segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Fugir a Morte não é Difícil!


Charles Evaldo Boller

Sinopse: Considerações e especulações a respeito da morte. O significado da morte para o maçom.

Na explicação da morte pode-se encontrar razão em dois lados. É claro que não existe vida depois da morte, ao menos não da maneira como a nossa realidade atual concebe. A morte sempre é trágica, choca a qualquer um, é uma separação dolorosa, porém, adormecer na morte é comum a qualquer ser vivente. A boa explicação deste fato está nas palavras de Sócrates, que pouco antes de sua morte teria dito: "Fugir a morte não é difícil. Bem mais difícil é fugir a maldade, pois mais célere que a morte é a malvadez. Temer a morte é acreditar ser sábio e não sê-lo, posto que seja acreditar saber aquilo que não se sabe. Além do que, ela só pode significar: ou aquele que morre é reduzido ao nada, como uma longa noite de sono sem sonhos ou é a passagem daqui para outro lugar, e, se é verdade, como se diz, que todos os mortos aí se reúne; pode-se imaginar maior bem? Mas eis a hora de partirmos, eu para a morte, vós para a vida. Quem de nós segue o melhor rumo, ninguém sabe, exceto o Deus".

O egípcio já desenvolvera uma noção de vida após a morte evidentes nas sepulturas neolíticas, em Tasa, Médio-Egito. Esta vida seria uma imitação da vida material que a mente humana tenta perpetuar. A ideia é evidente pela maneira como os mortos eram enterrados e pelos utensílios que o acompanham. Estes rituais antigos demonstram a preocupação do homem para explicar as mais intrigantes perguntas a serem dadas paras questões do por que e para que estamos aqui.

Na bíblia judaico-cristã encontra-se o seguinte: "os vivos ao menos sabem que vão morrer, enquanto os mortos não sabem nada, nem recebem salário, pois sua lembrança cai no esquecimento. Acabaram-se seus amores, ódios e paixões, e jamais tomarão parte no que se faz debaixo do sol"; "desfruta a vida com a mulher que amas, todos os dias que dure a tua vida fugaz que Ele te concedeu debaixo do sol, os anos todos de tua vida efêmera; pois essa é tua porção na vida e no trabalho com que afadigas debaixo do sol"; "tudo o que está ao teu alcance faze-o com esmero, pois não se trabalha nem se planeja, não há conhecer nem saber no xeol (sepultura) para onde vais.", Eclesiastes 9:5-10; "disse-lhe Jesus: "Eu sou a ressurreição e a vida." Quem crê em mim, ainda que morra, viverá". João 11:25.

A ansiedade, resultante da consciência da morte, faz o homem preocupar-se com o que pode acontecer após a morte. A crença na imortalidade, na vida depois da morte bem ilustra o quanto o homem se recusa a encarar o fim, ansiando por uma oportunidade eterna de vida. Esta é a razão que desde os primórdios da civilização humana exista preocupação de buscar abrigo na fé religiosa para aplacar este medo do desconhecido. Karl Jaspers disse que "existe algo em nós que não se pode crer suscetível de destruição".

Farias Brito afirmou que "se o espírito é a 'coisa em si' e o ser verdadeiro de todas as coisas, logo se compreende que não será possível chegar a legitima interpretação do verdadeiro sentido da existência, senão pela noção do espírito", então, a felicidade está no reconhecimento da própria realidade espiritual. Mas reconheceu que esta é uma tarefa árdua e considerou que liberdade e felicidade não é uma dádiva da natureza, mas uma conquista individual resultante do conhecimento próprio onde "cada um é a todo o momento criação de si mesmo". E considerou que "para descobrir a alma, o único meio eficaz consiste em interrogar a consciência, na qual existe o símbolo vivo da existência verdadeira. Procurar a alma fora da consciência é negá-la, e em verdade a alma só pode ser encontrada no fundo da consciência".

Existem duas maneiras de abordar a questão - E ambas estão corretas:

1. A morte é o fim, o vazio, o sono eterno - Esta é a visão do homem material.

2. Existe transcendência para um plano espiritual, que a alma passa para um nível diferente e desconhecido - É a visão do homem espiritualista.

Qual das duas visões é a menos dolorosa? Certamente é o exemplificado pelos antigos rituais de sepultamento dos mortos, onde a morte era associada com a crença numa vida após a morte; isto trás alento ao sofrimento daquele que remanesce vivo. Sem a visão espiritualista o homem não é completo, pois sofre muito mais com a realidade da morte que o acometerá ao final de sua existência.

Na Maçonaria, fugir a morte não é difícil, pois lá se procura desenvolver o homem espiritual que existe dentro de cada um, isto torna as coisas mais fáceis, mais doces, leva o indivíduo a tornar-se mais tenro, tolerante e maleável. A cada iniciação o maçom morre simbolicamente para uma situação anterior, de modo que possa viver uma nova vida num nível mais elevado dali em diante. É o treinamento para aceitar a morte como algo natural e deduzir desta experiência a importância de aprender a morrer bem para viver sempre melhor. Tal desenvolvimento afasta do costume de escamotear a morte, em resultado da dificuldade que sente em lidar com ela, e aproxima mais da possibilidade de incrementar a capacidade do maçom de lidar com a vida, ajudando-o a discernir se a sua vida é, ou não, autêntica.

Bibliografia:

1. BENOÎT, Pierre; VAUX, Roland de, A Bíblia de Jerusalém, título original: La Sainte Bible, tradução: Samuel Martins Barbosa, primeira edição, Edições Paulinas, 1663 páginas, São Paulo, 1973;

2. COSTA, Cristina, Sociologia, Introdução à Ciência da Sociedade, ISBN 85-16-04810-1, terceira edição, Editora Moderna Ltda., 416 páginas, São Paulo, 2005;

3. DURANT, Will, A História da Filosofia, tradução: Luiz Carlos do Nascimento Silva, ISBN 85-351-0695-2, primeira edição, Editora Nova Cultural Ltda., 480 páginas, Rio de Janeiro, 1926;

4. MARTINS, Maria Helena Pires; ARANHA, Maria Lúcia de Arruda, Temas de Filosofia, ISBN 85-16-02110-6, primeira edição, Editora Moderna Ltda., 256 páginas, São Paulo, 1998;

5. PLATÃO, Defesa de Sócrates, Platão, Xenofonte, Ditos e Feitos Memoráveis de Sócrates, Coleção os Pensadores, tradução: Gilda Maria Reale Starzynski, Jaime Bruna, Líbero Rangel de Andrade, primeira edição, Victor Civita, 230 páginas, São Paulo, 1972.

Nota:

1. Seol é a transliteração comum para o português da palavra hebraica she'óhl, usada em várias traduções da Bíblia. Existem diversas explicações para o significado da palavra hebraica she'óhl mas é provável que a palavra seja uma derivação do verbo hebraico sha'ál, que significa "pedir; solicitar". Uma análise imparcial e abrangente de todas as ocorrências da palavra "Seol" ou "Hades", incluindo o contexto em que surgem, revela que estão sempre associadas com a morte e os mortos, não com a vida e os vivos. Essas palavras, intrinsecamente, não contêm nenhuma ideia ou sugestão de prazer ou de dor. Em todos os lugares em que Seol ocorre na Bíblia este nunca é associado com vida, atividade ou tormento. Antes, frequentemente é relacionado com a morte e inatividade. A palavra latina correspondente a Seol ou Hades é inférnus (às vezes ínferus). Esta palavra significa "o que jaz por baixo; a região inferior", e se aplica bem ao domínio da sepultura. Ela é assim uma apta aproximação dos termos grego e hebraico, não no significado que a palavra portuguesa inferno veio a ter no imaginário popular, como um lugar de tormento ardente, mas sim como a condição dos que estão mortos. "Seol" ou "Hades" ou "Inferno" refere-se, portanto, a algo muito mais abrangente do que um túmulo individual ou até mesmo uma grande sepultura coletiva. Por exemplo, Isaías 5:14 diz que o Seol "escancarou a sua boca além de medida". Embora o Seol já tenha engolido, por assim dizer, um incontável número de mortos, parece que sempre anseia mais, conforme Provérbios 30:15, 16. Ao contrário de qualquer cova ou túmulo, que pode receber apenas um número limitado de mortos, "o Seol não se farta", conforme Provérbios 27:20. Este contexto dá a entender que o Seol nunca fica cheio ou que não tem limites. Portanto, Seol ou Hades não é um lugar literal num local específico. Depreende-se que é a sepultura comum ou geral da humanidade, o lugar figurativo onde se encontra a maioria dos humanos falecidos.

Biografia:

1. Farias Brito ou Raimundo de Farias Brito, advogado, escritor, filósofo e político brasileiro. Nasceu em São Benedito, Ceará em 24 de julho de 1862. Faleceu em Rio de Janeiro, em 16 de janeiro de 1917, com 54 anos de idade. Considerado como um dos maiores nomes do pensamento filosófico brasileiro e autor de uma das mais completas obras filosóficas produzidas originalmente no Brasil, onde identificou os planos do conhecimento e do ser, voltando dogmaticamente à metafísica tradicional, de caráter espiritualista;

2. Karl Jaspers ou Karl Theodor Jaspers, filósofo e psiquiatra alemão. Nasceu em Oldenburg em 23 de fevereiro de 1883. Faleceu em Basiléia, em 26 de fevereiro de 1969, com 86 anos de idade. Considerado um dos principais representantes do pensamento existencialista;

3. Sócrates ou Sócrates de Atenas, filósofo de nacionalidade grega. Nasceu em Atenas em 468 a. C. Faleceu em 399 a. C. Um dos mais importantes pensadores de todos os tempos.

Data do texto: 05/09/2008

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná

Local: Curitiba

Grau do Texto: Aprendiz Maçom

Área de Estudo: Espiritualidade, Filosofia, Maçonaria, Religião, Ritualística, Sociologia

domingo, 30 de janeiro de 2011

Alegoria e Parábola

Charles Evaldo Boller

Sinopse: Pesquisa genérica sobre o significado de alegorias e parábolas.

Parábola - na literatura é nome dado pelos retóricos gregos a uma ilustração literária, cuja verossimilhança se realiza estabelecendo um vínculo entre a ficção narrada e a realidade a qual remete. Método de interpretação aplicado por pensadores gregos (pré-socráticos, estoicos etc.) aos textos homéricos, por meio do qual se pretendia descobrir ideias ou concepções filosóficas embutidas figurativamente nas narrativas mitológicas. Texto filosófico escrito de maneira simbólica, utilizando-se de imagens e narrativas com intuito de apresentar tropologicamente ideias e concepções intelectuais [Autores como Platão (427 a. C. -348 a. C.) ou, na filosofia moderna, Nietzsche (1844-1900) recorreram a esta forma de expressão.]

A Maçonaria é definida através das instruções maçônicas inglesas, como um sistema peculiar de moralidade, velado por alegorias e ilustrado por símbolos.

"A Maçonaria é um sistema de moralidade desenvolvido e inculcado pela ciência do simbolismo. Este caráter peculiar de instituição simbólica e também a adoção deste método genuíno de instrução pelo simbolismo, emprestam à Maçonaria a incolumidade de sua identidade e é também a causa dela diferir de qualquer outra associação inventada pelo engenho humano. É o que lhe confere a forma atrativa que lhe tem assegurado sempre a fidelidade de seus discípulos e a sua própria perpetuidade." De fato, a Maçonaria adotou o método de instrução, ela não o inventou." (Albert Galatin Mackey)

O simbolismo é a ciência mais antiga do mundo e o método de instrução dos homens primitivos. É graças a ele que tomamos conhecimento hoje, da sabedoria dos povos antigos e dos filósofos. O acervo religioso, cultural e folclórico da humanidade está preservado através do simbolismo, desde a pré-história.

O princípio do pensamento simbolista está fincado em uma época anterior à história, nos fins do período paleolítico. Os mestres da humanidade primitiva podem ser facilmente localizados, através de estudos sobre gravações epigráficas.

A Maçonaria é a legítima herdeira espiritual das sociedades iniciáticas da antiguidade, porque perpetua o tradicional método de instrução, no ensinamento de suas doutrinas.

"O Simbolismo transforma os fenômenos visíveis em uma ideia, e a ideia em imagem, mas de tal forma que a ideia continua a agir na imagem, e permanece, contudo, inacessível; e mesmo se for expressa em todas as línguas, ela permanece inexprimível. Já a Alegoria, transforma os fenômenos visíveis em conceito, o conceito em imagem, mas de tal maneira, que esse conceito continua sempre limitado pela imagem, capaz de ser inteiramente apreendido e possuído por ela, e inteiramente exprimido por essa imagem." (Johann Wolfgang von Goethe)

"O simbolismo é a linguagem da ascese. Para além do tempo e do espaço, liga a dimensão individual quotidiana, psicológica à escala cósmica, supra individual. Pode variar na sua expressão, nas suas representações exteriores, mas os seus fundamentos permanecem imutáveis". (Jean-Pierre Bayard)

"os símbolos não são simples imagens passivas, transformadores de energia psíquica, modificam a natureza secreta do homem. O símbolo não é um conceito sábio, em entidade abstrata, mas sim uma lei profunda, que exerce o seu poder sobre a natureza interior do ser humano. O símbolo permite a transmissão da mensagem, veicula o elemento central da ideia, para além das diferenças de cultura e de civilização. Ele é intemporal." (Jean-Pierre Bayard)

"O símbolo oferece-se em silêncio àquele cujos olhos do coração estão abertos". (André Pothier)

1. Símbolos místicos e religiosos tradicionais:

Evocação da ideia de Deus, representada pelo Triângulo, Delta Luminoso ou por Três Pontos;

Sol, representado pelo Círculo com um ponto central;

2. Símbolos da arte da construção:

Medida na pesquisa, representada pelo Compasso;

Retidão na ação, representada pelo Esquadro;

Vontade na aplicação, representada pelo Malho;

Discernimento na investigação, representado pelo Cinzel;

3. Símbolos herméticos e alquímicos:

Os quatro elementos herméticos, representados pelo Ar, Terra, Água, Fogo;

4. Símbolos com significado particular:

A união entre os Maçons, representada pela Romã;

A união fraternal, representada pela Cadeia de União;

5. Outros símbolos tradicionais:

Pitagóricos, representados pelos números;

Cabalísticos, representados pelas sefirotes;

Geométricos, religiosos e muitos outros que servem a um significado maçônico.

Bibliografia:

1. Dicionário Eletrônico Houais;

2. Enciclopédia Microsoft Encarta;

3. MACKEY, Albert Galatin, Encyclopedia of Freemasonry.

Data do texto: 06/04/2005

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná

Local: Curitiba

Grau do Texto: Aprendiz Maçom

Área de Estudo: Filosofia, Maçonaria, Simbologia

sábado, 29 de janeiro de 2011

Abóbada Celeste da Loja

Charles Evaldo Boller

Sinopse: Curta interpretação dos elementos decorativos da abóboda celeste representada no teto de uma loja maçônica simbólica do Rito Escocês Antigo e Aceito da Grande loja do Paraná.

O Ritual do Grau de aprendiz maçom da Muito Respeitável Grande loja do Paraná verte que "o teto do templo, de forma abobadada, é pintado e representa o firmamento, cuja tonalidade, azul-clara no oriente, vai gradativamente escurecendo em direção ao ocidente, entremeado de nuvens. O Sol, com raios dourados, aparece um pouco à frente do trono. Sobre o altar do primeiro vigilante, encontra-se a Lua prateada, em quarto crescente, sobre o altar do segundo vigilante uma estrela branca de cinco pontas". Fornece detalhes de cada constelação e estrelas num total de trinta e cinco figuras. Cada elemento deste céu tem seu significado particular e é exaustivamente tratado em livros e rituais do Rito Escocês Antigo e Aceito. Inicialmente utilizado para demonstrar o interesse pela astronomia dos maçons antigos; para o maçom moderno seu simbolismo ficou restrito à definição do tamanho do templo espiritual que é erigido por ocasião da abertura dos trabalhos, mesmo que cada elemento tenha explicada sua presença de diversas formas. Referindo-se a tamanho físico do templo e conforme o Ritual acima citado, "... Seu comprimento é do oriente ao ocidente; sua largura, do norte ao sul, sua profundidade, da superfície ao centro da Terra, e sua altura, da Terra ao céu". E continua: "A loja é representada deste modo, numa vasta extensão para simbolizar a universalidade da instituição e para mostrar que a Caridade do maçom não tem limites, a não ser os ditados pela prudência".

A abobada decorada com corpos celestes simboliza a abertura que a consciência do espírito do homem deve tomar para alcançar o absoluto de suas aspirações transcendentais. O céu decorado não está limitado ao circunscrito pelos astros ali representados, mas tende a um finito plausível, limitado apenas pelo alcance da imaginação de cada um. Para o maçom em sua busca pela plenitude do espírito, este céu é como se fosse a união do espírito mundial que eleva a mente dele em sua crença num Ser Supremo, o conceito de um Grande Arquiteto do Universo. O maçom não discute este Ser Supremo porque é aquilo que a nenhum ser vivente e mortal é possível definir; se existem tentativas, estas são vãs e conduzem apenas a discussões vazias e especulações infindas que só conduzem a disputas e separações. Este céu é símbolo da transcendência de cada um a sua maneira e daquilo que lhe é sagrado e poderoso. A transcendência é colocada acima, para o alto, porque é onde normalmente o homem, desde os primórdios de sua história, dirige-se em busca de sua espiritualidade, entretanto, ao longo do tempo, e do crescimento do maçom, ele descobre que aquele céu sobre sua cabeça tem um equivalente em seu interior; é o reconhecimento de um Universo interior, o macrocosmo, de que é composto o seu corpo físico à semelhança do Universo representado pelos desenhos; ao contemplar o céu pela ilustração da abóbada pintada no teto do templo, em verdade o maçom está olhando para dentro de si próprio.

Esta abobada celeste atende às necessidades básicas de introspecção; sejam deístas ou teístas, até o ateísta a usa em seu materialismo para reconhecer sua insignificância frente ao Universo; a absoluta maioria dos maçons tem nesta representação a dimensão do transcendental, de como ela é finita, e por isso não a consideram a representação total do homem, mas uma parte importante, sem a qual o homem é um ser incompleto. É dada para cada um a possibilidade de imaginar o cosmos, cujo significado original é colocar ordem em algo, de colocar beleza naquilo que cada um considera importante para a sua construção interna e transcendental. É o local das coisas elevadas, aquilo que o iniciado busca em lugares baixos para que lhe seja possível encontrar coisas insignificantes em lugares altos.

Bibliografia:

1. ANTISERI, Dario; REALE, Giovanni, História da Filosofia, Antigüidade e Idade Média, Volume 1, ISBN 85-349-0114-7, primeira edição, Paulus, 670 páginas, São Paulo, 1990;

2. GUIMARÃES, João Francisco, Maçonaria, A Filosofia do Conhecimento, ISBN 85-7374-565-7, primeira edição, Madras Editora Ltda., 308 páginas, São Paulo, 2003;

3. LOCKE, John, Ensaio Acerca do Entendimento Humano, tradução: Anoar Aiex, ISBN 85-13-01239-4, primeira edição, Editora Nova Cultural Ltda., 320 páginas, São Paulo, 2005;

4. Paraná, Grande loja do, Ritual do Grau de Aprendiz Maçom do Rito Escocês Antigo e Aceito, terceira edição, Grande loja do Paraná, 98 páginas, Curitiba, 2001;

5. RODRIGUES, Raimundo, Templo de Salomão, As Origens Históricas do Templo de Salomão e Outras Histórias Intertessantes, ISBN 85-7252-203-4, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 184 páginas, Londrina, 2005.

Data do texto: 03/09/2008

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná

Local: Curitiba

Grau do Texto: Aprendiz Maçom

Área de Estudo: Filosofia, Maçonaria, Simbologia

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A Tolerância

Charles Evaldo Boller

Sinopse: Interpretação filosófica, limites e considerações da tolerância aplicada na Maçonaria. Destaca a aplicação no comportamento individual e nas relações interpessoais.

Dentro daquilo que a Maçonaria preconiza como ideal, a mente do maçom equilibrado não tolera tudo. É incentivado a ser inimigo figadal dos que tolhem a liberdade das massas e tentam agrilhoar a ele ou seus irmãos. Recebe treinamento para repudiar emoções desenfreadas, que induzem à tirania e conduzem ao despotismo. É intransigente com a intolerância desenfreada que conduz a perseguição ou a ignorância das massas conduzidas por homens inescrupulosos. Sua tolerância deve ser tal que não fique posando qual ingênuo, que confunde tolerância com licenciosidade.

A Maçonaria educa aqueles que são iniciados em seus segredos porque é de sua crença que um povo desenvolvido não pode ser escravizado e um povo ignorante não pode ser libertado. O verdadeiro maçom é um estudioso prático, um intelectual que age. Sem estudo não existe progresso. Sem discussão e exercício do pensar não existe evolução.

A história da Maçonaria tem em torno de dois séculos. Afirmar que seja mais velha é apenas vaidade de uns poucos que acreditam que quanto mais no passado estiver a origem de uma organização maior é sua credibilidade e grandeza. E neste espaço de tempo ela já angariou miríades de inimigos implacáveis e vingativos, sempre movidos pela intolerância, ignorância e escravidão mental e espiritual. No Brasil, um grande exemplo de intolerância com a escravidão física, mental e espiritual proveio do homem maçom Deodoro da Fonseca. São de sua iniciativa: institucionalizar o casamento civil, tornar sem efeito jurídico o matrimônio religioso; instituir o registro civil; proibir o ensino de religião em escolas públicas; tirar os cemitérios do domínio das igrejas, secularizando-os; promulgar o Código Penal que extinguiu a pena de morte em tempo de paz no Brasil. Mesmo que tenha dirigido o país por curto tempo sob ditadura, ele é um exemplo do homem maçom que atuou na defesa das liberdades constitucionais e direitos inerentes ao povo. Usava da tolerância e da intolerância com equilíbrio.

É treinando seus adeptos que a Maçonaria combate intolerância, tirania, fanatismo, brutalidade e ignorância. O fato de desenvolver a tolerância, não significa que ela seja subserviente e sucumba diante da posição de homens mal orientados, mas bem intencionados, pois se assim fosse, ela já teria caído no esquecimento há bastante tempo. No exercício da tolerância e em seu treinamento a Maçonaria ensina que tolerância exige a definição de limites. Quando o maçom filosofa, faz exercícios na arte de pensar, especula e teoriza dentre as mais variadas linhas de pensamento, aí ele exercita a tolerância. Respeita e defende o que o outro maçom diz e pensa, a tal ponto que afirma ser capaz até de morrer para defender o pensamento de seu irmão.

Ao maçom é ensinado que o filosofar é pensar sem provas, isto exige tolerância, mas perseverar num erro é para ele uma falta que deve ser combatida, é a intolerância disparada pela ultrapassagem aos limites estabelecidos. É o limite do que é tolerável. Parte do princípio que ao intolerante imoral falta mesmo é inteligência, é desprovido de liberdade e não quer por isto dar liberdade aos outros. Para o maçom a liberdade de espírito vem da experiência e da razão exercida com tolerância limitada, pois só assim ela é efetiva.

E como a necessidade de tolerância surge apenas em questões de opinião, então em suas discussões ou estudos, normalmente é de praxe ao maçom sábio fazer severos exercícios de dicotomia, apresentar as mais diversas linhas de pensamento para qualquer verdade que defenda; deixa-se para o irmão ouvinte tirar suas próprias conclusões daquilo que postula em seu constante filosofar.

O maçom é condicionado na prática a combater a tolerância absoluta porque sabe que uma tolerância universal é moralmente condenável exatamente porque esqueceria as vítimas em casos intoleráveis de violência e abuso dos tiranos. Isto é, existem situações em que a tolerância em excesso perpetuaria o martírio das pobres vítimas. Dentro dos limites ditados pela moral, tolerar seria aceitar o que poderia ser condenado, seria deixar fazer o que se poderia impedir ou combater. Nesta linha podem-se tolerar os caprichos de uma criança ou as posições de um adversário, mas em nenhuma circunstancia o despotismo alienante de uma pessoa ou instituição.

Com humildade aceita que não há tolerância quando nada se tem a perder, haja vista que tolerar é se responsabilizar, porque uma tolerância que responsabiliza o outro já não é mais tolerância. Tolerar o sofrimento dos outros, a injustiça de que outros são vítimas, o horror que o poupa, já não é mais tolerância; é indiferença, egoísmo ou algo pior. Antes ódio, antes fúria, antes violência do que a passividade diante do horror, do que a aceitação vergonhosa do pior! Pela imposição de limites que o homem maçom se impõe em resultado de seu treinamento, uma tolerância universal seria tolerância do atroz. E quando levada ao extremo, a tolerância acabaria por negar a si mesma.

A tolerância só vale dentro de certos limites, que são os da sua própria salvaguarda e da preservação de suas condições e possibilidades. Se o maçom enveredasse por uma tolerância absoluta, mesmo para com os intolerantes, e se não defendesse a sociedade tolerante contra seus assaltos, os tolerantes seriam aniquilados, e com eles acabaria também a própria tolerância. O treinamento maçônico revela que uma sociedade em que uma tolerância universal fosse possível, já não seria humana. As conclusões da ordem maçônica levam seus adeptos a verificar que a tolerância é essencialmente limitada, pois uma tolerância infinita seria a fim da própria tolerância. Não se deve tolerar tudo, pois destina a tolerância à sua perda. Também não se deve renunciar a toda e qualquer tolerância para com aqueles que não a respeitam. Aquele que só é justo com os justos, generoso com os generosos, misericordioso com os misericordiosos, não é nem justo, nem generoso, nem misericordioso. Tampouco é tolerante aquele que só o é com os tolerantes. A tolerância como virtude depende do ponto de vista daqueles que não a têm. O justo é guiado pelos princípios da Justiça e não pelo fato do injusto não poder se queixar.

Democracia não é fraqueza. Tolerância não é passividade. Moralmente condenável e politicamente condenada, uma tolerância universal não seria nem virtuosa nem viável. A tolerância como força prática, como virtude, tem os seus fundamentos alicerçados no fato de que a fraqueza humana resulta de sua incapacidade de alcançar o absoluto.

A prática das oficinas maçônicas, naquelas aonde permanentemente é exercitada a capacidade de pensar, discutir, debater, ouvir e calar revela que a evidência é uma qualidade relativa. Mesmo que algo pareça exato, verdade, correto, pode no decurso de um debate mostrar que não é absoluto, daí nunca admitir-se que uma verdade é absoluta e final. As discussões, longe de afastar um irmão do outro, aproxima-os quando praticam dentro dos limites impostos pela tolerância que todos os seres humanos, indistintamente, são constituídos de fraquezas e de erros. Com isto em vista, o verdadeiro homem maçom, aquele que está desperto e ativo, perdoa as tolices que o outro comete e aguarda que aquele irmão de pensamento equivocado acorde de sua inconsciência, dando cumprimento para com esta primeira lei da sua natureza: a falibilidade.

A grande salvaguarda do homem maçom quando se contrapõe aos tiranos, é o conhecimento de que aquele, mesmo que possua em suas mãos o poder absoluto, não tem condições de impô-lo a ninguém, porque não poderia forçar um indivíduo a pensar diferente do que pensa, nem a crer verdadeiro o que lhe parece falso. Esta a razão da Maçonaria ter sido hostilizada e proibida desde quando surgiu na França e Holanda, países onde foi proscrita logo no início de sua expansão. É no pensamento que o maçom deve ser livre de forma absoluta, pois não há liberdade nem sociedade próspera sem inteligência.

A tolerância é tema fundamental da Maçonaria, inclusive sua existência é devida a ela, pois nasceu em decorrência da intolerância entre facções políticas e religiosas. É uma tolerância calcada na definição de limites claros. Ultrapassou o limite definido pelas leis em vigor em sua linha de tempo, não tem comiseração, o castigo deve ser aplicado com todo o rigor ou a sociedade fenece.

Cada maçom é estimulado de forma diferente pelo ensinamento da Maçonaria. O lastro que carrega mostra que o principal aspecto da ordem maçônica é o desenvolvimento de princípios morais calcados na espiritualidade. A simbologia, a ritualística e toda a filosofia envolvida, sempre em seu centro destaca a espiritualidade. O meio para desenvolver em espírito, apesar de ressaltado, não fica tão evidente. Apenas os mais sensíveis e aplicados a desenvolvem. Existem homens Maçons já bem antigos na ordem maçônica que sequer sabem de fato o que alguns símbolos representam. Um exemplo é o símbolo composto formado pelo esquadro, compasso e o livro da lei, onde o olho perspicaz visualiza um homem circunscrito por uma estrela de cinco pontas, significando a criatura religada ao Grande Arquiteto do Universo por laços de carne, pela espiritualidade encarnada. E disto se deduz a união com o Grande Arquiteto do Universo, sua religação com a divindade.

A tolerância é o que permite aos homens da Maçonaria viver em harmonia, onde esta última não existir, certamente não há tolerância com limites. Em consequência não existe amor, a única solução de todos os problemas da humanidade. E onde não existe amor também não se manifesta o Grande Arquiteto do Universo, o Deus que cada um venera a sua maneira, pois este só está onde as pessoas se tratam como irmãos, demonstram e praticam o mais profundo amor entre si.

Bibliografia:

1. BAYARD, Jean-Pierre, A Espiritualidade na Maçonaria, Da Ordem Iniciática Tradicional às Obediências, tradução: Julia Vidili, ISBN 85-7374-790-0, primeira edição, Madras Editora Ltda., 368 páginas, São Paulo, 2004;

2. BENNETT, William John, O Livro das Virtudes, Antologia, título original: A Tresaury of Great Moral Stories, ISBN 85-209-0672-9, primeira edição, Editora Nova Fronteira S/A, 534 páginas, Rio de Janeiro, 1993;

3. CAPRA, Fritjof, A Teia da Vida, Uma Nova Compreensão Científica dos Sistemas Vivos, título original: The Web of Life, a New Scientific Understandding Ofliving Systems, tradução: Newton Roberval Eichemberg, ISBN 85-316-0556-3, primeira edição, Editora Pensamento Cultrix Ltda., 256 páginas, São Paulo, 1996;

4. COMTE-SPONVILLE, André, O Espírito do Ateísmo, título original: L'esprit de L'théisme, tradução: Eduardo Brandão, ISBN 978-85-60156-66-5, primeira edição, Livraria Martins Fontes Editora Ltda., 192 páginas, São Paulo, 2007;

5. COMTE-SPONVILLE, André, Pequeno Tratado das Grandes Virtudes, tradução: Eduardo Brandão, ISBN 85-336-0444-0, primeira edição, Livraria Martins Fontes Editora Ltda., 392 páginas, São Paulo, 1995;

6. GREGÓRIO, Fernando César, Chaves da Espiritualidade Maçônica, ISBN 978-85-7252-236-6, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 184 páginas, Londrina, 2007;

7. ROHDEN, Humberto, Educação do Homem Integral, primeira edição, Martin Claret, 140 páginas, São Paulo, 2007;

8. SOUTO, Élcio, O Iniciado, Drama Cósmico Maçônico, ISBN 85-7374-331-X, primeira edição, Madras Editora Ltda., 106 páginas, São Paulo, 2001.

Data do texto: 01/01/2011

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande Loja do Paraná

Local: Curitiba

Grau do Texto: Aprendiz Maçom

Área de Estudo: Comportamento, Educação, Filosofia, Maçonaria

A Mochila da Vida

Charles Evaldo Boller

Sinopse: Considerações da inutilidade de manter e alimentar ódio e ressentimentos e valor do perdão. Posicionamento do maçom.

A estrada da vida pode ser comparada a uma mochila que contém tudo o que se realiza. Existe aquele aprendiz maçom vitalício que, para não deixar ninguém ver seus erros, ainda não é sábio o suficiente para deixar pelo caminho as lascas que arrancou da pedra bruta com muito esmero e força; seu medo em deixar transparecer sua condição humana imperfeita aos outros o leva a colocar tais detritos escondidos dentro de sua mochila da vida e passa a carregar aquelas nódoas consigo ao longo da jornada. Se não treinar o perdoar, este saco de viagem vai ficar cada vez mais pesado. Porque aprender a perdoar é perseverar num treinamento mental. É um grande e difícil passo. É tirar alguma coisa que incomoda; pode ser algo que se fez ou que outros fizeram.

O eterno aprendiz deve buscar a habilidade mental de constantemente fazer uma reorganização em sua mochila da vida. Periodicamente deve tirar tudo de dentro dela e só recolocar o que se presta para uma viagem leve e tranquila. Fazer um verdadeiro "5S" da Qualidade Total. Denodadamente ir organizando-a de tal forma a aliviar seu peso e tornar a vida leve e solta. Não colocar dentro dela, em hipótese alguma e sob nenhum pretexto: ressentimento; desgosto; raiva; ou decepção. Isto culminará na obtenção de facilidades em sua caminhada, na constante subida e descida das rampas de dificuldades com que será confrontado. Ele tem o direito de ser feliz, e para isto, deve começar por perdoar a si mesmo, elevar sua autoestima. É forçoso deixar o lixo atormentador pelo caminho, independente do que dizem outros; não é estultícia, é sabedoria! Citando Dalai Lama: "Seria muito mais produtivo se as pessoas procurassem compreender seus pretensos inimigos. Aprender a perdoar é muito mais proveitoso do que simplesmente tomar de uma pedra e arremessá-la contra o objeto de sua ira. Quanto maior a provocação, maior a vantagem do perdão. É quando padecemos os piores infortúnios que surgem as grandes oportunidades de se fazer o bem, a si e aos outros".

É fácil ao aprendiz vitalício perdoar a quem o prejudicou? Não, não é! A necessidade de perdoar alguém sempre aflora quando alguma expectativa sua não foi alcançada. Qual expectativa? Por exemplo: que o outro faça, ou seja, alguma coisa; que deixe de usar algo; e assim por diante. Quer dizer: quando o outro faz algo que quebra uma expectativa sua; o pouco habilidoso espera um pedido de perdão vindo do outro. O raciocínio mais comum é: o problema é do outro e não seu. E devido a isto, o inepto fica cada vez com mais raiva dos outros. Fica na expectativa que os outros lhe peçam perdão, e como estes não o fazem, cria uma sequência crescente de frustrações. Sua ira aumenta cada vez mais. A mochila da vida mais o pressiona contra o chão.

Levar a vida com outro nível de expectativa leva ao perdoar. Primeiro a si mesmo, depois ao próximo. Citando William Shakespeare: "O perdão cai como uma chuva suave do céu na terra. É duas vezes bendito: bendito ao que dá e bendito ao que recebe"!

O sábio não permite que o outro o atinja. Ele sabe que é ele mesmo quem permite que o outro o acerte. Aprendeu também que é ele mesmo quem coloca mais peso dentro da sua própria mochila da vida. O próximo não é responsável pela sua frustração. É algo particular de cada um. Ele não tem como controlar um processo que é único e resultado exclusivo do livre arbítrio do próximo. É ele próprio quem aceita colocar às suas costas o peso da frustração que alguém, intencionalmente ou não, impinge.

Tem também aquele que diz: - Você é a razão da minha felicidade! - Como é possível expressar tal sandice? Isto é algo que leva fatalmente ao desenvolvimento de ressentimento e raiva. A necessidade de perdoar vem do outro nem sempre fazer o que se espera. E a conclusão a que se chega deste raciocínio é que amar está mais no doar que no esperar.

Outra razão frequente de perdão vem para aquele que não tem tempo equilibrado em coisas distintas. Fatalmente terá muitos momentos de decepção se não procurar equilibrar seu tempo para todos os aspectos da vida.

Para poder perdoar e esquecer o que contribui muito é: boa saúde; alimentação correta; relaxamento; meditação; pensamento positivo; e exercícios físicos.

Considerar também que os problemas de relações interpessoais são cinco por cento reais e noventa e cinco por cento o que se faz deles. O sábio analisa as possibilidades e o nível de expectativa real sem fantasias. Isto diminui a frustração.

E como frustrações geram culpa, ao perdoar a si próprio, alivia-se o peso da mochila da vida. As lascas retiradas da pedra bruta são deixadas pelo caminho. E só então, devidamente fortalecido, existe real possibilidade de perdoar aos ofensores, àqueles que quebraram as expectativas. Isto desenvolve a energia emocional de aceitar aos outros como eles são, sem a obrigação de aceitar o mal que fazem ou a maneira como se comportam.

Como não existe meio de controlar as ações de terceiros, ninguém é obrigado a tornar-se conivente com o indesejado. Aceitar seria ferir o seu direito à felicidade e certamente prejudica a saúde. Citando Louise L. Hay: "A doença alimenta-se da falta de perdão. O perdão não tem nada a ver com aceitar um mau comportamento. A pessoa que você acha mais difícil de perdoar em geral é aquela da qual você mais precisa se libertar. Eu descobri que perdoar e em seguida deixar partir o ressentimento são atitudes que ajudam a curar até mesmo o câncer".

E como o aprendiz vitalício nunca fará os outros mudarem, então a mudança deve vir dele próprio. E normalmente, como são os mais próximos que ofendem, resta-lhe apenas colocar limites. Ao mudar o seu relacionamento com as pessoas, elas mudam com certeza. De alguma forma, sempre se obtém resultado positivo ao aliviar a mochila da vida. Porque como dizia Mahatma Gandhi: "o fraco jamais perdoa: o perdão é característica do forte". E o aprendiz forte e esperto tem sua mochila da vida sempre aliviada, tão leve que, não existisse a gravidade, poderia até voar.

Bibliografia:

1. BUSCAGLIA, Leo, Amando uns Aos Outros, O Desafio das Relações Humanas, título original: Loving Each Other, tradução: Sílvia Rocha, ISBN 85-01-03140-2, 12ª edição, Nova Era, 210 páginas, Rio de Janeiro, 1984;

2. CAPOZZI, Carmo, A Luva e a Alma, primeira edição, Agnes Gráfica e Editora, 96 páginas, São Paulo, 2008;

3. KEATING, Kathleen, A Terapia do Amor, título original: The Love Therapy Book, tradução: Terezinha Batista dos Santos, ISBN 85-315-0797-9, 11ª edição, Editora Pensamento Cultrix Ltda., 98 páginas, São Paulo, 1999;

4. MARKHAM, Ursula, Superando o Estresse, Um Guia Prático para Aprender a Lidar com as Pressões do Dia-a-dia, título original: Managing Stress, tradução: Débora da Silva Guimarães, ISBN 85-7123-425-6, primeira edição, 198 páginas, São Paulo, 1989;

5. PRATHER, Hugh, Não Leve a Vida Tão a Sério, Pequenas Mudanças para Você se Livrar de Grandes Problemas, título original: The Litle Book of Letting Go, tradução: Beatriz Sidou, ISBN 85-7542-047-X, nona edição, Editora Sextante, 156 páginas, Rio de Janeiro, 2003;

6. SHINYASHIKI, Roberto T., A Carícia Essencial, Uma Psicologia do Afeto, ISBN 85-85247-01-0, 119ª edição, Editora Gente, 156 páginas, São Paulo, 1985;

7. SHINYASHIKI, Roberto T., Os Donos do Futuro, ISBN 85-87881-07-8, primeira edição, Editora Gente, 190 páginas, São Paulo, 2000;

8. TIBA, Içami, Amor, Felicidade & Cia, Integração Relacional, Coletânea de Textos, ISBN 85-7312-178-5, primeira edição, Editora Gente, 136 páginas, São Paulo, 1998;

9. TOURNIER, Paul, Para Melhor Compreender-se no Matrimônio, título original: Pour se Mieux Comprendre Entre Époux, tradução: Bertholdo Weber, primeira edição, Editora Sinodal, 72 páginas, São Leopoldo, 1972.

Data do texto: 21/11/2005

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná

Local: Curitiba

Grau do Texto: Aprendiz Maçom

Área de Estudo: Comportamento, Filosofia, Maçonaria

A Luz Seja Dada ao Neófito!

Charles Evaldo Boller

Sinopse: Interpretação filosófica e prática da cerimonia de iniciação; significado da cegueira na vida; busca da maioridade; a busca da Luz segundo Kant.

A Luz Seja Dada ao Neófito! O que significa? Significa uma caminhada solitária em busca da maioridade, do esclarecimento.

Segundo Kant, aufklärung, ou esclarecimento, significa a saída do homem de sua menoridade, da qual o culpado é ele próprio. A menoridade é a incapacidade de fazer uso de seu entendimento sem a direção de outro indivíduo. O homem é culpado dessa menoridade se sua causa não estiver na ausência de entendimento, mas na ausência de decisão e coragem de servir-se de si mesmo sem a direção de outrem. Sabia que existem alguns que, mesmo iniciados, nunca encontraram o esclarecimento e tecnicamente permanecem profanos?

Querido irmão neófito que golpeastes a pedra bruta por três vezes e a olhastes por fora, pelos seus aspectos materiais e deformidades. Peço-vos que me acompanheis ao centro dela. Num arroubo de imaginação visualizai a mesma por dentro, procurai alcançar o centro dela. Este exercício é resultado de observação importante que se faz na Maçonaria, onde a maioria dos símbolos destaca algo muito importante no centro. O que imaginais encontrar lá no centro da pedra bruta, que sois vós mesmos? Vossa espiritualidade! A espiritualidade é o centro. Cada maçom a possui a sua própria maneira. Mantenhais sempre este lugar sagrado livre de conspurcação, porque todo corpo de maçom é considerado templo vivo da manifestação da presença do Grande Arquiteto do Universo.

Em tudo na vida buscai o centro. Por exemplo: buscai a Justiça pelo centro, da forma correta e equilibrada. Considerai que Justiça sem força é fraca, tíbia, inexistente; e a Justiça que é só força tende a ser truculenta, bruta, aviltante. E quantos foram trucidados pela Justiça por insignificâncias, e outros tantos, grandes criminosos, estão soltos nas Ruas. Para obter a verdadeira Justiça, procurai um ponto de onde todas as características necessárias se equilibram. Buscai Justiça a partir de um ponto que equilibra a força a ser aplicada para que resulte em verdadeiro crescimento e esclarecimento. Fugi dos extremos! Excesso de cultura sem Sabedoria poderá tornar-vos enfunados de orgulho, soberbos; Força sem comedimento e em excesso poderá tornar-vos escravo do trabalho, dos sistemas que escravizam; exageros na busca da Beleza poderão levar-vos a uma vida cheia de lascívia e vícios. Procurai o centro! Esclarecimento é o estabelecimento de limites e consta da busca do centro, com uma força interna que equilibre todas as tendências externas de vossa prospecção à verdade. Buscar o centro é procurar o equilíbrio na busca da verdade! E mesmo a verdade que achardes, desconfiai dela; porque como resultado de tudo estar em constante mutação, não existe verdade absoluta. Colocai-vos no centro, num ponto equidistante de vossas capacidades, e cercai-as com vossos próprios limites. Dentro destes limites colocai as virtudes, e como estais no centro, onde rege vossa espiritualidade, estareis cercado de virtudes, elas ficam bem próximas. Para além da sebe que criastes, dos limites que estabelecestes, colocai os vícios. E ficai no centro vendo os vícios afastarem-se cada vez mais.

O caminho da maioridade na Maçonaria exige: trabalho, disciplina e dedicação. O trabalho de ler, estudar, pensar. A Disciplina deve ser férrea ao dividir o tempo entre as atividades. Não vos esqueçais de também que estais numa via de duas mãos, ao mesmo tempo em que outros vos alimentam eles também poderão necessitar de vosso apoio, mesmo que seja apenas para encostar a cabeça em vosso ombro e chorar, ou abraçar-vos e sorrir. A Dedicação deve levar a não perder nenhuma sessão. Desta presença depende vosso crescimento. E o farás na companhia de irmãos que te amam e comungam o mesmo amor fraterno. Este conhecimento não é obtido em livros, é resultado da dinâmica de grupo das reuniões em loja. Em sendo o homem é um ser social por excelência, o poder do grupo é o que transmite o verdadeiro conhecimento que devereis buscar. E usai sempre de vossa espiritualidade para vos centrar. Buscai o centro, o equilíbrio harmonioso de todas as vossas tarefas, e em consequência encontrai vossa maturidade, vossa maioridade.

Querido irmão aprendiz maçom, "A luz seja dada ao Neófito" significa esta caminhada ao centro de si mesmo e ninguém a poderá fazer por vós. Desejo-vos boa viagem! Que o Grande Arquiteto do Universo nos guarde a todos, e nos guie nesta jornada que só terá fim quando a luz de nossos pensamentos apagarem-se! Assim seja!

Bibliografia:

1. ANTISERI, Dario; REALE, Giovanni, História da Filosofia, Antigüidade e Idade Média, Volume 1, ISBN 85-349-0114-7, primeira edição, Paulus, 670 páginas, São Paulo, 1990;

2. BERKENBROCK, Volney J., Dinâmicas para Encontros de Grupo, ISBN 978-85-326-2916-6, primeira edição, Editora Vozes Ltda., 148 páginas, Petrópolis, 2008;

3. Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa, versão 1.0, 2001;

4. Enciclopédia Microsoft Encarta, 2001;

5. FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio de, Dicionário de Maçonaria, Seus Mistérios, seus Ritos, sua Filosofia, sua História, quarta edição, Editora Pensamento Cultrix Ltda., 550 páginas, São Paulo, 1989;

6. LIMA, Lauro de Oliveira, Dinâmicas de Grupo, na Empresa, no Lar e na Escola, Grupos de Treinamento para a Produtividade, ISBN 85-326-3151-7, primeira edição, Editora Vozes Ltda., 310 páginas, Petrópolis, 2005;

7. Paraná, Grande loja do, Ritual do Grau de Aprendiz Maçom do Rito Escocês Antigo e Aceito do Grande loja do Paraná, Grande loja do Paraná, 44 páginas, Curitiba, 1975;

8. WEIL, Pierre; TOMPAKOW, Roland, O Corpo Fala, A Línguagem Silenciosa da Comunicação Não-verbal, ISBN 85-326-0208-8, 33ª edição, Editora Vozes Ltda., 288 páginas, Petrópolis, 1994.

Nota:

1. Immanuel Kant, conferencista, filósofo, professor e teólogo alemão. Nasceu em 22 de abril de 1724, Königsberg. Faleceu em 12 de fevereiro de 1804, Königsberg com 79 anos e 284 dias de idade. Um expoente na história da filosofia. Sua principal obra, Crítica da Razão Pura 1781, aborda a oposição entre o racionalismo cartesiano e o empirismo. Kant mostra que o conhecimento do mundo exterior é fruto tanto da experiência - Posição empirista; como dos conceitos metafísicos - O racionalismo. Filósofo alemão 22/04/1724 -12/02/1804. Nasce em Königsberg. Aos 16 anos ingressa no curso de teologia da universidade de sua cidade natal. Escreve seus primeiros ensaios em 1755, influenciado pelos tratados de física de Newton e pelo racionalismo do filósofo Leibniz.. A partir de 1760, distancia-se dessa corrente e se declara seguidor da moral filosófica de Rousseau. Em 1770, torna-se professor de lógica na Universidade de Königsberg e enfrenta dificuldade para expor suas ideias por causa da oposição do luteranismo ortodoxo. Sua principal obra, Crítica da Razão Pura 1781, aborda a oposição entre o racionalismo cartesiano e o empirismo. Kant mostra que o conhecimento do mundo exterior é fruto tanto da experiência posição empirista como dos conceitos metafísicos o racionalismo. Entre 1788 e 1790, escreve Crítica da Razão Prática e Crítica do Juízo, sobre a teoria do conhecimento. Influencia a geração de filósofos que o sucedeu, conhecida como Escola do Kantianismo e Idealismo;

2. Menoridade, estado ou condição daquele que ainda não atingiu a maioridade; período da vida em que um indivíduo é menor, não podendo exercer diretamente os atos da vida civil; período de tempo durante o qual uma pessoa é menor de idade;

3. Profano, de pro, fora ou antes, e fanum, templo ou sagrado. Aqueles que a maçom qualifica como não iniciados em seus mistérios;

4. Neófito, iniciante, aprendiz de qualquer ofício; novato, principiante;

5. Pedra Bruta, significa a personalidade rude do aprendiz maçom, cujas arestas ele aplana, e que lhe cabe disciplinar, educar e subordinar à sua vontade. É a imagem alegórica do profano antes de ser instruído nos mistérios Maçons;

6. Símbolo, representação convencional de algo; emblema, insígnia; aquilo que, por um princípio de analogia formal ou de outra natureza, substitui ou sugere algo; aquilo que, num contexto cultural, possui valor evocativo, mágico ou místico; elemento descritivo ou narrativo ao qual se pode atribuir mais de um significado, do qual se pode fazer mais de uma leitura;

7. Grande Arquiteto do Universo, para a maçom é um conceito da existência de um princípio criador; o que permite à maçom congregar todos os credos e religiões sem conflitos; pode ser o Deus da cristandade, o Jeová dos judeus, o Alá dos muçulmanos; o Tat védico; o Brahma dos hindus; o Osíris dos egípcios; Astarté dos babilônios; o Odin dos escandinavos; Belém dos celtas; o Apolo dos gregos; ente infinito, eterno, sobrenatural e existente por si só; causa necessária e fim último de tudo que existe; O criador de todas as coisas; o alfa e o ômega; o princípio e o fim; nas religiões primitivas, designação dada às forças ocultas, aos espíritos mais ou menos personalizados; princípio absoluto, realidade transcendente ou Ser primordial responsável pela origem do Universo, das leis que o regulam e dos seres que o habitam, fonte e garantia do Bem e de todas as excelências morais;

8. Sabedoria, uma das colunas que sustentam o templo. Representado pela figura de venerável mestre;

9. Força, uma das colunas que sustentam o templo. Representado pela figura de primeiro vigilante;

10. Beleza, uma das colunas que sustentam o templo. Representado pela figura de segundo vigilante;

11. Dinâmica de grupo, estudo da conduta dos seres humanos em grupo. A dinâmica de grupos estuda a estrutura e o funcionamento dos grupos sociais e os diferentes tipos de conduta adotados por seus membros. O termo foi definido pelo psicólogo Kurt Lewin, psicólogo alemão. Nasceu em 1890. Faleceu em 1947 com 56 anos de idade. Contribuiu para o desenvolvimento da psicologia de Gestalt. Entre seus livros destacam-se: Princípios de topologia psicológica (1936) e Teoria dinâmica da personalidade(1935);

12. Psicologia social, ramo da psicologia que estuda a influência do ambiente social no comportamento dos indivíduos. Os psicólogos sociais se interessam pelo pensamento, emoções, desejos e juízos dos indivíduos, assim como pelo seu comportamento externo. As investigações comprovaram que o ser humano sofre influência dos estímulos sociais que o rodeiam e o condicionam, em maior ou menor grau de acordo com o contato social que mantém. A psicologia social parte dos primeiros estudos sobre as relações entre o homem e a sociedade. A maioria dos problemas que hoje preocupam os psicólogos sociais já eram conhecidos por pensadores como Aristóteles, Maquiavel e Hobbes. Na década de 1930, iniciou-se o trabalho experimental desta disciplina. Kurt Lewin sublinhou a necessidade de realizar análises teóricas antes de começar a investigar empiricamente um problema, para que a investigação tivesse uma finalidade clara: determinar a validade das hipóteses formuladas sobre os mecanismos explicativos do comportamento, objeto de estudo.

Data do texto: 13/06/2005

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná

Local: Curitiba

Grau do Texto: Aprendiz Maçom

Área de Estudo: Filosofia, Maçonaria, Simbologia

A Iniciação

Charles Evaldo Boller

Sinopse: Considerações a respeito da jornada iniciada por ocasião da iniciação.

Questionamentos a um profano:
- Que instrumentos são utilizados para desbastar uma pedra bruta?
- Uma marreta!
- Que são as lascas que caem?
- Cascalho, ora!
- Que encontramos no interior de uma pedra bruta?
- Mais Cascalho!

No mais absoluto sigilo, o processo de iniciação começa com a proposta de um cidadão por um mestre maçom. Efetuam-se diversas investigações. Só pessoa de destacadas características é desejada e introduzida na ordem Maçônica numa cerimônia especial determinada a testar seu valor. Considera-se que o indivíduo está sendo cortado de uma pedreira, a sociedade, e que mesmo com suas qualidades e erudição reconhecidas ele ainda apresenta uma forma tosca, repleta de imperfeições. A caminhada inicia em cegueira profunda, total inexistência de Luz, representação de sua condição em estado bruto em termos maçônicos, tanto intelectual como espiritual. A venda sobre seus olhos representa seus primeiros passos em total dependência, ignorância e sem iniciativa. Tomam-lhe as posses, a roupa, colocam um laço em seu pescoço à semelhança de um enforcado e calçam um pé com um ordinário e rústico chinelo. Faz seu testamento e preenche formulário com uma série de perguntas para simbolizar um novo nascimento, é quando morre para o mundo profano, para então reviver na cerimônia de iniciação. Passa a efetuar viagens simbólicas e é submetido às provas dos quatro elementos: Terra, água, ar e fogo. São apresentados seus deveres básicos: Absoluto silêncio sobre tudo o que viu e ouviu; vencer as paixões; praticar a solidariedade, socorrendo outros maçons, encaminhando-os a praticarem o bem; é-lhe exigida a crença num princípio criador, baseado no conceito de Grande Arquiteto do Universo, cuja manifestação só se faz sentir onde as pessoas se tratam como irmãos e se entre eles reinar o mais profundo Amor; sujeitar-se ao regulamento da loja, aos estatutos, constituições e Landemarques. Depois disto lhe é revelada a Luz.

No dia de sua iniciação o maçom inicia uma jornada que durará o resto de sua vida. Passa a construir a si próprio por utilizar-se das ferramentas que estão espalhadas pelas oficinas maçônicas. A Maçonaria propicia as ferramentas, ele a matéria prima, a pedra. Ele é a pedra. E somente ele a pode trabalhar, porque só ele tem o poder e a capacidade de modificá-la. E assim burilada, por quem tem o interesse maior, vai resultar um ser humano que sabe equilibrar Amor, Vontade e Intelecto, constituindo este o centro do grande tema da Maçonaria. Desbastar a pedra bruta é tarefa individual que os Maçons perseguem nem tanto em sentido estrito da moral e da ética, porém, mais na dimensão da elevação espiritual e aprimoramento de caráter em seu sentido mais lato. As lascas, o cascalho, que caem neste trabalho são os defeitos e imperfeições, como preconceitos, ignorância, fanatismo, orgulho, e outros. E só depois de disciplinada e diligente atividade no desbaste de sua pedra bruta é que o iniciado vai encontrar, lá dentro de si, o espírito, a alma, o transcendental.

Que o Grande Arquiteto do Universo ilumine e guarde os iniciados em nossos augustos mistérios!

Bibliografia:

1. BECK, Ralph T., A Maçonaria e Outras Sociedades Secretas, As Grandes Perguntas da História, título original: La Masoneria, tradução: Ciro Aquino, ISBN 85-7665-095-6? Primeira edição, Editora Planeta do Brasil Ltda., 190 páginas, São Paulo, 2004;

2. CAMINO, Rizzardo da, O Aprendizado Maçônico, Biblioteca do Maçom, Nº 24, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 176 páginas, Londrina, 1993;

3. JAKOBI, Heinz Roland, Graus Sombólicos Compêndio Maçônica, ISBN 978-85-7252-230-4, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 334 páginas, Londrina, 2007;

4. LACERDA JÚNIOR, Luiz Antonio Grieco e, Maçonaria, Manual do Candidato, primeira edição, Grande loja do Estado de São Paulo, 119 páginas, São Paulo;

5. NALLY, Luis Javier Miranda MC, Iniciação, ISBN 978-85-7252-246-5, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 236 páginas, Londrina, 2008;

6. SOUTO, Élcio, O Iniciado, Drama Cósmico Maçônico, ISBN 85-7374-331-X, primeira edição, Madras Editora Ltda., 106 páginas, São Paulo, 2001;

7. SPOLADORE, Hercule, O Homem, o Maçom e a Ordem, ISBN 85-7252-204-2, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 194 páginas, Londrina, 2005.

02/09/2008

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina., com 61 anos de idade.

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná

Local: Curitiba

Grau do Texto: Aprendiz Maçom

Área de Estudo: Filosofia, Maçonaria, Ritualística, Simbologia

A Ignorância, o Fanatismo e a Solidariedade

Charles Evaldo Boller

Longe de se tratar apenas do desconhecimento generalizado, a Ignorância é o pior mal que aflige a sociedade humana. Não se trata apenas da falta de cultura geral, mas do mau uso que se faz do conhecimento existente. O ignorante oprime e subjuga o próximo em sua busca pelo poder, ao ganho fácil e desonesto ou baseado na força física e no ardil, provoca baderna, guerra, desmando e desmoraliza toda a sociedade; é um bruto.

Já o homem sábio e espiritualizado prima pela busca do respeito a si próprio e pratica o amor fraterno. Mesmo que a maioria não o mereça, é tolerante até o limite de sua capacidade individual. A sabedoria não é a erudição; é um conjunto harmonioso de conhecimentos e disposição mental. Além de ser estudioso, aperfeiçoar-se permanentemente, o homem de perspicácia age e fala em conformidade com a razão e a moral, com prudência e experiência de vida, é sensato, equilibrado, sensível, moderado, sereno, amigo do progresso, sujeito a mudanças, evita o confronto pela força física, luta pela verdade, justiça e união dos povos, visa a intensificação da luz da visão interior, fomenta a promoção do crescimento do bem e da perfeição e promove o autoconhecimento. Ao entrar na posse das noções equilibradas dos direitos e deveres de cidadão e ser humano, e, ao educar-se permanente, liberta-se, pois só uma pessoa livre pode promover ações que ajudam a sociedade a quebrar os grilhões da escravidão do sistema dos embrutecidos.

Infelizmente, tanto o fanatismo político como o religioso promove as maiores arbitrariedades. Supostamente por ordem da divindade o fanatismo religioso é uma espécie de anomalia mental que contamina as pessoas e perverte a razão. A história tem muitos relatos de quão horrorosa pode ser uma sociedade dominada pela superstição, falsidade e loucura fundamentalista. Também os fanáticos políticos, movidos pela cobiça e o poder, muitos males causam a sociedade. Miríades de homens e mulheres de valor foram calados ao longo da história humana pelos extremismos político e religioso.

A Maçonaria, orientada pelo Grande Arquiteto do Universo, sem ufano, tem a pretensão de promover a educação necessária para melhorar o ser humano, combater o fanatismo e promover a solidariedade como recurso para eliminar os males da vida de seus obreiros e da sociedade em geral. A associação de Maçons não consta de uma proteção incondicional recíproca, mas é fundamentada em valores e condições razoáveis. A melhor proteção de seus membros vem da educação que ela promove, e deste desenvolvimento pessoal e do relacionamento interpessoal florescem amizades, vínculos de perfeita união, tão fortes que fazem da ordem um local onde o amor fraterno é usado para moldar espíritos e intelectos para se tornarem pessoas de valor na sociedade em que vivem.

E assim, educando a pessoa, esta pelo exemplo, conquista outras pessoas no meio em que vive, tornando a vida da sociedade global mais fácil de ser vivida.

Que o Grande Arquiteto do Universo abençoe a todos nós!

Bibliografia:

1. TZU O MILITAR CHINÊS, Sun, A Arte da Guerra, tradução: Ana Aguiar Cotrim, ISBN 85-336-1684-8, primeira edição, Livraria Martins Fontes Editora Ltda., 336 páginas, São Paulo, 2002;

2. EBRAM, José, A Alma Maçônica, ISBN 85-7374-649-1, primeira edição, Madras Editora Ltda., 94 páginas, São Paulo, 2003;

3. NALLY, Luis Javier Miranda MC, A Ética no Caos ou Aprendendo com o Caos, ISBN 978-85-7252-271-7, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 176 páginas, Londrina, 2009;

4. PUSCH, Jaime, ABC do Aprendiz, segunda edição, 146 páginas, Tubarão Santa Catarina, 1982.

Data do texto: 23/06/2004

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná

Local: Curitiba

Grau do Texto: Aprendiz Maçom

Área de Estudo: Filosofia, História, Maçonaria, Política, Religião

A Cultura Maçônica

Charles Evaldo Boller

Sinopse: Influências das mais variadas origens na cultura maçônica.

O Universo material foi criado pelo Grande Arquiteto do Universo a partir do átomo, do quase nada, de uma maneira magistral, assombrosa e até aterradora. Sua arquitetura fundamenta-se numa diversificação tão rica, que leva o entendimento humano à confusão ao ser confrontado com o caos desta aparente desordem. Num esforço de ordenar a sua perturbação, a criatura humana passa a estabelecer referenciais, criar padrões, de tempo, medida, sensibilidade e probabilidade. O resultado deste trabalho, a faz movimentar-se no Universo, modificar e transformar a obra original, gerando com isto o conhecimento, criado a partir de pensamentos, modelos e referenciais; pois nenhuma verdade lhe é revelada de imediato. É apenas com o acumulo de conhecimentos, pelo uso da razão, da intuição e do discurso que a realidade é entendida. Na intuição intelectual, o critério é a evidência, é aquela ideia clara, que se impõem por si só à mente. Na intuição pragmática, é exigido o aporte de um resultado prático. A intuição lógica exige coerência. Em tudo se busca equilibrar razão e intuição, vivência e teoria, concreto e abstrato. E para atingir a certeza da verdade, submete-se o pensamento ao ceticismo, fundamentado na dúvida, na observação e na consideração, ou ao dogmatismo, alicerçado em princípio ou doutrina. A ideia na teoria do conhecimento segue a linha do racionalismo, que tudo submete à razão; ao empirismo, que considera a ideia derivada da experiência sensorial; e do criticismo que tenta equilibrar o racionalismo e o empirismo. Em resumo: alguém é levado a divulgar uma ideia de forma positiva e afirmativa a qual se denomina tese. Outra pessoa interpela este pensamento, o absorve e critica, com base em seu próprio referencial, e faz nova proposta, gera uma segunda ideia, a antítese. Juntando estas duas ideias de forma conciliadora e compositiva gera-se um terceiro pensamento, que é diferente dos dois que lhe deram origem, obtendo-se a síntese. Se o processo for repetido diversas vezes, gera-se um infinito número de ciclos de teses, antíteses e sínteses, que no fluxo do tempo geraram todo o conhecimento que existe.

Longe da confusão para entender as modernas teorias da complexidade, o antigo egípcio desenvolveu o método de transmitir conhecimento através da figura. Baseado na visualização do concreto, o observador desperta para o aprendizado intuitivo intelectual. Mesmo que o aprendiz seja de pouco ou nenhum preparo acadêmico, ele é conduzido a um elevado grau de entendimento abstrato, em tema até complexo, que faz despertar sua intuição sensível, intelectual e inventiva. Os pedagogos conhecem bem a técnica de transmitir conhecimento por associar a ideia a uma imagem real, pois auxilia na compreensão e na memorização, e ao transmitir a informação assim, ela se atualiza automaticamente, haja vista que fica alicerçada na evolução geral de cada geração que a interpreta. Mesmo que a interpretação mude, o símbolo nunca muda, a ideia original, a sua representação gráfica, o invólucro da ideia, acaba preservado ao longo do tempo. E como a evolução do homem ocorre em diversos segmentos, qualquer mudança afeta a maneira de como um símbolo é interpretado. Esta é a importância de nunca alterar ou modificar um símbolo na Maçonaria; por exemplo, trocar a espada do guarda do templo, símbolo da honra, por um fuzil AR-15; seria uma aberração. É a razão de a Maçonaria manter-se sempre atual; mesmo sujeita ao vento da mudança, ela está sempre atualizada porque os seus símbolos são mantidos inalterados, mas as suas ideias não. E por estranho que num primeiro instante pareça, mesmo que considerada tradicionalista, ela é progressista. Tudo está condicionado ao fato de sua simbologia a tornar insensível ao impacto da dinâmica social, tornando-a elegível a projetar-se num futuro bem distante, porque sua simbologia é a mesma, mas a sua interpretação é dinâmica no tempo e adapta-se à herança cultural de cada individuo e de cada segmento da história. Convém observar que entre dois símbolos usados pode estar um século e até um milênio de transformação e adaptação histórica, bem como grande espaço geográfico. E de nada adianta tentar alcançar sua origem porque a transformação do pensamento conectada com um símbolo muda permanentemente, a cada instante, de pessoa para pessoa, de cultura para cultura.

Assim como o átomo, a oficina maçônica que para no tempo fica vazia. Se for dinâmica e operosa, reflete a luz do conhecimento e produz pessoas de valor com sua metodologia baseada em símbolos. A Maçonaria é uma escola de conhecimento que ensina moral, ética, e desenvolve qualidades sociais e espirituais. É uma instituição que tem por objetivo tornar feliz a humanidade pelo amor, pelo aperfeiçoamento dos costumes, pela tolerância, pela igualdade e pelo respeito à autoridade e à religião. Sua alegoria ensinada por símbolos leva o diligente estudante a desenvolver e a elevar a consciência de seu dever na sociedade e na família, constituindo a base da cultura que enriquece sua mente. Está assim equipado para conquistar respeito e admiração do meio social em que está inserido, onde sua ação positiva o faz progredir em sentido financeiro, político, moral, emocional, material, espiritual, em todos os seus valores. E este conhecimento o aperfeiçoa e motiva a tomar seu lugar na sociedade humana para transformá-la em resultado de seu trabalho. Seu diligente preparo o afasta da aviltante ignorância que tanto prejudica a sociedade. Assim equipado, equilibrado, devotado, generoso, livre, igual, praticando a virtude, reprimindo o vício, auxiliando seu irmão, a quem está ligado por laços de amor fraternal, contribuirá para a humanidade se tornar mais pacífica, manterá o povo emancipado e progredirá em todos os sentidos. O amor fraternal é a única possibilidade de solução de todos os problemas da humanidade de forma cabal e é o alicerce da Sublime Instituição.

A Maçonaria não gerou sua própria simbologia e neste sentido tem muito pouco de autêntica. A maioria dos símbolos que usa é copiada, absorvida de outras culturas, de outras linhas de pensamentos e influências. Observado de uma ótica isenta de mitos e ficções, quando se afirma ser ela originária dos tempos em que se construiu o templo em Jerusalém, isto não é verdade! Tudo não passa de lenda para abrilhantar a sua mensagem composta de alegorias e símbolos. Entretanto, na dinâmica do tempo, esta alegoria veio a se estabelecer como verdade indiscutível, dogmática, e sabe-se que, por princípio, a ordem maçônica não tem dogmas. É na sua flexibilidade que se baseia sua riqueza cultural. Se não for elástica, tolerante, com certeza quebra, entra em colapso. Ela não é formada por um grupo social que vive isolado, ou que defende dogmas autônomos; ela é resultado da massa da sociedade como um todo, daí sua capacidade de penetração. E ao ser tolerante, admite toda linha de pensamento que venha ao encontro da construção de homens que submetem sua cognição e emoção à sua espiritualidade. Mesmo que todos os símbolos por ela usados para interpretar o Universo sejam originários de outras culturas, estes foram introduzidos intencionalmente, com o objetivo de torná-la ágil, elegante e adaptável na linha do tempo.

Podem-se citar algumas fontes principais de onde foi importada a sua cultura:

A Alquimia, com seu caráter altamente místico, gerou farta simbologia da qual a Maçonaria se apropriou. Mas a melhor herança que a Ordem obteve desta ultrapassada ciência foi o cultivo do amor fraterno, o "ouro potável" que nada mais é que um coração que extravasa "amor". Foi uma ciência dedicada principalmente a descobrir uma substância que transmutaria os metais mais comuns em ouro e prata, e a encontrar um meio de prolongar indefinidamente a vida humana. Foi a predecessora da química.

A Arquitetura na Maçonaria é a sua arte básica e a grande preocupação da Ordem é a construção do homem completo em todas as suas dimensões: física, emocional e espiritual. Por simbolizar o trabalho planejado, a semelhança de aperfeiçoar o homem através de um trabalho constante e digno, usa a energia do grupo para gerar homens mais fortes e corretos. Na construção destes homens melhorados sempre há algo para fazer, refazer, realizar e aperfeiçoar, tudo no encontro de sua própria felicidade. Fica evidente que na criação do homem completo e livre tudo depende do esforço individual. Esta arte é o resultado do trabalho do arquiteto e mesmo a construção do Universo, da Terra, visões e sonhos possuem projetos e definições baseadas na arquitetura.

Na Maçonaria o único uso que se faz da Astrologia, a ciência dos astros, a antiga astronomia, é nas manifestações artísticas das abóbadas celestes pintadas nos templos, onde aparecem constelações de estrelas, o sol e a lua, para relaxar a mente e influenciar aos maçons reunidos em seus trabalhos. Significa também que o templo não tem teto, onde, para o Grande Arquiteto do Universo tudo é revelado.

A Maçonaria tentou incluir o conhecimento esotérico hebreu da Cabala em seu meio, porém, sem sucesso. É o ensino judaico da tradição de Jeová. Seria o princípio de toda expressão religiosa, porém, esta apenas serve para alguém que conheça a língua hebraica onde existe uma relação numérica entre o som de cada letra do alfabeto e um número. Para os acidentais existe a Numerologia que pretende fazer algo parecido.

O Cristianismo está filosoficamente ligado aos graus da Maçonaria, em todos eles existem elementos que remetem aos textos da bíblia judaico-cristã.

O Egito contribuiu com sua mitologia e religião com farta simbologia para a Maçonaria, sendo também o berço das primeiras sociedades iniciáticas.

A Geometria é a ciência que provê boa parte de todo o simbolismo da Maçonaria, associada à Arquitetura, arte principal da Ordem. Parte da interpretação dos símbolos geométricos estão ligados à Escola Pitagórica, numerologia, alquimia e mestres construtores da idade média. O Grande Arquiteto do Universo é considerado o Grande Geômetra.

Maçonicamente, o Hermetismo é apenas uma referencia histórica à tradição primitiva dos alquimistas. Relaciona-se ao estudo dos arcanos, vulgarmente conhecidos como as lâminas do Tarô, onde está simbolizada toda a cosmogênese e antropogênese da antiguidade. O Hermetismo foi uma "doutrina" esotérica baseada na revelação mística da ciência, ligada Hermes Trismegistos, antigo iniciado do Egito.

Mesmo sem relação com a Maçonaria, o Hinduísmo influi nela com a manifestação da cultura hindu através da filosofia brâmane e vedanta.

As lendas Maçônicas estão alicerçadas nas escrituras da bíblia judaico-cristã e parte dos seus rituais estão ligados aos princípios religiosos judaicos. O Judaísmo é a base do desenvolvimento da religião cristã, e berço da Maçonaria. As escrituras gregas, ou cristãs, estão profundamente ligadas às escrituras hebraicas e à Tora.

Na Maçonaria a Numerologia é estudada em profundidade e está bastante arraigada nos rituais. É a ciência que define o valor dos números. Avalia o número em seu aspecto qualitativo, mágico e filosófico. Pitágoras foi sua maior expressão e é básica na aritmética e na Cabala.

Uma fraternidade às vezes confundida com a Maçonaria é o Rosacrucianismo. Até possui relação com ela, pois o Martinismo é a pratica da Maçonaria nos moldes daquela organização. O que existe é a cultura Rosa Cruz assimilada em alguns dos princípios esotéricos. É uma ordem secreta e esotérica oriunda do intuito de cristianização dos mistérios egípcios. Grande parte dos símbolos usados pela Ordem maçônica é oriunda desta vertente.

A mais poderosa ordem em sentido militar, intelectual, religioso e econômico do século XII foi a dos Templários. Sua finalidade foi a de proteger os peregrinos que se dirigiam ao santo sepulcro. A Maçonaria incorporou grande parte da cultura, e enriqueceu a sua filosofia a partir das heranças culturais deixadas pelos Cavalheiros. Existem especulações que seriam os remanescentes desta Ordem a verdadeira raiz da Maçonaria.

Existem também teorias de que algumas das tradições maçônicas sejam originárias do Zoroastrismo, uma religião, resultado da designação de todos os sucessores de Zaratustra, o grande legislador persa e seu fundador.

Adicionalmente, podem-se listar as seguintes influências na cultura da Maçonaria: Agnosticismo, Antropologia, Aritmética, Arqueologia, Astronomia, Biologia, Chacras, Escultura, Filosofia, Geografia, Gramática, Lógica, Logosofia, Matemática, Mitologia, Música, Ontologia, Pintura, Poesia, Retórica, Sociologia, Teologia, Teosofia, Vedas, e outras.

Muitas são influências da cultura maçônica, e mesmo tendo acesso a tudo isto, é necessário que ao final, cada maçom se torne bom, sábio e virtuoso, e para isto, cultura sozinha não é suficiente. É necessário que o homem seja moldado internamente. E isto ele deve desejar ardentemente, deve ser seu principal alvo, senão toda esta cultura é inútil, uma frustrante tentativa de alcançar o vento na corrida. Ser bom até pode ser característica da própria pessoa, ser virtuoso é o resultado de uma disciplina enérgica, mas a sabedoria, esta exige, além de cultura e conhecimento, colocar em prática tudo o que aprendeu de forma inteligente e racional.

Bibliografia:

1. BOUCHER, Jules, A Simbólica Maçônica, Segundo as Regras da Simbólica Esotérica e Tradicional, título original: La Symbolique Maçonnique, tradução: Frederico Ozanam Pessoa de Barros, ISBN 85-315-0625-5, primeira edição, Editora Pensamento Cultrix Ltda., 400 páginas, São Paulo, 1979;

2. CAMINO, Rizzardo da, Dicionário Maçônico, ISBN 85-7374-251-8, primeira edição, Madras Editora Ltda., 413 páginas, São Paulo, 2001;

3. FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio de, Dicionário de Maçonaria, Seus Mistérios, seus Ritos, sua Filosofia, sua História, quarta edição, Editora Pensamento Cultrix Ltda., 550 páginas, São Paulo, 1989;

4. PUSCH, Jaime, ABC do Aprendiz, segunda edição, 146 páginas, Tubarão Santa Catarina, 1982.

Data do texto: 02/09/2008

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná

Local: Curitiba

Grau do Texto: Aprendiz Maçom

Área de Estudo: Filosofia, História, Maçonaria, Simbologia