domingo, 2 de novembro de 2014

Não Elogiar ao irmão Desnecessária ou Interesseiramente



Autor: Equipe da Excelsa Loja de Perfeição General Clodomiro Nogueira

Sinopse: O elogio inoportuno e incorreto.

O elogio para um irmão deve ser simples, sincero e oportuno!

Não precisa estardalhaço!

Faz bem a autoestima do irmão, estimula o exercício de registrar o que as pessoas fazem de bem e de bom, os seus trabalhos, bem como seus esforços.

O elogio desnecessário causa falsas expectativas e faz com que o irmão fique na mesmice, não evolua, fica sustentando algo fraco, sem subsídio, sem base alguma.

A pessoa que recebe um elogio desnecessário ou interesseiro pode causar seu acomodamento: fica preso na pobreza de ideias, que nada acrescentam. Na verdade está recebendo uma mentira: faz que o irmão não progrida.

É necessária a crítica e ideias novas!

O elogio não precisa ser pomposo! Deve ser simples, específico, sincero, honesto e direto. Assim revelará resultados exuberantes. Fará com que o elogiado perceba o quanto ele é importante. Ensina o quanto o tempo das pessoas é precioso! Causa mudança de postura nas pessoas. Faz que elas queiram progredir! Ao contrário do desnecessário e interesseiro! Este causa apenas um ambiente de hipocrisia.

Elogios motivam e encorajam. Receber elogios produz um senso de companheirismo. Dar elogios sinceros demonstra consideração e cria ambiente de calor humano, segurança e apreço.

O desejo de elogiar ajuda a enxergar virtudes e defeitos. Fica-se atento aos pontos fortes das pessoas, não aos fracos.

Elogio apropriado suscita confiança em quem o recebe.

Elogio sincero e merecido é presente que todos podem dar. Quando dado de maneira equilibrada significa para quem o recebe muito mais do que se imagina. Palavras oportunas levantam o estado de espírito! A Bíblia Judaico-cristã declara:
"Saber dar uma resposta é uma alegria; como é boa a palavra certa na hora certa!" Provérbios 15:23.
O maçom sabe que está neste paraíso de delícias para semear e não para ceifar. Semeia bons sentimentos, boas ações, bom trabalho, seu amor. É certo que hoje ele colhe o que outros plantaram no passado, mas agora é sua vez de semear. O que semear é obrigado colher. Nesta semeadura ele elogia sempre que pode, valoriza o que o outro produz com seu trabalho, com seus pensamentos, com sua imaginação, com sua interação social. E só elogia o que merece ser elogiado, caso contrário, se seu elogio for bajulação, então desconfia que tenha algo de errado com ele próprio.

Destemperos entre irmãos afloram. Estes convivem em ambiente com limites claros e definidos, numa sociedade caracterizada por padrões preestabelecidos e onde todos são responsáveis. Na maioria das vezes eles elogiam e apoiam, haja vista o elogio ser uma necessidade essencial nos relacionamentos saudáveis. Irmãos maçons desenvolvem a humildade, que é outra expressão do amor, pois significa que são autênticos, sem arrogância, pretensão ou orgulho.

No desenvolvimento da liberdade de pensar, os debates não podem cair no marasmo da situação caótica vigente na sociedade. Nem em elogios fosforescentes. Não interessa como a sociedade hodierna se comporta o que faz ou deixa de fazer. O que acontece ou já aconteceu é história. Nada se pode fazer para mudar presente e passado. O maçom apenas tem em seu poder a possibilidade de mudar o futuro.

Evita-se divergir, terceirizar problemas, procurar culpados ou definir soluções utópicas, impraticáveis devidos à imperfeição. O foco é mudar a si mesmo pelo pensamento, e com isto, mudar a sociedade futura como consequência de pensamentos, de convencimento.

Os debates devem ser elevados, cultos, muito acima do pensamento comum. Devem fugir do usual e manipulado pela mídia. Principalmente da política corrompida e corruptora. Restringir-se ao campo das ideias e fugir das queixas e protestos que em nada contribuem para a autoeducação, o tão desejado "conhece-te a ti mesmo" socrático.

Os objetivos e alvos são mente e coração dos irmãos reunidos em sagrados lugares. Depositar o fruto do próprio discernimento em templos de carne e ossos é o alvo. Plantar lá nos lugares sagrados as sacras sementes do pensamento que têm a capacidade de mudar a sociedade. Isto todo maçom evoluído amplamente comprovou a partir dos conhecimentos dos sábios de antanho.

Elogiar por elogiar é falsidade!

Confirma o atestado de pobreza cultural interna daquele que elogia.

É bajulação desnecessária!

Normalmente quem elogia sem necessidade é narcisista: expressão de vaidade que prejudica ao elogiado.

Não elogiar ao irmão desnecessária ou interesseiramente possibilita o ambiente correto ao desenvolvimento do líder que o futuro da humanidade necessita.

Hoje, o maçom planta dentro de si mesmo a capacidade de andar com as próprias pernas, de não depender dos outros para pensar com clareza. Esta é a justificativa de não elogiar à toa! Elogiar quando o momento demanda crítica é uma forma de desconstruir o homem em formação, é falsidade, hipocrisia e não algo que se espera de irmão!

Se a boca for abrir-se para elogiar o que deve ser criticado é melhor bater nela e calar-se!

Fonte:

Seminário Filosófico 2014 da Excelsa Loja de Perfeição General Clodomiro Nogueira, Primeira Região Litúrgica do Paraná, Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria para a República Federativa do Brasil.

Colaboradores:

Alexandre Manoel Varela;
Charles Evaldo Boller;
Dowglas Fernandes Sousa;
Eloy Jaime Boller;
Fabriccio Petreli Tarosso;
Francisco Adolfo Vianna Martins;
Jeferson Leon Bastos;
Luiz Fernando Dietrich;
Romildo Nunes Ferreira;
Vanderlei Castellon Ré;
Willian Jose Alexandre.

Grau do Texto: Aprendiz Maçom.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Fazer o Bem


Autor: Equipe da Excelsa Loja de Perfeição General Clodomiro Nogueira
Alguns ditados populares:

Fazer o bem, sem saber a quem.
Fazer o bem, que mal tem.

Na vida real e cotidiana pode-se fazer o bem com mais sabedoria e qualidade.

Fazer o bem sem saber a quem, pode ser a forma de realização com o único intuito de cumprir preceito ou a forma de que a pessoa ache que fez sua obrigação junto à sociedade e até mesmo consigo mesmo. Tal como fazer uma doação seja ela em dinheiro, alimento, roupas etc.

Isto não se aplica aos grandes desastres ou enchentes, onde ocorrem vários chamamentos, para que de forma imediata e urgente, se faça algo em benefício dos necessitados.

Fazer o bem é abrangente!

Proporciona oportunidades de casualmente, realizar algo que permite reflexão maior no transcorrer do tempo. O pensamento estará voltando para aquela ação simples, mas que no momento traduz o real sentido de fazer o bem.

Vejamos:

  • Ajudar pessoa idosa, cega ou que esteja em dificuldade para atravessar uma rua, ler um endereço, indicar o local desejado.
  • Ligar para alguém conhecido, parente, irmão, tão logo tenha conhecimento de que passa ou passou por algum incomodo ou doença, enfim praticar um ato de solidariedade, hoje pouco comum.
  • Ligar, simplesmente ligar, para alguém por ter sentido saudade. Basta um alô e dizer: — estava pensando em você.
  • Ajudar com o simples fato de escutar o amigo num desabafo.
  • Ser ou oferecer o ombro amigo.

Várias são as formas de "fazer o bem"!

Basta cada qual fazer qualquer coisa para alegrar ao outro: irá sentir-se realizado, leve e mais do que nunca feliz...

Fonte
1.       Seminário Filosófico 2014 da Excelsa Loja de Perfeição General Clodomiro Nogueira, Primeira Região Litúrgica do Paraná, Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria para a República Federativa do Brasil.

Colaboradores
Alexandre Manoel Varela
Charles Evaldo Boller
Dowglas Fernandes Sousa
Eloy Jaime Boller
Fabriccio Petreli Tarosso
Francisco Adolfo Vianna Martins
Jeferson Leon Bastos
Luiz Fernando Dietrich
Romildo Nunes Ferreira
Vanderlei Castellon Ré
Willian Jose Alexandre

A Moral Maçônica, o Estado de Direito, a Política e a Liberdade de Pensamento


Autor: Equipe da Excelsa Loja de Perfeição General Clodomiro Nogueira

Sinopse: Atuação do maçom em Moral Maçônica, Estado de Direito, Política e Liberdade de Pensamento.

Moral maçônica, estado de direito e política são três frentes onde o maçom atua para auxiliar a sociedade no difícil caminho da evolução.

O Estado não é um patrimônio como outros, é composto por homens sobre os quais o Estado tem direito de mandar e dispor. Comparado a uma árvore seria um tronco que possui sua particularidade e raízes próprias. A Maçonaria considera a todos os partidos políticos como variações de absolutismo, daí não se envolve em debates político-partidários, entretanto, estuda política como ciência e filosofia.

A Maçonaria e sua filosofia político-social tem a pretensão de desenvolver homens prudentes para dirigirem as coisas do Estado. São entusiastas que estão motivados a regenerar um Estado que foi arruinado por tiranos. Daí o valor de um Estado ser contabilizado pelos valores dos indivíduos que dele fazem parte: o Estado que imbeciliza, irrita e torna os homens dóceis desenvolve pessoas sem expressão. A Maçonaria atua neste viés de desenvolver homens de escol para modificar para melhor o Estado que fica ao léu das ideologias absolutistas, onde entram os partidos.

A vida do homem feliz conta com liberdades de ação e de pensamento. O maçom, em seu filosofar, entende que deve lutar pela liberdade, que não implica em agir de uma forma ou de outra. É um processo educativo que deduz ser a liberdade o equilíbrio entre o que se pensa e uma ilibada conduta moral. A liberdade de pensamento vem de liberdade de escolha, do grego "hairesis", ou heresia. A conquista da possibilidade de cometer heresia é a maior expressão de liberdade obtida por muitas lutas e constitui um dos valores mais significativos dos últimos tempos.

Em sendo ciência, a Maçonaria desapareceria se não preconizasse suas ações pela liberdade de pensamento. O pensamento do maçom é ilimitado, é onde tem liberdade absoluta. As obras, a oratória e a escrita, no entanto, devem ser moderadas pela racionalidade: o pensar não ofende! O que já não acontece com as expressões faladas, escritas e ações.

A moral é fundamento que suporta o respeito ao Estado de Direito, a política como ciência e a liberdade de pensamento. Moral é o alicerce destas coisas assim como a verdade é da moral. Na ordem maçônica é comum desenvolver esperança, coragem e firmeza para que a mente se enquadre na moral. É a razão de filosofar! De a Maçonaria trabalhar constantemente os processos racionais. Todo procedimento moral é um processo racional. O homem pode até ser criatura que vive de barganhas, mas se tiver devoção para com a verdade como centro da moralidade, então esta é a forma heroica e devotada dos atos do maçom que assume a responsabilidade da liberdade de pensar.

O objetivo da ordem maçônica é desenvolver a espiritualidade do maçom para diferenciá-lo da grande massa de pessoas sem rumo, perdidas e escravizadas pelo capitalismo selvagem, cuja dinâmica de convivência é causa da violência cada vez mais ampla. A falta de amor é tida pelos estudiosos como a maior causa da escalada da violência em todos os tempos. Onde a espiritualidade tem o potencial para desenvolver o amor entre as pessoas. A falta de princípios morais, consequência da baixa espiritualidade, agrava em muito, esta triste realidade. Em sendo a espiritualidade a capacidade intrínseca que cada pessoa possui latente em si, basta lhe serem reveladas estas capacidades naturais para que ela se modifique. De sua livre vontade surgem mudanças de atitude para consigo mesmo, família, sociedade e por consequência afetar todo o ser vivo global que uns denominam Gaia e outros de Biosfera da Terra.

Sem entrar nos deméritos das razões em virtude dos resultados, as religiões não estão conseguindo administrar o desenvolvimento desta potencialidade a contento e apontar os rumos para o amor. O maçom que entende a intenção da Maçonaria, mesmo que imerso pela propaganda e a mídia comandada pelo sistema de lucro extremado, se desenvolve em resultado da prática da liberdade de pensamento. A Maçonaria, através de seus homens, muda rumos: basta ao maçom desejar e agir neste sentido. Mesmo não sendo religião, a Maçonaria e sua filosofia, levada a sério, desenvolvem a capacidade espiritual para o exercício do amor.

É objetivo dos estudos maçônicos promoverem a paz desde os menores grupos sociais como família e comunidade, até alcançar o país e o restante do mundo. O alvo são todos os lugares onde ocorrem necessidades de observar bons relacionamentos entre pessoas, dos mais diversos grupos étnicos, culturais, socioculturais, línguas, religiões, políticos, maneiras de agir, e outras possíveis características que criam grupos estanques.

Fonte:
Seminário Filosófico 2014 da Excelsa Loja de Perfeição General Clodomiro Nogueira, Primeira Região Litúrgica do Paraná, Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria para a República Federativa do Brasil.

Colaboradores:
Alexandre Manoel Varela;
Charles Evaldo Boller;
Dowglas Fernandes Sousa;
Eloy Jaime Boller;
Fabriccio Petreli Tarosso;
Francisco Adolfo Vianna Martins;
Jeferson Leon Bastos;
Luiz Fernando Dietrich;
Romildo Nunes Ferreira;
Vanderlei Castellon Ré;
Willian Jose Alexandre.

Rito: Rito Escocês Antigo e Aceito
Grau do Texto: Aprendiz Maçom.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Conatus



Charles Evaldo Boller

1. Abstrato

Avaliação da possibilidade do maçom frear o motor do desejo que o movimenta ao erro e submissão, sem matar o Conatus, sua iniciativa de persistir e evoluir independente.

2. Origem

Diversos filósofos aplicam o conceito Conatus na explicação da origem da violência que tira a liberdade do homem: aquela que o impede de andar com as forças de sua própria iniciativa, escravizando-o através de paixões e desejos.

Trata-se de um verbo latino que dá tratamento filosófico à compreensão e determinação necessárias para tornar-se livre, continuar a existência e aprimorar-se na linha de tempo reservada para a vida: a base da vivência maçônica.

Tem aspectos positivos e negativos que são interessantes de serem analisados, pois exercita uma dicotomia que auxilia no entendimento do ser.

Sem que muitos o percebam, é parte das grandes provocações que a Maçonaria faz a seus adeptos, já desde o primeiro psicodrama do simbolismo: a cerimônia da iniciação; ocasião em que o iniciando é instado se deseja persistir mesmo em presença da luta interna contra rejeição, desejo e paixão.

3. Baruch Espinoza

Para Baruch Espinoza o conceito Conatus é:

  • O desejo de viver, existir;
  • Esforço que se manifesta na consciência em direção da auto-perseverança para continuar existindo;
  • A vida repleta de desejos dos quais depende o usufruto da vida;
  • Onde o homem é essencialmente composto de desejos;
  • A potência de agir e resistir;
  • A essência da humanidade que varia de acordo com a intensidade da autopreservação onde não ter desejos é suicidar-se: é morte!

Como viver sem submeter-se a desejos que escravizam à existência?

Como perseverar na vida com qualidade debaixo do princípio de auto-conservação natural que pode levar à escravidão?

O conceito Conatus tem diversas significações em resultado do instinto e livre-arbítrio naturais contrapondo-se ao exercício consciente da liberdade.

4. Desejo

Desejo é potência, capacidade de realizar, força que leva à ação.

Tudo que resulta em ação é resultado de desejos.

É nisso que se baseiam os oportunistas para exaurir a força da maioria dos humanos: exploram os outros através de seus próprios desejos. Os abusadores deduziram que o homem está construído mais para desejar que para raciocinar.

Pensar é atividade cansativa, para alguns até dolorosa.

Poucos pensam!

A absoluta maioria da massa humana prefere receber o produto de outros pensadores e levar a vida apenas nutrindo seus apetites e desejos primários: são aqueles que estacionam na base da Pirâmide das Necessidades de Maslow, ao nível das necessidades fisiológicas, e dificilmente alcançam ao estágio da autorrealização.

O homem exibe em primeiro plano os resultados de seus desejos e não o resultado de sua capacidade racional.

Os desejos e paixões não deveriam ser a raiz de todo mal, perversidades e perturbações, mas, em resultado da preguiça, são!

Por indolência ou por perversidade, as paixões e desejos escravizam o homem. E o pior, é o próprio escravo que assim o deseja, preferindo a prisão no recôndito de suas paixões que ser livre com responsabilidade.

Daí ser o maçom instado em combater o bom combate para vencer suas paixões escravizantes e praticar as boas paixões para servir e trazer felicidade para si mesmo e aos conviventes.

Mas como matar o motor do desejo que movimenta o homem ao erro e submissão sem matar o Conatus, sua iniciativa de persistir em evoluir independente?

Usando deste elemento motor para desenvolver, pela racionalidade, apenas o lado bom e livre desta potência natural.

Na Maçonaria é oferecida a oportunidade de desenvolver a capacidade de iluminação, o desejo de andar com as próprias forças, sem auxílio ou tutela de outros, nutrindo os próprios desejos naturais sem submeter-se ao desejo de terceiros em virtude de preguiça para evoluir utilizando dos recursos de seu próprio discernimento.

5. Fraternidade

A convivência fraterna, e sem necessidade de escudos hipócritas, têm potencial para libertar o homem.

A fraternidade existe para proporcionar experiências alegres e agradáveis que levam ao desenvolvimento de forças de ataque e defesa para derrubar desejos que degradam.

A iluminação maçônica tem a pretensão, não a certeza, de propiciar o meio onde a potência para existir com qualidade seja aumentada. Tudo depende de como cada um reage diante da provocação da Maçonaria que, pela fraternidade, induz às experiências alegres de convivência, afastando os adeptos de situações dolorosas e tristes causadas pela tirania, opressão e prepotência de minorias sobre maiorias.

Os encontros efetuados em loja, com sua ritualística e atividades cognitivas cultas, levam a desfrutar da vida com alegria e utiliza a ação Conatus em seu sentido positivo, presta-se a induzir perseverança para continuar na autoconstrução. A loja é semelhante a uma família e ao mesmo tempo uma escola de conhecimentos. Os mestres têm a obrigação de promover atividades e eventos que alimentem o Conatus dos demais associados de tal forma a aumentar sua potência e desejo para a vida fraterna. Não se trata exclusivamente de festividades sociais, mas de reuniões alegres que promovam o bem, o culto, o erudito. Os banquetes maçônicos são culturais. De um lado apreendem-se conhecimentos e de outro, estes mesmos saberes são servidos e distribuídos aos conviventes. É um sistema de trocas que funciona por indução: impossível de representar em linguagem oral ou escrita porque afluem forças que são sentidas, mas ainda impossíveis de serem verbalizadas.

Desta forma são construídas personalidades fortes que agem na sociedade em todas as suas dimensões.

Desenvolvem-se líderes e não títeres.

Despertam potencialidades que levam ao desenvolvimento de gestores dos próprios destinos e transformadores da sociedade para desfrutar daquilo que a natureza oferece.

O objetivo é lúdico e ao mesmo tempo de árduo trabalho na auto-construção.

O centro é o homem maçom.

É uma experiência espiritual.

A mudança, de forma agradável, é centrada no maçom, no adepto, e não nos homens da sociedade. A sociedade é afetada por consequências das ações dos maçons.

É o homem forjado nas oficinas da ordem maçônica que vai fazer a diferença na sociedade onde tem a potencialidade de conduzir seu destino e ajudar outros a desenvolverem-se de igual forma.

6. Teoria da Afetividade

O conceito Conatus é central dentro da teoria da afetividade.

O operador dinâmico é o maçom e sua afetividade enquanto ser concebido como tendo uma natureza comum.

A amizade é estratégica no procedimento de elevar a capacidade de perseverança, de Conatus, para o desenvolvimento ao bem.

O sucesso da atividade maçonicamente orientada depende e é inseparável dos laços que se formam entre os irmãos. O próprio tratamento como irmandade já implica na exigência de camaradagem na atividade lúdica e cultural.

A ação Conatus é um esforço que não possui objeto, mas é estratégica: é uma potência de agir dentro da fraternidade, seguindo a teoria da afetividade, com fortes possibilidades de conservação do desejo de fazer o bem para a humanidade. Assim, o maçom produz os frutos resultantes da própria produtividade dos dons afetivos que a natureza disponibilizou dentro dele.

Os aspectos positivos do conceito Conatus são as decisões internas que, necessariamente, passam pela vontade de viver em sociedade com outros seres vivos; "o homem é, por natureza, um ser social" (Karl Marx).

7. Thomas Hobbes

Segundo Thomas Hobbes, o conceito Conatus é indispensável na análise da concepção da natureza humana, em:

  • Tudo aquilo que, de alguma forma, propicia a vida em resultado do desejo e da vontade individual;
  • Um fogo interno que move o homem a dirigir-se àquilo que lhe traz prazer e o afasta do que o desagrada;
  • Ação sem imposição externa: resultante do esforço em perseverar;
  • Capacidade natural de auto-conservação: característica racional humana em resultado da consciência de preservação da vida;
  • Preservar a essência interna do homem livre;
  • Manter um estado natural de vida do homem em sociedade.

Por outro lado, a característica natural do conceito Conatus é observada também em aspectos negativos, caracterizado por:

  • Egoísmo do homem que, desassossegado, deseja poder sempre mais que os outros, tendência que o acompanha até a morte;
  • Inclinação que move o homem a vencer sempre;
  • Luta no acumulo de recursos para além da necessidade;
  • Guerra de todos contra todos na vida social;
  • Homem governado por suas paixões, que acha possuir o direito natural de apoderar-se do que bem entender;
  • Aquilo que impulsiona o homem a ultrapassar ao outro na vida social, de onde afloram sentimentos de perdedor e vencedor;
  • Disposição que torna os homens iguais em força quando o fisicamente mais fraco adquire a capacidade de matar o fisicamente mais forte ao usar de estratagemas mais espertos.

Subjugar o outro é característica natural do homem enquanto selvagem ou enquanto não vence a si mesmo. Sua tendência natural é de sempre subjugar os da própria espécie, explorando e exaurindo a força de produção do outro, dando o mínimo ou nada em troca.

Segue a máxima: "estamos aqui para comer uns aos outros".

Esta disposição mental violenta e agressiva pode ser moderada quando cada indivíduo ingressa de forma responsável na vida social: uma das fortes propostas da Maçonaria: pela igualdade, mesmo em presença das diferenças.

O estudo dos contrates do conceito Conatus proporciona o entendimento de como funciona a violência humana decorrentes do despotismo, da arrogância e da prepotência de indivíduos, pessoas e grupos.

Ao maçom, a dicotomia do conceito Conatus aponta caminhos para:

  • Tornar-se bem sucedido e evitar ser presa daqueles que se acham com mais direitos.
  • Fomentar relacionamentos onde todos levam vantagens, não necessariamente igualitárias, mas justas.
  • Ajudar no entendimento das razões da existência da violência, traduzindo-a como característica natural do livre-arbítrio que pode ser superada pela transformação consciente.

8. Liberdade e Livre-arbítrio

A ação humana é livre na proporção em que o ator entende como funciona sua determinação, seu exercício de Conatus. O pensamento correto de liberdade advém da análise das possibilidades, onde liberdade e possibilidade são ideias independentes. A liberdade consta de possibilidades de ações e ideias independentes.

Aprende-se na Maçonaria que o homem só pode considerar-se livre se, em sua caminhada pelo mundo, tiver a seu dispor a possibilidade de escolher racionalmente entre alternativas. É a razão da pugna da ordem maçônica em oferecer liberdade para toda a sociedade humana. Assim, ela desenvolve homens com conhecimento da liberdade que se manifesta àqueles que obtêm consciência da autodeterminação: do Conatus.

O maçom constata esta liberdade quando descobre que nada existe fora dele mesmo que lhe imponha uma direção: é o exercício do Conatus voltado ao esforço de atender a tendência de ser livre para persistir em existir e evoluir continuamente.

Com este entendimento, não se confunde liberdade com livre-arbítrio:

  • Liberdade - Livre-arbítrio
  • Autodeterminação: a decisão vem do depois de pensado e avaliado. - Agir sem motivos ou finalidades: em resultado de impulso natural e instintivo.
  • Limitada e racional. - Ilimitado: manifesta-se sem razão ou objetivo.
  • Racional; artificial, dissimulada. - Emocional, instintivo, natural, franco.

O autoconhecimento livra o homem do obscurantismo assim como a autodeterminação leva o homem a desfrutar da liberdade com coerência.

Gostar de alguma coisa, considerando que possa ser resultado de imposição de modismos ou propaganda da mídia, não implica em falta de liberdade, desde que a ação, ou gosto, seja resultado de desejo interno, particular. É liberdade desde que o gosto pertença à pessoa em resultado de sua autodeterminação.

Já o livre-arbítrio não passa de uma ilusão da imaginação, espécie de conhecimento inicial. Livre-arbítrio, na ótica de Baruch Espinoza, é um preconceito primordial, fonte de todos os outros preconceitos.

9. Conceito e Ação Conatus

Em diversas oportunidades da jornada, o adepto maçom é levado explorar e reforçar sua inclinação latente e congênita de existir com qualidade e de aprimorar-se como pessoa humana na ação Conatus que lhe é inerente.

A melhoria pessoal ocorre na mente, no espírito, na psique e na matéria. Mudança que acontece em todas as dimensões humanas com vistas a produzir um ser humano melhorado em condições de persistir, de aplicar Conatus em sua jornada.

A exploração do conceito Conatus, em seus aspectos positivos, evita a vaidade congênita que tende ao desejo de querer ser mais importante que o outro, daí constar na divisa da Maçonaria: a igualdade. Não existe igualdade sem fraternidade e liberdade. Assim sendo, a ação Conatus impulsiona ao equilíbrio: ocorre aporte de determinação e persistência quando se exercitam igualmente igualdade, liberdade e fraternidade.

Ao frequentar as sessões maçônicas, lentamente, em resultado de fraterna convivência, o maçom se modifica e domina a inclinação de reinar sobre os demais, considera-se igual e, com isso, propicia a liberdade de si mesmo. Entender isso é iniciar-se em espírito: abraçar uma vibração energética que fica acima da realidade perceptível aos sentidos. Ao vencer a vaidade e a soberba torna-se irmão, inicia-se maçom: é reconhecido maçom. Assim, a sua regularidade como maçom vai muito além dos sinais, toques e palavras. Demonstra que entendeu a mensagem da cerimônia de iniciação: a dramatização da iluminação maçônica. Entendeu que está no Universo para servir seus irmãos e à sociedade: "a Maçonaria está nele!" —, dizem sem falsa retórica os mais adiantados.

Aprendeu bem e responde favoravelmente às provocações da Maçonaria em seus rituais: faz o bem e se modifica em resultado da prática do bem. Para um homem assim, os diplomas, as medalhas, os aventais, os colares e outros penduricalhos traduzem expressões de vaidades! Encontrou o poder e a riqueza que edifica seu próprio templo vivo nas virtudes que estão no espírito! Desta forma a ação do Conatus faz o homem persistir em evoluir constantemente.

A jornada modificadora interna do maçom segue em ascendência por uma senda que é semelhante a uma escada dupla que sobe de um lado e desce pelo outro. De um lado, enquanto o maçom sobe, ele é servido por seus irmãos de conhecimentos e ciências, e de outro, enquanto desce pela escada, baseado em virtudes, ele serve seus irmãos. É um exercício de humildade sem precedentes, haja vista a característica natural negativa do conceito Conatus aplicada ao ser humano leva o homem a sentir-se naturalmente mais importante que o outro. Servir sem esperar nada em troca é o altruísmo mais elevado que o maçom pode alcançar! Com isso ele serve qual construtor de templos vivos numa sociedade perdida, pervertida e alienada a um sistema terrível de usura e escravatura.

Livre da escravidão ao sistema florescem qualidades internas que edificam o caráter. O ritual maçônico instiga ao hábito das coisas a serem desenvolvidas no dia-a-dia em todos os lugares.

E do hábito amadurecem grandes maçons que vencem o teste do tempo!

Sem confundir liberdade com livre-arbítrio e longe de se afetar com a perda de liberdade com a evolução científica, o maçom iniciado no espírito — que vive uma experiência espiritual — usa dos conhecimentos e criações científicas para servir a si e aos seus irmãos.

O conceito Conatus é entendido e utilizado em suas dimensões positivas e de construção do desejo e da paixão para o bem: é essencial na manutenção da perseverança para realizar a caminhada da modificação em sentido lato do ser para o bem.

O maçom iniciado no espírito — naquele onde a Maçonaria penetrou em resultado das reiteradas provocações — é o mestre servidor de seus irmãos. Sua alma purificada pelo serviço prestado aos irmãos faz seu corpo resplandecer! Este brilho, esta luz é resultado positivo da ação Conatus, do ensino e do apoio dado aos irmãos porque é com isto que se dá honra e glória ao Grande Arquiteto do Universo!

10. Referências Bibliográficas


  • PAES LEME, André, Spinoza: o Conatus e a Liberdade Humana.
  • LIMONGI, Maria Isabel, Hobbes e o Conatus: da Física à Teoria das Paixões.
  • PEREIRA, Rafael Rodrigues, o Conatus de Spinoza, Autoconservação ou Liberdade.