenas de virgens pela eternidade. O maçom, por experimentar repetidas mortes simbólicas, e havendo compreendido e praticado seu sentido simbólico, passa a gozar a vida em graus de harmonia correspondentes ao quanto ele absorveu e vivenciou daquelas experiências, e passa a ser afetado de forma positiva no conjunto de circunstâncias físicas e de relacionamento interpessoal; aproveitando no aquém as benesses de levar vida virtuosa.

A morte, por ser única, é destino que a mente humana não aceita, haja vista os genes imporem a sobrevivência a qualquer custo. Os psicodramas vividos nas passagens de grau, sabidamente lendas, objetivam e ensinam a morrer. Ao vivenciar a morte, de imediato o recipiendário normalmente alcança um entendimento razoável da mensagem, e, se mudar os seus parâmetros de vida, passa a viver cada vez melhor desde então. Entretanto, ele também é atingido por sugestões subliminares; outros pensamentos são incompreensíveis por não disporem de referenciais na base de seu entendimento. No exato instante da transferência da informação para o seu cérebro, a informação pode não ficar clara quanto ao objetivo, mas, ao longo do crescimento dentro do contexto da lenda do grau, ou em outros mais elevados, se houver esforço pessoal, despertarão percepções que linguagem alguma teria condições de verbalizar.

Porque os mitos se espalham e se mantém ao longo da linha do tempo? A ideia foi lançada pela primeira vez em 1976, por Richard Dawkins, que partiu do princípio de, em sendo as leis físicas verdadeiras, e, alicerçado na ação biológica da replicação; uma vida gera a outra vida apoiada nos genes, ele transportou os conceitos da imutabilidade das leis físicas e da capacitação replicante da genética para a capacidade humana em transmitir ideias. A cada unidade de informação ele denominou meme. Provinda do verbete grego mimeme, abreviando-o depois para meme apenas para ficar parecido com gene. Sugeriu que, assim como os genes induzem a desejar a sobrevivência pela replicação, também os memes se propagam e reproduzem no tempo pulando de um cérebro para outro. Ao aportarem no receptor, os princípios e conceitos recebidos são agrupados ao referencial existente, fundem-se ao que ele já possui. Se encontradas condições favoráveis, acabam em transformarem-se em algo aceitável, trabalhando no sentido de beneficiar seu utilizador; à semelhança das mortes sucessivas das iniciações maçônicas levarem a intuir o viver bem na vida aquém.

Considerando que "somente o sábio, que esmagou os monstros selvagens das paixões que lhe agitam no peito, é verdadeiramente suficiente a si mesmo: ele se aproxima ao máximo da divindade, do ser que não tem necessidade de nada" (W. Jäger), outras transações meméticas entre os maçons se fazem necessárias para o entendimento do que realmente a Maçonaria intenciona que cada um descubra durante sua edificação interna. Sem a troca memética não é possível descobrir que dentro de si encontra-se a lei que levará ao despertar para o culto do amor fraterno, verdade que a maioria dos grandes iniciados da história descobriram como solução única aos problemas da humanidade.

Que vindes fazer aqui? Se não for para transmitir memes às mentes de teus irmãos, quer perda de tempo maior? Depois de aprender, é só pensar, filosofar, contar histórias, enfim, transmitir memes; propiciar que os interlocutores efetuem ligações neurais e gerem em si o alimento para que se autoconstruam dentro do objetivo do "conhece-te a ti mesmo". Partindo do princípio que todos os seres humanos são tripulantes desta linda nave espacial Terra e dependerem uns dos outros para manter a supremacia como espécie, a memética é fator fundamental para manter esta condição. E como se faz isso na Maçonaria? Apresentando peças de arquitetura; lançando novas ideias; conversando após as sessões; visitando outras lojas; visitando os irmãos em suas residências; visitando aqueles irmãos que passam por situações difíceis; replicando e criticando construtivamente, dicotomizando, reconstruindo pensamentos pelos eternos ciclos de tese, antítese e síntese; derrubando conceitos antigos e construindo novos, num processo continuo de transmissão e replicação memética.

A memética é a técnica utilizada para revelar o conhecimento ao iniciado na ordem maçônica. Com esforço, dedicação e perseverança, o maçom vai misturando as estórias que lhe são contadas ao referencial pessoal e então os insights explodem em fascínio e admiração; outros pensamentos ficam dormentes no limiar da consciência para despertarem mais tarde; outros, nunca aflorarão. Certamente este é um dos caminhos que conduzem ao encontro da luz emanada do Grande Arquiteto do Universo. Como certificar-se disso? Apoiando-se na memética e viajando pelos caminhos da jornada solitária que cada um faz a sua alma, e cuja aplicação é oportunizada em cada encontro maçom.

Bibliografia:

1. ADOUM, Jorge, Do Mestre Secreto e seus Mistérios, Esta é a Maçonaria, primeira edição, Editora Pensamento Cultrix limitada., 118 páginas, São Paulo, 2005;
2. ANTISERI, Dario; REALE, Giovanni, História da Filosofia, Antigüidade e Idade Média, Volume 1, ISBN 85-349-0114-7, primeira edição, Paulus, 670 páginas, São Paulo, 1990;
3. ASLAN, Nicola, Instruções para lojas de Perfeição, Do Quarto ao 14º Graus do Ritual Escocês Antigo e Aceito, ISBN 85-7252-174-7, quarta edição, Editora Maçônica a Trolha limitada., 102 páginas, Londrina, 2003;
4. BENOÎT, Pierre; VAUX, Roland de, A Bíblia de Jerusalém, título original: La Sainte Bible, tradução: Samuel Martins Barbosa, primeira edição, Edições Paulinas, 1663 páginas, São Paulo, 1973;
5. CAMINO, Rizzardo da, Dicionário Maçônico, ISBN 85-7374-251-8, primeira edição, Madras Editora limitada., 413 páginas, São Paulo, 2001;
6. CAMINO, Rizzardo da, Os Grau Inefáveis, Loja de Perfeição, Volume 1, Do Quarto ao Décimo Grau, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha limitada., 178 páginas, Londrina, 1995;
7. CASTELLANI, José, Dicionário Etimológico Maçônico, Coleção Biblioteca do Maçom, segunda edição, Editora Maçônica a Trolha limitada., 123 páginas, Londrina, 1996;
8. Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa, versão 1.0, 2001;
9. FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio de, Dicionário de Maçonaria, Seus Mistérios, seus Ritos, sua Filosofia, sua História, quarta edição, Editora Pensamento Cultrix limitada., 550 páginas, São Paulo, 1989;
10. GUIMARÃES, João Francisco, Maçonaria, A Filosofia do Conhecimento, ISBN 85-7374-565-7, primeira edição, Madras Editora limitada., 308 páginas, São Paulo, 2003;
11. LOMAS, Robert, Girando a Chave de Hiram, Tornando a Escuridão Visível, título original: Turning the Hiram Key, Making Drakness Visible, tradução: José Arnaldo de Castro, ISBN 85-3700-044-2, primeira edição, Madras Editora limitada., 288 páginas, São Paulo, 2005;
12. OLIVEIRA FILHO, Denizart Silveira de, Comentários Aos Graus Inefáveis do Ritual Escocês Antigo e Aceito, Coleção Biblioteca do Maçom, ISBN 85-7252-035-X, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha limitada., 192 páginas, Londrina, 1997;
13. Ritual do Grau 4, Mestre Secreto, primeira edição, Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito do Brasil, 32 páginas, Rio de Janeiro, 1970;
14. SCHURÉ, Edouard, Os Grandes Iniciados, título original: Les Grands Initiés, ISBN 85-7374-620-3, primeira edição, Madras Editora limitada., 352 páginas, São Paulo, 2005;
15. VIDAL, César, Os Maçons a Sociedade Secreta mais Influente da História, tradução: Maria Alzira Brum Lemos, ISBN 85-7316-423-9, primeira edição, Ediouro Publicações S. A., 262 páginas, Rio de Janeiro, 2006.

Rito: Rito Escocês Antigo e Aceito
Grau do Texto: Aprendiz Maçom.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Homem é Luz


Charles Evaldo Boller
Sinopse: A influência da Mecânica Quântica na interpretação da Luz do homem maçom.

Matéria é energia. O contrário também vale! Toda matéria é energia, fenômeno oscilatório neste Universo do Grande Arquiteto! O espaço vazio deixou de ter significado na astrofísica, cosmologia, ciências universais e conceito de coisas sólidas. Toda matéria é "nada" nas conceituações da Física Atômica e Mecânica Quântica. O corpo humano é energia "congelada" em certas circunstâncias.
O equilíbrio de massa (m) e energia (E) na fórmula de Einstein, (E=mC²), define o comportamento dual do corpúsculo-onda, quando o fenômeno oscilatório (E) e a matéria (m) da partícula são iguais ou a mesma coisa. A mecânica quântica teoriza isto quando a massa se desloca em velocidade equivalente ao quadrado da velocidade da luz (C²); C=299.792.458 metros por segundo no vácuo; elevado ao quadrado resulta em 90.000.000.000.000.000 de metros por segundo no vácuo, algo difícil de imaginar para o prisioneiro deste planeta-lar Terra. A energia dinâmica, velocidade que possuem os fenômenos ondulatórios é tão intensa que a matéria é apenas ilusão aos sentidos da criatura. A concentração de massas, ditas desprezíveis, as partículas, é ilusão proporcionada pelo movimento oscilatório da matéria-energia. Einstein não tinha sustentação filosófica a suas deduções, então ele e cientistas coparticipantes tiveram de aderir a conceituações filosóficas orientais para obter suporte a ideia de que tudo é feito de "nada", de ondas de probabilidades. Alguns ensaios filosóficos nesta direção já haviam sido efetuados por filósofos gregos, onde os autores da Mecânica Quântica apenas consolidaram em teoria científica que, matéria e energia são a mesma coisa debaixo de certas condições. Mesmo na existência de aceleradores de partículas enormes como o Grande Colisor de Hádrons, LHC, de Genebra, os cientistas ainda continuam no campo da teoria. Mas isto autoriza especular que quando massa e energia tornam-se um, conclui-se que a criatura é Luz. Sim, Luz! Luz é fenômeno corpúsculo-onda, fenômeno oscilatório. Aquela mesma Luz que o homem justo e perfeito vai buscar na Maçonaria. O homem vai à busca de si mesmo, de sua essência, ou do "nada" de que é construído e encontra explicação para sua existência.
O Grande Arquiteto criou o Universo do "nada"; de fenômenos quanta, energia pura - campos elétricos, magnéticos, gravitacionais - que constituem o "tudo" ilusório aos sensores humanos, mas é o "nada" que existe fisicamente. "o ser não existe; existe o nada" (Górgias). Esta "nada" não tem consistência, é vazio de matéria, mas é formado de energias intensas. É "nada" do ponto de vista ilusório a que o homem é submetido, mas é "tudo" para aquele que tem a capacidade de "ver" os diversos campos energéticos interagindo entre si.
Na medida em que a mente evolui, progride também a consciência sobrenatural e espiritual. "O caminho da verdade é o caminho da razão" (Parmênides). Esotérico e sobrenatural é tudo o que se liga à ação do Criador em atos que a criatura ainda não tem como medir. São fenômenos que ficam fora do alcance de compreensão da criatura, mas podem ser sentidas e é parte do Universo. A concepção quântica da matéria transforma em ciência a visão mágica da coisa oculta. Escondida sim, mas apenas até ser desvelada. Esotérica porque ainda jaz oculta, voltada para dentro do círculo restrito de iniciados. Estes sensitivos já sentem o fenômeno há milênios sem poderem provar suas percepções numa ótica científica. Para isso o maçom filosofa dentro da Maçonaria Especulativa de tal modo a lhe sobrevir a compreensão repentina, em geral intuitiva, de suas próprias atitudes e comportamentos, de problemas, de situações ou de explicações para sua existência e tudo que decorre desta efêmera vida.
Um exemplo de indefinição é o espírito da criatura, a força ativa que sustenta a vida. Este espírito é parte do Universo, fenômeno ondulatório, talvez uma forma mais sutil de energia. No entanto, o contato com energias mais tênues leva a interpretações quânticas, físicas. Existe a realidade quântica que, em resultado da limitação planetária do ser, está congelada como manifestação de baixa ou alta oscilação que a impede de ser percebida pelos sensores naturais. A audição pode ser usada para exemplificar: os tímpanos percebem entre 20 Hz e 20000 Hz - significa que as oscilações mecânicas fora desta faixa de frequência não existem? É claro que existem! Apenas não são percebidas pela audição humana. O que o homem carece é de dispositivos artificiais que lhe aumentem a capacidade de perceber frequências de qualquer espécie fora de sua limitação física.
Experiências de laboratório para medir o "sopro da vida" estão em andamento. Apenas não saíram do campo da experimentação porque os dispositivos de medição e detecção deste fenômeno ondulatório exigem mais sensibilidade. Para onde migra a essência vibratória, espírito da criatura após a instalação da inatividade não é mistério! Religa-se, volta de onde foi tomada. "tudo está em tudo"; "em cada coisa há parte de cada coisa" "nada vem do nada nem vai para o nada" (Anaxágoras). Estamos conscientes das leis de conservação da energia. Matéria nunca deixou de ser energia: a lenha, quando queima, passa de uma forma de energia para outra. A força ativa, ou espírito, que dá animação ao ser, vibra numa frequência que ainda não conseguem medir, a exemplo das frequências imperceptíveis ao tímpano humano.
Todo o Universo é resultante de constante pulsar energético. A oscilação universal é equilíbrio de forças, de energias. Heráclito afirmou que "tudo é um" e "do um deriva tudo" e que desta harmonia na unidade se encontra a "unidade dos opostos", é o "princípio" ou Deus ou o divino. Não convém arriscar a definição da divindade como fenômeno ondulatório porque esta resulta em discussão vazia e sem propósito. À semelhança dos Iluministas, discutir a essência de uma Entidade desta magnitude é inútil dada à limitação do conhecimento humano. Basta percebê-Lo com a razão e a sensibilidade espiritual que já está de bom tamanho. A razão, componente material, diz que para haver "ordo ab chao", ordem no caos, há necessidade de uma Mente Orientadora, física, de outro lado, a espiritualidade, espírito é a componente energética, oscilatória, demonstra que Ele existe e ama suas criaturas.
A dualidade é percebida há muito pelo homem, principalmente nas culturas onde o conhecimento desenvolveu-se livre, como a cultura oriental. O mundo ocidental já absorveu algo da filosofia oriental; hoje, o "Avatamsaka-sutra" e o "Yin" e "Yang" do "Tao Te Ching", são parte do cotidiano do pensador ocidental com sua dicotomia, a divisão lógica de um conceito em dois outros conceitos, em geral contrários, que lhe esgotam a extensão. Sem a oscilação universal as dualidades presentes no comportamento, psique, moral, ética, etc. Não seriam perceptíveis - nada seria percebido sem o oposto. Onde não existe oposição, contrário, ou está morto ou não é perceptível aos sensores disponíveis. Isto é parte da constituição elementar do Universo.
Interprete-se a morte apenas como ausência de movimento. Em verdade a morte da criatura foi usada apenas como símbolo de inatividade, entretanto, é quando se manifesta intensa movimentação e mutação - daí ser usada como símbolo de purificação nas diversas iniciações da Maçonaria. A mente humana só percebe fenômenos onde existe dualidade, oscilação porque isto é característica de sua constituição em todos os sentidos. Percepção, indução, intuição dos fenômenos oscilatórios é questão de ponto de vista e de sensibilidade individual, mas consistem de fenômenos oscilatórios. O Universo é percebido porque está vivo, vibra, treme, oscila. Gaia é conceito de planeta vivo e que chamamos Terra. Estar vivo é manifestação de fenômeno oscilatório. Movimento é energia. Luz é energia. Matéria é energia. O animal vivo ou seu corpo morto é energia em todas as suas componentes. O homem como ser vivente e transcendente é Luz! Energia!
O maçom deixa de produzir em si e refletir a Luz quando não se modifica. Nas vezes em que não frequenta as sessões onde seus irmãos o podem influenciar para o bem ele deixa de alimentar suas energias nucleares, carregar suas baterias, resultantes do toque ou até da proximidade. Maçom ausente não é reconhecido maçom! Não são apenas os outros maçons que não o reconhecem como tal, mas ele mesmo fica impossibilitado de reconhecer a emanação de sua Luz, visto como fenômeno ondulatório sutil. Sendo ele constituído de energia, o seu absentismo o afasta dos corpos energéticos de seus irmãos, passando a não beneficiar-se da fraterna e modificadora convivência. O contato com os fenômenos ondulatórios de outras pessoas revela segredos profundos do Universo, muito mais efetivas que as falsas realidades que o sistema e atividade social oferecem. A convivência intensifica a unidade com o todo que o rodeia e de onde o homem é originário, e por extensão, com o Universo. Não tem nada de mágico, o templo onde se reúnem os maçons é local que mantém memória magnética, remanência, resiliência, de forças energéticas poderosas emanadas do pensamento e de cujos aspectos quânticos os maçons aproveitam-se para atravessar portais para outras realidades.
Também é prejudicial ao autodesenvolvimento ou iluminação do maçom tudo o que contamina a Luz da convivência com outros maçons, como interesse financeiro, comércio, poder, usura, benefício mútuo, lobby, vaidade, indisciplina. Isto vem na contramão da intenção da ordem maçônica propiciar o caminho para a Luz. A própria Maçonaria admite a existência deste malefício em suas colunas quando o Ritual do Aprendiz Maçom afirma que a Ordem Maçônica hodierna tornou-se "sociedade de auxílio e elogios mútuos, com inclinação para a ação política militante, regida por princípios de moralidade barata e movimentada por interesses inconfessáveis". Para viver bem é essencial a adesão a preceitos morais e éticos que tornam a vida agradável de ser vivida e minimizam a agonia da crise existencial, tornando a passagem pelo mundo ilusório da vida física mais agradável e prazerosa. "Todo país da Terra está aberto ao homem sábio, porque a pátria do homem virtuoso é o Universo inteiro" (Demócrito). É a razão de uma loja ser a união de pessoas de bons costumes reunidos em fraternidade Universal. Explica a inutilidade ao desperdiçar energias com assuntos profanos, fúteis, desnecessários, carentes de valor universal. Ensina a bem direcionar a Luz de cada maçom é portador.
A amizade, que é filha do amor, é um dos sentimentos que mais contribuem para alimentar a energia da Luz. É dela que efluem energias que emanam do Universo e de sua constituição energética. A amizade é estreitada pelas energias que provém do toque físico. Os irmãos que estão sempre presentes em loja trocam estes tipos de energias quando se tocam. É o aperto de mão. É o beijo fraterno que os mestres maçons conhecem tão bem. É o abraço fraternal em todas as ocasiões. O toque não é apenas agradável, ele é necessário! A pesquisa científica confirma a teoria da estimulação pelo toque como absolutamente necessária ao bem-estar físico e emocional. É ferramenta terapêutica usada para aliviar dor, depressão e ansiedade. Estimula a vontade de viver. Faz as pessoas se sentirem melhores consigo mesmas e com o ambiente que as cercam. Desenvolve a linguagem corporal e a capacidade intelectual flui com maior naturalidade.
Dentre os toques, os mais portáteis são o aperto de mão e o abraço fraternal. O mais efetivo dos dois é o abraço. É ele quem coloca coração perto de outro coração. Provoca mudanças fisiológicas que são mensuráveis naquele que é tocado. É processo de troca de energias recíprocas, são papéis intercambiáveis. Tanto aquele que dá um abraço como aquele que o recebe trocam energias psíquicas e emocionais fundamentais de sua natureza humana e originária de elementos tomados da Terra, do Universo. O abraço não atribui culpas nem julga. É válvula de escape na sociedade reprimida onde, em virtude de hipocrisias e falsidades, não se desenvolve o hábito de pedir apoio emocional. Eleva a autoestima e faz seus adeptos sentirem-se dignos do amor. O abraço não tem conotação sexual.
Se alguém não entende o valor do abraço, não é caso de preocupar-se. Para alguns é muito difícil abraçar. Algumas vezes é necessário construir primeiro uma confiança mais forte para fazer-se entender e aceitar o poder que emana de um abraço. Para os maçons fica muito mais fácil entender este valor, haja vista que quando se abraçam o fazem por três vezes, quando não por três vezes três, ou nove vezes. O abraço é uma forma muito especial de toque que contribui fundamentalmente na geração da energia necessária à irradiação da Luz em qualquer empreitada que o homem se dedica. Os mais antigos na ordem maçônica que o digam. Principalmente aqueles que já permitiram que a Maçonaria penetrasse em si que se pronunciem.
Que todos os irmãos passem a se abraçar mais vezes com seus pares, a qualquer hora, em qualquer lugar. E confirmem que o sentimento de amizade é estreitado pelo abraço fraternal e é capaz de realizar milagres. Se o Projetista criou o homem com um coração e dois braços para abraçar, certamente deve ter, entre outros propósitos, a geração e difusão de energias benéficas para facilitar a vida feliz neste maravilhoso paraíso ao qual denominamos Terra. E que se tenha em mente que é do amor que verte a força da Luz para prosseguir na caminhada pelos caminhos do Jardim do Éden.
A mais subida glória é dada à obra criava do Grande Arquiteto do Universo, que de forma magistral criou "tudo" a partir do "nada" físico propiciando meios para as criaturas se amarem uns aos outros. De parte do amor do Criador o fluxo energético é tão intenso que cada criatura a pode usar para manter boa saúde e muitos momentos de felicidade. A criatura é livre! Livre para pensar e evoluir segundo um pensamento maior. Só depende de a criatura utilizar-se das potencialidades energéticas das quais a sua própria constituição física é parte. Já que tudo é energia, vibra e oscila nas mais variadas frequências, convém trocar estas influências com todo ser vivente que compartilha deste magnífico Jardim do Éden.

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, autor, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 62 anos de idade.

Bibliografia:
1. ANTISERI, Dario; REALE, Giovanni, História da Filosofia, Antiguidade e Idade Média, Volume 1, ISBN 85-349-0114-7, primeira edição, Paulus, 670 páginas, São Paulo, 1990;
2. BEHRENS, Marilda Aparecida, Paradigma da Complexidade, Metodologia de Projetos, Contratos Didáticos e Portfólios, ISBN 85-326-3247-5, primeira edição, Editora Vozes limitada., 136 páginas, Petrópolis, 2006;
3. BLASCHKE, Jorge, Somos Energia, o Segredo Quântico e o Despertar das Energias, tradução: Flávia Busato Delgado, ISBN 978-85-370-0643-6, primeira edição, Madras Editora limitada., 172 páginas, São Paulo, 2009;
4. CAPRA, Fritjof, O Ponto de Mutação, A Ciência, a Sociedade e a Cultura Emergente, título original: The Turning Point, tradução: Álvaro Cabral, Newton Roberval Eichemberg, primeira edição, Editora Pensamento Cultrix limitada., 448 páginas, São Paulo, 1982;
5. DAWKINS, Richard, A Grande História da Evolução, título original: The Ancestor's Tale, a Pilgrimage to the Dawn of Life, tradução: Laura Teixeira Motta, ISBN 978-85-359-1441-2, primeira edição, Companhia das Letras, 760 páginas, São Paulo, 2004;
6. Paraná, Grande loja do, Ritual do Grau de Aprendiz Maçom do Rito Escocês Antigo e Aceito, terceira edição, Grande loja do Paraná, 98 páginas, Curitiba, 2001;
7. QUADROS, Bruno Pagani, O Pensador do Primeiro Grau, Coleção Biblioteca do Maçom, ISBN 978-85-7252-247-2, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha limitada., 184 páginas, Londrina, 2007;
8. RODRIGUES, Raimundo, A Filosofia da Maçonaria Simbólica, Coleção Biblioteca do Maçom, Volume 04, ISBN 978-85-7252-233-5, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha limitada., 172 páginas, Londrina, 2007;
9. SCHLOESSINGER, Kathleen Keating, A Terapia do Abraço, título original: The Hug Therapy Book, tradução: Paulo Noland, décima edição, Editora Pensamento Cultrix limitada., 80 páginas, São Paulo, 1994.

Biografia:
1. Anaxágoras ou Anaxágoras de Clazômenas, astrônomo e filósofo de nacionalidade grega. Nasceu em Clazômenas, Jônia em 499 a. C. Faleceu em 428 a. C. Filósofo pré-socrático;
2. Demócrito ou Demócrito de Abdera, filósofo de nacionalidade grega. Nasceu em 16 de janeiro de 460 a. C. Faleceu em 371 a. C. Da era pré-socrática que fundou a atomística e estudioso da matemática e física, em cultura semelhante à Aristóteles;
3. Einstein ou Albert Einstein, cientista, filósofo e físico de nacionalidade alemã e norte-americana. Nasceu em Ulm, Alemanha em 14 de março de 1879. Faleceu em Princeton, Estados Unidos da América em 18 de abril de 1955 com 76 anos de idade. Notável investigador e criador da teoria da relatividade;
4. Górgias ou Górgias de Leontini, diplomata, filósofo, professor e sofista de nacionalidade grega. Nasceu em Sicília em 485 a. C. Faleceu em 385 a. C. Discípulo de Empédocles e de Tísias;
5. Heráclito ou Heráclito de Éfeso, filósofo de nacionalidade grega. Nasceu em Éfeso, Jônia em 540 a. C. Faleceu em Éfeso, Jônia em 470 a. C. Afirmava que tudo era feito de fogo;
6. Niels Bohr, físico de nacionalidade dinamarquesa. Também conhecido por Niels Henrik Bohr ou Niels Henrik David Bohr. Nasceu em Copenhague em 7 de outubro de 1885. Faleceu em Copenhague em 18 de novembro de 1962 com 77 anos de idade. Autor da teoria quântica atômica, que altera vários conceitos da física clássica.

Data do texto: 01/06/2012.
Área de Estudo: Ciência, Espiritualidade, Filosofia, Maçonaria.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

A Repetição dos Rituais

Charles Evaldo Boller
Sinopse: A razão da repetição ritualística nos trabalhos maçônicos.
Nos relacionamentos o homem é constantemente provocado pelos outros, o que o leva a adotar diferentes comportamentos em resultado do estado neurofisiológico em que se encontra. E cada instante reage de forma diferente; ocorrem fatos iguais onde como organismo emocional ele reage de forma diversa. Ao encontrar-se num ambiente pacífico reage com estados mentais que o habilitam a desenvolver bons relacionamentos, estes podem ser: confiança, amor, força interior, alegria êxtase, crença; todas elas liberam grandes porções de poder pessoal. Ao encontrar-se num ambiente em permanente contenção, as reações químicas do cérebro o levam a paralisar, inibem sua capacidade de entrar em ação, onde entram: culpa, confusão, depressão, medo, ansiedade, tristeza, frustração; todas retiram o poder pessoal.
Entender os estados em que se está e que aqueles com quem se convive também estão sujeitos, é a chave para entender mudanças. O comportamento é resultado dos estados em que cada um se encontra na linha do tempo. Nunca é constante. A título de exemplo: quando ocorre de alguém nos tratar com pouco caso, indiferença, a saída mais lógica e racional é desenvolver um sentimento de compaixão ao invés de raiva. Porque raiva é um estado mental que bloqueia a ação, e um homem sem ação não trabalha o que seu espírito desenvolve, não cria condições para o florescimento do amor fraterno.
Conhecer a si mesmo leva a encontrar a chave para tomar conta do próprio estado emocional, a compreender o estado emocional dos outros, e em consequência da mudança de atitude defronte aos desafios. O outro só muda quando se muda o próprio comportamento. O outro só muda se eu mudar. A chave é tomar conta do próprio estado em consequência do próprio comportamento e com isto influenciar os que nos rodeiam. Este é o poder que detona o processo de transformação do invisível em visível. O mais extraordinário é que cada um já o possui.
Pela repetição dos rituais, deduz-se a importância de fazer o que é determinado e desenvolve-se a capacidade de decidir o que se deseja; a repetição é a mãe da perfeição. Pelo exemplo repetitivo dos rituais incute-se a disciplina para decidir o que se deseja e então entrar em ação, ponderando sobre o que está funcionando e o que não funciona, ou nunca irá funcionar. Com esta certeza em mente determina-se a mudança e busca-se realizar o enfoque até alcançar o que se quer.
O cidadão hodierno, além das necessidades elencadas por Maslow, tem necessidade de varrer para fora da mente todo o lixo mental que a entope. Vítima da condução das massas promovida pela mídia, a vida política e social culmina em transformar-se em enfermidade, moléstia de que as massas padecem e que aviltam o ser. O maçom, em sua loja, efetua limpeza da mente em resultado da repetição contida no ritual e começa a ver a luz do conhecimento sem dogmas o que favorece o desenvolvimento da capacidade de pensar com isenção e equilíbrio.
Quando em loja, o maçom tem a oportunidade de treinar todas as nuanças de sua psique em resultado da repetição com novo enfoque que cada encontro proporciona. Some-se a isto aquilo que os irmãos declaram e expõem de sua própria experiência de vida e toda sessão maçônica resulta numa bagagem adicional a ser levada para casa ao final dos trabalhos. E se, além da aplicação instrucional tradicional, são promovidas conversas descontraídas sobre temas políticos, sociológicos, filosóficos e antropológicos, cada maçom presente muda a si mesmo e com isto influi no meio social em que atua. A constante repetição da receita do ritual serve de lastro e prepara o ambiente com energias que apenas podem ser sentidas porque constitui o sagrado que existe no maçom, a mais íntima expressão metafísica que possibilita a mudança - é onde cada maçom atua à glória do Grande Arquiteto do Universo.