domingo, 8 de outubro de 2023

A Loja Como Organismo Vivo

 A percepção de energias astrais estranhas, desconhecidas e misteriosas que os olhos não veem.

Charles Evaldo Boller


A loja que pratica o Rito Escocês Antigo e Aceito beneficia-se do ensino permanente e da existência de numerosos graus em permanente evolução, não pelas palavras do venerável mestre ou do orador, mas do maçom que a compõe. É dentro da loja que o maçom se identifica como livre-pensador e entende que a fecundação das ideias se opera no silêncio, venerando a inteligência como a mais perfeita manifestação da vida. A amizade que surge entre os irmãos fraternos é o que une a ordem maçônica num só corpo. A ação maçônica da loja se dá sobre o maçom que participa das reuniões, onde absorve energias positivas que o suprem com necessária força para efetuar mudanças em si mesmo, de modo que faça a diferença na sociedade. A loja, como instituição, não aparece em público, e, sim, aqueles que são por ela treinados para assumirem cargos e exercerem o poder para modificar a sociedade; é a razão de não se discutir religião nem política partidária dentro do templo. Maçons ainda não iniciados em espírito custam a entender a neutralidade da Maçonaria e insistem em influenciar a sua loja em favor de obras ou assuntos que eles preferem e disso decorrem problemas de manutenção da harmonia para manter a loja viva.

A loja é para o maçom o asilo sagrado da inviolabilidade de sua consciência e de seu pensamento. É um organismo vivo e complexo. A loja não deve ser vivida como algo simples e assemelhado a um clube. Ela requer planejamento, amadurecimento e vivência com assiduidade. Viver o desenrolar das atividades de uma loja é investir numa estrutura que não pode ser vista, mas sentida. Desta forma pode-se usufruir dos dividendos do aperfeiçoamento pessoal que a convivência promove. O presente serve para o preparo intelectual e espiritual com olhos no futuro. Exige-se compromisso e lealdade no compartilhamento de percepções e intervenção para manter a harmonia. Não é questão de pensar no que o outro deveria fazer, mas trabalhar em conjunto com os demais, apresentando e debatendo propostas, ideias, escolhendo o melhor entre várias proposições. O debate deve melhorar o que o outro cria. Para manter a loja viva não basta assinar o livro de presença; não é apenas presença física, mas ação que implanta novas e inusitadas ideias na cabeça dos participantes, através de peças de arquitetura realmente inéditas e diferentes. Cada maçom em loja é depósito de memórias de gerações passadas; que as gerações futuras se beneficiem da geração atual com suas memórias lançadas no tempo para amadurecer. A loja não é apenas atividade litúrgica, beneficente e estudo, mas uma fábrica de sonhos com boa perspectiva de gerar algo novo para a vida em sociedade de hoje e em futuro próximo.

A loja tem vida! Não deve ser conspurcada com as lides do mundo profano, afinal, trabalham-se com energias telúricas, forças naturais que vêm da terra, que é outro organismo vivo como a loja, e a loja é feita de homens que dela se servem e não o prédio de pedra; percebem-se energias astrais estranhas, desconhecidas e misteriosas que os olhos não veem, mas que o corpo percebe. Nada sobrenatural haja vista que tudo é parte do universo. Lentamente o maçom muda a sua visão do mundo a partir do organismo vivo da loja, onde literalmente o intelecto com espiritualidade salva o maçom de si mesmo.

A Iniciação Iluminada

Uma jornada infindável ao interior de si mesmo, em busca da Iluminação que conduz para a Liberdade e felicidade da Humanidade.

Charles Evaldo Boller


Ver numa pedra bruta apenas as rugosidades externas sem visualizar a beleza interna da pedra polida é limitação daquele que ainda não se iniciou na Maçonaria. É de conhecimento geral que mesmo aquele que passou pela cerimônia de iniciação e apenas enxerga as imperfeições do homem, ainda permanece ligado a vícios humanos e escravo do vil sistema humano materialista. Continua carente da iniciação iluminada pelo filosofar maçônico.

No mais absoluto sigilo, o processo começa com a proposta de iniciação de um cidadão de valor por iniciativa de um mestre maçom. Efetuam-se investigações. Só pessoa de destacadas características é desejada e introduzida na ordem maçônica. O intento é melhorar o que já é bom. Passa então por uma cerimônia especial determinada a testar seu valor. Considera-se que o indivíduo é cortado de uma hipotética pedreira, a sociedade. E mesmo com suas qualidades e erudição reconhecidas, em presença da filosofia maçônica, por obvio, ele ainda apresenta uma forma tosca de construção interna, que apresenta imperfeições. Isso porque lhe falta liberdade devida a seu condicionamento social. A busca de independência implica em livrar-se de crenças surreais que outras pessoas, ao longo da vida, o fizeram acreditar. Urge tomar conta de seus próprios pensamentos, livres da imposição social e dos exageros do politicamente correto.

A caminhada para a iluminação, segundo modelo de vetustas escolas herméticas, se dá em cegueira profunda, total inexistência de Luz. Em termos maçônicos é a representação de condição do homem em estado bruto dentro da erudição filosófica, intelectual e espiritual. A obstrução da visão do iniciando representam os primeiros passos em total dependência, ignorância e castrado de iniciativa. É similar à vida de cidadão algemado pelos poderes humanos que limitam sua evolução. A falta de Luz demonstra onde e como o sistema humano o submete aos poderes que lhe tomam os metais, posses, roupa e força vital. Para demonstrar o seu lastimável destino, um laço no pescoço, à semelhança de um enforcado, o provoca a pensar sua existência à semelhança de um condenado a viver como animal sem inteligência e sabedoria, para o qual a vida apenas passa vazia e sem gosto. Sua total dependência dos outros o incentiva a sorver com ansiedade goles de liberdade para tomar conta de sua vida em sentido lato e sem ser conduzido por terceiros. Para demonstrar sua miserabilidade, o homem não iniciado anda calçado apenas com ordinário e rústico chinelo. Não significa humildade, pois é retrato lastimável do homem dentro do sistema: homem explorando homem em seu próprio prejuízo!

Faz seu testamento. Depois de armado e municiado para libertar-se, entende que o beneficiário é ele mesmo. Como já morreu para o mundo, ele jaz sepulto na caverna que representa a sua consciência. Naquele local lúgubre responde perguntas que o levam a pensar a respeito da vida que teve até ali. Na solidão da sepultura o homem de sensibilidade desperta para princípios de vida com elevado significado existencial. Com a sua morte simbólica rompe definitivamente com a materialidade herdada e que o aprisionavam ao sistema humano de coisas. Prepara-se para reviver na cerimônia de iniciação para uma nova oportunidade de vida. O renascimento exemplificado na Páscoa, no Natal e nos solstícios solares o ajudarão a entender e organizar a sua vida. É o ponto de entrada para uma fantástica jornada em busca da liberdade. Utilizará da sabedoria de vetustas civilizações que ficaram no anonimato para se protegerem de perseguição e proibição. O iniciado usa de todas as culturas, a sua Arte Real, para racionalmente louvar a Criação, obra do Grande Arquiteto do Universo.

É jornada nova! É renascimento que ele escolheu racionalmente quando e onde. Nasceu dentro de si mesmo a partir de sua livre iniciativa e capacidade de pensar e sentir. É a resposta corajosa ao que vê pelas ruas da cidade onde a maioria não está satisfeita com o lugar e o tempo em que vive. Onde os insatisfeitos mais ativos mudam de emprego, família, cidade e país em busca de felicidade para, em curto espaço de tempo, ficar irrequieto novamente e iniciar nova jornada ao léu. É insensatez! Acontece que estes não têm tempo para pensar nos temas certos. Sem concentração e meditação, os andarilhos não encontram respostas para suas angústias. Permanecem infelizes! E a resposta está tão perto! Bastaria olhar para dentro de si mesmo. Modificar-se. Evoluir! Libertar-se! Ser feliz e contagiar a Humanidade em ser feliz também.

Para entender o mapa da caminhada efetuam-se viagens simbólicas. É submetido compulsoriamente às provas que envolvem os quatro elementos da Natureza: terra, água, ar e fogo.

São apresentados seus deveres básicos: absoluto silêncio e fidelidade; vencer paixões prejudiciais; praticar a solidariedade, socorrendo outros ao encaminha-los a praticarem o bem; é-lhe exigida a crença num Princípio Criador, baseado no conceito de Grande Arquiteto do Universo; sujeitar-se às leis.

Depois disto lhe é simbolicamente revelada a Luz. Luz que ilumina o interior do templo sagrado que é o próprio corpo do iniciado.

No dia da iniciação o maçom inicia uma jornada que dura o resto de sua vida. E não vai longe! Ao menos não em termos de deslocamento. O seu destino é ao interior de si mesmo. Bem perto, mas tão longe! Para ver a Luz é necessário desobstruir a entrada da caverna de sua consciência, arrancar as lascas das rugosidades externas e internas da simbólica pedra que ele é. Deixar a Luz entrar na pedra. Ele viaja ao interior de si mesmo. Passa a destruir e a reconstruir a si próprio por utilizar-se das ferramentas que estão espalhadas pelas oficinas maçônicas.

A Maçonaria propicia as ferramentas, o iniciado a matéria prima: a pedra. Ele é a pedra. E somente ele a pode trabalhar. No Universo apenas ele mesmo tem o poder e a capacidade de modificá-la. Nem mesmo o Grande Arquiteto do Universo interfere, pois dotou a criatura com a capacidade do livre-arbítrio, portanto, nunca o cobrará se ele foi ou não bem comportado durante o privilégio de usufruir da vida. Afasta o medo do castigo eterno. Afasta a falsidade da barganha com o Supremo Arquiteto com vistas a obter prazeres eternos. Significa liberdade! E responsabilidade! O pensamento expresso no conceito de Grande Arquiteto do Universo para o maçom não é crença, o que implicaria em dúvida; o maçom tem certeza da manifestação do Criador através de suas obras. O iniciado sente-se privilegiado por merecer essa experiência de vida. A pedra burilada por quem tem o interesse maior resulta num ser humano que sabe equilibrar amor, vontade e intelecto. Constitui o centro do grande tema da Ordem Maçônica.

A grande provocação da cerimônia de iniciação aponta para a liberdade. Durante o início da jornada existe a figura do condutor. Quando revelada a Luz, o iniciado deixa de ser conduzido e daí em diante passa a tomar conta de seus próprios passos, de seu caráter, de sua consciência, de sua vida, e em todos os aspectos que o levam a evoluir. Está focado essencialmente na destruição interior dos embustes nos quais foi condicionado a acreditar. Trabalha agora na edificação de valores virtuosos que revelam potências nunca antes percebidas porque estavam imersas na hipocrisia do mundo de ilusão criado por religiões, escolas, amigos, governos, usos e outras influências. Andar e pensar com liberdade implica em duvidar de velhos hábitos e costumes. Faz do questionamento geral uma Arte Real, praticada no ócio criativo. Aprende a desfrutar da vida de forma comedida e tranquila, aproveita desse paraíso de delícias, chamado Terra, de forma respeitosa e tranquila.

Desbastar a pedra bruta é tarefa individual que os maçons perseguem em sentido moral, ético e mais acentuado na dimensão da elevação espiritual com aprimoramento de caráter e consciência. A Luz do livre pensamento passa a brilhar dentro do templo que a pedra representa. As lascas, o cascalho, que caem neste trabalho são os defeitos e imperfeições como preconceitos, ignorância, fanatismo, tirania, arrogância, orgulho e outros. Assim, mesmo que viva entre as trevas do mundo idealizado pelo homem material, ele aprende a conviver com elas sem se contaminar com as impurezas que vigoram fora do templo, fora de si mesmo. O seu templo interno permanece imaculado. Depois de disciplinada e diligente atividade no desbaste da pedra bruta o iniciado encontra dentro de si o espírito, o transcendental, a assinatura indelével do Grande Arquiteto do Universo, origem da Luz que guarda e guia os iniciados pelos caminhos dos augustos mistérios das antigas escolas iniciáticas.


Bibliografia

1. CLIFFORD, Anthony; A Arte de Questionar, a Filosofia do Dia-a-dia, ISBN 978-85-395-0588-3, 1ª edição, Editora Fundamento, 320 páginas, São Paulo, 2014;

2. Paraná, Grande Loja do; Ritual do Grau 01, Aprendiz Maçom, Rito Escocês Antigo e Aceito, 3ª edição, Grande Loja do Paraná, 98 páginas, Curitiba, 2001;

3. ZIJDERVELD, Anton; BERGER, Peter; Em Favor da Dúvida, Como Ter Convicções sem se Tornar Fanático, In Prise of Doubt, traduzido por YAMAGAMI, Cristina; ISBN 978-0-06-177817-9, 1ª edição, Elsevier Editora Limitada, 172 páginas, São Paulo, 2012;

A Física em uma Sessão Maçônica

Caminhada dentro do templo iluminado pela Física para educar-se e entrar em harmonia com o Universo.

Charles Evaldo Boller


Muitos são os temas que podem motivar a presença do maçom numa sessão maçônica. O mais instigante é expandir o conhecimento portado nos rituais naquilo que os antigos gravaram para a posteridade desenvolver. Para ver uma sessão "pegar fogo" em termos de debate maçônico, basta liberar a palavra em temas que instiguem o livre pensamento a respeito da Natureza ao nível dos irmãos presentes. É a oportunidade de exercer a tolerância dentro da ilimitada liberdade de investigar a Verdade da Física que atua, vibra e modifica cada um dos presentes.

Os anseios por liberdade ampla e sistemas políticos não totalitários foram molas propulsoras da criação da Maçonaria. Seguindo o modelo do maçom operativo, que guardava segredo das técnicas de construção, os maçons especulativos guardavam segredo de assuntos científicos, filosóficos, esotéricos, comerciais e políticos. Naquela época de obscurantismo não era possível teorizar e especular a respeito de assuntos que poderiam libertar e abrir a mente do povo. Prova disso é a influência significativa que tiveram enciclopedistas e iluministas na ordem maçônica. Assim, a Maçonaria em forma de dogma e na presença do livre-arbítrio afirma que à criatura é dada a liberdade que nenhum poder do Universo tem a capacidade de obscurecer, pois nem o próprio Criador interfere no exercício da liberdade em sentido lato. O homem foi criado livre para pensar e agir conforme seu discernimento.

Olhando para o caminho tomado pela História, se houvesse liberdade de expressão e comercial, a Idade das Trevas seria reduzida ou sequer se estabeleceria. Foi um período de retração econômica, bem como de estagnação cultural devido à falta de conhecimento acessível ao povo em presença do obscurantismo e do fanatismo. Nesse desenho o berço da Maçonaria teve origem em necessidades políticas e comerciais. Por isso a ordem maçônica incentiva àquele que tem na religião o consolo supremo que siga os ditames de sua consciência e não faça proselitismo de suas crenças dogmáticas religiosas em seus templos. A máxima maçônica é: ama o teu próximo.

No decorrer da história da Maçonaria o seu objetivo foi se modificando lentamente para instituição filosófica, política e social. Hoje a realidade é diferente do passado obscuro e tenebroso. O homem desenvolve a ciência na busca da "Teoria do tudo" ou "Teoria M", onde existe esperança dos cientistas em dar lastro científico aos fenômenos do Universo. Isso é altamente motivador ao investigador maçom. Tem o potencial de abrir o intelecto para novos e inusitados graus de liberdade.

Em Maçonaria pratica-se a Arte Real. Esta tem por objetivo um escopo bem amplo do conhecimento humano, principalmente na busca de explicações entre ciência e fé. Visa à construção do caráter humano e promove o alfabetismo científico, místico, esotérico adaptado ao desenvolvimento tecnológico de cada época. Para isso, com particularidades para cada grau, os rituais maçônicos regulam o funcionamento da sessão e são sempre repetidos para intuir Verdades apoiadas no desenvolvimento científico. Existem dezenas de ritos, assim como o são as diversificações de pensamentos do homem. Todos os ritos constam de detalhes específicos para despertar filosoficamente o participante para diferentes estados intelectuais, energéticos e emocionais. Dado o ambiente sagrado, disciplinado e ordeiro das sessões, energias potenciais da Física são despertadas. Disso depende a elaboração de conceitos Metafísicos que harmonizam fé e ciência longe dos fanatismos de crenças religiosas que sempre inibiram a livre investigação das Verdades Físicas e Metafísicas.

Todo corpo físico emite ondas eletromagnéticas. Por exemplo, quanto mais calor possuir, maior a emissão da radiação do tipo térmica. As energias que se manifestam como fenômeno eletromagnético, como campos energéticos são largamente estudados e até compreendidos em alguns de seus efeitos. Existem, porém, inúmeras formas energéticas como: mecânica, térmica, elétrica, nuclear, química, radiante, espiritual, mental, emocional etc. Todas elas presentes dentro do corpo do homem, o templo que cada maçom é.

O homem pode ser comparado quimicamente ao Universo, isso porque as diferentes moléculas existentes nesse Universo se manifestam em idêntica proporção dentro do seu corpo. Essa identidade faz o homem considerar-se parte do Universo. Especulam os cientistas que existam outros universos cuja formação se baseia em campos de energia mantendo relações idênticas de formação e essência, daí se especular que todos os universos possíveis serem essencialmente campos de energias. Assim fica o homem ligado ao Todo em sua essência: os campos de energia.

Uma loja maçônica simbólica é a sofrível representação do Universo quando situa o maçom dentro do seu diminuto sistema estelar de quinta grandeza. É apenas um ponto de entrada ao Cosmo para o pensador livre. Só a capacidade de abstração e imaginação do pensamento tem a possibilidade de levar o maçom iniciado a quebrar as barreiras siderais e levá-lo a integrar-se intelectualmente com o seu Universo. Para isso ele filosofa! Liberta-se das amarras de crenças, usos e condicionamentos para viajar fora do círculo imposto pela sua clausura planetária material, bem como naquilo que o fizeram acreditar. Essa liberdade do pensamento e da imaginação exige reconhecer como o seu Universo é constituído, desligar-se da materialidade, do concreto, e partir para a investigação do cerne energético do Todo: os campos de energia que formam os universos possíveis.

Partindo do princípio que toda energia produz alguma forma de trabalho, algumas até conhecidas e amplamente utilizadas, em essência, todas permanecem de difícil conceituação. Mesmo a energia elétrica, amplamente estudada, ainda esconde suas características mais sutis e íntimas. O homem, de formas diversas, utiliza da diferença de potencial elétrica para produzir trabalho. Entretanto, desconhece como de fato é a aparência do Elétron que se move para produzir a corrente de elétrons, ou, a corrente elétrica. Não existe instrumento humano que permita ver o Elétron! Apenas é detectado como campo através de instrumentos por via indireta ou cálculo ou manifestação física. Pela ótica da Química e aplicada a Mecânica Clássica de Isaac Newton existem especulações que o Elétron submetido a uma diferença de potencial "pula" da órbita de um átomo a outro adjacente dentro de um material condutor. Pelo Princípio da Transposição da Física Quântica especula-se que um Elétron deixa de se manifestar num lugar do espaço e passa a se revelar instantaneamente em outro: para tal não se aplicam a leis da Mecânica tradicional de deslocamento, massa, espaço e tempo.

No escopo da especulação maçônica para a obtenção da Verdade não interessa obter certezas na área científica, senão o assunto deixaria de ser objeto do filosofar e passaria a ser Ciência. Ademais, a Ciência está limitada ao atual desenvolvimento tecnológico, o pensamento livre não! O maçom alimenta-se de especulações do mundo científico e tecnológico em todas as direções possíveis e em todas as áreas do seu limitado conhecimento para identificar relações do ser com a Natureza, a Física, o Universo, o Uno. Desde Tito Lucrécio Caro, 99 a. C., os pensadores já especulam que as coisas se originam do vazio. "O campo é a única realidade", dizia Albert Einstein. Máximo Corbucci, médico e físico italiano, afirma que o átomo e as miríades de partículas, conhecidas e desconhecidas, não passam de um imenso abismo vazio onde a massa não existe. Giuliano Preparata, especialista e professor de eletrodinâmica Quântica, assim se expressa: "O vazio é tudo".

Existem apenas campos. Os mais diversos tipos de campos.

Hoje existem aparelhos que atestam a existência dos invisíveis campos de força sobre os quais já se especula há tanto tempo. Daí entender-se como numa sessão maçônica edificam-se campos energéticos potentes que os instrumentos e sensores humanos não percebem, mas que podem ser intuídos e vistos com "outros olhos". Estes "olhos" se utilizam da matéria pura, da grande Mãe, da Física, da Natureza, para proporcionar a evolução humana na busca da Verdade que edifica a consciência. A especulação filosófica maçônica propicia a construção de templos vivos, renovados permanentemente. Segue o mesmo caminho da engenharia reversa utilizada pelo empirismo das ciências que culminaram com o acúmulo de conhecimentos do atual estágio técnico-científico. Todo o conhecimento humano é resultado de infinitos ciclos de teses, antíteses e sínteses. O processo de construção mental numa sessão maçônica preconiza a utilização de dicotomias onde diversas alternativas da Natureza são lançadas aos presentes e cada um as aceita ou rejeita dentro na sua formação racional e naquilo que contribua com o desenvolvimento de sua consciência.

Em reuniões maçônicas entende-se da ciência que, no momento em que dois sistemas de energias colidem entre si forma-se um campo energético mais potente com a soma das partes. Cada maçom em loja é um sistema independente de energias, fonte de diversos tipos de energias, umas perceptíveis imediatamente pela proximidade, e outras, mais sutis, apenas detectáveis pelos seus efeitos, normalmente um estado emocional guiado pela racionalidade. Tudo o que é aceito ou rejeitado passa pela memória emocional individual para depois fixar residência na memória intelectual. Deixado só, o maçom permanece em sua zona de conforto, seu sistema energético fica estável e em equilíbrio. A proximidade desequilibra e soma os diversos sistemas presentes formando redes de afinidade cada vez mais complexas e propícias a gerarem novidades, experiências sutis nunca antes percebidas.

Para não inventarem novos nomes, buscou-se na Teosofia o verbete "Egrégora", aplicado às manifestações energéticas das sessões. Especula-se que estas manifestações físicas de energias seriam o resultado de todas as energias mentais, emocionais e espirituais do grupo de adeptos reunidos com um objetivo comum. Tudo é campo! Percebido, ou não, pelo participante da sessão. A esta interação das energias de campos dos membros do grupo cria-se um ambiente místico propício ao filosofar e especula-se sobre todas as manifestações da Física. Ali o verbete Física significa literalmente as coisas que caracterizam o homem em sua Natureza, do Universo, do Grande Arquiteto do Universo.

No templo trabalham-se energias. Estas estão sujeitas à Lei da Conservação da Energia: toda a energia de um sistema permanece constante enquanto não sofrer a interferência por proximidade de outros campos de energias. A mudança negativa do campo energético em loja é percebida com facilidade quando surge um distúrbio da fraternidade, ocasião em que os intelectos ficam agitados. Diz-se que a Egrégora caiu ou se desfez. Os sistemas energéticos dos indivíduos deixam de se atrair e passam a se repelir. A mística deixa de existir. O ambiente torna-se nocivo ao alfabetismo científico, emocional e espiritual. Deixa-se de trabalhar na Arte Real e passa-se a articular saída aos impasses derivados das desinteligências que derrubaram o ambiente místico próprio aos estudos.

A Arte Real é o trabalho positivo das energias trocadas entre os maçons, daqueles que reservam para si um período de sua vida para especular a Física, a Natureza, o autoconhecimento que produz a liberdade de consciência e de pensamento. Aquele que usualmente não comparece às sessões maçônicas "deixa de ser maçom" porque cessa de alimentar-se dessa fonte energética e continua algemado ao vil sistema humano de coisas: urge quebrar estas algemas.

O estudo em grupo é dito "Real" porque originário da atividade realizada pelos nobres do passado, privilegiados que, em função de sua posição social podiam investir tempo ao filosofar, ao ócio criativo, à crítica, à leitura, ao debate com outros pensadores livres. Daí, na prática da Arte Real, cada maçom reserva toda semana alguns momentos para especular temas da Física, junto com seus irmãos e debaixo de condições ideais de energia, mágica e misticismo. Normalmente são assuntos não tratados na vida profissional, familiar e social porque estas absorvem toda a energia vital do indivíduo, sugando-o até sobrar apenas "bagaço".

O isolamento da loja a coberto concentra os recursos energéticos necessários à autoeducação e autoconhecimento. Reunir-se com outros maçons é a forma de praticar a Arte Real maçônica, técnica de remexer em todas as filosofias humanas, presentes e passadas, para perlustrar através de todos os conhecimentos por soluções de ordem político-social e tornar feliz a Humanidade. Nessas ocasiões, num local sagrado que mais se assemelha a um parque de diversões, o maçom brinca com seus pensamentos, emoções e espiritualidade e pratica a sagrada arte especulativa dos nobres.

Angela Wilgess, em "Só Somos Consciência Quântica?", referindo-se à assinatura energética pessoal, algo que já é medido até por aparelhos celulares, aponta para algumas frequências eletromagnéticas pessoais positivas e outras sofríveis como:  20 Hz - Vergonha; 30 Hz - Culpa; 75 Hz - Mágoa; 100 Hz - Medo; 532 Hz - Amor, compaixão; 600 Hz - Paz; 700 Hz - Iluminação.


Iluminação

Quando se avalia a reunião do maçom com idênticos objetivos e condições energéticas, na presença de harmonia, tolerância e amor são possíveis de se alcançarem níveis energéticos tão altos como o da Iluminação, em torno dos 700 Hertz. Ao menos esse é o objetivo! Cada obreiro colabora com parcela pessoal de oscilações energéticas para que todos se beneficiem das frequências vibratórias positivas presentes na autoconstrução interna.

Pode ser assemelhado ao sintonizar de um rádio numa determinada emissora, ou percebido quando, ao término da sessão, o participante sente-se mais leve, estado assemelhado ao banho após exercício físico intenso. É estado emocional contagiante. Porém, não tão simples! Exige participação constante. Trata-se de algo para o que a ciência ainda rasteja em rudimentos para lhe dar estrutura e explicação. Mesmo a Física Quântica está apenas no limiar especulativo de como ocorrem esses fenômenos que o maçom, cuja vibração eletromagnética se aproxima dos 700 Hertz, experimenta em loja.

Cada maçom reunido em loja está conectado em rede, pulsando a uma só frequência ou em frequências harmônicas, aquelas que guardam certa relação oscilatória múltipla ou divisível entre si. Isso já está comprovado cientificamente. O seu desenvolvimento científico já vem desde as primeiras experiências efetuadas por Max Planck, cerca do ano de 1900, que resultou nas atuais postulações da Física e Mecânica Quântica.

É difícil transmitir essas informações através de textos técnicos ou eruditos, pois ao não conhecedor da linguagem científica as declarações eruditas e técnicas mais confundem que esclarecem os fenômenos naturais oscilatórios que acontecem numa reunião maçônica. Os próprios rituais deixam veladas essas constatações, aliás, estes têm exatamente essa pretensão: deixar ao iniciado desvelar lentamente o Conhecimento se estiver realmente interessado e curioso. Para tal não existem modelos matemáticos ou físicos que equacionem as afirmações expressas com lógica filosófica. O maçom tem apenas a especulação constante para evoluir.

Instruções e ritualística dos rituais litúrgicos criam o ambiente disciplinado para essa finalidade, algo que nunca acontece em ambiente informal e descontraído como, por exemplo, restaurante, biblioteca, lar ou praça. O templo de pedra abriga templos de carne e ossos que interagem energeticamente entre si.

O que o maçom Iluminado ou Iniciado percebe, dispensa a presença de físicos, médicos, matemáticos ou neurocientistas. O empirismo deduzido de símbolos é eficiente, ao ponto em que alguém sem formação acadêmica possuir boas chances de alcançar níveis de oscilação eletromagnética próxima aos 700 Hertz, idênticos ao do cidadão portador de nível superior de escolaridade.

Isso porque o símbolo evolui constantemente em resultado do avanço das ciências humanas e tecnológicas e pode ser facilmente entendido e comparado aos temas mais complexos da natureza sem a adesão a dogmas.

Tem mais chances de alcançar altas frequências aquele interessado que consegue esvaziar a mente com mais facilidade quando se aparta momentaneamente de seus problemas mundanos e passa a concentrar-se em sua desconstrução e reconstrução interna: atividade de intensa concentração mental de largo espectro energético. Essa concentração do pensamento, ou egrégora, ocorre no silêncio e nos debates filosóficos de temas apropriados ao desenvolvimento interno.

A dualidade entre estados de calma e agitação mental tem a ver com a emissão de energia eletromagnética emocional de cada pensamento emitido. Têm a finalidade de desequilibrar o sistema de forças do pensamento individual para que este evolua para graus de complexidade cada vez mais em sintonia com a Verdade escondida na Natureza, na Física.

O pensamento necessita apenas de energia para deixar de ser campo e tonar-se matéria ao gerar a ilusão da realidade de cada indivíduo. Cada um cria a sua própria noção de realidade pelo uso da razão.

Dizem os estudiosos que a consciência é um estado da matéria. Intui-se que os campos são o alicerce desse raciocínio dedutivo. Especula-se o funcionamento da Física aplicada a uma sessão maçônica como o desenvolvimento da consciência, elemento do indivíduo que pode ser modificado por condicionamento, relacionamento e treinamento, e que possibilita a descoberta de como se tornar uno com o Universo, com o conceito que o maçom denomina Grande Arquiteto do Universo.

Entender a Física em ação numa sessão maçônica auxilia na busca da felicidade da consciência treinada para paz, amor e liberdade do homem que possui em seu universo interior a assinatura indelével Daquele, ou Daquilo, que ordena o funcionamento dos campos de energia que propiciam a ilusão da realidade física das criaturas.


Bibliografia

1. BLAVATSKY, Helena Petrovna; Glossário Teosófico, The Theosophical Glossary, traduzido por SARZANA, Sílvia; ISBN 85-7187-071-3, 3ª edição, Editora Grund Limitada, 777 páginas, São Paulo, 1995;

2. CITRO, Massimo; O Código Básico do Universo, a Ciência dos Mundos Invisíveis na Física, na Medicina e na Espiritualidade, The Basic Code of the Universe, ISBN 978-85-316-1254-1, 1ª edição, Editora Pensamento Cultrix Limitada, 286 páginas, São Paulo, 2011;

3. MASI, Domenico de; O Ócio Criativo, traduzido por MANZI, Léa; ISBN 85-86796-45-X, 1ª edição, Editora Sextante Limitada, 328 páginas, Rio de Janeiro, 2000;

4. PARANÁ, Grande Loja do; Ritual do Grau 01, Aprendiz Maçom, Rito Escocês Antigo e Aceito, 1ª edição, Grande Loja do Paraná126 páginas, Curitiba, 2013;

5. WILGESS, Ângela; Só Somos Consciência Quântica? ISBN 978-85-370-1080-8, 1ª edição, Madras Editora Limitada, 214 páginas, São Paulo, 2017;

A Filosofia, para Poucos?

Filosofar, a função mais nobre do maçom.

Ivair Ximenes Lopes e Charles Evaldo Boller


A filosofia da Maçonaria é o menos compreendido dos assuntos relativos ao ofício. É relativamente fácil para o maçom obter conhecimento razoável do simbolismo. No entanto, alguns irmãos, mais cedo ou mais tarde, encontrarão a filosofia em sua busca do conhecimento no âmbito da Maçonaria, e, ao fazê-lo, sentirão que, enquanto alguns de seus pares a entende, para eles ela é incompreensível.

Há duas razões para isso:

  • A visão quase universal de que os grandes filósofos do passado eram gigantes intelectuais, cujo pensamento está acima da compreensão do homem médio;
  • A maioria, em dado momento, para sua edificação teve breve encontro com as obras de Platão, Sócrates ou as de outros filósofos, e, sem ninguém para guiá-lo, desistiu da leitura após alguns capítulos.

Como resultado, ele chega a pensar a filosofia como algo apenas para uns poucos sortudos que podem compreendê-la.

Não há mistério na filosofia, ao contrário, é regra e guia para o desenvolvimento de atitudes em relação a vida, atitudes boas ou não, dependendo do indivíduo. Pode-se facilmente remover a sensação de que a filosofia maçônica é incompreensível ao defini-la. O dicionário indica que a filosofia é "a amizade, o amor ou a busca da sabedoria" dividida em três ramos: natural, moral e metafísica.

Sabedoria é o uso inteligente do conhecimento ou do julgamento. A inteligência determina ou limita a extensão do processo do pensamento e governa a capacidade de retê-la. O conhecimento é fácil de alcançar e é o mais barato a adquirir dentro das limitações da inteligência. Já a sabedoria é desenvolvida ao longo da existência em resultado de trabalho com disciplina, apoiado na inteligência que sabe usar o conhecimento.

Para entender a área onde dirigir esforços na busca da sabedoria, examine-se a estória do Jardim do Éden. Perceba-se que essa alegoria é utilizada há milhares de anos e ainda serve para diferenciar sabedoria de estultícia. Em Gênesis 4, a serpente levou o fruto proibido da árvore da sabedoria e o deu a Eva, que, por sua vez, o deu a Adão e ambos comeram do mesmo. Quando Deus soube disso, Ele os expulsou do jardim, porque, depois de terem comido do fruto proibido, eles haviam se tornado como Deus. Isso ilustra que ao homem foi dado o poder de escolha, o livre-arbítrio. É neste campo de escolha que se trabalha para atingir a sabedoria.

Considere-se alguns escritores de renome na filosofia maçônica:

  • William Preston, nasceu em Edimburgo, na Escócia, em 7 de agosto de 1742. Estava relacionado com a indústria de impressão, tornou-se maçom e foi mestre de sua loja aos 25 anos. A ele é creditada a construção das palestras de grau na forma que temos hoje, principalmente a palestra de companheiro. Vivendo em período de intelectualidade, era natural para ele pensar que o conhecimento com inteligência era a chave para a filosofia da Maçonaria.
  • Karl Krause, nasceu perto de Leipzig, Alemanha, em 1781. Foi fundador de uma escola de direito e professor de Direito por anos. Escreveu extensivamente sobre Filosofia do Direito. Krause abordou a filosofia maçônica e argumentou que a manutenção da ordem social significa responsabilidade para o homem.
  • George Oliver, nasceu na Inglaterra, em 5 de novembro de 1782. Mestre em Gramática na King Edward's School. Baseou sua filosofia maçônica na tradição, alegando que a Maçonaria pura foi ensinada por Seth aos seus descendentes antes da grande enchente, e que a Maçonaria é uma ciência filosófica tradicional.
  • Albert Pike, nasceu em Boston, em 29 de dezembro de 1809. Para a filosofia maçônica abordou o assunto para além do real ou material: na Metafísica.

Tem havido outros maçons que têm escrito sobre a filosofia maçônica. Cada um com seu próprio ponto de vista a respeito do assunto. Na revisão do que eles escreveram é necessário ter em mente o tempo e as circunstâncias em que viviam e quais foram ou são as influências sobre seu raciocínio.

Sabedoria é o objetivo da busca do maçom. Em que área buscar, uma vez que a Maçonaria é ciência do rico simbolismo auxiliado por alegorias em que o conhecimento é velado nos rituais.

Símbolos são objetos materiais usados para expressar pensamentos, ideias ou preceitos. Ao longo do tempo mantem-se fixo o símbolo, mas muda a sua interpretação filosófica.

Alegorias são usadas da mesma maneira que os símbolos. Elas são símbolos de imagem ou figuras de linguagem. Alegorias podem envolver pessoa, coisa ou acontecimento ou a combinação das três. A partir dessas figuras de linguagem derivam as especulações filosóficas. E como acontece com os símbolos, mantem-se inalterada a alegoria, mas a interpretação filosófica muda na linha do tempo. Utilizando-se de rica coleção destes elementos simbólicos, cada maçom desenvolve, dentro de si, lições compatíveis com os modos de comportamento condizente a um homem bom e verdadeiro.

Desta forma, utilizando-se dos símbolos e alegorias imutáveis na linha do tempo, mas adaptando a sua interpretação filosófica mediante meditação e convivência com outros irmãos, o obreiro atinge a sabedoria.

Filosofar é tornar-se amigo da sabedoria, tanto no presente como no futuro. Ao especulador, que coloca dúvida naquilo que seus sensores oferecem e submetido aos mais variados padrões morais de seu tempo, que o controlam e guiam, acorrem intuições que desenvolvem a sabedoria. E isso se aplica a qualquer filosofia que desenvolva dentro de si mesmo, desde que o exercício mental modifique sua conduta influenciada pelos conviventes, costumes e padrões de sua época.

Como se aplica a filosofia maçônica?

O alicerce é a certeza da existência de um Princípio Criador que criou todas as criaturas com livre-arbítrio. Apoiado nisso, cabe ao homem fazer o bem para si e ao próximo. É claro que as escolhas nem sempre contemplam aquilo que é certo, pelo fato de a vida, em presença da competição por recursos, desenvolver-se em ambiente hostil para a vida. Num recinto assim, ter acesso à livre escolha não é garantia de perfeição, o que só acontece com o desenvolvimento da sabedoria. E isso só é possível quando se aplica parcela de tempo ao filosofar, algo que acontece dentro dos templos maçônicos. É por isso que o alvo principal do maçom é a sabedoria, ser amigo dela.

O ponto dentro do círculo ajuda a filosofar, ou especular no desenvolvimento da sabedoria. A ilustração lança a percepção de que o homem precisa de latitude em pensamento, palavra e ação. É a busca do ponto de equilíbrio em presença das emoções que, no homem, se estendem da profundidade até o topo. Em algum lugar entre os extremos é o ponto de equilíbrio perfeito, onde se encontra a felicidade e a realização completa.

Entretanto, há situações em que as circunstâncias exigem que o ponto de ação seja deslocado para cima ou para baixo. Este movimento é governado pelo pensamento e influenciado por conjunto de circunstâncias. Se o pensamento é controlado, assim também são as emoções. Criar o local de repouso ou ponto de equilíbrio é a sabedoria em ação: trata-se de estabelecer controle a partir do ponto dentro do círculo.

O círculo estabelece o limite além do qual não se deve ir para não se aventurar em áreas onde se ignoram as consequências: seria falta de sabedoria. Ao filosofar, o maçom estabelece as dimensões do círculo pelo efeito limitante dos seus valores, princípios e experiência de vida, a partir disso, a sabedoria o leva a encontrar a felicidade. Embora o indivíduo seja rude e grosseiro ou cortês e polido, pelo simbolismo maçônico ele pode definir o limite que determina o que é justo e reto.

A ilustração do círculo e o ponto ressalta a responsabilidade individual para consigo e semelhantes. A necessidade de controle dos pensamentos em exercícios contínuos pelo filosofar maçônico educa desejos e paixões, mantem a fraternidade para o convívio social em paz. Pelo exercício frequente, cada maçom analisa a si mesmo. Usa cada símbolo, alegoria ou ilustração para aumentar a sua sabedoria, algo dirigido pela inteligente aplicação do conhecimento da filosofia maçônica. Com esta formará sua filosofia pessoal e, com isso, encontrará a sabedoria. Assim, terá vida mais rica e plena para honra e à glória do Grande Arquiteto do Universo.


Bibliografia

BENOÎT, Pierre; VAUX, Roland de, A Bíblia de Jerusalém, título original: La Sainte Bible, tradução: Samuel Martins Barbosa, primeira edição, Edições Paulinas, 1663 páginas, São Paulo, 1973;

FONSECA, Geraldo Ribeiro da, A Egolatria e o Escopo Ético da Maçonaria, Cadernos de Pesquisas, 27, ISBN 978-85-7252-344-8, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Limitada, 224 páginas, Londrina, 2015;

LOPES, Ivair Ximenes, adaptada, modificada e sintetizada de uma peça de arquitetura de autor desconhecido;

PARANÁ, Grande Loja do, Ritual do Grau 01, Aprendiz Maçom, Rito Escocês Antigo e Aceito, primeira edição, Grande Loja do Paraná, 126 páginas, Curitiba, 2013;

RODRIGUES, Raimundo, A Filosofia da Maçonaria Simbólica, 4, Coleção Biblioteca do Maçom, ISBN 978-85-7252-233-5, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Limitada, 172 páginas, Londrina, 2007;

sábado, 7 de outubro de 2023

A Consciência do Maçom

 O treinamento de uma boa consciência leva o maçom a tornar-se sábio.

Charles Evaldo Boller


O maçom é sempre obediente?


Não!


Ele obedece a uma treinada consciência voltada para o bem e baseada em princípios morais.


Consciência é capacidade humana que pode ser treinada e desenvolvida. É o utilitário de segurança mais usado pelo homem sábio com vistas à pureza moral. É ela quem efetua comparações com padrões de moral e que freiam o mal. A constante convivência com pessoas detentoras de elevada moral injeta na mente comportamentos, pensamentos, crenças e diretrizes que a treinam. Estudar e filosofar temas morais contribui na sua boa edificação.


Mas não é suficiente!


É necessário querer e estar disposto em aceitar mudanças, orientações e advertências. Quando certa ação conflita com o padrão desenvolvido no condicionamento moral, soa o aviso de alerta ao início da contenda, empunha-se a consciência como escudo. Ela acusa e defende o homem do proceder que prejudica. Deixa de funcionar se estiver cauterizada, tornada insensível por inúmeros atentados que a desrespeitam.


A consciência gera culpa e esta imobiliza a ação errada.


A companhia de pessoas promíscuas e praticantes de atos atentatórios à moral prejudica seu bom condicionamento. É semelhante ao arrancar de terminações nervosas da carne que fica destituída de tato. A ação da pessoa passa a ser controlada pelo temor a castigos e não mais ao sentimento de culpa que imobiliza a ação do mal.


No Rito Escocês Antigo e Aceito o maçom recebe de herança cultural a direção que preconiza a obediência de caserna, disciplina marcial e rígida, influência de vetustas ordens de cavalaria e profissionais. A companhia de pessoas boas e disciplinadas auxilia no desenvolvimento de boa consciência. Razão da boa e criteriosa escolha de novos obreiros. Profano que não possui estatura mínima em sentido moral é impedido de entrar na Maçonaria, daí a importância de rigorosas escolhas e sindicâncias.


Uma vez iniciado, a convivência pacífica e amorosa entre os maçons proporciona a sintonia fina da consciência sensível e inteligente. Quem não treina a sua consciência faz de si um animal incapaz de ocupar-se de outra coisa, a não ser daquela do destino próprio dos animais. Se a consciência do maçom está afinada com a moral, este pode até dispensar o livro da lei no altar dos juramentos. O detentor de boa consciência tem um livro da lei escrito no coração e na mente. Para o cristão, a bíblia judaico-cristã é símbolo da sua consciência. Representa espiritualidade e racionalidade de todo homem bom dotado de consciência voltada ao bem. Aquele que passa por transformação em sentido lato, reunindo em si bons princípios morais, éticos, religiosos, emocionais, físicos e espirituais tem o alicerce de sua consciência construído sobre a rocha.


O maçom usa da inteligência para educar-se e afinar a consciência ao que ditam as leis naturais estabelecidas pelo Grande Arquiteto do Universo.


Desenvolve e entende a mensagem contida na filosofia da Maçonaria, em cuja escalada peregrina ao interior de si. Trabalha a pedra por dentro nos exercícios de individuação tornando-se consciente do milagre da vida que o anima. E nesse seu mundo interior desenvolve acurada consciência, instrumento que o desculpa e acusa, diferencia entre bem e mal, percebe certo e errado.


Na história da Maçonaria observa-se que quando de parte de maçons ocorreu desobediência civil, aconteceram fatos que promoveram melhorias às sociedades humanas. Treinado a consciência o maçom desobedece a tudo o que possa bloquear o exercício da liberdade responsável: o bom uso da liberdade com possibilidades de escolhas.


O maçom obedece mais à consciência criada pelo Grande Arquiteto do Universo que às leis, dogmas religiosos e ideologias políticas.


Parte do princípio que aceitar de forma passiva às leis injustas as tornam legítimas.


A sua espiritualidade associada à sua boa consciência leva-o a caminhar conforme os elementos de seu projeto existencial onde não obedece a ordens que conflitam com a moral guardada pela consciência.


Tem o dever juramentado de rebelar-se contra leis e dominações injustas.


Cultiva e condiciona sua consciência para a ação orientada ao amor fraterno; aquele sentimento em ação que soluciona a todos os problemas de relacionamento e humaniza o homem.


O treinamento da consciência é atividade permanente do maçom e é por isso que ele começa cada tarefa invocando a glória do Grande Arquiteto do Universo.

sexta-feira, 29 de setembro de 2023

Oposição à Maçonaria e Livros Antimaçônicos

Análise resumida da perseguição religiosa e política aos maçons pelo mundo e o que realmente se faz dentro dos templos da Maçonaria.

Charles Evaldo Boller


Inúmeras obras antimaçônicas foram escritas no passado. Algumas com consequências mortais, instigando a perseguição de parte dos fundamentalistas políticos e religiosos. São exemplos: a perseguição na Alemanha, por Adolf Hitler; na Espanha, Francisco Franco; diversos papas católicos e líderes de outras miríades de religiões fundamentalistas. Milhares de maçons foram assassinados em consequência destas obras escritas apenas para público profano desejoso de conhecer os "terríveis segredos da Maçonaria". Outros tinham por alvo disseminar mentira e instigar à discriminação racial, guerras ideológicas e sanguinárias, como no caso de "Os Protocolos dos Sábios de Sião".

Houve obras antimaçônicas que causaram até bem para a ordem maçônica porque trouxeram mais informação útil que alguns livros maçônicos escritos com o objetivo de auxiliar, ou registrar fundamentos, filosofias e sua história ou liturgia. Existem obras de autores maçônicos causadores de danos graves; são os escritos por pessoas de pouco ou nenhum conhecimento técnico histórico. Inventaram estórias e dados inconsistentes que, de tanto serem replicadas, alcançaram até status de verdade, mas alimentam as baterias dos detratores. Existem casos onde os fatos relatados têm mínima chance diante de uma pesquisa superficial; é pura ficção, de pouco ou nenhum suporte. Obras que não respeitam a inteligência dos antimaçons, e certamente, muito menos ainda, a dos maçons. O observador arguto deduz prontamente que, os piores inimigos estão dentro da Maçonaria, constituído de "irmãos" oportunistas e astutos na preparação de ardis, que à luz da pesquisa desmoronam, revelando sórdidos objetivos comerciais. Estes sim expõem a Maçonaria Universal a ridículo e perigo; geram a munição que os detratores da instituição maçônica buscam para carregar suas armas insidiosas.

Apenas um ano após a aparição da primeira constituição maçônica, quando, em 1724, foi escrito o Livro das Constituições de James Anderson, surgiu em Londres, de autor anônimo e edição de Willian Wilmont, um pequeno impresso com o título "Revelado o Grande Mistério dos Maçons". Tudo leva a crer que o autor foi um covarde maçom, cujo único objetivo foi vender informações maçônicas ao maior número de pessoas. Depois surgiu "Toda a Instituição Maçônica", revelando até sinais e palavras. Foram muitos os textos que surgiram na época, alguns até plágio dos primeiros, mas todos com o objetivo de fazer dinheiro à custa da curiosidade profana. A partir de 1730 surgiram obras antimaçônicas de vulto e impacto: "A Maçonaria Dissecada" de Samuel Prichard. Em 1744, o abade Perau publicou o livro: "A Ordem dos Franco-maçons Traída e Seus Segredos Revelados". Neste mesmo ano, Luiz Traveno publicou diversos livros versando sobre Maçonaria, sempre expondo assuntos internos, no claro objetivo de apenas vender livros e fazer dinheiro. Em 1760 foi editado um livro de autor desconhecido, "As Três Batidas Distintas". Em 1762 apareceu o livro "Jaquim e Boaz". Depois surgiu "Memórias do Jacobismo", do padre Augustinho Barruel, o qual é considerado, de fato, o pai da antimaçonaria, pois sua criatividade criou fábulas tão verossímeis que estas ainda hoje prejudicam os maçons.

De todos estes autores podemos aceitar até motivação por ódio e oportunismo comercial contra a Maçonaria, pois não eram maçons. Entretanto, o maior mestre do engodo, de todos os tempos, foi o aprendiz maçom Leo Taxil, este causou estragos terríveis à ordem maçônica. Depois deste "irmão" surgiu frei Boaventura em seu livro "A Maçonaria no Brasil", também pretendia contar os "segredos" dos homens que se reuniam a portas fechadas em confrarias fraternas.

O supremo campeão é sem dúvidas "Os Protocolos dos Sábios de Sião", obra ficcional na qual foram baseadas as invenções de alguns detratores e principalmente de parte do padre Barruel, dando conta de uma suposta "Conspiração Maçônica", e onde foram dramatizadas situações sem fundamento que muitos males causaram aos maçons ao longo do tempo; nem as dramatizações de Leo Taxil e todos os anteriores ao padre Barruel causaram tanto mal. Mesmo escrevendo diversos livros dos dramas e problemas proporcionados, não se esgota o assunto da antimaçonaria.

Na Internet encontram-se inúmeros sites contendo informações desencontradas da organização e ação da Maçonaria que carecem até de algum discernimento para perceber o engodo nelas contido. Em sua maioria são produções que usam os livros já citados e até da bíblia judaico-cristã como plataforma da calúnia e raciocínio falso. Todo extremismo, todo fundamentalismo religioso e político tem estas características; quando não consegue convencer pelo argumento lógico e claro, apela para a mentira e fantasia, torce o sentido das palavras de seus livros sagrados para denegrir qualquer obstáculo que lhes embarace o caminho aos negócios bilionários ou caça ao poder efêmero.

Felizmente a instituição maçônica provê abertura para debate de amplo leque. Maçonaria não se faz com templos, livros, grandes lojas, grandes orientes, sinais, palavras de passe ou palavras sagradas! Estas são apenas ferramentas, utensílios que facilitam o raciocínio, abrem o entendimento. Maçonaria se faz dentro da mente e no coração! Todo o resto é ilusão! Nem mágica ou Misticismo colaboram, antes denigrem e municiam os inimigos com argumentação para quebrar e hegemonia da Maçonaria Universal. Não fossem a pequenez e fragilidade humana, as ferramentas, obediências, ritos e locais de reunião seriam até desnecessárias! A Maçonaria seria dispensável! Tentar revelar os "segredos" da ordem maçônica é seguramente um vão esforço dos detratores de alcançarem o vento na corrida! Grandes pensadores já intuíram em tempos idos que, onde existirem pessoas que se tratam como irmãos e demonstram profundo amor entre si, com certeza ali estará o espírito do Grande Arquiteto do Universo e se pratica a verdadeira Maçonaria; independente se as pessoas forem ou não iniciadas. A iniciação verdadeira ocorre no coração. É dádiva divina! Resultado de sã racionalidade, lógica e espiritualidade, equilibrados.

Um dos mais fantásticos insights proporcionados pela Maçonaria é o autoconhecimento; "o conhece-te a ti mesmo", de Sócrates; a viagem interior que afasta da mente todo apego estrito à palavra escrita ou falada e revela a espiritualidade; o lugar onde está o Deus, onde cada um tem o Deus criado a partir de antropomorfismo que é característica do homem comum. O maçom sequer discute ou gera Deuses à sua imagem e semelhança, porque seres desta magnitude não cabe dentro da lógica e apenas gera separação e ranger de dentes, daí usar apenas do conceito de um Princípio Criador, ao qual denomina Grande Arquiteto do Universo. É a razão da paz encontrada entre as colunas das lojas dos maçons.

É o conhecimento da verdade relativa em todas as questões que conduz ao crescimento pessoal e espiritualidade avançada; o maçom que possui o conhecimento da Maçonaria em si não é idólatra, materialista ou medíocre. O fundamentalismo de qualquer espécie terá muito trabalho para manter a cegueira que subjuga por uns tempos, já que a evolução espiritual e do autoconhecimento do maçom promovem o discernimento que conduz à sabedoria e liberdade.

O livre pensador torna-se independente de intermediários na busca de sua espiritualidade. O Deus que busca está perto para o iniciado e muito longe ao cego escravizado, num hipotético céu, em virtude de estar submetido a dogmas e fantasias dos inimigos da liberdade. As religiões querem escravos do pensamento para manter seu poder temporal efêmero, algo do que a Maçonaria liberta seus homens e, devido a isto, as religiões odeiam a ordem maçônica criando mentiras. O mesmo faz o poder político absolutista, ditatorial.

Vencer aos detratores da Maçonaria é a razão do maçom cauterizar e envolver sua mente de forte couraça de aço. Aprende a usar da espada numa mão, que é sua língua manejada com maestria na derrubada das mentiras ou raciocínios ilógicos e, na outra mão, porta a trolha com a qual constrói e apazigua uma sociedade livre de obscurantismo.

O corpo do maçom, que constitui seu templo, o seu lugar de adoração sagrado, permanece puro, imaculado da perfídia imunda do obscurantismo gerados por religiões e ideologias políticas que conspurca a sociedade humana. Porque o Deus que reside no maçom é tão verdadeiro como aquele que reside em qualquer outra criação do Universo. A Maçonaria promove nos homens por ela treinados a mais ampla liberdade; a suprema liberdade do pensamento; é onde qualquer ser racional é absolutamente livre por característica de projeto devido ao Grande Arquiteto do Universo.


Bibliografia

1. BAYARD, Jean-Pierre, A Espiritualidade na Maçonaria, Da Ordem Iniciática Tradicional às Obediências, tradução: Julia Vidili, ISBN 85-7374-790-0, primeira edição, Madras Editora limitada., 368 páginas, São Paulo, 2004;

2. BOUCHER, Jules, A Simbólica Maçônica, Editora Pensamento, 1979;

3. CARVALHO, Francisco de Assis, O Avental Maçônico e Outros Estudos, número 6, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha limitada., 160 páginas, Londrina, 1989;

4. FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio de, Dicionário de Maçonaria, Seus Mistérios, seus Ritos, sua Filosofia, sua História, quarta edição, Editora Pensamento Cultrix limitada., 550 páginas, São Paulo, 1989;

5. PROBER, Kurt, História do Supremo Conselho do Grau 33 do Brasil, Volume 1, 1832 a 1927, primeira edição, Kosmos, 405 páginas, Rio de Janeiro, 1981;

6. WESTCOTT, William Wynn, Maçonaria e Magia, título original: Tha Magical Mason, tradução: Joaquim Palácios, ISBN 85-315-0384-1, primeira edição, Editora Pensamento Cultrix limitada., 240 páginas, São Paulo, 1983;

Alegoria e Parábola

Pesquisa genérica sobre o significado de alegorias e parábolas.

Charles Evaldo Boller


Parábola na literatura é nome dado pelos retóricos gregos a uma ilustração literária, cuja verossimilhança se realiza estabelecendo um vínculo entre a ficção narrada e a realidade a qual remete. Método de interpretação aplicado por pensadores gregos (pré-socráticos, estoicos etc.) aos textos homéricos, por meio do qual se pretendia descobrir ideias ou concepções filosóficas embutidas figurativamente nas narrativas mitológicas. Texto filosófico escrito de maneira simbólica, utilizando-se de imagens e narrativas com intuito de apresentar tropologicamente ideias e concepções intelectuais [Autores como Platão (427 a. C. -348 a. C.) ou, na filosofia moderna, Nietzsche (1844-1900) recorreram a esta forma de expressão.]

A Maçonaria é definida através das instruções maçônicas inglesas, como um sistema peculiar de moralidade, velado por alegorias e ilustrado por símbolos.

"A Maçonaria é um sistema de moralidade desenvolvido e inculcado pela ciência do simbolismo. Este caráter peculiar de instituição simbólica e também a adoção deste método genuíno de instrução pelo simbolismo, emprestam à Maçonaria a incolumidade de sua identidade e é também a causa dela diferir de qualquer outra associação inventada pelo engenho humano. É o que lhe confere a forma atrativa que lhe tem assegurado sempre a fidelidade de seus discípulos e a sua própria perpetuidade." De fato, a Maçonaria adotou o método de instrução, ela não o inventou." (Albert Galatin Mackey)

O simbolismo é a ciência mais antiga do mundo e o método de instrução dos homens primitivos. É graças a ele que tomamos conhecimento hoje, da sabedoria dos povos antigos e dos filósofos. O acervo religioso, cultural e folclórico da humanidade está preservado através do simbolismo, desde a pré-história.

O princípio do pensamento simbolista está fincado em uma época anterior à história, nos fins do período paleolítico. Os mestres da humanidade primitiva podem ser facilmente localizados, através de estudos sobre gravações epigráficas.

A Maçonaria é legítima herdeira espiritual das sociedades iniciáticas da antiguidade, porque perpetua o tradicional método de instrução, no ensinamento de suas doutrinas.

"O Simbolismo transforma os fenômenos visíveis em uma ideia, e a ideia em imagem, mas de tal forma que a ideia continua a agir na imagem, e permanece, contudo, inacessível; e mesmo se for expressa em todas as línguas, ela permanece inexprimível. Já a Alegoria, transforma os fenômenos visíveis em conceito, o conceito em imagem, mas de tal maneira, que esse conceito continua sempre limitado pela imagem, capaz de ser inteiramente apreendido e possuído por ela, e inteiramente exprimido por essa imagem." (Johann Wolfgang von Goethe)

"O simbolismo é a linguagem da ascese. Para além do tempo e do espaço, liga a dimensão individual quotidiana, psicológica à escala cósmica, supra individual. Pode variar na sua expressão, nas suas representações exteriores, mas os seus fundamentos permanecem imutáveis". (Jean-Pierre Bayard)

"Os símbolos não são simples imagens passivas, transformadores de energia psíquica, modificam a natureza secreta do homem. O símbolo não é um conceito sábio, em entidade abstrata, mas sim uma lei profunda, que exerce o seu poder sobre a natureza interior do ser humano. O símbolo permite a transmissão da mensagem, veicula o elemento central da ideia, para além das diferenças de cultura e de civilização. Ele é intemporal." (Jean-Pierre Bayard)

"O símbolo oferece-se em silêncio àquele cujos olhos do coração estão abertos". (André Pothier)

1. Símbolos místicos e religiosos tradicionais:

  • Evocação da ideia de Deus, representada pelo Triângulo, Delta Luminoso ou por Três Pontos;
  • Sol, representado pelo Círculo com um ponto central;

2. Símbolos da arte da construção:

  • Medida na pesquisa, representada pelo Compasso;
  • Retidão na ação, representada pelo Esquadro;
  • Vontade na aplicação, representada pelo Malho;
  • Discernimento na investigação, representado pelo Cinzel;

3. Símbolos herméticos e alquímicos:

  • Os quatro elementos herméticos, representados pelo Ar, Terra, Água, Fogo;

4. Símbolos com significado particular:

  • A união entre os Maçons, representada pela Romã;
  • A união fraternal, representada pela Cadeia de União;

5. Outros símbolos tradicionais:

  • Pitagóricos, representados pelos números;
  • Cabalísticos, representados pelas sefirotes;
  • Geométricos, religiosos e muitos outros que servem a um significado maçônico.

Bibliografia

1. Dicionário Eletrônico Houais;

2. Enciclopédia Microsoft Encarta;

3. MACKEY, Albert Galatin, Encyclopedia of Freemasonry.

A Prática da Dinâmica de Grupo na Maçonaria

O debate em sessão maçônica é poderosa ferramenta de transferência de conhecimentos.

Charles Evaldo Boller


É no debate, na atividade em grupo que o ser humano, considerando seus valores e princípios, acumula conhecimentos em resultado da experiência da vida em grupo. Esta experiência de vida em comum com as pessoas tem caráter de transmitir complicados processos de pensamento em resultado da reciprocidade dos processos da comunicação humana. Isto acontece na divisão do trabalho e na organização social, e principalmente numa sessão maçônica, onde os homens se reúnem para discutir temas e com certeza sempre saem de uma reunião com pensamentos individuais melhorados. Sobressai o patrimônio cultural da comunidade e cada indivíduo é enriquecido de forma surpreendente. Todos os participantes se beneficiam do esforço intelectual de cada membro do grupo.

Uma analogia simples é comparar as atividades do pensamento ao fato de vivenciar que é da reunião de pequenas poupanças que surge o desenvolvimento social. São exemplos: as instituições bancárias, as empresas de investimento, cooperativas, sociedades anônimas, e outras. Basta estender este raciocínio para o trabalho em grupo de um debate bem dirigido. Os debates da Maçonaria funcionam qual cooperativa intelectual; todos ganham dividendos imediatos em resultado de sua produção em equipe. Somam-se as experiências individuais e cada participante passa a ser depositário do conhecimento dos demais participantes.

Quando se cria em loja um processo sistemático de transmissão de experiência, além de transformar os momentos de reunião em algo prazeroso ela se torna rentável até em termos financeiros porque os dividendos do investimento intelectual ocorrem imediatamente se a experiência acumulada em resultado do somatório das experiências individuais for colocada em prática. É onde o maçom torna-se homem de ação e progride em seu meio social. Desenvolver os processos mentais não é tarefa individual, algo que se possa efetuar com sucesso longe do convívio social: o acumulo de conhecimentos é um processo coletivo e sua aplicação é individual; dependendo apenas de como cada participante aceita mudar a si próprio; é a prática do famoso "conhece-te a ti mesmo" de Sócrates.

O interessante destes procedimentos é a ascensão de uma nova era de transmissão de experiências. Com isto desaparece a figura do professor, do ministro, do sábio, e prevalece a força do grupo sem a ocorrência de desperdícios da experiência acumulada. O coordenador de um grupo de debate não é professor ou chefe. Os debates devem nivelar a loja; todos os degraus e balaustradas devem sumir para que aconteça a igualdade do grupo. O coordenador é quem menos fala, mas pode ser aquele que detém maior conhecimento sobre o assunto em pauta. Quem debate são os membros do grupo, o coordenador é mero participante em pé de igualdade e tem autoridade apenas para ceder a palavra ou retornar o debate ao tema quando eventualmente ocorre desvio. Com a participação ativa de cada membro no debate, os participantes passam a gostar cada vez mais das atividades culturais porque é a essência do ócio criativo defendido por Domenico de Masi.

No debate desaparecem as cercas divisórias incutidas pela divisão do trabalho da sociedade que dá aos participantes classificações como: engenheiro, médico, balconista, arquivista e outros. Estas designações funcionam como etiquetas que são afixadas a cada cidadão e muitas vezes os fazem despercebidos no meio social em que vivem, como é o caso das atividades mais humildes, mas extremamente importantes como por exemplo: garis, faxineiros, copeiros garçons, e outros. O debate em loja tem o objetivo de eliminar estas diferenças e propiciar a participação de todos em pé de igualdade. Vale o poder do pensamento. E é desta diferença cultural que o grupo de debate se vale para melhorar cada um de seus participantes. São eliminadas as estereotipadas diferenças burocráticas e enaltecidos os valores de cada indivíduo.

Todos os maçons são cultos na base experimental de valores e princípios. Todo homem é culto. Por vezes o mais humilde participante de um grupo de debate é o que mais contribui com experiência ao tema que está em discussão. Frequentemente é dos calados e humildes que afloram as melhores soluções ao tema que está em discussão. Dai um dos graus do Rito Escocês Antigo e Aceito afirmar que o conhecimento não é questão do cargo, mas resultado do espírito colaborativo que surge num grupo de debates. Num debate ninguém dorme. Não existem as aulas ministeriais, desaparece a figura do doutor e do professor; todos são iguais conforme estipulado pelo dístico: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

Comparando a atividade oratória numa palestra com um vibrante debate entre diversos irmãos: com cinco minutos de oratória as mentes dos ouvintes iniciam um processo de divagação, em sete minutos desvio para outros pensamentos, em dez minutos acontece bloqueio total das palavras do orador, o ouvinte pode chegar até a dormir; resultado: pouco é aproveitado por tratar-se de atividade passiva. Num debate isto não acontece. Todos ficam ligados ao debate porque podem ser acionados a qualquer momento a se pronunciarem sobre o assunto e só esta expectativa mantém todos vigilantes a ativos; resultado: muito do conhecimento compartilhado é aproveitado pelos elementos do grupo.

Numa loja maçônica existe o ambiente propício para o desenvolvimento de debates produtivos e motivadores porque as sessões estão pautadas em:

  • Disciplina treinada de falar um de cada vez, sem apartear o orador que está com a palavra;
  • O princípio da autoridade calcada na hierarquia que todos respeitam e obedecem;
  • Não degeneração em sufocação da liberdade ou coação;
  • A hierarquia não impede que os membros se considerem pessoas livres e questionem ordens - sem questionamento desaparece a responsabilidade;
  • Homens motivados em serem amigos da sabedoria ("Philos" e "Sóphia"), o filosofar maçônico que faz a todos crescerem muito além daquilo que cada um tem em si antes de adentrar ao templo; personalização do indivíduo - são construídos homens diferentes de instrumentos de uma linha de produção ou simples executores de ordens;
  • Conscientização da necessidade de participação de indivíduos menos cultos;
  • Grupo que desenvolve um ambiente amoroso e fraterno;
  • Princípio da igualdade;
  • Obediência às leis e regulamentos; e outras.

As sessões com debates atraem as pessoas porque cada obreiro sai fortalecido e renovado da reunião para suas atividades do cotidiano. Torna-se mais astuto na convivência com outras pessoas, fugindo às demandas improdutivas e com isto cresce no meio social. Tal disposição mental é resultado da convivência e do treinamento a que se sujeita dentro da loja em debates onde sua capacidade intelectual vive em constante desafio para montar o pensamento para o bem da comunidade. E como construtor da sociedade o maçom obtém sucesso em seu meio social e dá honra e glória ao Grande Arquiteto do Universo.


Bibliografia

1. ANTISERI, Dario; REALE, Giovanni, História da Filosofia, Antiguidade e Idade Média, Volume 1, ISBN 85-349-0114-7, primeira edição, Paulus, 670 páginas, São Paulo, 1990;

2. BERKENBROCK, Volney J., Dinâmicas para Encontros de Grupo, ISBN 978-85-326-2916-6, primeira edição, Editora Vozes limitada., 148 páginas, Petrópolis, 2008;

3. LIMA, Lauro de Oliveira, Dinâmicas de Grupo, na Empresa, no Lar e na Escola, Grupos de Treinamento para a Produtividade, ISBN 85-326-3151-7, primeira edição, Editora Vozes limitada., 310 páginas, Petrópolis, 2005;

4. MASI, Domenico de, Criatividade e Grupos Criativos, título original: La Fantasia e lá Concretezza, tradução: Gaetano Lettieri, ISBN 85-7542-092-5, primeira edição, Editora Sextante, 796 páginas, Rio de Janeiro, 2003;

5. MASI, Domenico de, O Futuro do Trabalho, Fadiga e Ócio na Sociedade Pós-industrial, título original: Il Futuro del Lavoro, tradução: Yadyr A. Figueiredo, ISBN 85-03-00682-0, nona edição, José Olympio Editora, 354 páginas, Rio de Janeiro, 1999;

6. MASI, Domenico de, O Ócio Criativo, tradução: Léa Manzi, ISBN 85-86796-45-X, primeira edição, Editora Sextante, 328 páginas, Rio de Janeiro, 2000;

7. RUSSELL, Bertrand Arthur William; MASI, Domenico de; LAFARGE, Paul, A Economia do Ócio, ISBN 85-86796-87-5, primeira edição, Editora Sextante, 184 páginas, Rio de Janeiro, 2001;

O Maçom e o Trabalho

 Símbolo de força e trabalho.

Charles Evaldo Boller


O homem vê o trabalho como atividade em que se autorrealiza e com o qual transforma a natureza. E só começa a realizar um serviço depois de haver pensado e planejado intencionalmente a tarefa. Não existe trabalho sem o uso conjunto da força e do intelecto, ambas se complementam. Enquanto o projeto é uma ação passiva, o trabalho é uma ação ativa. O resultado é a realização prática de algo.

A ferramenta que representa o trabalho nas oficinas maçônicas é o malho. Este representa a força bruta, a vontade que executa. Sem a vontade do malho o cinzel não poderia exercer seu livre arbítrio. E, longe de ser destituído de racionalidade, algo embrutecido e aleatório, ele representa a intenção por trás da ação. Não é apenas um aglomerado metálico, pesado e violento, muito menos sinônimo de obstinação ou teimosia.

Baseado na maneira como o malho atua, batendo vez após vez, denota-se que sua atividade é firme e perseverante. Ele não executa todo o trabalho de uma só vez, mas em pequenos avanços, firmes e objetivos. Age de forma descontinua, num esforço inconstante, em pancadas, pois se exercesse pressão continua sobre o cinzel, este perderia todo o rigor na execução da obra final. Como o conjunto não é aparato de criação, mas de desbaste, sempre arrancando e nunca acrescentando, impõe-se disciplina, levando aquele que o empunha a alterar sua visão de mundo e principalmente de si mesmo.

Sem o malho o maçom não poderia trabalhar a pedra bruta e não teria como se autoproduzir; porque é ele mesmo quem trabalha a sua "pedra" interior. Esta deve ficar plana e esquadrejada; obtendo com isto uma condição aprovada, que lhe permita fazer parte da estrutura do grande templo. Ao desbastar a pedra bruta, dela são arrancadas as superficiais e grosseiras arestas da personalidade, sendo que a sua atuação deve ser forte, resoluta e pode até ser dolorosa. O malho é o emblema do trabalho, é quem fornece a força material, para de forma figurada aplainar a pedra bruta e culminar em educação, polindo a silvestre e inculta personalidade para uma vida e obra superior. O acabamento de um trabalho assim conduzido resulta em amarrar intimamente a energia que age e a determinação moral. O resultado é fina educação ou polidez, e os produtos desta associação são belos, sutis e delicados, revelando o intelecto que atua por traz da ação.

Sem o uso do malho com mestria e vigor, o maçom não poderia derrubar obstáculos e superar dificuldades, haja vista que é na constância e na determinação que desenvolve habilidade e imaginação. O seu uso o leva a aprender e conhecer as forças da natureza e a desafiá-las; leva-o a conhecer as próprias forças e limitações; relaciona-o com os companheiros e leva-o a viver o afeto desta relação.

O malho é sempre empunhado pela mão direita, o lado ativo, ele também é a insígnia do comando, da direção. Simboliza a vontade ativa, a energia, a decisão, o aspecto ativo da consciência do maçom, a força e a vontade. É o indutor da iniciativa, da perseverança, é, enfim, o símbolo da inteligência que age e persevera, que dirige o pensamento.


Bibliografia

1. BOUCHER, Jules, A Simbólica Maçônica, Segundo as Regras da Simbólica Esotérica e Tradicional, título original: La Symbolique Maçonnique, tradução: Frederico Ozanam Pessoa de Barros, ISBN 85-315-0625-5, primeira edição, Editora Pensamento Cultrix limitada., 400 páginas, São Paulo, 1979;

2. CAMINO, Rizzardo da, Dicionário Maçônico, ISBN 85-7374-251-8, primeira edição, Madras Editora limitada., 413 páginas, São Paulo, 2001;

3. FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio de, Dicionário de Maçonaria, Seus Mistérios, seus Ritos, sua Filosofia, sua História, quarta edição, Editora Pensamento Cultrix limitada., 550 páginas, São Paulo, 1989;