domingo, 24 de abril de 2011

A Prática da Dinâmica de Grupo na Maçonaria

Charles Evaldo Boller

Sinopse: O debate em sessão maçônica é poderosa ferramenta de transferência de conhecimentos.

É no debate, na atividade em grupo que o ser humano, considerando seus valores e princípios, acumula conhecimentos em resultado da experiência da vida em grupo. Esta experiência de vida em comum com as pessoas tem caráter de transmitir complicados processos de pensamento em resultado da reciprocidade dos processos da comunicação humana. Isto acontece na divisão do trabalho e na organização social, e principalmente numa sessão maçônica, onde os homens se reúnem para discutir temas e com certeza sempre saem de uma reunião com pensamentos individuais melhorados. Sobressai o patrimônio cultural da comunidade e cada indivíduo é enriquecido de forma surpreendente. Todos os participantes se beneficiam do esforço intelectual de cada membro do grupo.

Uma analogia simples é comparar as atividades do pensamento ao fato de vivenciar que é da reunião de pequenas poupanças que surge o desenvolvimento social. São exemplos: as instituições bancárias, as empresas de investimento, cooperativas, sociedades anônimas, e outras. Basta estender este raciocínio para o trabalho em grupo de um debate bem dirigido. Os debates da Maçonaria funcionam qual cooperativa intelectual; todos ganham dividendos imediatos em resultado de sua produção em equipe. Somam-se as experiências individuais e cada participante passa a ser depositário do conhecimento dos demais participantes.

Quando se cria em loja um processo sistemático de transmissão de experiência, além de transformar os momentos de reunião em algo prazeroso ela se torna rentável até em termos financeiros porque os dividendos do investimento intelectual ocorrem imediatamente se a experiência acumulada em resultado do somatório das experiências individuais for colocada em prática. É onde o maçom torna-se homem de ação e progride em seu meio social. Desenvolver os processos mentais não é tarefa individual, algo que se possa efetuar com sucesso longe do convívio social: o acumulo de conhecimentos é um processo coletivo e sua aplicação é individual; dependendo apenas de como cada participante aceita mudar a si próprio; é a prática do famoso "conhece-te a ti mesmo" de Sócrates.

O interessante destes procedimentos é a ascensão de uma nova era de transmissão de experiências. Com isto desaparece a figura do professor, do ministro, do sábio, e prevalece a força do grupo sem a ocorrência de desperdícios da experiência acumulada. O coordenador de um grupo de debate não é professor ou chefe. Os debates devem nivelar a loja; todos os degraus e balaustradas devem sumir para que aconteça a igualdade do grupo. O coordenador é quem menos fala, mas pode ser aquele que detém maior conhecimento sobre o assunto em pauta. Quem debate são os membros do grupo, o coordenador é mero participante em pé de igualdade e tem autoridade apenas para ceder a palavra ou retornar o debate ao tema quando eventualmente ocorre desvio. Com a participação ativa de cada membro no debate, os participantes passam a gostar cada vez mais das atividades culturais porque é a essência do ócio criativo defendido por Domenico de Masi.

No debate desaparecem as cercas divisórias incutidas pela divisão do trabalho da sociedade que dá aos participantes classificações como: engenheiro, médico, balconista, arquivista, e outros. Estas designações funcionam como etiquetas que são afixadas a cada cidadão e muitas vezes os fazem despercebidos no meio social em que vivem, como é o caso das atividades mais humildes, mas extremamente importantes como por exemplo: garis, faxineiros, copeiros garçons, e outros. O debate em loja tem o objetivo de eliminar estas diferenças e propiciar a participação de todos em pé de igualdade. Vale o poder do pensamento. E é desta diferença cultural que o grupo de debate se vale para melhorar cada um de seus participantes. São eliminadas as estereotipadas diferenças burocráticas e enaltecidos os valores de cada indivíduo.

Todos os maçons são cultos na base experimental de valores e princípios. Todo homem é culto. Por vezes o mais humilde participante de um grupo de debate é o que mais contribui com experiência ao tema que está em discussão. Frequentemente é dos calados e humildes que afloram as melhores soluções ao tema que está em discussão. Dai um dos graus do Rito Escocês Antigo e Aceito afirmar que o conhecimento não é questão do cargo, mas resultado do espírito colaborativo que surge num grupo de debates. Num debate ninguém dorme. Não existem as aulas ministeriais, desaparece a figura do doutor e do professor; todos são iguais conforme estipulado pelo dístico: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

Comparando a atividade oratória numa palestra com um vibrante debate entre diversos irmãos: com cinco minutos de oratória as mentes dos ouvintes iniciam um processo de divagação, em sete minutos desvio para outros pensamentos, em dez minutos acontece bloqueio total das palavras do orador, o ouvinte pode chegar até a dormir; resultado: pouco é aproveitado por tratar-se de atividade passiva. Num debate isto não acontece. Todos ficam ligados ao debate porque podem ser acionados a qualquer momento a se pronunciarem sobre o assunto e só esta expectativa mantém todos vigilantes a ativos; resultado: muito do conhecimento compartilhado é aproveitado pelos elementos do grupo.

Numa loja maçônica existe o ambiente propício para o desenvolvimento de debates produtivos e motivadores porque as sessões estão pautadas em: Disciplina treinada de falar um de cada vez, sem apartear o orador que está com a palavra; O princípio da autoridade calcada na hierarquia que todos respeitam e obedecem; não degeneração em sufocação da liberdade ou coação; A hierarquia não impede que os membros se considerem pessoas livres e questionem ordens - sem questionamento desaparece a responsabilidade; Homens motivados em serem amigos da sabedoria ("Philos" e "Sóphia"), o filosofar maçônico que faz a todos crescerem muito além daquilo que cada um tem em si antes de adentrar ao templo; personalização do indivíduo - são construídos homens diferentes de instrumentos de uma linha de produção ou simples executores de ordens; Conscientização da necessidade de participação de indivíduos menos cultos; grupo que desenvolve um ambiente amoroso e fraterno; princípio da igualdade; obediência às leis e regulamentos; e outras características.

As sessões com debates atraem as pessoas porque cada obreiro sai fortalecido e renovado da reunião para suas atividades do cotidiano. Torna-se mais astuto na convivência com outras pessoas, fugindo às demandas improdutivas e com isto cresce no meio social. Tal disposição mental é resultado da convivência e do treinamento a que se sujeita dentro da loja em debates onde sua capacidade intelectual vive em constante desafio para montar o pensamento para o bem da comunidade. E como construtor da sociedade o maçom obtém sucesso em seu meio social e dá honra e glória ao Grande Arquiteto do Universo.

Bibliografia:
 1. ANTISERI, Dario; REALE, Giovanni, História da Filosofia, Antigüidade e Idade Média, Volume 1, ISBN 85-349-0114-7, primeira edição, Paulus, 670 páginas, São Paulo, 1990;
 2. BERKENBROCK, Volney J., Dinâmicas para Encontros de Grupo, ISBN 978-85-326-2916-6, primeira edição, Editora Vozes limitada., 148 páginas, Petrópolis, 2008;
 3. LIMA, Lauro de Oliveira, Dinâmicas de Grupo, na Empresa, no Lar e na Escola, Grupos de Treinamento para a Produtividade, ISBN 85-326-3151-7, primeira edição, Editora Vozes limitada., 310 páginas, Petrópolis, 2005;
 4. MASI, Domenico de, Criatividade e Grupos Criativos, título original: La Fantasia e lá Concretezza, tradução: Gaetano Lettieri, ISBN 85-7542-092-5, primeira edição, Editora Sextante, 796 páginas, Rio de Janeiro, 2003;
 5. MASI, Domenico de, O Futuro do Trabalho, Fadiga e Ócio na Sociedade Pós-industrial, título original: Il Futuro del Lavoro, tradução: Yadyr A. Figueiredo, ISBN 85-03-00682-0, nona edição, José Olympio Editora, 354 páginas, Rio de Janeiro, 1999;
 6. MASI, Domenico de, O Ócio Criativo, tradução: Léa Manzi, ISBN 85-86796-45-X, primeira edição, Editora Sextante, 328 páginas, Rio de Janeiro, 2000;
 7. RUSSELL, Bertrand Arthur William; MASI, Domenico de; LAFARGE, Paul, A Economia do Ócio, ISBN 85-86796-87-5, primeira edição, Editora Sextante, 184 páginas, Rio de Janeiro, 2001.

Data do texto: 24/04/2011.
Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná.
Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.
Local: Curitiba.
Grau do Texto: Aprendiz Maçom.
Área de Estudo: Comportamento, Cultura, Educação, Filosofia, Liberdade, Maçonaria, Pedagogia.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

As Inspiradoras Colunas Booz e Jaquin


Charles Evaldo Boller

Sinopse: Especulação a respeito da função das colunas Booz e Jaquin com uso da física quântica.

O significado simbólico maçônico das duas colunas é controverso e confuso se comparado ao que diz a bíblia judaico-cristã, em I Reis 7:13-22. Em essência elas decoram e demarca a entrada do templo, o portal do iniciado no caminho da luz, do conhecimento gradativo de seu eu, de seu interior, do seu templo, da sua espiritualidade.

Pesquisando diversos autores maçônicos respeitados, eles também têm inúmeras explicações que conduzem a um intrincado labirinto de justificativas aonde algumas delas são baseadas em postulações herméticas ocas, tão vazias como o próprio interior das colunas, inaceitáveis ao cético e filósofo que adota o princípio heurístico da pesquisa científica que concebe a natureza como máquina, que debita tudo à matemática e casualidades estatísticas previsíveis. Entretanto, esta visão mecanicista do século passado aos poucos vai cedendo espaço a teoria da física quântica. A cada instante novos conceitos antigos desabam na presença de novos conceitos e provas científicas que, da mesma forma em que o mecanicismo derrubou velhas crendices místicas, este mesmo mecanicismo é hoje criticado e tem seus conceitos derrubados na edificação de novas conceituações científicas da física quântica. Porque não reunir todo o conhecimento antigo e o novo? As duas colunas não estariam colocadas à vista dentro do templo maçônico exatamente para materializar a possibilidade de novo salto do pensamento?

Se tomadas com o propósito de apenas representarem a porta de entrada para o conhecimento, desconsideradas as características que lhe desejam debitar os que defendem interpretações místicas, alquímicas e mágicas, as colunas nada mais são que a delimitação do lado externo e o interno do templo. São construídas com metal nobre porque o portal separa dois mundos, e é importante, de um lado o mundo profano e do outro o templo, a representação de algo maior, que o iniciado vai garimpar com suas bateias mentais dentro de si mesmo.

Desconsiderando o que foi omitido em relação ao original descrito pela bíblia judaico-cristã, para cada componente hoje existente no símbolo que representam as colunas, inúmeras são as explicações criadas pelas especulações dos livres pensadores e nada disso deve configurar verdade absoluta, final. Assim como a física quântica desbanca o mecanicismo e este derrubou o misticismo. Cada elemento da composição artística do símbolo está aberto para estudos predominantemente teóricos do raciocínio abstrato de cada maçom. Dar como terminada a sua função especulativa é desrespeitar o símbolo e impor ditadura dogmática. A cada maçom é dada a oportunidade de postular suas próprias conjecturas sobre o significado de cada componente das colunas que decoram a entrada do templo, o seu próprio templo. Ademais, o obreiro é quem mais conhece daquele corpo, daquele templo, pois o usa como receptáculo de seu próprio sopro de vida.

Para lojas, como as do Rito Escocês Antigo e Aceito da Grande loja do Paraná, onde as colunas Booz e Jaquin estão locadas dentro do templo, no extremo ocidente, cerca de dois metros da porta, onde existe este espaço, sua locação é comumente confundida com as colunas norte e sul. A interpretação mais usual da ação de ficar entre colunas é considerada postar-se entre as colunas Booz e Jaquin, e isto é uma interpretação incorreta. Ficar entre colunas é postar-se entre as colunas norte e sul, entre irmãos, entre pessoas de carne e ossos, sobre uma linha imaginária que une o altar do primeiro vigilante com o do segundo vigilante e no local onde cruza com o eixo longitudinal do templo. A abrangência de encontrar-se entre as colunas norte e sul só termina no primeiro degrau que separa oriente do ocidente. Ali o obreiro tem a certeza que não será interrompido em sua oratória e seus irmãos têm certeza que tudo o que for dito é a verdade da ótica daquele que fala, pois uma mentira ali tem graves consequências. Estar locado entre colunas, entre irmãos, obriga o obreiro a responder todas as perguntas que lhe forem dirigidas com sinceridade, sem omissão, sem reserva mental.

A loja maçônica não é representação real, maquete, cópia fiel do Templo de Jerusalém, e sim, representação simbólica de alguns aspectos físicos daquele. Estarem as colunas Booz e Jaquin no átrio ou dentro do templo seria indiferente, não fosse o propósito a que servem. Na bíblia judaico-cristã elas são designadas como colunas vestibulares, de vestíbulo, algo locado entre a rua e a entrada do edifício, portanto, colocadas fora da edificação, ao lado das portas, formando portal de acesso ao interior. No templo real é assim, mas no simbólico isto não se aplica. Se for para colocar rigidez neste raciocínio de fidedignidade com o templo real, que se retirem de dentro da loja maçônica as colunas zodiacais, a mobília, altares, balaustrada, pisos, diferença de nível entre oriente e ocidente, decoração do teto, sólio, enfim, tudo o que não existe no templo de Jerusalém; podem ser levantadas especulações as mais diversas, mas o lugar das colunas num templo maçônico é em seu interior. Por questão de coerência com a bíblia judaico-cristã elas poderiam ficar fora do templo, mas elas devem estar locadas dentro do templo porque todos os objetos e elementos decorativos em loja no Rito Escocês Antigo e Aceito tem finalidade educacional. Participam dinamicamente da metodologia para ensinar aos obreiros as verdades necessárias para sua escalada na construção de sociedade justa. Colocar as colunas Booz e Jaquin fora de vista não faz sentido propedêutico na instrução maçônica. Considerando a utilização como instrumentos de trabalho, as ferramentas devem estar à vista do estudante, do obreiro que trabalha na pedra bruta. Principalmente se na parte oca das colunas Booz e Jaquin estão guardadas outras ferramentas de trabalho.

As colunas, todas as ferramentas e objetos utilizados têm significado simbólico, são parte da lenda materializada como método iniciático, propedêutico, introdução ao caminho que cada maçom deve encetar para entender o que a filosofia da Maçonaria deseja incutir em sua mente. As colunas fazem parte da ficção inventada ao redor da vida de Hiram Abiff, figura referenciada na bíblia judaico-cristã, cuja estória constitui lenda dentro da Maçonaria. É ficção, mas transmite conceitos profundos de moral e ética até para pessoas sem formação escolar básica, que não têm vivência com o abstrato. Esta limitação do trabalhador da pedra com respeito ao abstrato é o que exige a presença física das colunas dentro do templo. Com isto a Maçonaria transmite conceitos filosóficos profundos para qualquer pessoa, independente de sua formação intelectual. É o princípio da igualdade em ação. É dentro do templo que o maçom procura ser amigo da sabedoria, "phílos" + "sophía", filosofia que visa o desenvolvimento do filósofo especulador simples e não o erudito ou homem de instrução vasta e variada. Ao maçom basta o conhecimento que propicie liberdade independente de formação ou berço. O resultado almejado é a geração de sociedade onde a fraternidade, mesmo em presença de rusgas características das relações interpessoais, é de fato praticada indistintamente por todos os seus membros.

Um símbolo não observável é o mesmo que um ato de fé e acreditar no inexistente; este não é o caso da Maçonaria que rechaça dogmas com veemência. Reportar-se às colunas de bronze Booz e Jaquin fora de vista são o mesmo que dizer: - Acreditem, elas existem lá fora! - Ou ainda: - irmão aprendiz vá lá fora buscar maço e cinzel para trabalhar na pedra bruta. - Todas as ferramentas devem estar dentro do templo depois que a loja estiver aberta. Ninguém sai ou entra no templo sem uma razão muito forte depois que os trabalhos começaram. Não é lógico o pedreiro adentrar a oficina sem suas ferramentas. Acreditar que as colunas existem lá fora tornaria a sua existência em algo assemelhado aos dogmas que as religiões impingem aos seus fiéis para forçá-los a aceitarem postulações que não podem ser vistas, não tem lógica, ou realmente são apenas lendas. A ordem maçônica usa lendas, mas ela informa claramente, explicitamente, que tudo não passa de ilustração, a materialização de ficção para fins exclusivamente educacionais. As colunas Booz e Jaquin são verdadeiras e físicas dentro da loja e devem estar lá para objetivo que pode numa primeira instancia fugir ao entendimento. Será que elas não têm outros significados que simplesmente albergar as ferramentas e suportar romãs e globos?

Todos os símbolos usados pela pedagogia da ritualística maçônica devem ficar ao alcance da vista para permitirem sua utilização material e propiciarem, a partir disto, a construção, a concepção de pensamentos abstratos sem adentrar na seara pantanosa dos dogmas; apresentar algo duvidoso como certo e indiscutível, cuja verdade se espera que as pessoas aceitem sem questionar. No passado, quando não existia explicação para determinado fenômeno, creditava-se este a influências misteriosas e mágicas, o mesmo ocorre com um símbolo fora da vista em qualquer era. Os homens são limitados por seus sensores e em função de sua clausura no planeta Terra.

Na escola primária, na fase concreta dos métodos de ensino, os conceitos abstratos são transmitidos via materialização, por exemplo: como explicar o zero para uma criança? Colocam-se dois objetos a vista e depois se subtrai estes da visão, ficando o nada, definindo o vazio; gravando na mente o conceito de zero. Para usar um símbolo ele deve ser visto, ao menos numa primeira instância; depois de firmado o conceito abstrato, o cérebro se encarrega de completar o que fica invisível aos olhos.

A ciência avança nas áreas da física quântica, cosmologia, psicologia transpessoal e revela continuamente a existência e ação de energias, verdades e realidades que colocam em xeque crenças e ideias a respeito do Universo. É isto que a Maçonaria visa com sua motivação à autoeducação e o despertar dos imensos potenciais que até o momento existem apenas em resultado de experiências empíricas transmitidas pelos sentidos. Aos poucos, os maçons de formação mecanicista, influenciados pelos místicos e sensitivos passam a entender ou absorver o funcionamento destas energias, não como mágica, mas com alicerce científico. Partindo da especulação incutida pela física quântica especula-se em torno das possibilidades de sentir e usar das energias que constituem o Universo, ou Universos. É a razão de manter as colunas Booz e Jaquin dentro do templo, como modelo de dipolo energético de campos elétricos, magnéticos e gravitacionais, ou quem sabe, portal para outros Universos, talvez concentradores das energias da cosmologia quântica de que o homem é feito. É o mesmo que ensinar o conceito do zero para as crianças do jardim da infância, há necessidade de manter o modelo, o inspirador de novos pensamentos até o instante em que o mais cético venha a entender o que os outros irmãos sentem e interpretam de forma empírica. Os exercícios especulativos podem então inspirar novos modelos e, quem sabe, surjam novas ciências e conhecimentos que projetem o homem ao encontro de seu futuro.

Ao passar pelas colunas Booz e Jaquin o obreiro entra na oficina recheada de ferramentas de trabalho em direção à luz, a sabedoria necessária para burilar a pedra bruta. Trabalha nele próprio até obter uma linda e bem formada pedra cúbica polida, isto é o resultado da polidez e educação maçônica que honra o Grande Arquiteto do Universo e que toma seu lugar de destaque na sociedade humana.

Bibliografia:
 1. ALMEIDA, João Ferreira de, Bíblia Sagrada, ISBN 978-85-311-1134-1, Sociedade Bíblica do Brasil, 1268 páginas, Baruerí, 2009;
 2. BLASCHKE, Jorge, Somos Energia, o Segredo Quântico e o Despertar das Energias, tradução: Flávia Busato Delgado, ISBN 978-85-370-0643-6, primeira edição, Madras Editora limitada., 172 páginas, São Paulo, 2009;
 3. DANTAS, Marcos André Malta, Do Aprendiz ao Mestre, ISBN 978-85-7552-283-0, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Limitada, 248 páginas, Londrina, 2010;
 4. GOSWAMI, Amit, O Universo Autoconsciente, como a Consciência Cria o Mundo Material, tradução: Ruy Jungmann, ISBN 85-01-05184-5, segunda edição, Editora Rosa dos Tempos, 358 páginas, Rio de Janeiro, 1993;
 5. MICHEL, Oswaldo da Rocha, O Sentido da Vida e a Maçonaria, ISBN 978-85-7252-275-5, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Limitada, 208 páginas, Londrina, 2010;
 6. NALLY, Luis Javier Miranda MC, Iniciação, ISBN 978-85-7252-246-5, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Limitada, 236 páginas, Londrina, 2008;
 7. PUSCH, Jaime, ABC do Aprendiz, segunda edição, 146 páginas, Tubarão Santa Catarina, 1982;
 8. RODRIGUES, Raimundo, Na Busca de Novos Caminhos da Doutrinação Maçônica, ISBN 978-85-7252-285-4, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha limitada., 166 páginas, Londrina, 2011;
 9. SOBRINHO, Octacílio Schüler, Maçonaria, Introdução Aos Fundamentos Filosóficos, ISBN 85-85775-54-8, primeira edição, Obra Jurídica, 158 páginas, Florianópolis, 2000;
 10. STRECK, Danilo R., Rousseau e a Educação, ISBN 85-7526-143-6, primeira edição, Autêntica Editora, 116 páginas, São Paulo, 2004;
 11. ZOHAR, Danah, O Ser Quântico, Uma Visão Revolucionária da Natureza Humana e da Consciência, Baseada na Nova Física, tradução: Maria Antônia van Acker, primeira edição, Editora Best Seller, 186 páginas, 1990.

Data do texto: 15/04/2011.
Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.
Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná.
Local: Curitiba.
Grau do Texto: Aprendiz Maçom.
Área de Estudo: Consciência, Cultura, Filosofia, Maçonaria, Pensamento.

domingo, 10 de abril de 2011

Tudo Depende de Como Queremos Ver


Charles Evaldo Boller

Sinopse: Análise holística da dinâmica dos ritos e da Maçonaria.

Platão dizia que a perfeição do círculo existe apenas na mente, o que induz pensar que em nenhum lugar do Universo existe um círculo perfeito, apenas na imaginação humana. Criar círculos na mente deixa claro o poder da mente em desenvolver novas e inusitadas ideias, induzidas pela diversidade com que foi projetado o Universo. Neste mundo de ilusão sensorial tudo depende de como queremos ver. Inúmeros foram os círculos que os homens já desenharam e esculpiram, em sua maioria manifestação da arte fútil que agrada a sensibilidade do observador. É semelhante à diversidade de ritos da Maçonaria, a arte útil que visa o homem. A diversidade de ritos na Maçonaria é a razão de sua sobrevivência.

Debates entusiásticos a favor e contra a flexibilidade do Rito Escocês Antigo e Aceito deram conta da existência de divergências do "rito original", o que, segundo opinião de pensadores maçons, estaria destruindo a Maçonaria de dentro para fora; suas críticas são severas e contundentes contra as modificações do rito introduzidas nas diversas obediências, inclusive em lojas de uma mesma obediência. Estes analistas sérios e bem intencionados desejam voltar ao "rito original", o que, em face da diversidade vigente, constitui tarefa difícil, senão impossível; o rito de hoje é resultante da flexibilidade da Maçonaria e da vontade de homens igualmente pensadores ilustres ao longo do tempo. Rito presta-se a estabelecer costumes e, pela repetição, mudar pessoas em determinada época. Ademais, quanto o "rito original", ao qual se pretende voltar, é de fato original? "Neste mundo nada se cria, tudo se copia"; todo saber humano deve sua existência a incontáveis ciclos de tese, antítese e síntese. Não será este "rito original" cópia de ritos anteriores? Ritos mudam constantemente. Em que a mudança é prejudicial? São as estruturas físicas enrijecidas, que se opõem ao movimento, duras, que mais têm possibilidade de quebrar na presença das oscilações, vibrações, mudanças de um Universo vivo, cheio de energia. A estrutura flexível da Maçonaria tem a capacidade de sobreviver mais tempo; é como na alegoria do grande, rijo e velho carvalho e a esguia, jovem e frágil haste de trigo, quando submetidos à força do vento, um quebra o outro verga; qual deles sobrevive?

Observem-se as complicações geradas pelos imutáveis landemarques e que engessam a instituição maçônica numa realidade do passado. Existem diversas compilações, qual delas é original? Hoje algumas das leis naturais básicas extraídas dos landemarques estão defasadas em relação a presente realidade e dinâmica social. Alguns landemarques são discutíveis, ilógicos. Mas é a lei! Lei não se discute, obedece-se! Rito não é lei, é modelo; passível de modificação. E é o que os homens fazem: adaptam o rito para a sua realidade, a sua época. As leis também se adaptam no tempo, entretanto a compilação dos vinte e cinco landemarques de Mackey atrofia-se quando reza imutabilidade; até onde se sustenta imutável só a sabedoria dos homens do futuro definirão. Albert Pike, com ironia e pensamento arguto irrefutável demoliu, em seu tempo, o que hoje ainda sufoca a Maçonaria; reduziu os vinte e cinco landemarques de Mackey a apenas cinco. Ritos e leis mudam na corrente do tempo; apenas uma única lei é imutável para o homem, oriunda dos atos criativos do Grande Arquiteto do Universo: a lei do amor fraterno.

Do movimento que é característica do mundo vivo, as modificações introduzidas no Rito Escocês Antigo e Aceito foram salutares e prestam-se materializar homens aperfeiçoados para a sociedade humana em qualquer época. Muda o homem, muda a ideia, mas o símbolo é o mesmo. Percebe-se que as mudanças no rito são função do movimento, de palavras, de ideias; os símbolos são os mesmos: compasso, esquadro, nível, prumo, maço, cinzel, régua, espada, trolha, etc. Basta preservar os símbolos! O que aconteceria se substituírem a espada por um fuzil AR15, a pena do secretário por um laptop, o cinzel por uma britadeira?

Mudarem palavras do ritual, a forma de circulação em loja, criar novos aventais, novos estandartes, não muda o "antigo e aceito" rito escocês! Trata-se do mesmo rito! O rito assim como seus símbolos, é apenas arquétipo, modelo; as réplicas mais antigas serviram aos homens de sua época; vive-se outra realidade; constroem-se outros círculos perfeitos na imaginação e imperfeitos na realidade; da mesma forma surgem novos procedimentos para representar os mesmos ritos, só que ligeiramente adaptados ao seu tempo. Não interessa o método usado para construir círculos perfeitos, o que realmente interessa é que estes transmitam beleza para sensibilizar homens e transformar sua maneira de ver as verdades sob outro prisma; introduzir mudanças nos ritos tem a mesma função. É só preservar os símbolos que o rito não muda!

Homens são criaturas emocionais, espirituais e racionais a um só tempo, prevalece a característica que cada um mais alimenta; separar cada elemento destes e tratá-los em separado é técnica preconizada pelo mecanicismo. Daí a necessidade de tolerância na convivência com homens racionais, detalhistas e substancialmente técnicos, que insistem em preservar o "rito original" apenas porque suas mentes, assim treinadas, insistem em colocar tudo em funcionamento como se fosse um antigo relógio de algibeira; um homem saudável seria um bom relógio, um homem decaído um péssimo relógio! É o mecanicismo de Descartes, caracterizado por dividir processos complicados em estruturas simplificadas e estanques, para então proceder à análise separada de cada componente. Em sistemas dinâmicos isto não funciona. Enquanto se estiver analisando uma das partes, as outras são negligenciadas; resultado: o todo fenece. A geometria é bela, mas para sistemas dinâmicos como a evolução humana ela é limitadora, castradora, morta. O mecanicismo influi em todas as ciências e só pouco a pouco cede lugar para análises que contemplam o todo e não apenas uma parte isolada de um processo. Voltar ao "rito original" é conservadorismo, simplificação e saudosismo; é influência mecanicista daqueles que olham o rito apenas como parte isolada de um sistema e esquece-se do homem que se conecta ao rito para crescer e melhorar-se. Diante do movimento, do avanço do tempo, o rito e o homem são um; o homem evolui e o rito com ele.

Para matar um rito é fácil: mudem-se os símbolos! Endureça-se o coração dos homens para que se neguem em efetuar mudanças em si; admitam-se nas lojas homens não dispostos a acordos, selvagens, viciados em drogas, imorais, politiqueiros, materialistas, ateus; negligenciem-se: estudo de temas da sociedade, sindicâncias para admissão de novos, desenvolvimento da espiritualidade, tratamento fraterno e amoroso; e outras mazelas. Observe-se que o fundamento da Maçonaria não está nos ritos, mas nos homens que a compõem e usam dos ritos como arquétipos, modelos para se relacionarem e se influenciarem para o bem. Rito é instrumento de trabalho, homem é matéria prima em modificação. Qual tem maior valor, a ferramenta ou a obra de arte? Toda atenção da Maçonaria é direcionada no sentido de mudar homens através de sua autoconstrução, e nisso o rito é apenas coadjuvante, arquétipo, modelo, nunca diretor. Paredes não debatem, ritos não se abraçam, são os homens que estão dentro templo os que interagem entre si e influenciam-se uns aos outros e se abraçam, para se reunirem utilizam um rito, uma simples ferramenta para se auto-desenvolver. Se os homens mudam porque o rito deve permanecer inalterado?

Partindo da ideia que na Natureza tudo se modifica, nada é igual na linha do tempo, é nas pequenas diferenças entre as diversas réplicas do "rito original" que reside a força do Rito Escocês Antigo e Aceito como elemento de transformação de homens. Todos os ritos da Maçonaria têm o mesmo potencial. Cada rito oferece características diferentes que se adaptam à diversidade de homens espalhados pelo Orbe. Voltar ao "antigo e aceito" rito escocês é o mesmo que eliminar todos os ritos diferentes, transformando-os num só; ou reunir todas as obediências numa única. O que embeleza e fortalece a Maçonaria é a maravilhosa diversidade, sob qual se albergam as colunas da maioria das linhas de pensamentos filosóficos e crenças religiosas. Com isto possibilita-se o ambiente seguro para o debate das necessidades da sociedade sem que os debatedores se matem uns aos outros. A Maçonaria é o único foro seguro para solucionar todos os problemas da humanidade, algo só possível pela atuação do amor fraterno, aquilo que o Grande Arquiteto do Universo revela e escreve na Natureza.

Ninguém está matando o rito maçônico, o maçom enriquece, melhora, adapta o rito às novas realidades na linha do tempo. Boa solução é aquela que preconiza flexibilidade e diversidade. É só preservar os símbolos e deixar o pensamento fluir. Semelhante ao desenvolvimento de perfeitos, lindos e maravilhosos círculos na mente, o maçom aprende com a linguagem e traços do Grande Arquiteto do Universo que escreve a realidade na mais caótica diversidade. O homem foi projetado para admirar a diversidade. O maçom progride no "conhece-te a ti mesmo", de Sócrates, quando observa a Natureza e abandona a tendência de insistir em colocar tudo dentro de moldes estanques; condicionados às limitações impostas pela realidade, à ilusão, de seus sentidos presentes neste pequeno grão de areia onde ele se encontra recluso.

Imagine o absurdo de Kepler colocando a órbita de um planeta nas linhas definidas por um cubo, esta era a realidade dele, a do hodierno maçom é outra, mas igualmente limitada. Ao criar lindos e perfeitos círculos na mente, exercitando a capacidade de pensar, o maçom cria novos e inusitados instrumentos que alargam a visão do Universo e também se conscientiza de sua responsabilidade para consigo mesmo e a sociedade onde está simbioticamente imerso. Diante da constante mutação da Natureza e, consequentemente, do homem, os ritos vão se diversificando, cada um deles vai se modificando, acompanhando a evolução da sociedade; a Maçonaria é evolucionista, acredita na mudança do homem para melhor, razão de investir nele e perseverar em melhorar as ferramentas, os ritos.

Para evitar desgastes e perda de foco ao que realmente interessa na Maçonaria, cabe ao maçom nadar a favor da correnteza do tempo para não se cansar e desistir de promover o crescimento do homem, e principalmente dele mesmo. Se o maçom é agente de mudanças, deve ele mesmo estar suscetível às mudanças que o tempo e a sabedoria lhe impõem. Mudança começa consigo mesmo e depois se propaga em tudo aquilo que o rodeia. Citando Bertolt Brecht: "Desconfiai do mais trivial, na aparência singela. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar".

O Rito Escocês Antigo e Aceito continuará em modificar-se sem que isto cause a queda da Maçonaria ou o desgaste do rito. O que destrói o rito é o homem que, a semelhança de Kepler, não consegue formar círculos em sua imaginação devido à imaginação embotada, limitada; que ainda não alargou seus horizontes e não aguçou seu pensamento para além dos limites impostos aos seus sensores. Ao invés de voltar ao passado é essencial projetar o futuro, livrar-se das amarras da mesmice e pensar de forma proativa para desenvolver e adaptar ritos mais eficientes da dança eterna dos ciclos de tese, antítese e síntese. Que os ritos construam homens que pensam sem preconceitos e estejam esclarecidos ao ponto de entenderem aquilo que o Grande Arquiteto do Universo escreve e desenha de forma aparentemente caótica, e onde, em meio à evidente confusão, acende a chama da vida.

Bibliografia:
 1. ASLAN, Nicola, Landmarques e Outros Problemas Maçônicos, Volume 1, ISBN 85-7252-044-9, terceira edição, Editora Maçônica a Trolha limitada., 240 páginas, Londrina, 2010;
 2. CORTEZ, Joaquim Roberto Pinto, Maçonaria, Conceitos Litúrgicos, Ritualísticos e Históricos, ISBN 978-85-7252-279-3, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha limitada., 204 páginas, Londrina, 2010;
 3. GLEISER, Marcelo, Criação Imperfeita, ISBN 978-85-01-08977-7? Primeira edição, Editora Record, 366 páginas, São Paulo, 2010;
4. ISRAEL, Jonathan I., Iluminismo Radical a Filosofia e a Construção da Modernidade 1650-1750, Radical Enlighttenment, Philosofy, Making of Modernity, 1650-1750, tradução: Cláudio Blanc, ISBN 978-85-370-0432-6, primeira edição, Madras Editora limitada., 878 páginas, São Paulo, 2009;
5. SOUZA FILHO, Ubyrajara de, Cognição e Evolução dos Rituais Maçônicos, ISBN 978-85-7252-278-6, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha limitada., 152 páginas, Londrina, 2010.

Biografia:
 1. Albert Mackey ou Albert Galatin Mackey, autor, maçom e médico de nacionalidade norte-americana. Nasceu em Charleston em 12 de março de 1807. Faleceu em Fort Moroe, em 20 de junho de 1881, com 74 anos de idade. Suas principais obras: a compilação de uma série de 25 Landemarques; uma Enciclopédia Maçônica, em três volumosos tomos; um livro sobre a Jurisprudência Maçônica; História da Maçonaria;
 2. Albert Pike, advogado, autor, escritor, historiador, maçom e poeta de nacionalidade norte-americana. Nasceu em Boston, Massachusetts em 29 de dezembro de 1809. Faleceu em Washington, em 2 de abril de 1891, com 81 anos de idade. Reorganizador de todos os rituais do Rito Escocês Antigo e Aceito, do grau quarto ao trinta e três;
 3. Bertolt Brecht ou Eugen Bertolt Friedrich Brecht, diretor de teatro, dramaturgo, maestro e poeta de nacionalidade alemã. Nasceu em Augsburg em 10 de fevereiro de 1898. Faleceu em Berlim, em 14 de agosto de 1956, com 58 anos de idade. Criador do teatro épico, revoluciona a dramaturgia do século XX;
 4. Johannes Kepler, astrônomo de nacionalidade alemã. Nasceu em Weil der Stadt em 27 de dezembro de 1571. Faleceu em Regensburg, em 15 de novembro de 1630, com 58 anos de idade. Conhecido pela elaboração dos três princípios que regem os movimentos dos planetas em torno do Sol;
 5. Nicola Aslan, autor, escritor e maçom de nacionalidade brasileira e grega. Nasceu em Grécia em 8 de junho de 1906. Faleceu, em 2 de maio de 1980, com 73 anos de idade;
 6. René Descartes, cientista, filósofo e matemático de nacionalidade francesa. Também conhecido por René du Perron Descartes. Nasceu em La Haye, Touraine, Atual Descartes em 31 de março de 1596. Faleceu em Estocolmo, Suécia, em 11 de fevereiro de 1650, com 53 anos de idade. Muitos filósofos consideram-no o pai da filosofia moderna;
7. Sócrates ou Sócrates de Atenas, filósofo de nacionalidade grega. Nasceu em Atenas em 468 a. C. Faleceu, em 399 a. C. Um dos mais importantes pensadores de todos os tempos.

Data do texto: 31/08/2010.

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná.

Local: Curitiba.

Grau do Texto: Aprendiz Maçom.

Área de Estudo: Filosofia, Liberdade, Maçonaria, Sociologia.

sábado, 9 de abril de 2011

Saudação Maçônica do Oriente


Charles Evaldo Boller


Sinopse: Especulação sobre qual o objeto de saudação no oriente da loja: O Delta? O Iod? A presença de Jeová? A espada flamígera? O venerável mestre? A carta constitutiva?


Nossa sociedade ocidental hodierna tem suas raízes plantadas no humanismo renascentista, de onde também vieram as influências culturais da Maçonaria. O que vivemos em nosso dia-a-dia é o resultado de longo caminho de desenvolvimento cultural. Passou pelo pensamento grego, pelo direito romano e assimilou a filosofia cristã. Ao compreender o mundo no qual se vive entende-se a sociedade em que se está imerso. Deste entendimento depende como cada cidadão se porta e vive em sociedade e a expressão desta é revelada pelos mitos, religiões e filosofias que desenvolve.

Toda a cultura humana está alicerçada no pensamento filosófico e isto era o que os fundadores da Maçonaria do século XVI tinham interesse. Desde então ocorreram enxertos e modificações, algumas linhas de pensamento trouxeram desde longínqua idade do homem influências às quais nada se pode debitar no aspecto evolucionista da Maçonaria. Em essência, a Maçonaria apenas usa das antigas crenças, ciências e religiões o indispensável para auxiliar na formação da cultura maçônica, porque é isto que os adeptos possuem em suas bases culturais ao serem iniciados.

Exemplo de ciência morta é a Astrologia; há muito que os vaticínios desta antiga ciência foram superados pela astronomia e tecnologias. As colunas zodiacais existem em nossos templos como referência para orientação simbólica no Universo; é sabido da física elementar que sem referencial não existe apoio sensorial ao deslocamento pelo Universo, e a loja é uma simulação do Universo tridimensional.

Na religião a influência dos deuses e deusas do antigo Egito na Maçonaria serve de referência e não como deuses a serem venerados, daí excluir qualquer tipo de adoração, inclusive a Jeová, o Deus exclusivo dos judeus e cujo nome a maioria das religiões cristãs não usam. Na Maçonaria criou-se o conceito de Grande Arquiteto do Universo, que não representa o Deus de nenhuma religião. Esta foi uma das grandes invenções dos criadores da Maçonaria, pois possibilita cada crente adaptar o conceito às suas próprias necessidades de adoração e representações antropomórficas ou espiritualistas. No Rito Escocês Antigo e Aceito, em todos os graus, as representações divinas são influenciadas pelas linhas filosóficas do judaísmo e do cristianismo em seu culto a Jeová, expressas pelo iod inserido no delta do oriente da loja simbólica e outros símbolos da filosofia maçônica do Rito.

Se numa loja maçônica não existe culto de adoração a deuses, então o que realmente é saudado pelo maçom no oriente? Certamente não é o iod, a primeira letra do nome de Jeová em aramaico! Nem qualquer outro objeto ou criatura do oriente. Maçonaria não é religião! Por simples exclusão é possível determinar que a saudação seja exclusiva para a representação simbólica da coluna da sabedoria, cujo guardião é o venerável mestre. E se esta é saudada cerimonialmente, o que existe por detrás desta demonstração de respeito marcial. Ali acontece o homem e sua filosofia; o amigo da sabedoria que todo maçom é por definição desde a sua iniciação.

Existem diversas maneiras de interpretar filosofia: atitude de vida individual; conhecimento impossível de provar; conhecimento abstrato e teorias lógicas; modo de ver o Universo e a realidade; representação teórica da ilusão que os sensores induzem ao ser. Em essência, filosofia é apenas conhecimento, certo tipo de conhecimento. É a ciência preocupada com o todo, que vai fundo na revelação especulativa da realidade. Não se trata de matemática, astrologia, astronomia ou medicina; cada ciência destas foi influenciada pelo filosofar, pela busca em profundidade do sentido de totalidade que os gregos denominaram sabedoria, em grego "sophía". O homem que se dedicava a ação do pensamento para discernir o Universo que o cercava era denominado sábio, em grego verbalizado "sophós", ou simplesmente amigo, em grego "phílos"; amigo da sabedoria. A existência dos amigos da sabedoria cunhou o verbete "filosofia". Depois dos gregos, a filosofia passou pela idade média e chegou a nossos dias com outra aparência, porque ela mesma passou a ser criticada pelos filósofos. De ciência de todas as coisas, da totalidade, e de suas causas primeiras ela acaba fragmentada em: filosofia experimental ou empírica, reflexão crítica das ciências ou epistemologia, positivismo, filosofia analítica, dialética, e assim por diante. Isto não diz alguma coisa a respeito da diversidade de ritos que a Maçonaria alberga?

Na Maçonaria não interessam os detalhes da divisão da filosofia. A assimilação cultural filosófica maçônica, mesmo dentro da mistura de pensamento grego, direito romano e filosofia cristã possibilita obter rico e explicito conhecimento a respeito da sociedade ocidental e o que esta pensa de si. O filosofar maçônico não visa erudição, antes, provoca seus adeptos a pensarem em temas da sociedade nos quais já estão experimentados e familiarizados, mas impedidos de pensar nestes devido às atividades do dia-a-dia. O sistema humano é cruel quando aprisiona a grande massa em condições de autômatos vivos, sem possibilitar tempo à contemplação e recolhimento. É disso que o maçom foge em suas reuniões. Nestas ocasiões é desperto para assuntos que já são de seu conhecimento, mas jazem sepultos debaixo da busca do sustento e em virtude das vicissitudes que a vida apresenta.

Para tal objetivo são utilizadas filosofias usadas pelas religiões, mas apenas como coadjuvantes ao grande objetivo de conduzir cada maçom ao autoconhecimento visando o bem da sociedade. Não significa proselitismo religioso quando são introduzidos conceitos cristãos - poderia ser budista, hinduísta, vedanta, egípcio, islâmico, ou outro. Quando aparentemente defende princípios da democracia cristã não significa propaganda ideológica - poderia ser democracia: direta, indireta, representativa presidencialista, semipresidencialista, parlamentarista; ou sistemas oligárquicos como: meritocracia, gerontocracia, plutocracia, tecnocracia, etc. Qualquer sistema ideológico político e religioso que respeita liberdade, igualdade e fraternidade é caminho para facilitar a transmissão de conhecimento filosófico alicerçado no que cada maçom já tem em si. O que já é bom torna-se melhor. Nada de perfeição, esta pertence ao Grande Arquiteto do Universo, o maçom busca em suas lojas apenas uma condição aperfeiçoada.

Partindo do princípio que para entrar na Maçonaria o homem já deve ser dotado de luz espiritual, quando se exige dele a crença em Deus para ser iniciado, ocasião em que vem desejoso de ver a luz simbólica do conhecimento, da sabedoria, tornar-se amigo da sabedoria, viver a especulação maçônica, filosofar. Logo depois, na ritualística de suas sessões de trabalho, o que ele saúda no oriente é o fato de ver ali, simbolicamente, a luz do conhecimento que pediu e para o que trabalhará arduamente para dela nutrir-se. Esta é representada simbolicamente pela diminuta coluneta jônica que nunca é deitada e está sempre à disposição. A luz está ali a sua disposição, basta pensar na totalidade dos problemas do agrupamento de seres que vivem em estado gregário ao seu redor e levantar ideias para melhorá-la, que o representado pela coluna do venerável mestre não será apenas visto, mas internalizado. Em um dos graus do Rito Escocês Antigo e Aceito aprende-se que a sabedoria não emana do venerável mestre, orador ou vigilantes, a sabedoria está potencialmente dentro de cada coluna que cada obreiro é quando filosofa e melhora a si mesmo.

Sessão maçônica não é mera leitura de atas, expediente e planejamento de festas; a essência do trabalho é o filosofar maçônico. Significa: autoeducação; humanização; fomento e manutenção de amizades fraternas; pratica da beneficência; patriotismo; servir a humanidade; desenvolvimento de empatia; superação de vícios; controle de paixões desenfreadas e degradantes; evitar a maledicência; tudo alicerçado no desenvolvimento do filosofar maçônico; a conquista da luz simbólica do conhecimento maçônico. A busca desta luz é tarefa individual intransferível! Ninguém a dá e constituem os louros da vitória de uma longa jornada, ao final da qual, o maçom dá honra e glorifica a maravilhosa obra criativa do Grande Arquiteto do Universo.

Bibliografia:

1. ANATALINO, João, Conhecendo a Arte Real, A Maçonaria e Suas Influências Históricas e Filosóficas, ISBN 978-85-370-0158-5, primeira edição, Madras Editora Ltda., 320 páginas, São Paulo, 2007;
2. BACHL, Hans, Nos Bastidores da Maçonaria, Memórias de um Ex-secretário, Coletânea de Artigos e Traduções, segunda edição, Editora Aurora Limitada, 136 páginas, Rio de Janeiro;
3. D'OLIVET, Antoine Frabre, A Verdadeira Maçonaria e a Cultura Celeste, tradução: Caroline Kazue R. Furukawa, ISBN 85-7374-873-7, primeira edição, Madras Editora Ltda., 150 páginas, São Paulo, 2004;
4. GUIMARÃES, João Francisco, Maçonaria, A Filosofia do Conhecimento, ISBN 85-7374-565-7, primeira edição, Madras Editora Ltda., 308 páginas, São Paulo, 2003;
5. ISRAEL, Jonathan I., Iluminismo Radical a Filosofia e a Construção da Modernidade 1650-1750, Radical Enlighttenment, Philosofy, Making of Modernity, 1650-1750, tradução: Cláudio Blanc, ISBN 978-85-370-0432-6, primeira edição, Madras Editora Ltda., 878 páginas, São Paulo, 2009;
6. LARA, Tiago Adão, Caminhos da Razão no Ocidente, A Filosofia Ocidental do Renascimento Aos Nossos Dias, segunda edição, Editora Vozes Ltda., 176 páginas, Petrópolis, 1986;
7. LOCKE, John, Ensaio Acerca do Entendimento Humano, tradução: Anoar Aiex, ISBN 85-13-01239-4, primeira edição, Editora Nova Cultural Ltda., 320 páginas, São Paulo, 2005;
8. OLIVEIRA FILHO, Denizart Silveira de, Comentários Aos Graus Inefáveis do Ritual Escocês Antigo e Aceito, Coleção Biblioteca do Maçom, ISBN 85-7252-035-X, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 192 páginas, Londrina, 1997;
9. PANSANI, João, Cuidado, Maçom! Primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 116 páginas, Londrina, 1992;
10. PUSCH, Jaime, ABC do Aprendiz, segunda edição, 146 páginas, Tubarão Santa Catarina, 1982;
11. RODRIGUES, Raimundo, A Filosofia da Maçonaria Simbólica, Coleção Biblioteca do Maçom, Vol. 04, ISBN 978-85-7252-233-5, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 172 páginas, Londrina, 2007;
12. ROHDEN, Humberto, Educação do Homem Integral, primeira edição, Martin Claret Editores Limitada, 140 páginas, São Paulo, 2007;
13. RUSSELL, Bertrand Arthur William, A Filosofia Entre a Religião e a Ciência, 16 páginas;
14. SILVA, Roberto Aguilar M. S., A Genealogia do Poder, primeira edição, 4 páginas, Corumbá, 2011;
15. SOUZA FILHO, Ubyrajara de, Cognição e Evolução dos Rituais Maçônicos, ISBN 978-85-7252-278-6, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 152 páginas, Londrina, 2010.

Data do texto: 09/04/2011.

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande Loja do Paraná.

Local: Curitiba.

Grau do Texto: Aprendiz Maçom.

Área de Estudo: Filosofia, Maçonaria, Pensamento, Política, Religião, Ritualística.