segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Busca da Felicidade Humana


Charles Evaldo Boller

Sinopse: Considerações filosóficas e fisiológicas da busca da felicidade. A escola do conhecimento da Maçonaria preconiza a felicidade ampla no cultivo do amor fraterno.

Cada ser humano busca incansavelmente a felicidade. Ao desfrutar de razoável saúde física e emocional, por todos os meios imagináveis, e por vezes inimagináveis, a pessoa procura viver cada minuto como se fosse o último.

Para os vetustos estoicos e epicuristas, e hoje os maçons, a verdadeira felicidade é encontrada obedecendo às limitações impostas pela natureza. Subordinada a qual, é próprio que cada pessoa conserve-se, aproprie-se e conheça a si mesmo, para desenvolver todos os recursos que criam inúmeros momentos de felicidade.

No reino vegetal a necessidade é inconsciente. No reino animal existe uma instrução natural que leva à busca de satisfação pelo impulso, ou instinto. Já no homem, mesmo que incluído no reino animal, esta busca está sujeita à interpretação e definição da razão. Com isto a natureza, no homem, aprimora o processo de busca de felicidade e satisfação, submetendo-a ao equilíbrio de uma exigência instintiva, subordinada ao crivo do intelecto, à moderação da emoção e à sabedoria inspirada pela espiritualidade. Este equilíbrio é o que o maçom treina em suas atividades.

Os estoicos tinham como conceito de divindade, uma força criadora e mantenedora do Universo, agindo qual princípio ativo que anima, organiza e guia a matéria, além de determinar a lei moral, o destino e a faculdade racional dos homens, conceito este presente nos ensinamentos da ordem maçônica, como Grande Arquiteto do Universo.

Os epicuristas definiam como "bem a tudo aquilo que conserva e incrementa o nosso ser e, ao contrário, mal para tudo que o danifica e diminui". E o bem moral, na concepção dos estoicos, é tudo aquilo que de alguma forma incrementa, ou melhora a Força Criadora, e mal é o que a prejudica. De onde deduziram que "o verdadeiro bem, para o homem, é somente a virtude; o verdadeiro mal é só o vício".

É assim que a Escola do Conhecimento da Maçonaria procura dirigir o pensamento do maçom; levantar templos à virtude e cavar masmorras ao vício é tarefa diária, mas acrescenta o amor fraterno para iluminar os espaços entre as virtudes.

Seguindo um raciocínio racional, a ordem incute que de alguma forma, cada um tem a capacidade de mudar a si mesmo com base no conhecimento obtido por olhar para dentro de si mesmo e lá encontrar a assinatura da Força Criadora. Isto conduz ao pensamento que a cada um é dada a faculdade de encontrar a felicidade dentro de si mesmo, de um modo absolutamente independente, sem a necessidade de intermediação.

Como cada um tem absoluto controle sobre si mesmo, é ele mesmo a única força do Universo que tem a capacidade de modificar a si próprio. Ao agir em si mesmo segundo o Princípio Criador, estas ações são moralmente corretas e perfeitas, agir ao contrário desta disposição leva ao erro e vício, e consequentemente à infelicidade.

Se é a natureza que impõe o amar a si mesmo, é esta mesma força que impõe o amor aos que geramos e aos que nos geraram. É também esta mesma Força da Natureza que impele ao amar uns aos outros. Esta energia é algo que nos leva a amar, a unir, a desfrutar a vida junto aos outros, aos quais, de alguma forma, também é possível apoiar e ser útil. Esta é a força externa que nos modifica, e a qual grandes sábios, em todas as eras da humanidade, definiram como sendo Amor Fraterno. É aquele amor que diz respeito ao pertencente a irmãos, afetuoso, amigável, cordial. Amor que todo verdadeiro maçom, na convivência em loja, ou fora dela, conhece muito bem.

A experiência e a convivência entre maçons fraternos os leva a derrubar antigos mitos como a nobreza do sangue, superioridade da raça ou eliminação da escravidão e define para cada homem livre um alto potencial de se tornar sábio. E como esta disposição está intimamente ligada ao princípio Criador, que aponta para uma igualdade absoluta entre os homens, o amor fraterno aponta então como caminho único para a felicidade.

Se existe amor entre as pessoas, não há mais necessidade de estudar valores morais e éticos. Não se requer a necessidade do existir da Maçonaria. Só perceptível devido à falta do conhecimento das virtudes e ausência de valores expressa pela sociedade. De forma semelhante, a necessidade de amor só aparece quando este está ausente. Como as virtudes sozinhas não trazem felicidade surge a necessidade do amor fraterno para preencher o vazio entre elas. Um não existe sem a colaboração das outras.

A ética, a moral e as virtudes conduzem ao amor inspirado pela natureza que, por sua vez, propicia obter frequentes momentos de felicidade.

É fácil deduzir que o homem completo e feliz depende do equilíbrio entre suas capacidades físicas, emocionais e espirituais, exatamente nos moldes praticados pela Escola do Conhecimento da Maçonaria.

Bibliografia:

1. ANTISERI, Dario; REALE, Giovanni, História da Filosofia, Antigüidade e Idade Média, Volume 1, ISBN 85-349-0114-7, primeira edição, Paulus, 670 páginas, São Paulo, 1990;

2. COMTE-SPONVILLE, André, Pequeno Tratado das Grandes Virtudes, tradução: Eduardo Brandão, ISBN 85-336-0444-0, primeira edição, Livraria Martins Fontes Editora Ltda., 392 páginas, São Paulo, 1995;

3. GOLEMAN, Daniel, Inteligência Emocional, A Teoria Revolucionária que Redifine o que é Ser Inteligente, título original: Emotional Intelligence, tradução: Marcos Santarrita, ISBN 85-7302-080-6, 14ª edição, Editora Objetiva Ltda., 376 páginas, Rio de Janeiro, 1995;

4. HUNTER, James C., Como se Tornar um Líder Servidor, Os Princípios de Liderança de o Monge e o Executivo, título original: The World's Most Powerful Leadership Principle, tradução: A. B. Pinheiro de Lemos, ISBN 85-7542-210-3, primeira edição, Editora Sextante, 136 páginas, Rio de Janeiro, 2004;

5. ROUSSEAU, Jean-Jacques, A Origem da Desigualdade Entre os Homens, tradução: Ciro Mioranza, primeira edição, Editora Escala, 112 páginas, São Paulo, 2007.

Data do texto: 29/03/2008

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná

Local: Curitiba

Grau do Texto: Aprendiz Maçom

Área de Estudo: Comportamento, Espiritualidade, Filosofia, Maçonaria, Sociologia

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Irmãos Brigam?


Charles Evaldo Boller

Sinopse: Ensaio sobre o "amor ação" que existe entre os maçons. Contenda no plano das ideias.

Existe uma sociedade onde as pessoas se tratam por irmãos. É uma sociedade onde existe o irmão que raramente aparece, um age mais outro menos, existe o tímido, o retraído, o mais adiantado, o noviço cheio de sonhos, o comumente exaltado e o de ânimo calmo qual ovelha no pasto. Mas todos são irmãos e se amam em ação; com vontade, sabedoria e inteligência.

Significa que, por se autodenominarem irmãos e se amarem profundamente, eles nunca brigam? É claro que não! Estes irmãos debatem sim! Porque não! Podem disputar, afinal são seres humanos inteligentes, livres e de bons costumes. É regra irmãos se desentenderem no plano das ideias! A querela, quando motivada para o bem, para estabelecer limites e promover progresso é atitude positiva - mesmo que os meios não sejam lá satisfatórios, os irmãos que assim agem estão lutando para que prevaleça o bem comum. Ação assim é sinônimo de amor; de amor fraterno. O mesmo amor que grandes iniciados intuíram como a única solução de todos os problemas da humanidade. E toda ação assim dirigida resulta em mudanças com objetivo e não simplesmente mudar pela mudança.

O "amor ação" não é o "amor sentimento" com que aquele é normalmente confundido. É o amor alicerçado na vontade. Quando alguém está cheio de intenção, mas não faz o propósito ser acompanhado de ação, obtém resultado nulo. De outra forma, quando este soma intenção e ação, o resultado é aflorar sua vontade. E vontade é sinônimo de amor porque resulta em ação, o "amor ação". E assim, vontade é força. E onde existe ação entre seres humanos, encontram-se disputas. É por isto que irmãos brigam, mas só o fazem por amor e não por vaidade. Daí a necessidade de equilibrar a vontade com sabedoria e inteligência. Um não existe sem os outros dois.

O destempero entre irmãos aflora sempre? Não! Os irmãos convivem em ambiente com limites claros e definidos, numa sociedade caracterizada por padrões preestabelecidos e onde todos são responsáveis. Na maioria das vezes eles elogiam e apoiam, haja vista o elogio ser uma necessidade essencial nos relacionamentos saudáveis. Irmãos desenvolvem a humildade, que é outra expressão do amor, pois significa que são autênticos, sem arrogância, pretensão ou orgulho.

Em seu progresso pessoal desenvolvem autocontrole; sustentam as escolhas que fazem; dão atenção aos seus irmãos; apreciam e incentivam os outros irmãos; são honestos, forçam evitar o engano; visam satisfazer as necessidades dos outros, não fazem necessariamente o que o outro deseja; seria escravidão, mas o que o outro irmão precisa, o que é convertido em liderança; existe ocasião em que o irmão põem de lado sua própria vontade e necessidade apenas para defender um bem maior para seus irmãos; e acima de tudo, o irmão perdoa. Se houver dano prefere recolher-se, isolar-se por uns tempos, nunca fechando questão a ponto de nunca mais oportunizar reconciliação. Mesmo prejudicado, o irmão desiste do ressentimento. Tudo isto o tempo, o treinamento constante, a convivência frequente desenvolvem nestes que são verdadeiros irmãos. Explicar isto em palavras é difícil, senão impossível, daí a necessidade da convivência frequente e rotineira.

No passado alguém disse que o Grande Arquiteto do Universo só está onde as pessoas se tratam como irmãos e se amam uns aos outros. Hoje os verdadeiros irmãos que praticam o "amor ação" tudo fazem para que a divindade em cada um esteja presente de fato em todos os momentos de suas vidas. Assim são os irmãos maçons que honram seus juramentos.

Data do texto: 04/09/2008

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná

Local: Curitiba

Grau do Texto: Aprendiz Maçom

Área de Estudo: Comportamento, Maçonaria, Moral, Tolerância

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Infans


Charles Evaldo Boller

Sinopse: Busca de maioridade e iluminação. Características do maçom que encontra a luz que foi buscar na Maçonaria.

O cidadão que é iniciado na Maçonaria tem à sua disposição a possibilidade de buscar o esclarecimento de uma série de conhecimentos que definem uma relação entre liberdade e saber.

Partindo do princípio de que o homem é um ser maleável, desde que o queira é possível mudá-lo com o objetivo de fazê-lo progredir e esclarecer. Este esclarecimento foi tratado nas universidades da Alemanha por um reduzido número de filósofos e intelectuais. Mesmo que utópico aqueles defensores do uso da luz da razão para melhorar a condição do homem, introduziu na ordem maçônica a base da educação para adultos que tem por objetivo fazer a humanidade progredir. O sistema é pautado no desenvolvimento da inteligência, do gosto pela teoria, motivar a pessoa a procurar o saber, de teorizar e pesquisar tudo pelo simples prazer da busca do saber pelo simples saber; é a busca da verdade. Este grupo ficou conhecido como iluministas; daí, receber a luz na iniciação da Maçonaria ser um dos primeiros aportes desta filosofia.

Pretende a Maçonaria, por influência do iluminismo, levar de maneira formal o método de conhecimento para dentro de vida moral pautada pelo viver e pensar de forma clara, de modo a afastar da mente a tendência para a superstição. É seu objetivo eliminar a ignorância, a pior causa de tensões sociais.

Esta filosofia é inútil para o adulto que não deseja estudar, que não faz uso da palavra, não fala, tem dificuldade ou incapacidade de falar, presa de mudez característica da infância, do latim "infans". Isto porque a uma criança que fala praticamente ninguém ouve seriamente. Só é levado a sério aquele que segue a razão e usa regras gramaticais, estilo, lógica e razão.

A Maçonaria pretende tirar o homem adulto de sua infância, de sua escuridão, e projetá-lo dentro da maioridade, definindo para isto uma série de degraus a serem vencidos; meta bem sucedida para aquele que assim o deseja.

Seu ponto inicial é a introdução da ciência da conduta, a ética. Simplificando, é a inclinação para o bem, onde a conduta do homem tem por objetivo maior a felicidade dele mesmo em resultado da prospecção natural da racionalidade de que é capaz. Normalmente é uma característica que diferencia o não iniciado e lhe propicia oportunidade de ser maçom; uma pessoa boa e de bons costumes que pode ser melhorada.

Numa outra instância busca desenvolver a moral, o caráter, a qualidade da pessoa íntegra, honesta, incorruptível, cujos atos e atitudes são irrepreensíveis. Degrau de difícil escalada, tendo em vista a sociedade permissiva e perversa que a todos circunda. É condição de iniciação que o profano possua bom caráter antes de ser iniciado, apontando para a possibilidade de ser ainda mais polido. Polidez no sentido de virtude, conhecimento, mesmo que insignificante, sem esta todas as outras virtudes não se estabelecem.

Chama cada um à responsabilidade; à capacidade de prever os efeitos do próprio comportamento e corrigi-lo. Na ideia devida a Platão - "cada qual é a causa de sua própria escolha, ela não pode ser imputada à divindade" - se desperta a consciência de que cada um é responsável por sua própria carga, não existe a possibilidade de terceirizar nada do que é colocado às costas.

Devido a uma disciplina rígida o maçom é induzido à prática do respeito às leis e regulamentos. O maçom em hipótese alguma sonega imposto, deixa de pagar seus emolumentos ou falta com a responsabilidade. Nesta busca e rigor da disciplina não falta às sessões, salvo em situações muito especiais; sabe que não comparecer por motivo fútil é sinal que sua menoridade ainda o domina; que a Maçonaria ainda não penetrou nele; que Maçonaria se faz pela convivência; impossível e retirar de livros.

O respeito pelo direito dos demais cidadãos é a mola propulsora. Em todos os tempos, desde sua criação, a instituição maçônica influiu no pensamento do maçom para lutar contra o absolutismo e despotismo. É onde a ordem maçônica mais se destaca. Profanos também o fazem; aonde o maçom é diferente? No modo de agir e pensar.

É induzido ao desejo de superação, de ser ou tornar-se sempre melhor, mais eficiente ou superior em talento, criatividade, capacidade de impressionar, em relação aos outros ou a si mesmo; e isto mantendo a postura de busca da igualdade, destituído de vaidade. Vive numa pequena sociedade igualitária em sua relação dentro da loja, onde não existe distinção de ricos e pobres, fracos e poderosos. Isto falta ao não iniciado! Existem diferenças nos aspectos de cargos e com vistas a rígida disciplina, mas que não colocam nenhum maçom numa posição superior, inclusive, quanto mais o maçom sobe em desempenhos de responsabilidade mais ele é levado a portar-se com humildade e espírito de servidor da confraria.

Em sua disciplina é sempre cobrado pela pontualidade em todos os aspectos; desde o início pontual de seus trabalhos até no cumprimento de prazos na entrega de tarefas que ficam sob sua responsabilidade.

Induz-se o amor ao trabalho, à atividade em busca da satisfação das necessidades humanas. Procura-se apagar aquela imagem antiga induzida pela bíblia judaico-cristã de que trabalho é maldição. Mostra-se que pelo trabalho com sabedoria e força, além de sobrevivência, pode-se desfrutar de estética e beleza. Também se realça a importância ao ócio criativo, perceptível em suas ágapes festivas.

O maçom é homem ao qual é dada a oportunidade de aprender constantemente, de pensar por si próprio e de dividir este comportamento e conhecimento com seus irmãos. São princípios simples que têm por objetivo beneficiar cada um, aos irmãos e toda a sociedade humana. É sua meta desenvolver uma sociedade rica em recursos materiais, emocionais e espirituais.

O homem só é completo quando desenvolve espiritualidade forte, daí a figura do conceito de Grande Arquiteto do Universo na vida do homem racional e emocionalmente equilibrado. O método é balanceado, apoiado num tripé: emoção, razão e espiritualidade.

E principalmente, o conhecimento que cada um trás em si é necessário dividir com todos; não se negligencia a sublime instituição com desperdício de tempo, com o brilho do material, discussão vazia e inoportuna, distinção, honraria e retórica bombástica, isto o remete ao nível do esquadro. O alvo é compasso e esquadro juntos em total equilíbrio com o que está representado em seu centro.

O conceito "Aufklärung", de Kant, "esclarecimento" em português, é a capacidade de andar sozinho, com as próprias pernas, sem a necessidade de quem o conduza, assim como é demonstrado na cerimônia de iniciação do grau de aprendiz maçom. Se não entendida a mensagem da iniciação, mesmo iniciado, o maçom nunca encontrará o esclarecimento e tecnicamente permanece profano. É a busca da luz, porque tanto em alemão como em português, o verbete significa iluminação. É a saída da situação de "infans", é a maioridade. Significa a saída do homem de sua menoridade, da qual o culpado é ele próprio. A menoridade - "infans" - é a incapacidade de fazer uso de seu entendimento sem a direção de outro indivíduo. O homem é culpado dessa menoridade se sua causa não estiver na ausência de entendimento, mas na ausência de decisão e coragem de servir-se de si mesmo sem a direção de outrem.

O que estou fazendo por mim?
O que estou fazendo pela família?
O que estou fazendo pela sociedade?
O que estou fazendo pela Maçonaria?
O que a Maçonaria anda fazendo em mim?

Mire na cabeça.
Acerte com pensamentos.
Com eles faça degraus, e juntos,
Conquistaremos o Universo!

Fomente a educação!
Estude para ensinar!
Ande com as próprias pernas!
Divida o conhecimento!

Se és maçom,
E teus irmãos assim te reconhecem,
Esta é tua responsabilidade!

Bibliografia:

1. ABBAGNANO, Nicola, Dicionário de Filosofia, Dizionario di Filosofia, tradução: Alfredo Bosi, Ivone Castilho Benedetti, ISBN 978-85-336-2356-9, quinta edição, Livraria Martins Fontes Editora Ltda., 1210 páginas, São Paulo, 2007;

2. ANATALINO, João, Conhecendo a Arte Real, A Maçonaria e Suas Influências Históricas e Filosóficas, ISBN 978-85-370-0158-5, primeira edição, Madras Editora Ltda., 320 páginas, São Paulo, 2007;

3. ANTISERI, Dario; REALE, Giovanni, História da Filosofia, Antigüidade e Idade Média, Volume 1, ISBN 85-349-0114-7, primeira edição, Paulus, 670 páginas, São Paulo, 1990;

4. ANTISERI, Dario; REALE, Giovanni, História da Filosofia, do Humanismo a Kant, Volume 2, título original: Il Pensiero Occidentale Dalle Origini Ad Oggi, ISBN 85-349-0163-5, sexta edição, Paulus, 950 páginas, São Paulo, 1990;

5. GUIMARÃES, João Francisco, Maçonaria, A Filosofia do Conhecimento, ISBN 85-7374-565-7, primeira edição, Madras Editora Ltda., 308 páginas, São Paulo, 2003;

6. MASI, Domenico de, O Futuro do Trabalho, Fadiga e Ócio na Sociedade Pós-industrial, título original: Il Futuro del Lavoro, tradução: Yadyr A. Figueiredo, ISBN 85-03-00682-0, nona edição, José Olympio Editora, 354 páginas, Rio de Janeiro, 1999;

7. MASI, Domenico de, O Ócio Criativo, tradução: Léa Manzi, ISBN 85-86796-45-X, primeira edição, Sextante, 328 páginas, Rio de Janeiro, 2000;

8. Revista Sociologia, Ciência e Vida, Editora Escala, Ano II, Número 17.

Biografia:

1. Kant ou Immanuel Kant, conferencista, filósofo, maçom, professor e teólogo de nacionalidade alemã. Nasceu em Königsberg em 22 de abril de 1724. Faleceu em Königsberg em 12 de fevereiro de 1804 com 79 anos de idade. O último grande filósofo dos princípios da era moderna, um dos pensadores mais influentes;

2. Platão ou Platão de Atenas, filósofo de nacionalidade grega. Também conhecido por Aristócles Platão de Atenas. Nasceu em Atenas em 428 a. C. Faleceu em Atenas em 347 a. C. Considerado um dos mais importantes filósofos de todos os tempos.

Data do texto: 03/01/2011

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná

Local: Curitiba

Grau do Texto: Aprendiz Maçom

Área de Estudo: Ética, Filosofia, Liberdade, Maçonaria, Moral

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Oposição à Maçonaria e Livros Antimaçônicos


Charles Evaldo Boller

Sinopse: Análise resumida da perseguição religiosa e política aos maçons pelo mundo e o que realmente se faz dentro dos templos da Maçonaria.

Inúmeras obras antimaçônicas foram escritas no passado. Algumas com consequências mortais, instigando a perseguição de parte dos fundamentalistas políticos e religiosos. São exemplos: a perseguição na Alemanha, por Adolf Hitler; na Espanha, Francisco Franco; diversos papas católicos e líderes de outras miríades de religiões fundamentalistas. Milhares de maçons foram assassinados em consequência destas obras escritas apenas para público profano desejoso de conhecer os "terríveis segredos da Maçonaria". Outros tinham por alvo disseminar mentira e instigar à discriminação racial, guerras ideológicas e sanguinárias, como no caso de "Os Protocolos dos Sábios de Sião".

Houve obras antimaçônicas que causaram até bem para a ordem maçônica porque trouxeram mais informação útil que alguns livros maçônicos escritos com o objetivo de auxiliar, ou registrar fundamentos, filosofias e sua história ou liturgia. Existem obras de autores maçônicos causadores de danos graves; são os escritos por pessoas de pouco ou nenhum conhecimento técnico histórico. Inventaram estórias e dados inconsistentes que, de tanto serem replicadas, alcançaram até status de verdade, mas alimentam as baterias dos detratores. Existem casos onde os fatos relatados têm mínima chance diante de uma pesquisa superficial; é pura ficção, de pouco ou nenhum suporte. Obras que não respeitam a inteligência dos antimaçons, e certamente, muito menos ainda, a dos maçons. O observador arguto deduz prontamente que, os piores inimigos estão dentro da Maçonaria, constituído de "irmãos" oportunistas e astutos na preparação de ardis, que à luz da pesquisa desmoronam, revelando sórdidos objetivos comerciais. Estes sim expõem a Maçonaria Universal a ridículo e perigo; geram a munição que os detratores da instituição maçônica buscam para carregar suas armas insidiosas.

Apenas um ano após a aparição da primeira constituição maçônica, quando, em 1724, foi escrito o Livro das Constituições de James Anderson, surgiu em Londres, de autor anônimo e edição de Willian Wilmont, um pequeno impresso com o título "Revelado o Grande Mistério dos Maçons". Tudo leva a crer que o autor foi um covarde maçom, cujo único objetivo foi vender informações maçônicas ao maior número de pessoas. Depois surgiu "Toda a Instituição Maçônica", revelando até sinais e palavras. Foram muitos os textos que surgiram na época, alguns até plágio dos primeiros, mas todos com o objetivo de fazer dinheiro à custa da curiosidade profana. A partir de 1730 surgiram obras antimaçônicas de vulto e impacto: "A Maçonaria Dissecada" de Samuel Prichard. Em 1744, o abade Perau publicou o livro: "A Ordem dos Franco-maçons Traída e Seus Segredos Revelados". Neste mesmo ano, Luiz Traveno publicou diversos livros versando sobre Maçonaria, sempre expondo assuntos internos, no claro objetivo de apenas vender livros e fazer dinheiro. Em 1760 foi editado um livro de autor desconhecido, "As Três Batidas Distintas". Em 1762 apareceu o livro "Jaquim e Boaz". Depois surgiu "Memórias do Jacobismo", do padre Augustinho Barruel, o qual é considerado, de fato, o pai da antimaçonaria, pois sua criatividade criou fábulas tão verossímeis que estas ainda hoje prejudicam os maçons.

De todos estes autores podemos aceitar até motivação por ódio e oportunismo comercial contra a Maçonaria, pois não eram maçons. Entretanto, o maior mestre do engodo, de todos os tempos, foi o aprendiz maçom Leo Taxil, este causou estragos terríveis à ordem maçônica. Depois deste "irmão" surgiu frei Boaventura em seu livro "A Maçonaria no Brasil", também pretendia contar os "segredos" dos homens que se reuniam a portas fechadas em confrarias fraternas.

O supremo campeão é sem dúvidas "Os Protocolos dos Sábios de Sião", obra ficcional na qual foram baseadas as invenções de alguns detratores e principalmente de parte do padre Barruel, dando conta de uma suposta "Conspiração Maçônica", e onde foram dramatizadas situações sem fundamento que muitos males causaram aos maçons ao longo do tempo; nem as dramatizações de Leo Taxil e todos os anteriores ao padre Barruel causaram tanto mal. Mesmo escrevendo diversos livros dos dramas e problemas proporcionados, não se esgota o assunto da antimaçonaria.

Na Internet encontram-se inúmeros sites contendo informações desencontradas da organização e ação da Maçonaria que carecem até de algum discernimento para perceber o engodo nelas contido. Em sua maioria são produções que usam os livros já citados e até da bíblia judaico-cristã como plataforma da calúnia e raciocínio falso. Todo extremismo, todo fundamentalismo religioso e político tem estas características; quando não consegue convencer pelo argumento lógico e claro, apela para a mentira e fantasia, torce o sentido das palavras de seus livros sagrados para denegrir qualquer obstáculo que lhes embarace o caminho aos negócios bilionários ou caça ao poder efêmero.

Felizmente a instituição maçônica provê abertura para debate de amplo leque. Maçonaria não se faz com templos, livros, grandes lojas, grandes orientes, sinais, palavras de passe ou palavras sagradas! Estas são apenas ferramentas, utensílios que facilitam o raciocínio, abrem o entendimento. Maçonaria se faz dentro da mente e no coração! Todo o resto é ilusão! Nem mágica ou misticismo colaboram, antes denigrem e municiam os inimigos com argumentação para quebrar e hegemonia da Maçonaria Universal. Não fossem a pequenez e fragilidade humana, as ferramentas, obediências, ritos e locais de reunião seriam até desnecessárias! A Maçonaria seria dispensável! Tentar revelar os "segredos" da ordem maçônica é seguramente um vão esforço dos detratores de alcançarem o vento na corrida! Grandes pensadores já intuíram em tempos idos que, onde existirem pessoas que se tratam como irmãos e demonstram profundo amor entre si, com certeza ali estará o espírito do Grande Arquiteto do Universo e se pratica a verdadeira Maçonaria; independente se as pessoas forem ou não iniciadas. A iniciação verdadeira ocorre no coração. É dádiva divina! Resultado de sã racionalidade, lógica e espiritualidade, equilibrados.

Uma dos mais fantásticos insights proporcionados pela Maçonaria é o autoconhecimento; "o conhece-te a ti mesmo", de Sócrates; a viagem interior que afasta da mente todo apego estrito à palavra escrita ou falada e revela a espiritualidade; o lugar onde está o Deus, onde cada um tem o Deus criado a partir de antropomorfismo que é característica do homem comum. O maçom sequer discute ou gera Deuses à sua imagem e semelhança, porque seres desta magnitude não cabe dentro da lógica e apenas gera separação e ranger de dentes, daí usar apenas do conceito de um Princípio Criador, ao qual denomina Grande Arquiteto do Universo. É a razão da paz encontrada entre as colunas das lojas dos maçons.

É o conhecimento da verdade relativa em todas as questões que conduz ao crescimento pessoal e espiritualidade avançada; o maçom que possui o conhecimento da Maçonaria em si não é idólatra, materialista ou medíocre. O fundamentalismo de qualquer espécie terá muito trabalho para manter a cegueira que subjuga por uns tempos, já que a evolução espiritual e do autoconhecimento do maçom promovem o discernimento que conduz à sabedoria e liberdade.

O livre pensador torna-se independente de intermediários na busca de sua espiritualidade. O Deus que busca está perto para o iniciado e muito longe ao cego escravizado, num hipotético céu, em virtude de estar submetido a dogmas e fantasias dos inimigos da liberdade. As religiões querem escravos do pensamento para manter seu poder temporal efêmero, algo do que a Maçonaria liberta seus homens e, devido a isto, as religiões odeiam a ordem maçônica criando mentiras. O mesmo faz o poder político absolutista, ditatorial.

Vencer aos detratores da Maçonaria é a razão do maçom cauterizar e envolver sua mente de forte couraça de aço. Aprende a usar da espada numa mão, que é sua língua manejada com maestria na derrubada das mentiras ou raciocínios ilógicos e, na outra mão, porta a trolha com a qual constrói e apazigua uma sociedade livre de obscurantismo.

O corpo do maçom, que constitui seu templo, o seu lugar de adoração sagrado, permanece puro, imaculado da perfídia imunda do obscurantismo gerados por religiões e ideologias políticas que conspurca a sociedade humana. Porque o Deus que reside no maçom é tão verdadeiro como aquele que reside em qualquer outra criação do Universo. A Maçonaria promove nos homens por ela treinados a mais ampla liberdade; a suprema liberdade do pensamento; é onde qualquer ser racional é absolutamente livre por característica de projeto devido ao Grande Arquiteto do Universo.

Bibliografia:

1. BAYARD, Jean-Pierre, A Espiritualidade na Maçonaria, Da Ordem Iniciática Tradicional às Obediências, tradução: Julia Vidili, ISBN 85-7374-790-0, primeira edição, Madras Editora Ltda., 368 páginas, São Paulo, 2004;

2. BOUCHER, Jules, A Simbólica Maçônica, Editora Pensamento, 1979;

3. CARVALHO, Francisco de Assis, O Avental Maçônico e Outros Estudos, Nº 6, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 160 páginas, Londrina, 1989;

4. FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio de, Dicionário de Maçonaria, Seus Mistérios, seus Ritos, sua Filosofia, sua História, quarta edição, Editora Pensamento Cultrix Ltda., 550 páginas, São Paulo, 1989;

5. PROBER, Kurt, História do Supremo Conselho do Grau 33 do Brasil, Volume 1, 1832 a 1927, primeira edição, Kosmos, 405 páginas, Rio de Janeiro, 1981;

6. WESTCOTT, William Wynn, Maçonaria e Magia, título original: Tha Magical Mason, tradução: Joaquim Palácios, ISBN 85-315-0384-1, primeira edição, Editora Pensamento Cultrix Ltda., 240 páginas, São Paulo, 1983.

Biografia:

1. Augustin Barruel ou Abbé Augustin Barruel, jesuita francês. Nasceu em 2 de outubro de 1741. Faleceu, em 5 de outubro de 1820, com 78 anos de idade. Escreveu que a revolução francesa foi planejada e executada por sociedades secretas;

2. Francisco Franco ou Francisco Bahamonde Franco, escultor, militar e político espanhol e português. Nasceu em El Ferrol, Galícia em 4 de dezembro de 1892. Faleceu em Lisboa, em 20 de novembro de 1975, com 82 anos de idade. Caudilho do povo espanhol;

3. Hitler ou Adolf Hitler, estadista, militar e político alemão. Nasceu em Braunau, Áustria em 20 de abril de 1889. Faleceu em Berlim, Alemanha, em 30 de abril de 1945, com 56 anos de idade, suicídio. Fundador do Partido Nacional Socialista Alemão;

4. James Anderson, escritor, maçom e ministro religioso inglês. Nasceu em Aberdeen, Escócia em 1679. Faleceu, em 1739, com 59 anos de idade. Conhecido pela autoria da Constitutição dos Maçons Livres ou a Constituição de Anderson;

5. Luiz Travenol, escritor e maçom francês. Também conhecido por Leonardo Gabanon. Em 1743, Publicação de Catechismes des Franc-maçons, revelando segredos, de autoria de Travenol;

6. Marie Joseph Gabriel Antoine Jogand-Pagès, falsário francês. Também conhecido por Léo Taxil. Nasceu em 21 de março de 1854. Faleceu, em 31 de março de 1907, com 53 anos de idade;

7. Samuel Prichard, escritor e maçom inglês. Em 1730, Publicação do livro Maçonaria Dissecada de Samuel Prichard, que divulgou Segredos Maçônicos e provocou alterações nos Rituais dos Modernos. Inglaterra. Em 1738, Publicação de Recepção Misteriosa, tradução mal feita de Maçonaria Dissecada de Samuel Prichard.

Data do texto: 07/11/2005

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

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Local: Curitiba

Grau do Texto: Aprendiz Maçom

Área de Estudo: Intolerância, Maçonaria, Obscurantismo, Política, Religião

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Marcha do Aprendiz Maçom


Charles Evaldo Boller

Sinopse: Simbolismo, misticismo e esoterismo ligados à marcha do aprendiz maçom.

Durante a marcha, na interpretação mística e esotérica da Maçonaria, o aprendiz maçom no Rito Escocês Antigo e Aceito não deve levantar o pé do chão, e sim arrastá-lo. Dentro da liturgia maçônica a marcha tem sentido esotérico, ligado a uma espécie de campo de força do pensamento, gerado pelos irmãos reunidos em loja; chamam-no Egrégora. Pessoalmente nunca senti a manifestação desta hipotética energia, talvez porque ainda não alcancei os níveis certos na Escada de Jacó, ou nunca o alcançarei por possuir mente de formação preponderantemente cartesiana. Dizem os místicos e esotéricos da arte da Maçonaria, ser este um campo de força que parte do oriente, tem um polo na coluna da sabedoria, na pessoa do venerável mestre e termina na pessoa do guarda do templo; sendo esta a razão do guarda do templo nunca poder sair de seu posto, nem do templo, e a porta do templo não pode ser tocada por outro irmão oficial qualquer enquanto a loja estiver aberta.

O aprendiz maçom está ligado às coisas da matéria, ele constrói seu ser material, ligado à Terra. É o que significa o esquadro sobre o compasso. O aprendiz maçom está ligado às coisas materiais e depois, ao galgar outros graus ele passa a tirar os pés do chão.

Alguns irmãos brincam com a marcha do aprendiz maçom, chamando-a de a marcha do "manquinho", exatamente devido esta característica do pé esquerdo ser arrastado para frente e depois o calcanhar direito bate em esquadro no calcanhar esquerdo.

Em nenhum momento, nenhuma das palmas dos pés, tanto direito como esquerdo descolam do chão. Há quem queira explicar este arrastar de pés como ligados ao fato do aprendiz maçom ainda não estar simbolicamente acostumado com toda a luz, então vai tateando.

De tudo o que se lê a respeito, o arrastar de pés está ligado unicamente ao fato do aprendiz maçom estar ligado ao chão, à Terra, um dos quatro elementos, porque ainda não galgou a escada em direção de sua espiritualização. Isto é simbólico, mas pretende passar sensibilidade com os assuntos da espiritualidade.

Pessoas como eu poderão dizer, num primeiro instante, que é bobagem, mas sabemos que a ritualística maçônica carrega em si mensagens em seus símbolos que talvez um dia o iniciado vai descobrir o significado. Daí, se mudar o símbolo, muda-se a mensagem, então é importante executar a ritualística com rigor, senão ela realmente não passa de atitude fingida e não de um símbolo esotérico. E sabemos que estamos na Maçonaria para nos influenciarmos mutuamente. As quatro linhas de pensamento básicas da Maçonaria devem fundir-se numa só para preparar o homem em sua caminhada pela sociedade, onde fará sua obra.

Um exemplo: sabe-se que a espada do guarda do templo é uma arma branca (que não corta nada fisicamente), mas além de ser símbolo da honra e do poder, ela é o que espanta as más influências do mundo externo à Egrégora; e se a espada fosse substituída por um fuzil AR-15? Este último também é uma arma de ataque, porém, que mensagem esta poderá transmitir? Será que a mensagem é a mesma da espada? A metralhadora transmite a mensagem de ser arma de honra? Ou de destruição em massa? É razão para preservarmos os símbolos exatamente como foram idealizados pelos primeiros maçons com risco da mensagem original perder-se. O mesmo se dá com o movimento arrastado dos pés durante a marcha do aprendiz. Será esta uma daquelas invenções que poluem a Maçonaria Simbólica, dita por Albert Pike?

Ainda não é possível afirmar, ademais, na Maçonaria tudo parece ter uma razão de ser até prova em contrário; é assim que funciona. A marcha do aprendiz maçom tem relações com as três colunas do templo: sabedoria, força e beleza. Sabedoria porque se destaca a cabeça como se estivesse numa prateleira quando se coloca a mão em esquadro na garganta; Beleza porque a postura e a marcha devem ser feitos com garbo, energia, elegância; Força porque devem ser feitos de forma enérgica, orgulhosa e denotando força moral.

Além disso, o posicionamento da marcha do aprendiz é emblema de três passagens: nascimento, vida e morte. Quando bem feito representa discernimento, retidão e decisão. Quando a marcha é torta e frouxa representa: Inépcia, farsa, vacilação.

Os três esquadros formados pela mão, braço e pés significam: podem me degolar que não conto os segredos; o braço e antebraço em esquadria significam força à disposição da Ordem; a esquadria dos pés significa que o caminho do maçom deve sempre ser pautado pela retidão do ângulo reto. São três os esquadros porque três é a idade do aprendiz maçom.

Acima de qualquer especulação ou consideração, é importante lembrar que existem duas maneiras de efetuar qualquer tarefa: fazer bem feito ou mal feito: implica que, tanto para fazer bem feito, como para fazer mal feito leva-se quase o mesmo tempo e se gasta quase o mesmo recurso; então faça bem feito! Ademais, como estudante da arte real é importante fazer tudo bem feito, para escalar a Escada de Jacó com galhardia e progredir espiritualmente para honra e à Glória do Grande Arquiteto do Universo.

Bibliografia:

1. CASTELLANI, José, Consultório Maçônico XI, ISBN 978-85-7252-286-1, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 176 páginas, Londrina, 2011;

2. PIKE, Albert, Morals and Dogma, of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry, primeira edição, Supreme Council of the Thirty Third Degree for the Southern Jurisdiction of the United States, 574 páginas, Charleston, 1871.

Data do texto: 09/09/2008

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

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Grau do Texto: Aprendiz Maçom

Área de Estudo: Filosofia, Maçonaria, Ritualística, Simbologia

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Liberdade e Fome


Charles Evaldo Boller

Sinopse: Não existe liberdade para quem padece fome. Mecanismos humanos históricos utilizados para obter equilíbrio entre produção de alimentos e habitantes de regiões do planeta.

Para minimizar os efeitos terríveis da carência de recursos, o único meio de garantir a felicidade e o bem estar das pessoas mais aptas é a redução do número de habitantes humanos do planeta.

Assim como a natureza mata por inanição, o sistema econômico mundial criou mecanismos para matar os menos aptos de forma sutil em busca do equilíbrio; aos mais afortunados explora e suga toda a capacidade vital e depois os descarta como lixo. Uns morrem antes de completar a idade produtiva, grande multidão fenece antes de completar dois anos, outros nem nascem, são abortados. Exemplo recente desta realidade é o fato de se repassarem às instituições financeiras mundiais muitas vezes mais recursos que os suficientes para acabar com toda a carência dos mais pobres do orbe. Quer dizer, faz tempo que já se possui a capacidade de acabar com miséria e fome no mundo. Só não é feito porque não interessa ao sistema capitalista; se acabarem com a fome, vai ficar mais difícil matar pessoas de forma seletiva: os mais pobres, os menos aptos. Já os mais afortunados sobrevivem porque interessam ao sistema econômico mundial, mas também são eliminados tão logo tiverem exauridas suas capacidades produtivas.

É lógico que não se tem o menor interesse em acabar com as vicissitudes dos pobres, qual vampiro o sistema alimenta-se do sangue de todos, de sua força vital, mas quando ameaçado, para sobreviver, não existe outra saída, não hesita, lança mão do assassínio em massa.

Um dos mais eficientes métodos de assassinato em massa em todos os tempos é a fome. Hoje alcançamos o índice nada invejável de um bilhão de pessoas que sofrem de fome crônica no mundo; um em cada seis indivíduos passa fome de forma continuada. Para o sistema econômico mundial a única saída é eliminar os pobres e sem recursos; aqueles que hoje não podem pagar para merecer viver debaixo do sistema capitalista.

Tertuliano (160-240 d. C.) e outros escritores já afirmavam que as pestilências e guerras eram benesses para a sobrevivência de países populosos. Como alternativas de busca do equilíbrio, ao invés de guerra é frequente usar: fome; doença; vício; ausência de princípios; aniquilação de valores; destruição da família; e outros. Tais mecanismos são mais sutis e mais baratos que fabricar culpados, como Adolf Hitler, Sadam Hussein ou Osama Bin Laden.

Só a fome mata vinte e cinco mil pessoas por dia; para que melhor agente de matança? E como o sistema econômico mundial é interativo, ele não tem garantia nenhuma de funcionamento basta-lhe pequena centelha adversa para provocar uma reação em cadeia com resultados catastróficos. Exemplo recente é a crise financeira disparada por especulação imobiliária; quantos irão morrer pelas mais diversas causas devido a este desequilíbrio conjuntural?

O sistema econômico mundial mantém os menos aptos submissos pela falta de educação. No Brasil existem promessas de melhorar esta situação. No Chile está se realizando em passos largos. Mas sempre se confunde educação com aquisição de conhecimentos, o que os diferencia é que um deles apenas transmite conhecimentos para formar pessoal escravo para o sistema enquanto a educação que liberta continua a ser relegada ao descaso e sabotagem. A aquisição de princípios e valores é abortada com demasiada interferência dos Estados na família que emite leis que acabam com a instituição do casamento estável. Em países do hemisfério sul são estabelecidos pisos para investimento na aquisição de conhecimentos em todos os níveis do poder, mas estes pisos passam a ser utilizados pela administração pública como tetos, e a partir disto, o cidadão não aprende a pensar, fica desqualificado para o mercado de trabalho, não exerce sua capacidade de libertar-se para a vida com qualidade. E como não tem capacidade de alimentar o sistema econômico mundial, ele fenece. Exemplo disto é o fato de existirem em nossos dias milhares de indústrias eficientes que produzem bens para um número cada vez menor de clientes; porque estes não têm condições de comprá-los; daí estas mesmas indústrias demitem ou automatizam cada vez mais e com isto eliminam seus principais clientes que são os funcionários demitidos.

Outra faceta é a daqueles que obtém a possibilidade de levar a vida de uma forma mais confortável e que tomam para si muito mais que o necessário para sua sobrevivência, é o desperdício. Mahatma Gandhi disse que a cada dia a natureza produz o suficiente para nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não haveria pobreza no mundo e ninguém morreria de fome.

Um dia será possível obter liberdade debaixo desta disputa por recursos cada vez mais escassos? Nunca existiu liberdade com a existência de fome. Quando não é o próprio homem destruindo ao outro por ganância, a natureza agredida mata por inanição. É um painel cruel e sanguinário. Os assassínios recrudescem em crueldade crescente. A abundância de vidas humanas disputando e destruindo o ambiente vital não está mais em equilíbrio com a capacidade de recuperação da natureza. Convém ao homem sábio, onde se encaixa o maçom, pensar soluções de curto prazo para encontrar meios de minimizar estes efeitos destrutivos da busca do equilíbrio; com isto estará aplicando o amor fraterno, o único meio de solucionar todos os problemas em consonância com o projeto do Grande Arquiteto do Universo.

Bibliografia:

1. ABBAGNANO, Nicola, Dicionário de Filosofia, Dizionario di Filosofia, tradução: Alfredo Bosi, Ivone Castilho Benedetti, ISBN 978-85-336-2356-9, quinta edição, Livraria Martins Fontes Editora Ltda., 1210 páginas, São Paulo, 2007;

2. GEORGE, Susan, O Relatório Lugano, Sobre a Manutenção do Capitalismo no Século XXI, título original: The Lugano Report, tradução: Afonso Teixeira Filho, ISBN 85-85934-89-1, primeira edição, Boitempo Editorial, 224 páginas, São Paulo, 1999;

3. MASI, Domenico de, Criatividade e Grupos Criativos, título original: La Fantasia e lá Concretezza, tradução: Gaetano Lettieri, ISBN 85-7542-092-5, primeira edição, Editora Sextante, 796 páginas, Rio de Janeiro, 2003;

4. MASI, Domenico de, O Futuro do Trabalho, Fadiga e Ócio na Sociedade Pós-industrial, título original: Il Futuro del Lavoro, tradução: Yadyr A. Figueiredo, ISBN 85-03-00682-0, nona edição, José Olympio Editora, 354 páginas, Rio de Janeiro, 1999;

5. ROUSSEAU, Jean-Jacques, A Origem da Desigualdade Entre os Homens, tradução: Ciro Mioranza, primeira edição, Editora Escala, 112 páginas, São Paulo, 2007.

Biografia:

1. Hitler ou Adolf Hitler, estadista, militar e político de nacionalidade alemã. Nasceu em Braunau Am Inn, Áustria em 20 de abril de 1889. Faleceu em Berlim, Alemanha em 30 de abril de 1945 com 56 anos de idade, suicídio. Líder do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães;

2. Mahatma Gandhi, advogado e maçom de nacionalidade indiana. Também conhecido por Mohandas Karamchand Gandhi. Nasceu em Porbandar, Índia em 2 de outubro de 1869. Faleceu em Delhi em 30 de janeiro de 1948 com 78 anos de idade, assassinado. É um dos maiores líderes nacionais do século XX;

3. Osama Bin Laden ou Usamah Bin Muhammad Bin Awæd Bin Ladin, terrorista de nacionalidade saudita. Nasceu em 10 de março de 1957. Com 53 anos de idade. Terrorista internacional treinado pelos Estados Unidos da América;

4. Sadam Husein ou Saddam Hussein Abd Al-Majid Al-Tikriti, estadista e político de nacionalidade iraquiana. Nasceu em Tikrit em 28 de abril de 1937. Faleceu em Bagdad em 30 de dezembro de 2006 com 69 anos de idade. Uma das principais lideranças ditatoriais no mundo árabe;

5. Tertuliano ou Quintus Septimius Florens Tertullianus, autor cristão, polemista e teólogo de nacionalidade cartaginesa. Nasceu em Cartago na Província Romana da África em 160. Faleceu em 240 com 79 anos de idade. Prolífico autor das primeiras fases do Cristianismo.

Data do texto: 12/07/2009

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

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Grau do Texto: Aprendiz Maçom

Área de Estudo: Filosofia, Liberdade, Maçonaria, Política

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Tronco de Solidariedade


Charles Evaldo Boller

Sinopse: Considerações a respeito do Tronco de beneficência ou de solidariedade; ritualística de coleta; interpretação mística e filosófica.

No Rito Escocês Antigo e Aceito é explicado ao neófito que o Tronco de Solidariedade arrecada dinheiro, denominado metais, que serão distribuídos depois aos necessitados. O obreiro coloca seu óbolo na mão e a fecha, coloca-a dentro da bolsa de coleta e lá dentro a abre e solta sua doação, deposita para si mesmo, soltam-se os fluídos da ponta de seus dedos, energizando o conteúdo da bolsa, fecha a mão e a retira fechada. Ao retirar a mão fechada significa que assim como ele pode colocar o que lhe ditar o coração, também poderá tirar quando necessidades o afligirem. Daí deduzindo que os necessitados a serem socorridos em primeira instância são os próprios irmãos do quadro.

Existem relatos que creditam a origem deste procedimento como remanescente ao tempo em foi construído o templo de Salomão, onde ferramentas, projetos, documentos e pagamento dos obreiros eram colocados dentro das colunas do templo, que eram ocas exatamente para esta finalidade. O pagamento de companheiros e aprendizes origina-se da tradição de retirar do interior do tronco das colunas o salário a que faziam jus.

Mas a origem mais convincente e lógica é francesa, pois naquela língua a palavra "tronc" pode ser usada tanto para tronco humano como para caixa de esmolas. Guarda-se apenas a simbologia deste procedimento, em verdade as colunas B e J dos templos atuais são meras figuras simbólicas e não são ocas.

A circulação ritualística da bolsa de solidariedade obedece ao formato de duas estrelas de seis pontas, que por sua vez são compostas cada uma por dois triângulos um dentro do outro, em posição invertida.

A marcha inicia no ocidente, entre colunas, em direção ao oriente. O irmão hospitaleiro coloca a bolsa colada a sua cintura, ao lado esquerdo do corpo e inicia a marcha. Sem olhar para o que é depositado na bolsa vai passando por todos os obreiros em loja. O venerável mestre, primeiro vigilante e segundo vigilante definem o primeiro triângulo; orador, secretário e guarda do templo definem o segundo triângulo, o que resulta na primeira estrela; depois passa pelos oficiais e obreiros do oriente, pelos mestres e oficiais da coluna do sul e pelos mestres e oficiais da coluna do norte, definindo o terceiro triângulo; companheiros, aprendizes e o cobridor externo formam o quarto triângulo e completam a segunda estrela. E por fim, o cobridor externo segura a bolsa, e o próprio hospitaleiro deposita seu óbolo na bolsa, retoma a bolsa, lacra-a e conclui o giro da bolsa postando-se entre colunas. Comunica ao venerável mestre que a tarefa está cumprida e recebe instruções do que deve fazer em seguida.

Normalmente o hospitaleiro leva a bolsa lacrada até o altar do tesoureiro e ambos conferem o valor coletado. Em seguida o tesoureiro comunica ao venerável mestre o valor arrecadado. Durante a circulação da bolsa nenhum irmão pode adentrar ou sair do templo. Normalmente é momento em que os obreiros aproveitam para recolhimento espiritual ou relaxamento, pois o ato de doar é tido como místico, é o sacrifício da oferenda que se faz como culto ao conceito de Grande Arquiteto do Universo de cada um. Para tornar o momento mágico o mestre de harmonia baixa a intensidade das luzes e executa músicas suaves. É uma parte do ritual que se não executado é considerado como se aquela sessão não foi válida, à exceção das sessões brancas.

O retirar de metais não ocorre no instante em que o obreiro retira a mão da bolsa, mas é solicitado ao venerável mestre que determinará a seu critério mandar efetuar sindicâncias, para só então fornecer os recursos financeiros ao irmão em necessidade. Normalmente sequer é o beneficiado quem faz a solicitação, na maioria das vezes tal ação parte do hospitaleiro, mas pode ser qualquer outro irmão do quadro.

O irmão que não consegue pagar suas contas tem direito ao uso destes recursos? Não! Isto não é situação válida para obter recurso deste fundo. O obreiro teve sua casa queimada ou uma doença grave sobre ele se abateu de forma inesperada, pode ser socorrido com recursos do Tronco de Beneficência? Sim! À critério do venerável mestre e da loja.

Sempre precisa haver razão válida, de real valor humanitário para se efetuar algum socorro. E esta ajuda é feita muitas vezes de tal maneira que o beneficiado sequer sabe de onde vem o recurso, é feita também de tal forma que não humilhe aquele; tem somente o objetivo de amenizar o sofrimento de quem realmente necessita. É por isto também conhecido como tronco da viúva, onde os filhos da viúva são os maçons.

Quando os fundos do tronco dos pobres ou da viúva atingem valor razoável, parte dele é destinado para obras de beneficência. Nunca é totalmente gasto, sempre fica um fundo para a eventualidade de haver necessidade de socorrer algum irmão em real necessidade emergencial.

Não colaborar com o ato litúrgico do tronco de solidariedade é o mesmo que fugir da prática da caridade e torna o maçom indigno de exercer todos os demais privilégios maçônicos. E se possuir posses que lhe permitam fazê-lo, e não o faz, torna-se desonesto para consigo mesmo, pois poderá ser ele próprio o beneficiário daquele óbolo que coloca na bolsa. Se não colabora por vaidade ou avareza o seu caráter não é bom, ele deve desconfiar que tenha algo errado consigo mesmo. Dar esmola não significa mixaria, ninharia, insignificância; é melhor que não coloque nada e arque com as consequências que sua consciência lhe exigir.

É pela beneficência que o verdadeiro maçom se torna digno na procura de alcançar a glória de merecer de parte daquilo que ele considera o Grande Arquiteto do Universo, o seu Deus, o prêmio de fazer parte da edificação da sociedade.

Em sendo tão séria esta disposição então porque abusar da sorte: hoje está tudo bem, mas quem sabe o que o amanhã reserva?

Bibliografia:

1. ASLAN, Nicola, Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia, Volume I, ISBN 85-7252-158-5, segunda edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 1270 páginas, Londrina, 2003;

2. CAMINO, Rizzardo da, Dicionário Maçônico, ISBN 85-7374-251-8, primeira edição, Madras Editora Ltda., 413 páginas, São Paulo, 2001;

3. CASTELLANI, José, Dicionário Etimológico Maçônico, A-B-C, Coleção Biblioteca do Maçom, ISBN 85-7252-169-0, segunda edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 143 páginas, Londrina, 2003;

4. FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio de, Dicionário de Maçonaria, Seus Mistérios, seus Ritos, sua Filosofia, sua História, quarta edição, Editora Pensamento Cultrix Ltda., 550 páginas, São Paulo, 1989;

5. Paraná, Grande loja do, Ritual do Grau de Aprendiz Maçom do Rito Escocês Antigo e Aceito, terceira edição, Grande loja do Paraná, 98 páginas, Curitiba, 2001.

Data do texto: 02/09/2008

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

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Local: Curitiba

Grau do Texto: Aprendiz Maçom

Área de Estudo: Filosofia, Maçonaria, Ritualística

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Intolerância e Fanatismo Banidos


Charles Evaldo Boller

Sinopse: Considerações sobre espiritualidade e fatores que contribuem ao desenvolvimento da pessoa na Maçonaria; linhas de pensamentos e formação eclética do maçom.

Para absorver a capacidade de dominar a tendência natural de tomar a justiça em suas próprias mãos, o maçom desenvolve uma espiritualidade racional que, aliada à inteligência, possibilita aprendizado superior.

É amplamente conhecido que apenas a sociedade educada, que valoriza sua cultura e disposta a dominar os segredos de postura mais tolerante, flexível, desperta para a possibilidade de levar a intolerância e o fanatismo a níveis insignificantes.

O resultado do combate à intolerância é admitir que a tolerância absoluta seja impossível; caso contrário seria o fim dela. Se tudo for tolerado de que serve tolerância? Se aceita que nem sempre algo que é considerado intolerável seja demonstração de intolerância.

A tolerância é elemento basilar da possibilidade de existir da própria ordem maçônica. Nasceu em resultado da ação de homens de visão para propiciar a reunião de pessoas das mais diversas religiões e linhas de pensamentos filosóficos para, em conjunto, desenvolverem soluções para diversos problemas da sociedade, que naquela época eram a crueldade resultante de despotismo, intolerância e fanatismo dos poderes do estado e religião.

Muitos homens e mulheres valorosos foram mortos de forma cruel apenas porque discordaram de um ou outro extremista que de forma absoluta exercia poder tirânico. Para manter-se no poder estes senhores da verdade absoluta e do poder temporal impediam o crescimento em conhecimento do povo, escravizado em sua força de trabalho e submetido a leis que mudavam conforme a vontade do títere que exercia o poder absoluto do Estado. Na Maçonaria descobre-se em maior profundidade que a ninguém, a nenhum ser humano é dado chamar para si a capacidade de possuir a verdade absoluta em qualquer tema. Daí o esforço naqueles tempos para neutralizar o poder absolutista da Igreja Católica Apostólica Romana que forçava o obscurantismo para não perder o poder secular, o qual compartilhava com os governos dos países onde atuava.

Para o maçom a verdade absoluta só pode emanar do Grande Arquiteto do Universo. E quando ele descobre esta limitação, passa a crescer de fato. Não por fingimento ou pelo que o seu grupo social, por coerção social, lhe impinge nas diversas fases da vida. Quando o maçom atinge a maturidade de sua espiritualidade ele dispensa todo e qualquer intermediário entre si e a sua divindade, ou aquilo que ele considera sagrado. Pelo fato de apoiar sua posição num conceito ao qual denomina Grande Arquiteto do Universo, a Maçonaria é religiosa, ela religa o homem a sua divindade, mas não é uma religião. Como acontece isto? Para provar que a afirmação não constitui ambiguidade é necessário buscar apoio no que significa religião, definindo o que a ordem maçônica faz em cada definição:

Culto Prestado a uma Divindade

O maçom nunca inicia qualquer tarefa sem dar glória ao Grande Arquiteto do Universo. A Maçonaria não pratica culto de nenhuma espécie em sua ritualística. Existem duas linhas doutrinárias comuns e ativas na Maçonaria:

Deísmo

Considera a razão como a única via capaz de nos assegurar da existência de Deus, rejeitando, para tal fim, o ensinamento ou a prática de qualquer religião organizada; como define John Locke.

Teísmo

Comum às religiões monoteístas caracterizadas por afirmar a existência de um único Deus, de caráter pessoal e transcendente, soberano do Universo e em intercâmbio com a criatura humana; como define Immanuel Kant.

A única oração, que segue a linha de pensamento teísta, que faz parte oficial da liturgia maçônica é a efetuada pelo venerável mestre no início dos trabalhos e a leitura de um versículo do livro da lei, no caso a bíblia judaico-cristã em lojas de obreiros cristãos; poderia ser qualquer outro livro sagrado, desde que represente a crença da maioria presente.

Platão foi o criador da teologia ocidental, pelo fato de lançar as categorias do imaterial, o que permitiu o pensamento do divino imaterial. A Maçonaria não discute este campo por influência do iluminismo que não vê nisso nenhum resultado prático, apenas causa de separações e litígio. Para ser maçom impõem-se crença num Princípio Criador e vida após a morte. Fomenta-se o desenvolvimento completo do homem pelo uso da sã racionalidade dirigida por uma espiritualidade não dogmática. Não se discute Deus em sentido teológico, pois o conhecimento de um ser desta magnitude não é concebível ao homem e qualquer tentativa nesta direção leva ao incompreensível, ilógico e intratável pela razão.

Os pensadores da Maçonaria reconhecem o objetivo de fomentar nos homens a capacidade de pensar de forma livre, sem imposições externas e em todos os campos intelectuais e eruditos. Convivem com esotéricos e místicos e interagem entre si de forma proativa. Esta forma de associação de pessoas da Maçonaria provoca cada pessoa em sua própria base de adoração numa busca interna e solitária de sua espiritualidade e conhecimentos.

Crença na Existência de um Ente Supremo Como Causa, Fim ou Lei Universal

Mesmo em resultado de forte influência teísta, em verdade Grande Arquiteto do Universo não é considerado pelos Maçons uma entidade, um ser, é apenas um conceito da existência de um Princípio Criador. Não lhe prestam culto. Qualquer tentativa em confundir o conceito por uma entidade é rechaçada porque só resulta em confusão, como é característica das religiões.

É condição indispensável para a admissão na ordem que o cidadão acredite em um ente supremo e numa vida após a morte - Landemarques 19 e 20 - e Grande Arquiteto do Universo não é o Deus de qualquer religião, é apenas um conceito que cada obreiro materializa conforme sua própria crença. Na verdade, apesar de ser praticado por maioria cristã, é comum este conceito aplicar-se a Deus da Bíblia judaico-cristã, cujo nome hodierno é Jeová, mas o conceito genérico representa qualquer Deus, de qualquer religião, seja ela cristã ou não.

Conceito de Grande Arquiteto do Universo

É um erro denominar a Maçonaria a "Ordem do Grande Arquiteto do Universo", escrever Grande Arquiteto do Universo sem a tripontuação ou outra forma abreviada ou não escrita por extenso - a designação não corresponde a uma entidade, mas estritamente a um conceito.

É induzido no maçom que nenhum homem foi lançado por acaso em meio ao caos e à arbitrariedade ao despertar em si que pertence a uma ordem superior de criaturas, uma maravilhosa sinfonia da vida onde cada um constrói o seu próprio Deus à sua maneira, de acordo com sua herança cultural, de acordo com a sua religião, seja esta uma interpretação antropomórfica ou não.

Grande Arquiteto do Universo é causa, a razão de ser da vida, criador da ordem no Universo, o bem e tem relação com a ordem moral. A concepção mais comum é a que considera Grande Arquiteto do Universo como garante da ordem moral do mundo, onde mesmo como criador da ordem natural, não tem nenhuma responsabilidade sobre a ordem moral que é confiada ao livre-arbítrio da criatura. Se os eventos aleatórios, bons ou maus, o comportamento moral do homem, fossem da vontade do Grande Arquiteto do Universo, Este estaria negando a autenticidade de sua criação, não a teria criado para ter vida e intelecto independente e gozando de livre-arbítrio.

Na prática veem-se manifestações dentro da ordem maçônica que oscilam entre o deísmo de John Locke e o teísmo de Immanuel Kant, estas diferenças são toleradas, podem até ser invocadas, porém nunca discutidas ou veneradas, algo impensável em qualquer religião.

Conjunto de Dogmas e Práticas Próprias de uma Confissão Religiosa

Apesar das leis basilares emanadas dos Landemarques 19 e 20 constituírem dogmas; crença num ente supremo e numa vida futura, estes dogmas não sofrem nenhum tipo de adoração ou tradução em ato de fé.

Os místicos que fazem parte da ordem maçônica introduziram miríades de conceituações e rituais que não são parte integrante da base da ritualística e liturgia maçônica. Inconveniente que Albert Pike, em 1871, considerou como "em muitos aspectos também corrompidos pelo tempo, desfigurados por adições modernas e por interpretações absurdas", referindo-se às modificações que aos três primeiros graus do Rito Escocês Antigo e Aceito foram submetidos.

É do entendimento maçônico a especulação de que o corpo não morrerá e que continuará perpetuamente vivo, onde a vida continua, haja vista que todos têm moléculas em comum com o restante dos seres viventes da biosfera, bem como guardam entre si os princípios básicos da organização vital. A mente encarnada leva à dedução da espiritualidade também fazer parte do corpo, porque os conceitos e metáforas estão profundamente misturados neste caldeirão de vida da biosfera. Todos os seres vivos pertencem ao Universo no qual estão em sua própria residência, e o perceber desta realidade, deste fazer parte de um projeto gigante e complexo dá um profundo sentido a vida. O espírito, o sopro da vida que mora em cada um, é o que todos têm em comum com os seres viventes. É esta que alimenta a todos e os mantêm vivos. Uns mais evoluídos outros menos, mas todos pertencentes a um ser vivo imenso composto de uma imensa variedade de seres individuais, interdependentes entre si. A relação existe desde as criaturas monocelulares até o homem no topo da cadeia evolucional.

Manifestação de Crença por Meio de Doutrinas e Rituais Próprios

Não existe na Maçonaria doutrina de profissão fé, apenas o desenvolvimento de princípios morais e de conduta em resultado de estórias, ficções, que representam princípios morais a serem cultivados; não são praticados rituais de adoração, apenas de circulação, respeito e posicionamento.

O que existe são influências de quatro linhas do pensamento: o místico e o esotérico que praticam cerimoniais vindos de antigas escolas místicas ou práticas de magia; a autêntica e a antropológica que seguem rigorosamente posição neutra em relação à adoração, dogmas, proselitismo e religiões; praticam a Maçonaria como preconizada por seus autores que visavam obter independência dos poderes eclesiásticos para evoluir o homem em humanismo, ciência e racionalidade; estas duas últimas são as principais vertentes evolutivas da ordem maçônica.

Mesmo que as linhas de pensamento místico e o esotérico fossem enxertados na ritualística maçônica especulativa depois do advento da Maçonaria no século XVI, todas são necessárias para permitir a evolução daqueles que estão agarrados ao materialismo ou fantasias de Deuses e dogmas impossíveis de compreender pela sã racionalidade. As tendências misturam-se e cada linha de pensamento expõem seus pensamentos aos demais resultando uma mistura de pensamentos que oscilam em todas as direções, algo impensável em qualquer religião ou estado. Mesmo que um maçom de orientação mecanicista não alcance o pensamento do irmão místico ou esotérico, não surgem maiores problemas de convívio e todos se complementam; o que falta num o outro conclui ou melhora. É como diz o provérbio brasileiro "cada um puxa a brasa para a sua sardinha" e sem ferir susceptibilidades.

Filiação a um Sistema Específico de Pensamento ou Crença que Envolve uma Posição Filosófica, Ética, Metafísica

Estuda-se filosofia em sentido lato, de qualquer origem, eclética, para extrair o que existe de bom em cada uma e formar bons princípios; existe uma ética própria, como em qualquer classe profissional, haja vista a ordem maçônica derivar de antigas organizações de talhadores de pedra; obedece aos conceitos metafísicos do platonismo que infere uma libertação total para o campo da ideia, racional; perceptível com a mente e imperceptível aos sentidos. Dependendo da escola de pensamento que o maçom segue este raciocínio se inverte, existindo aqueles que desenvolvem mais os sentidos, sensibilidades em detrimento da racionalidade. É um caldeirão efervescente de pensamentos onde todos gozam da mais ampla liberdade de expressão.

Cada maçom já possui sua própria forma de adoração; o cristão torna-se melhor cristão, o maometano um melhor maometano. A própria cerimônia de iniciação na Maçonaria é um ensaio para a saída dos homens do estado de minoridade devido a eles mesmos e que conduz para uma madureza revelada pela luz, a sabedoria. Onde esta minoridade é a incapacidade de usar a própria capacidade intelectual sem a orientação de outro. O iniciando é vendado e conduzido o tempo todo por um guia. E essa minoridade será debitada a cada um se não for causada por deficiência da capacidade de pensar por si próprio, por falta de decisão, falta de coragem para utilizar do intelecto como seu guia, ou ainda por simples indolência.

Os maçons são permanentemente provocados a ousarem a utilização de seus próprios intelectos; alguns assim agem, outros, mesmo no decurso de muitos anos ainda remanescem adormecidos na minoridade. Então, não basta ser iniciado na ordem maçônica, a verdadeira iniciação ocorre dentro do intelecto e emocionalidade, e para isto há necessidade de estudar, discutir, pensar, enfim, honrar o avental e trabalhar muito.

Quadro Final

O maçom evoluído busca o equilíbrio consigo, com os outros e o meio-ambiente. É dotado de motivação para a prática de virtudes, não por obrigação, mas por sentimento de dever cumprido. Não demonstra receio de punições num mundo após sua morte, se faz algo, certo ou errado, está consciente que tanto a recompensa como o castigo o alcançará enquanto estiver vivo. Aplaca paixões desenfreadas a níveis insignificantes. Equilibra e libera suas paixões dentro de limites que tornem a vida bela e prazerosa. É moderado até no falar e expor suas ideias, sem ser subserviente, arrogante, ou adulador oportunista. Fala com franqueza e clareza sempre contando com a indulgência de seus pares para os momentos em que seu pensamento seguir veredas de pensamentos ilógicos e até incongruentes. Nunca existe espaço para Intolerância e fanatismo.

Em função de sua condição e estado neurofisiológico é cordial não só com seus irmãos em loja, mas com toda a coletividade, mesmo que sua reação contra a violência e o mal demonstrem o contrário; com a ignorância, o fanatismo e a intolerância não existe comiseração - o maçom usa de sua espada, a sua língua e do escudo da verdade para destruir os títeres que surgem e almejam escravizar o homem. Expressa fora da Maçonaria a atuação de sua condição de vida melhorada para a população ao seu redor e alicerçado nos princípios que absorveu na ordem. É moderado, discreto e tem como objetivo principal da vida a busca de um espírito desenvolvido para honra e à glória do Grande Arquiteto do Universo.

Bibliografia:

1. ANTISERI, Dario; REALE, Giovanni, História da Filosofia, Antigüidade e Idade Média, Volume 1, ISBN 85-349-0114-7, primeira edição, Paulus, 670 páginas, São Paulo, 1990;

2. BAYARD, Jean-Pierre, A Espiritualidade na Maçonaria, Da Ordem Iniciática Tradicional às Obediências, tradução: Julia Vidili, ISBN 85-7374-790-0, primeira edição, Madras Editora Ltda., 368 páginas, São Paulo, 2004;

3. CAMINO, Rizzardo da, A Cadeia de União, terceira edição, Editora Aurora Ltda., 220 páginas, Rio de Janeiro, 1977;

4. CAMINO, Rizzardo da, A Maçonaria e o Terceiro Milênio, Objetos e Objetivos da Maçonaria, ISBN 85-7374-916-4, primeira edição, Madras Editora Ltda., 192 páginas, São Paulo, 2005;

5. CHARLIER, René Joseph, Mosaico Maçônico, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 224 páginas, Londrina, 1995;

6. D'OLIVET, Antoine Frabre, A Verdadeira Maçonaria e a Cultura Celeste, tradução: Caroline Kazue R. Furukawa, ISBN 85-7374-873-7, primeira edição, Madras Editora Ltda., 150 páginas, São Paulo, 2004;

7. EBRAM, José, A Alma Maçônica, ISBN 85-7374-649-1, primeira edição, Madras Editora Ltda., 94 páginas, São Paulo, 2003;

8. GREGÓRIO, Fernando César, Ética e Maçonaria, Opúsculos do Livre Pensamento, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 190 páginas, Londrina, 2005;

9. GUIMARÃES, João Francisco, Maçonaria, A Filosofia do Conhecimento, ISBN 85-7374-565-7, primeira edição, Madras Editora Ltda., 308 páginas, São Paulo, 2003;

10. ISRAEL, Jonathan I., Iluminismo Radical a Filosofia e a Construção da Modernidade 1650-1750, Radical Enlighttenment, Philosofy, Making of Modernity, 1650-1750, tradução: Cláudio Blanc, ISBN 978-85-370-0432-6, primeira edição, Madras Editora Ltda., 878 páginas, São Paulo, 2009;

11. NALLY, Luis Javier Miranda MC, A Ética no Caos ou Aprendendo com o Caos, ISBN 978-85-7252-271-7, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 176 páginas, Londrina, 2009;

12. PETERS, Ambrósio, Maçonaria, Verdades e Fantasias, primeira edição, 252 páginas, Curitiba, 1927;

13. PIKE, Albert, Morals and Dogma;

14. PRESTUPA, Juarez de Fausto, Astrologia na Maçonaria, ISBN 85-7374-954-7, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 198 páginas, Londrina, 2005;

15. RODRIGUES, Raimundo, A Filosofia da Maçonaria Simbólica, Coleção Biblioteca do Maçom, Volume 04, ISBN 978-85-7252-233-5, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 172 páginas, Londrina, 2007;

16. ROHDEN, Humberto, Educação do Homem Integral, primeira edição, Martin Claret, 140 páginas, São Paulo, 2007;

17. SÁ, José Anselmo Cícero de, Fonte de Luz Maçônica, A Arte que Praticamos é Filosofia Pura, ISBN 978-85-7252-237-3, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 212 páginas, Londrina, 2007;

18. SOFISTE, Joarez, A Problemática do Homem, ISBN 978-85-99396-09-04? Primeira edição, Quadrioffice Editora, 234 páginas, Curitiba, 2009.

Nota:

1. Iluminismo: movimento intelectual caracterizado pela centralidade da ciência e da racionalidade crítica no questionamento filosófico, o que implica recusa a todas as formas de dogmatismo, em especial o das doutrinas políticas e religiosas tradicionais; Filosofia das Luzes, Ilustração, Esclarecimento, Século das Luzes;

2. Pensamento Autêntico ou Histórico: ligado na mesma orientação mental dos Iluministas enciclopedistas e que objetivam obter conhecimentos em todas as áreas do conhecimento humano;

3. Pensamento Antropológico: estudiosos que fundamentam seus conhecimentos na história da Maçonaria e do homem, principalmente os ligados à ciência do homem em sentido lato;

4. Pensamento Místico, iniciático: prende-se aos mistérios da Maçonaria; visa os desenvolvimentos espiritualistas e psicológicos que as provocações dos diversos graus promovem na psique. Seria a expressão religiosa da Maçonaria que por definição é vedada; Maçonaria não é religião, mas profundamente religiosa; sem espiritualidade nada se faz no crescimento do humanismo;

5. Pensamento Oculto: linha de pensadores que prima pela execução de ritualísticas com o objetivo de despertar o sagrado no homem; é complementar ao pensamento místico só que usa método que visa despertar expansões de consciência graduais; é individual e intransferível; é a interiorização gradual; exige meditação e recolhimento.

Biografia:

1. John Locke, escritor e filósofo de nacionalidade inglesa. Nasceu em Wrigton, Somerset em 29 de agosto de 1632. Faleceu em Oates em 28 de outubro de 1704 com 72 anos de idade. Rejeitou as ideias inatas: a fonte de nossos conhecimentos seria a experiência, isto é, a sensação ajudada pela reflexão;

2. Kant ou Immanuel Kant, conferencista, filósofo, maçom, professor e teólogo de nacionalidade alemã. Nasceu em Königsberg em 22 de abril de 1724. Faleceu em Königsberg em 12 de fevereiro de 1804 com 79 anos de idade. O último grande filósofo dos princípios da era moderna, um dos pensadores mais influentes;

3. Platão ou Platão de Atenas, filósofo de nacionalidade grega. Também conhecido por Aristócles Platão de Atenas. Nasceu em Atenas em 428 a. C. Faleceu em Atenas em 347 a. C. Considerado um dos mais importantes filósofos de todos os tempos;

4. Sócrates ou Sócrates de Atenas, filósofo de nacionalidade grega. Nasceu em Atenas em 468 a. C. Faleceu em 399 a. C. Um dos mais importantes pensadores de todos os tempos.

Data do texto: 06/06/2008

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná

Local: Curitiba

Grau do Texto: Aprendiz Maçom

Área de Estudo: Comportamento, Espiritualidade, Filosofia, Maçonaria, Religião