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domingo, 11 de janeiro de 2026

As Viagens e o Nascimento da Consciência Iniciática

 Charles Evaldo Boller

A primeira viagem da cerimônia de iniciação no Rito Escocês Antigo e Aceito constitui um dos momentos mais densos do método de ensino no simbolismo da Maçonaria, pois nela se condensa, de forma silenciosa e experiencial, a passagem do homem comum ao homem em estado de busca consciente. Não se trata de um rito decorativo, mas de um laboratório existencial no qual o recipiendário é retirado de suas certezas habituais e colocado diante de si mesmo. A Maçonaria ensina, desde esse primeiro passo, que a transformação não começa pela aquisição de respostas, mas pela disposição interior de suportar perguntas.

Privado da visão plena e conduzido por outro, o iniciado aprende uma lição que atravessa toda a filosofia clássica: a humildade como condição do conhecimento. Como ensinava Sócrates, a sabedoria nasce do reconhecimento da própria ignorância. A condução guiada simboliza exatamente esse estado inicial do espírito humano, que caminha sem domínio do percurso e precisa confiar no método, na tradição e na experiência de quem já percorreu o caminho. Tal como um navegante que atravessa a neblina confiando mais na bússola do que nos próprios olhos, o iniciado aprende que nem toda orientação legítima nasce da percepção imediata.

Os obstáculos e resistências encontrados ao longo da viagem funcionam como espelhos simbólicos das dificuldades interiores que acompanham toda jornada humana. Medo, ansiedade, orgulho e apego às certezas antigas surgem ali não como inimigos externos, mas como irregularidades da pedra bruta. A filosofia moral de Aristóteles ilumina esse ponto ao afirmar que o caráter se forma pelo hábito e pelo esforço reiterado. Não é evitando as dificuldades que se constrói a virtude, mas atravessando-as com disciplina e prudência. A primeira viagem ensina, assim, que o desconforto não é sinal de erro, mas indício de trabalho interior em andamento.

O ritmo cadenciado e a repetição dos passos introduzem o iniciado em uma lei universal frequentemente esquecida pela modernidade: toda evolução exige tempo. O Rito Escocês Antigo e Aceito, ao impor um caminhar ordenado, grava no corpo uma verdade que a razão muitas vezes ignora. Não há salto legítimo na formação humana. Assim como uma árvore não amadurece por violência, mas por estações sucessivas, o ser humano se constrói pela constância. Essa lição se entende diretamente com a ética clássica e se opõe à pressa contemporânea, que busca resultados imediatos sem transformação real.

Do ponto de vista filosófico mais amplo, a primeira viagem pode ser lida como uma síntese ritualística da passagem das sombras para a Luz, tal como descrita por Platão na alegoria da caverna. A cegueira simbólica não é punição, mas condição inicial. O iniciado ainda vê sombras, sente obstáculos e depende de orientação. A Luz, porém, não lhe é entregue como presente; ela se anuncia como promessa que exige esforço, disciplina e reorganização interior. O Rito Escocês Antigo e Aceito afirma, com isso, que a Verdade não se impõe, mas se conquista.

No plano psicológico e educativo, a primeira viagem revela uma sofisticação notável. O adulto aprende melhor quando é retirado de seus automatismos e convidado a viver uma experiência significativa. A iniciação não despeja conceitos; ela prepara o terreno da consciência. Ao sentir-se vulnerável, o iniciado abandona temporariamente seus papéis sociais e profissionais e assume a condição essencial de aprendiz. Essa inversão é profundamente libertadora, pois recorda que ninguém cresce enquanto se agarra à ilusão de já estar pronto.

Como metáfora ilustrativa, a primeira viagem pode ser comparada à travessia de um rio por uma ponte ainda em construção. Não se vê o outro lado com clareza, o passo precisa ser cuidadoso e a confiança no método é indispensável. Quem corre, cai; quem paralisa, não atravessa. O equilíbrio nasce da atenção e da constância. Essa imagem resume bem o método de ensino maçônico: avançar com prudência, sem precipitação nem medo excessivo.

As sugestões construtivas que emergem dessa reflexão são claras. No plano individual, o maçom é convidado a revisitar, ao longo da vida, o espírito da primeira viagem sempre que se perceber excessivamente seguro de si. No plano coletivo, as lojas podem valorizar mais a dimensão formativa do rito, evitando reduzi-lo a formalismo. Na vida em sociedade, a lição é igualmente válida: aceitar orientação, respeitar o tempo dos processos e enfrentar dificuldades com consciência são atitudes que constroem líderes mais equilibrados e cidadãos mais éticos.

Em síntese, a primeira viagem inaugura a edificação do Templo Interior ao ensinar, sem discursos, que a Verdadeira Luz nasce da humildade, do esforço e da disciplina. A Maçonaria, ao ritualizar essa experiência, oferece ao iniciado não um atalho, mas um caminho. E todo caminho autêntico começa quando o homem aceita caminhar sem ver tudo, confiando que cada passo consciente já é, em si, um ato de iluminação.

Bibliografia Comentada

1.     ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Tradução de Leonel Vallandro e Gerd Bornheim. São Paulo: Nova Cultural, 1996. Obra fundamental da ética clássica, na qual Aristóteles demonstra que a virtude é resultado do hábito e da prática reiterada, oferecendo base sólida para a compreensão do ritmo, da repetição e do esforço disciplinado presentes na primeira viagem como elementos formadores do caráter;

2.     BOUCHER, Jules. A simbólica maçônica. São Paulo: Madras, 2008. Referência clássica sobre o simbolismo maçônico, a obra esclarece que o rito atua como linguagem pedagógica e filosófica, contribuindo diretamente para a interpretação da primeira viagem como método iniciático de transformação interior e despertar da consciência;

3.     ELIADE, Mircea. O sagrado e o profano. São Paulo: Martins Fontes, 2010. O autor fundamenta a noção de ruptura entre estados de existência, sustentando a leitura da iniciação como passagem simbólica do profano ao sagrado, aspecto central para compreender o sentido antropológico da primeira viagem;

4.     PLATÃO. A República. Tradução de Maria Helena da Rocha Pereira. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2014. A alegoria da caverna oferece paralelo filosófico essencial para a compreensão da cegueira simbólica e da progressiva aproximação da luz, reforçando a leitura da iniciação como processo educativo e ontológico;

5.     WIRTH, Oswald. O simbolismo maçônico. São Paulo: Pensamento, 2007. Obra central para o entendimento do rito como experiência que atua sobre a sensibilidade e o inconsciente antes da razão discursiva, legitimando a análise psicológica e formativa da primeira viagem no contexto da pedagogia maçônica;

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Entre a Areia e as Estrelas: Caminhar, Rituais e a Essência da Obra Interior

 Charles Evaldo Boller

Entre Rituais e Liberdade: o Segredo da Marcha Maçônica

Há perguntas aparentemente pequenas que escondem abismos de significado. Uma delas atravessa discretamente as colunas de muitas lojas: afinal, o aprendiz deve arrastar os pés ou caminhar normalmente em sua marcha ritual? À primeira vista, trata-se de detalhe mecânico, quase irrelevante. Mas, se olhada com atenção, essa questão revela o conflito silencioso entre tradição e liberdade, forma e essência, rito e consciência. Em cada passo arrastado ou erguido vibra a pergunta central da Maçonaria: o que realmente nos faz evoluir, o gesto do corpo ou o despertar do espírito?

Imagine uma escada metálica pendurada no teto de um templo, avançando a partir do livro da lei, sem que ninguém saiba explicar por que está ali. "Razão para a sua existência não há; alguém pendurou, e ninguém mais teve coragem de tirar", responde um irmão mais antigo. Essa imagem é um ícone perfeito das tradições que herdamos sem compreender, dos símbolos que repetimos por medo de mexer no que sempre foi assim. Quantas "escadas de Jacó" penduradas habitam nossas lojas, nossas crenças, nossas certezas? E, mais inquietante ainda: quantas delas habitam o interior de cada maçom?

O ensaio que se segue convida o leitor a ir além da curiosidade sobre o passo correto. Propõe examinar a própria lógica de nossos rituais, confrontando a tendência humana de multiplicar leis, detalhes e regulamentos, como fizeram os antigos hebreus com a lei mosaica, até que tudo se tornasse um fardo insuportável. Será que não fazemos o mesmo com nossos rituais, criando camadas de exigências formais que, muitas vezes, obscurecem a lei simples e revolucionária do amor fraternal? Quando a forma se torna um fim em si mesma, o rito deixa de ser porta e passa a ser parede.

Entre o pedreiro medieval, que mão sabia ler, mas dominava a pedra, e o maçom especulativo de hoje, cercado de livros, decretos e manuais, abriu-se um abismo de complexidade. Este ensaio encurta esse abismo, lembrando que a obra não é o templo de pedra, mas o Templo Interior, construído com pensamento, vontade e consciência. Por isso, trata de esoterismo, física quântica, filosofia clássica e religião não para erudição vazia, mas para mostrar como todas essas linguagens apontam para o mesmo núcleo: o poder libertador do pensamento.

Se a marcha do aprendiz é um símbolo, o que ela quer realmente nos dizer? Se os gestos não mudam o homem por "passe de mágica", onde está, então, a magia da Maçonaria? Este texto provoca, inquieta e convida: mais do que decidir se se arrastam ou não os pés, importa descobrir se já começamos, de fato, a caminhar em direção à própria liberdade. Ao final, talvez o leitor perceba que o "ritual correto" não está prescrito em nenhum decreto, mas se revela na qualidade da energia que leva para a loja, na coragem de questionar o que herdou e na disposição de transformar cada passo, arrastado ou firme, em ocasião consciente de subir a própria escada invisível rumo à Luz.

A Marcha do Aprendiz e o Simbolismo do Peso da Terra

A partir de usos e costumes se ensina que o Aprendiz deve arrastar os pés, como se ainda estivesse materialmente preso ao chão, incapaz de alçar voo para esferas mais sutis. Outros afirmam que deve caminhar normalmente, pois o movimento do corpo pouco altera a direção do espírito. Qual deles tem razão? Ambos, e nenhum. A pergunta, embora prática, revela o dilema maior da Maçonaria: o homem oscila entre a areia que o prende e as estrelas que o convidam. A polêmica dos passos não é sobre o andar, mas sobre o sentido do caminhar.

Arrastar os pés significa reconhecer o peso da existência. A Terra, um dos quatro elementos clássicos, não é limite, mas ponto de partida. A poeira que se levanta sob o calcanhar é a lembrança de que o Aprendiz ainda não conquistou o direito de subir a escada interna da espiritualidade, a chamada Escada de Jacó, que une Céu e Terra como um diapasão vibrando entre dois polos da Criação. No entanto, caminhar com passos normais também é correto, pois a marcha, enquanto símbolo, é apenas uma moldura. A pintura está dentro do homem.

A marcha é um modo de educar o corpo para disciplinar o espírito. Mas ela se torna irrelevante quando o próprio espírito desperta para o sentido profundo da caminhada. Por isso, cada loja adota a prática que lhe convém. A pluralidade é inerente à Arte Real, como se o Grande Arquiteto do Universo espalhasse fragmentos da Verdade em cada oficina, esperando que o conjunto das lojas funcione como um mosaico.

O gesto externo pode variar, mas o símbolo interior permanece. A questão é se o Aprendiz está disposto a caminhar no Templo Interior com a firmeza que não depende de músculos, mas de lucidez.

A Escada que Ninguém Ousa Retirar

Certa vez encontrei, suspensa no teto de uma laja do Rito Escocês Antigo e Aceito, uma escada metálica inclinada que partia de cima do livro da lei e alcançava o teto. Quando perguntei a razão daquela instalação, a resposta do Mestre mais antigo foi: "razão para existir não há; alguém pendurou aí e ninguém mais teve coragem de remover".

Esse episódio é metáfora de uma tendência humana universal: aquilo que não compreendemos, conservamos por receio. A escada inerte representa a tradição sem reflexão, o rito fossilizado, a liturgia transformada em superstição. O símbolo destituído de sentido vira ornamento; e o ornamento, quando não questionado, transforma-se em dogma involuntário.

A Escada de Jacó, na tradição esotérica, é dinâmica, viva, ascensional. Ela representa as sete virtudes ou sete degraus da consciência que o homem deve subir pela força da razão e da vontade. Uma escada fixa, de metal, suspensa como monumento à inércia, rompe com o próprio espírito do símbolo. Ela aponta para o Oriente, mas não conduz a lugar algum.

Da mesma forma, muitas práticas maçônicas sobrevivem apenas por costume. Não são erros, nem acertos: são apenas degraus que ninguém ousou mover. O Aprendiz que arrasta os pés e o Aprendiz que marcha normalmente podem estar igualmente condicionados por tradições cujo sentido se perdeu no tempo. Cabe ao filósofo da Arte Real perguntar: o ritual conduz à ascensão ou é apenas escada metálica pendurada no teto?

A Multiplicação das Leis e o Peso da Tradição

O homem, dizem os antigos, é especialista em complicar o simples. Os hebreus receberam preceitos básicos para orientar uma vida comunitária no deserto. Com o tempo, transformaram a simplicidade mosaica numa teia de obrigações. Quando Cristo propôs pelo Amor a libertação dessa carga transformada em leis, sintetizou toda a Lei em um único mandamento: amar. Mas os eruditos judeus criaram novas interpretações e regulamentações, reinstalando complexidade onde o Cristo sugerira simplicidade luminosa.

A Maçonaria vive fenômeno semelhante. O rito foi criado para ser caminho; tornou-se mapa. Depois virou manual, depois cartilha, depois catecismo. Em seguida, surgiram suplementos explicativos, complementos e "interpretações autorizadas". O que deveria conduzir ao Espírito passou a demandar mais e mais a matéria.

Essa multiplicação de normas deriva do impulso humano de controlar o invisível por meio do visível. Como se fosse possível regular o vento com decretos. O Cristo destruiu simbolicamente as leis para restituir liberdade. A Maçonaria, ao defender a Lei do Amor Fraternal, propõe que toda construção ritualística seja instrumento e não fim. Quando a cerimônia se torna um fim, ela se torna ídolo e não portal.

O Mestre esclarecido sabe que a Lei do Amor é critério interpretativo de todo o Rito. Se uma norma ritualística fere a fraternidade, ela trai o fundamento.

Maçons Operativos e a Simplicidade das Pedras

Os maçons operativos tinham pouco interesse por cerimônias. Reuniam-se em estalagens, pubs ou adegas. Suas assembleias eram mais reuniões de trabalho do que templos. Eram artesãos da pedra, não sacerdotes do símbolo. Não havia normas técnicas, Associação Brasileira de Normas Técnicas, rituais codificados ou manuais. Havia pedra, cinzel e maço. Havia geometria instintiva, matemática intuitiva, conhecimento transmitido pelo gesto, pelo olhar, pela prática.

Essa simplicidade funcional é metáfora poderosa. O Aprendiz contemporâneo, rodeado de livros, decretos, manuais e liturgias, pode perder de vista a essência operativa: esculpir a si mesmo. A ferramenta do maçom especulativo é o pensamento disciplinado, e não a coreografia ritual.

Um pedreiro medieval não discutiria se devia arrastar os pés. Ele observaria se o bloco de pedra estava pronto para o encaixe. O Aprendiz moderno deveria fazer o mesmo: avaliar se sua mente está em ângulo com a verdade, se seu coração está nivelado pela justiça, se sua vontade está perpendicular à moral.

A Cerimônia Aponta o Caminho, mas não é o Caminho.

A Sinfonia de Influências que Moldou o Rito Escocês Antigo e Aceito

O Rito Escocês Antigo e Aceito tornou-se repositório de inúmeras tradições: rosacruzes, cabalistas, hermetistas, alquimistas, filósofos, esoteristas, místicos, políticos iluministas, cristãos esotéricos, neoplatônicos, pitagóricos e filólogos. Essa pluralidade faz do rito uma biblioteca viva, cheia de pistas, atalhos, metáforas e símbolos.

Mas essa riqueza também gera confusão. O neófito, ao percorrer a sala dos símbolos, vê um mosaico tão variado que pode concluir erroneamente que a Maçonaria é um sincretismo religioso. Não é. A Ordem não é religião, nem pretende ser. Ela utiliza símbolos religiosos porque estes são linguagem universal da humanidade. Religiões oferecem metáforas; o rito oferece interpretação.

A liberdade ocorre no pensamento. O maçom, ao estudar diferentes tradições, aprende a não ser prisioneiro de nenhuma. Ele cola fragmentos de sabedoria de múltiplas fontes para construir visão própria. O rito é ferramenta de desapego intelectual, e não instrumento de doutrinação.

O que o maçom aprende é olhar além da forma. Se o símbolo o escraviza, ele perde seu poder de libertação.

Pluralidade, Dinâmica Social e o Eterno Retorno das Reformas

A Maçonaria, como qualquer instituição humana, é atravessada por dinâmicas sociais. Rituais se transformam, gestos se modificam, marchas e palavras de ordem são ajustadas por usos e costumes locais. Cada loja possui personalidade própria, moldada pela sensibilidade de seus membros. Essa pluralidade não é ameaça, mas riqueza.

Contudo, a história mostra ciclos. Primeiro, tradição. Depois, interpretação. Em seguida, complexificação. Depois, reforma. Cristo revogou a lei mosaica para restaurar simplicidade. Após Ele, surgiram novos códigos. Na Maçonaria ocorre o mesmo: quando uma liturgia se torna pesada, alguém propõe simplificação. Quando simplificada, com o tempo, volta a crescer.

Esse ciclo não é defeito, mas reflexo da própria natureza humana. Em sociologia, chama-se dinâmica da tradição. Em filosofia, chama-se dialética. Em física quântica, chama-se flutuação: todo sistema vivo vibra, oscila, reinicia, reorganiza.

A loja que compreende essa dinâmica não se desespera com mudanças. Ela as espera.

Rizzardo da Camino e a Diversidade Ritualística

Rizzardo da Camino, estudioso do Rito Escocês Antigo e Aceito, observou que cada Grande Loja brasileira possui seu próprio ritual, sempre com pequenas diferenças. Nos graus filosóficos, supremos conselhos divergem entre si, embora todos respeitem os landmarks. Para ele, rituais alterados com boa intenção podem até ampliar a fraternidade, mas frequentemente prejudicam o esoterismo.

A observação é importante. Se o ritual é alterado sem compreensão profunda de sua função simbólica interna, perde-se não apenas forma, mas conteúdo. Modificar ritual sem compreender sua estrutura esotérica é como remover um tijolo estrutural acreditando tratar-se de ornamento.

Mas o rito também não deve ser encarado como estátua intocável. Ele é navegação. Não se troca o casco durante a viagem, mas pode-se ajustar as velas. Cada loja encontra seu equilíbrio entre fidelidade à tradição e abertura ao desenvolvimento interno.

Esoterismo Maçônico: Navegação Pelas Ciências Antigas e Modernas

O esoterismo da Maçonaria é sustentado por quatro pilares clássicos: Pitagorismo, Alquimia, Cabala e Hermetismo. Cada uma dessas tradições oferece linguagem simbólica para decodificar o mistério do ser.

O Pitagorismo ensina o Universo como harmonia matemática. A vibração quântica pode ser entendida como resposta moderna dessa visão: partículas se comportam como ondas que se modulam em padrões geométricos invisíveis. O maçom é convidado a modular sua própria vibração interior, tornando seu pensamento harmônico com as leis naturais.

A Alquimia, por sua vez, representa a transformação interior. O chumbo da ignorância busca o ouro da consciência. A metáfora alquímica aparece no conceito quântico de transmutação energética: a energia não se perde, apenas muda de forma.

A Cabala oferece visão Metafísica da Criação estruturada em dez sefirot, que se comunicam através de canais "sagrados". Na linguagem moderna, isso lembra campos energéticos, interconexões e redes de informação estruturadas em múltiplos níveis.

O Hermetismo integra todas essas ciências e oferece seu axioma supremo: "O Todo é Mente; o Universo é Mental." Hoje, a física quântica demonstra que o observador influencia o fenômeno observado. O Hermetismo já sugeria isso há milênios: consciência molda realidade.

A Maçonaria não exige que o adepto se torne especialista nessas tradições, mas recomenda conhecimento básico para que desenvolva ferramentas de interpretação do mundo e de si mesmo.

Energia, Ritual e a Verdadeira Função do Símbolo

A energia que circula numa loja reunida é mais importante que o rigor formal absoluto. Quando o ambiente é fraterno, a vibração coletiva cria campo sutil que favorece introspecção, insight e transformação. Ritualmente, a isto é dado o nome de egrégora: a força invisível criada por mentes alinhadas em propósito comum.

A posição dos pés, a altura do compasso, o ângulo do braço, são elementos simbólicos. Eles apenas abrem a porta. O que transforma é o que acontece depois que o iniciado atravessa o portal.

O simbolismo ritual é gatilho, NÃO causa. Nenhum gesto produz iluminação sem que o coração deseje ser iluminado. Nenhuma marcha eleva o ser se o ser não deseja ascender.

A "magia" maçônica é psicológica e espiritual: decorre da convivência constante com irmãos que despertam uns aos outros, formando campo energético que amplifica virtudes.

Arrastar ou Levantar os Pés? Um Dilema que Oculta Outro

Inventar rituais faz parte da natureza humana. O ato de arrastar os pés pode ter surgido por simples costume, ampliado depois por interpretação esotérica tardia. Caminhar normalmente é igualmente válido. Em ambos os casos, a loja é soberana.

O que não é soberano é o apego. É possível amar a tradição sem idolatrá-la. É possível praticar gesto simbólico sem substituí-lo pelo significado que ele apenas aponta.

No fundo, perguntar qual é o passo correto é pergunta mal colocada. A pergunta é: "o que a marcha produz em meu Templo Interior?" Se produz vigilância, humildade, atenção e presença, está correta. Se produz vaidade, competição e orgulho ritualístico, está errada, ainda que tecnicamente impecável.

A Disciplina e o Papel dos Regulamentos

Quando uma obediência estabelece ritual oficial, cabe ao maçom obedecer por disciplina. Disciplina não é servidão; é harmonia. Em física quântica, sistemas coerentes vibram em uníssono e produzem efeitos que sistemas caóticos jamais alcançam. Uma loja que vibra em coerência ritualística cria campo de consciência mais estável.

Assim, uniformização ritual é ferramenta para facilitar sintonia. Mas nunca deve ser confundida com verdade absoluta.

A Ilusão da Mudança Mágica e a Verdadeira Transformação

Nenhum gesto ritual altera o homem por si só. A transformação ocorre quando mente, emoção e vontade se alinham. Não é o passo que muda o Aprendiz; é o Aprendiz que muda o passo. O rito funciona como senha que desperta potenciais internos, mas a mudança depende de lucidez pessoal.

É ingênuo acreditar que um movimento do corpo possa substituir trabalho interior. Mas é realista compreender que o rito cria ambiente favorável para que esse trabalho floresça. A egrégora é o acelerador invisível da consciência.

A Maiêutica Maçônica: Despertar o que Já Está no Iniciado

Pítagoras demonstrou ao escravo de Mênon que a verdade pode ser despertada pela pergunta certa. A função do venerável mestre e dos oficiais é semelhante: provocar o raciocínio, incitar reflexão, estimular o nascimento do pensamento próprio.

Marchas, sinais, toques e palavras são dispositivos de recordação. Eles funcionam como algoritmos simbólicos que organizam memórias profundas. Mas o sentido surge pela reflexão individual, não pela coreografia repetida.

A Liberdade do Pensamento e o Caminho Após o Rito

O rito é o limiar. A partir do limiar, cada maçom caminha sozinho, guiado por sua consciência, construindo seu templo vivo com carne, ossos e espírito. A liberdade não está na palavra escrita, mas no pensamento autônomo. Kant chamou esse processo de saída da menoridade. Platão o descreveu como ascensão da caverna. A física quântica o entende como colapso da função de onda pela escolha.

A liberdade é o ato supremo. A escolha é a ferramenta. O pensamento é o templo.

A Especulação como Método e como Vocação

A Maçonaria permite ao iniciado especular temas que não podem ser provados cientificamente, mas que são coerentes com lógica, sentimento e intuição. A especulação não é devaneio; é laboratório da consciência. É assim que o pensamento cresce e cria hipóteses que um dia poderão ser experimentadas na vida ou na ciência.

O erro não é obstáculo, mas ferramenta. A construção interior segue ciclos de tese, antítese e síntese. O Aprendiz aprende a duvidar para poder crer por convicção, e não por herança cultural.

Entre o Gesto e o Significado

Discutir se se arrastam ou se levantam os pés é como perguntar se o silêncio tem direção. A marcha é metáfora da busca interior. O que importa não é o ângulo do passo, mas o sentido da caminhada. O que importa não é a forma do rito, mas o despertar que ele provoca. O que importa não é o gesto, mas a luz que se acende na consciência.

O templo físico é metáfora. O rito é metáfora. O corpo é metáfora. O templo é a mente. O rito é o pensamento disciplinado. O Caminho é aquele que conduz o homem a si mesmo e, assim, ao Grande Arquiteto do Universo.

A marcha é apenas o primeiro passo. O restante da jornada é feito no silêncio da consciência.

A Caminhada Interior que Supera o Ritual

Ao concluir este ensaio, torna-se evidente que a discussão sobre a marcha do aprendiz, arrastar os pés ou caminhar normalmente, funciona apenas como porta de entrada para um tema muito mais profundo: a relação entre forma e essência na jornada maçônica. A pluralidade de práticas, tradições e interpretações não é defeito, mas testemunho de que a Maçonaria, enquanto caminho iniciático, sempre acolheu a diversidade humana em suas múltiplas expressões. Por trás de cada gesto ritual, há camadas de sentido simbólico; ainda assim, nenhum gesto, por si só, possui o poder de transformar o homem. O rito abre a porta, mas é o pensamento que atravessa o umbral.

A escada metálica suspensa no teto, preservada por hábito, não por significado, tornou-se metáfora-chave para compreender os riscos da tradição sem reflexão. A Maçonaria não se sustenta em objetos, mas em ideias; não se preserva em artefatos, mas em consciências despertas. O rito é ferramenta, NUNCA fim. Quando o símbolo se converte em fetiche, perde sua função iniciática. Quando o maçom repete sem compreender, sua marcha perde o sentido: ele desloca o corpo, mas não move a alma.

Outro ponto essencial é o paralelo com a antiga lei mosaica, que de tão multiplicada e reinterpretada tornou-se fardo insuportável até que Cristo a sublimasse pela simplicidade do amor. De modo semelhante, a Maçonaria corre o risco de transformar o simples em complexo, o essencial em detalhe, a luz em sombra. O ensaio reafirma que o princípio organizador da Arte Real não é a liturgia, mas a fraternidade; não é a regra, mas a consciência; não é o gesto, mas a intenção. A disciplina ritual tem propósito, mas nunca deve aprisionar o livre pensar, que é o verdadeiro altar da iniciação.

A integração entre filosofia clássica, esoterismo e ciência contemporânea reforça que o ser humano é unidade dinâmica de matéria e espírito, e que sua evolução depende mais da qualidade de suas reflexões do que da precisão de seus movimentos. A física quântica, ao demonstrar que o observador influencia o fenômeno, reflete a lição hermética milenar: o Universo é moldado pela mente que o percebe. Assim também, o ritual é moldado pela consciência que o interpreta, não pela rigidez com que é executado.

Seja qual for a prática adotada por uma loja, importa que ela favoreça a harmonia do grupo, a elevação da egrégora e o desenvolvimento interior dos irmãos. É nesse campo energético compartilhado que a magia maçônica acontece: no encontro de mentes que se inspiram mutuamente, no debate que afia o discernimento, no silêncio que amplifica a intuição. É nesse espaço que se lapida a pedra bruta, que se erguem templos invisíveis e que se reencontra a própria liberdade.

A mensagem final encontra apoio em Sócrates, que ensinou que "uma vida não examinada não merece ser vivida". A Maçonaria existe precisamente para aprofundar esse exame: provocar o olhar interior, instigar a dúvida criativa, libertar o pensamento das amarras da heteronomia. O rito é apenas a moldura; a obra é o próprio homem. E somente quando o maçom compreende que cada passo, arrastado ou não, deve conduzi-lo a um nível mais elevado de consciência, é que sua marcha deixa de ser movimento e se torna Caminho.

Bibliografia Comentada

1.      CAMINO, Rizzardo da. Rito Escocês Antigo e Aceito: O Aprendiz. Porto Alegre: Federativa, 2010. Obra fundamental para compreender a pluralidade ritualística nas grandes lojas brasileiras, oferecendo visão histórica e crítica das diferenças existentes entre rituais estaduais e supremos conselhos, salientando impacto positivo e negativo das adaptações;

2.      ELIADE, Mircea. O sagrado e o profano. São Paulo: Martins Fontes, 1992. Explora o simbolismo religioso e sua função estruturante na experiência humana, oferecendo base teórica para interpretar rituais maçônicos como hierofanias e não como dogmas;

3.      HALL, Manly P. The Secret Teachings of All Ages. Los Angeles: Philosophical Research Society, 1928. Compêndio clássico sobre tradições esotéricas universais, incluindo hermetismo, mitologia e simbolismo, útil para contextualizar referências dentro do estudo esotérico maçônico;

4.      HEIDEGGER, Martin. Ser e Tempo. Petrópolis: Vozes, 2005. Reflexão filosófica profunda sobre o ser e sua existência temporal, ajudando a compreender a marcha maçônica como metáfora existencial e não simples gesto ritualístico;

5.      JUNG, Carl Gustav. O homem e seus símbolos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008. Estudo psicológico dos símbolos e arquétipos, essencial para compreender como a ritualística evoca imagens primordiais na consciência do iniciado;

6.      KANT, Immanuel. Resposta à pergunta: O que é o Esclarecimento? Lisboa: Edições 70, 2015. Fundamenta filosoficamente o papel da autonomia e liberdade de pensamento como pilares da evolução iniciática;

7.      PLATÃO. A República. Lisboa: Gulbenkian, 2001. Oferece o mito da caverna como metáfora central da iluminação iniciática, permitindo paralelos diretos com a ascensão maçônica rumo à Luz;

8.      PLOTINO. Enéadas. São Paulo: Paulus, 2000. Obra essencial do Neoplatonismo, explicando a ascensão da alma ao Uno, conceito que encontra paralelo direto na ideia maçônica de retorno ao Grande Arquiteto;

9.      PRZYLUSKI, Jean. La Légende de la Mort. Paris: Payot, 1927. Analisa simbolismo da morte e renascimento, contribuindo para interpretação dos graus maçônicos ligados à regeneração espiritual;

10.  SCHRÖDINGER, Erwin. What is Life? Cambridge: Cambridge University Press, 1944. Clássico da física e biologia, introduzindo conceitos que permitem paralelos entre energia, consciência e simbolismo esotérico;

11.  SETH, Anil. Being You: A New Science of Consciousness. New York: Penguin, 2021. Explica como a consciência é construção mental, oferecendo bases científicas contemporâneas para compreender afirmativas herméticas aplicadas à Maçonaria;

12.  WILBER, Ken. A União da Alma e dos Sentidos. São Paulo: Cultrix, 1998. Integra espiritualidade, psicologia e ciência, permitindo visão holística útil ao entendimento do trabalho iniciático;

domingo, 7 de dezembro de 2025

A Arte Viva de Dar Forma à Consciência

 Charles Evaldo Boller

O ritual maçônico, para quem o observa superficialmente, pode parecer apenas um conjunto de gestos repetidos, uma sequência decorada cuja função se restringiria ao belo formalismo. Porém, basta dar um passo além da aparência para perceber que essa estrutura ancestral é, na verdade, uma arte viva de dar forma à consciência. O Rito Escocês Antigo e Aceito ensina que a transformação humana não nasce de improvisos, mas de práticas que orientam o olhar para dentro e despertam a atenção para aquilo que normalmente passa despercebido. Como na filosofia clássica, sobretudo em Sócrates, reencontramos aqui a máxima de que a vida examinada é a única digna de ser vivida. O rito, então, funciona como esse exame contínuo, como lente que amplia o sentido das pequenas escolhas diárias.

Cada palavra ritualística é como uma pedra antiga que ecoa o trabalho de gerações; cada gesto é um traço no grande compasso da tradição; cada pausa é um silêncio que convida o espírito a ouvir algo além do ruído do mundo. A força do ritual não está no exterior, mas na experiência interior que ele provoca. Ele não exige apenas que façamos, mas que estejamos. E essa diferença é essencial. Fazer sem estar é mecanização; fazer estando presente é iniciação. A física quântica mostra que o observador altera o fenômeno; a Maçonaria demonstra, em forma simbólica, que o observador altera a si mesmo quando participa conscientemente de um ato ritualístico. Somos, ao mesmo tempo, escultor e pedra, instrumento e melodia, aprendiz e mestre do próprio destino.

É comum que irmãos mais jovens perguntem por que tanta precisão: por que o passo deve ser dado com o pé certo, por que a vela é acesa com a mão adequada, por que o malhete deve tocar com a exatidão de um relógio antigo. A resposta é simples, embora profunda. O rito nos obriga a desacelerar, prestar atenção, alinhar corpo e pensamento. Ele é o prumo que corrige quando o mundo lá fora tenta nos inclinar; é o compasso que mede o tempo interior que nada tem a ver com o tempo profano; é a régua que nos lembra que cada ação tem consequências e que, por isso mesmo, precisa ser medida com sabedoria. Não se trata de rigidez, mas de um método de ensino. O aprendiz que respeita a forma descobre, pouco a pouco, o conteúdo oculto por trás dela.

A presença ritual impregna a vida fora do templo. Momentos de conflito no trabalho, impaciência no trânsito, tensões familiares, cansaços do cotidiano: todos podem ser atravessados com mais serenidade quando recordamos o simples gesto de deixar os metais à porta. Não se trata apenas de símbolos de status, mas dos pesos emocionais que carregamos sem perceber. Entrar no templo sem metais é aprender a entrar em qualquer ambiente sem bagagem desnecessária. E isso, por si só, já transforma. A filosofia clássica, sobretudo o pensamento estoico, reforça essa atitude ao ensinar que o controle não está nas circunstâncias, mas na maneira como respondemos a elas. O rito, nesse sentido, é treino para respostas mais sábias.

A vida maçônica, quando compreendida profundamente, não é apenas participação em sessões, mas construção diária de um Templo Interior. Cada decisão pode erguer uma coluna ou demolir uma parede. Sabedoria, força e beleza, pilares simbólicos do Rito Escocês Antigo e Aceito, tornam-se critérios práticos: penso antes de agir? Sustento aquilo que é justo? Produzo harmonia ao meu redor? Essas perguntas, quando cultivadas, transformam qualquer irmão em obreiro da Luz. O ritual não é fim, mas caminho, e sua prática constante funciona como afinador da consciência. Assim como o músico repete escalas até que a técnica se transforme em arte, o maçom repete gestos até que a forma revele sentido.

Se há um conselho prático para quem deseja aprofundar-se, é este: participe do ritual com humildade e atenção. Não tente decifrar tudo de imediato. O rito se revela a quem está disposto a caminhar, não a quem exige respostas prontas. Observe-se enquanto executa os gestos, ouça-se enquanto profere as palavras, dê-se tempo para sentir o que ocorre entre um silêncio e outro. E, sobretudo, pratique fora do templo aquilo que a sessão desperta dentro dele. A iniciação começa quando a porta da Loja se fecha.

Bibliografia Comentada

1.      CAPRA, Fritjof. O Tao da Física. São Paulo: Cultrix, 2012. Capra aproxima conceitos da física quântica de tradições espirituais, oferecendo base teórica para relacionar intenção ritual e impacto no campo energético do indivíduo;

2.      ELIADE, Mircea. O Sagrado e o Profano. São Paulo: Martins Fontes, 1992. Eliade explora como rituais criam espaços simbólicos que reorganizam a percepção humana; sua leitura ilumina o papel do rito maçônico como estrutura que diferencia o tempo profano do tempo sagrado e desperta consciência;

3.      JUNG, Carl Gustav. O Homem e seus Símbolos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008. Jung detalha o funcionamento dos símbolos e arquétipos na psique, ajudando a entender como gestos ritualísticos funcionam como chaves que ativam processos de transformação interior;

quarta-feira, 7 de maio de 2025

Rito, Conhecimento e Despertar do Ser Interior

 Charles Evaldo Boller

 

Desde suas origens veladas nas brumas do tempo, a Maçonaria tem sido compreendida por muitos como uma instituição revestida de simbolismo, ritos e solenidades. No entanto, à medida que o iniciado adentra o processo formativo da Arte Real, torna-se evidente que os rituais, por mais solenes e enigmáticos que sejam, não constituem um fim em si mesmos. Pelo contrário, representam apenas a superfície simbólica de uma jornada muito mais profunda: a do autoconhecimento e do despertar interior.

 

A formação maçônica, quando verdadeiramente compreendida e vivenciada, conduz o neófito a uma transmutação interna. Não se trata de acumular graus ou decorar catecismos, mas de fazer da pedra bruta — símbolo do homem em sua condição natural — uma pedra polida, apta a integrar o Templo da Humanidade. Essa lapidação é um trabalho contínuo, árduo e profundamente pessoal. Nela, o maçom não é apenas espectador do rito; ele se torna agente da própria transformação, transmutando a ritualística externa em vivência interna.

 

Nos primeiros contatos com a Maçonaria, o neófito frequentemente se deslumbra com os símbolos, os paramentos e as palavras de passe. Contudo, à medida que progride nos mistérios, percebe que tais elementos não têm valor enquanto meros ornamentos cerimoniais. Eles são chaves, arquétipos, instrumentos de contemplação e de trabalho interior. O esquadro, o compasso, o nível e o prumo são, antes de tudo, instrumentos do espírito, destinados a orientar a conduta moral e filosófica do iniciado.

 

A ritualística maçônica, com sua precisão quase litúrgica, tem por função primordial preparar o ambiente interior do ser humano para a introspecção e a elevação. Cada passo dado no templo, cada vela acesa, cada palavra proferida em silêncio ou em voz, é um convite ao silêncio interior, ao esvaziamento do ego e à conexão com os princípios universais. A loja torna-se, então, um espelho da alma: ali, no espaço sagrado da fraternidade, o maçom confronta seus próprios vícios, paixões e ignorâncias.

 

A partir dessa consciência, a Maçonaria deixa de ser percebida apenas como uma fraternidade ritualística e passa a ser reconhecida como uma escola iniciática. Nela, o verdadeiro aprendizado é aquele que incide sobre o ser. O iniciado aprende a se conhecer, a conhecer o outro e, por conseguinte, a reconhecer o Sagrado presente na criação. Essa tríade — conhecer-se, reconhecer o outro e intuir o divino — configura o cerne do processo iniciático. E é nesse caminho que a Maçonaria revela sua função espiritual mais elevada.

 

O despertar interior ao qual a Maçonaria convida não é um evento pontual, mas um processo gradual, contínuo e vitalício. Trata-se de uma iluminação progressiva, na qual o véu da ignorância vai sendo paulatinamente levantado. O maçom desperto é aquele que compreende que o maior templo não é construído com pedras físicas, mas com virtudes. É aquele que compreende que o Grande Arquiteto do Universo não é um dogma, mas um princípio cósmico e ético que estrutura o ser e o cosmos em harmonia.

 

Assim, a formação maçônica se revela como um caminho de autoconstrução. O iniciado é simultaneamente o pedreiro e a pedra. Ele ergue a si mesmo, edifica seu caráter, constrói sua consciência moral. E esse edifício interior não se levanta em isolamento: a fraternidade é o solo fértil onde essa construção se torna possível, pois é no convívio com os irmãos que o maçom exercita a tolerância, a humildade, a paciência e a caridade.

 

Superando a dimensão superficial do rito, o verdadeiro maçom compreende que cada iniciação, cada reunião, cada símbolo, são convites ao recolhimento interior e à prática cotidiana da ética. A Maçonaria não é um refúgio para vaidades, mas uma escola silenciosa onde os homens aprendem a ser mais humanos, mais conscientes e mais livres. Por isso, a senda maçônica é, em última instância, um caminho de libertação — não de algemas exteriores, mas das prisões do próprio ego.

 

Conclui-se, portanto, que a Maçonaria, quando corretamente vivida, transcende os limites do formalismo ritual. Ela é, sobretudo, um processo de despertar. Despertar para si, para o outro e para o mistério. É nesta senda que o homem deixa de ser apenas um portador do avental e torna-se um verdadeiro operário da Luz.

terça-feira, 24 de outubro de 2023

O que se Faz na Loja?

O que o maçom faz dentro do templo.

Charles Evaldo Boller


Para o obreiro motivar-se ele pode agir da forma como Domenico de Masi afirmou: agir como se "não sabe se está trabalhando, aprendendo ou se divertindo". Onde trabalho é parte importante da vida, fornecendo sustento financeiro e oportunidades de crescer profissionalmente; onde estudar é jornada contínua que ocorre ao longo da vida; onde a diversão desempenha papel importante para manter a saúde mental e emocional; onde se destaca a importância de equilibrar essas três atividades para desfrutar da vida com qualidade. Visto a partir dessa ótica, na Maçonaria, é interessante que o trabalho dentro da oficina maçônica, torne-se atividade lúdica, onde no maçom desperta o desejo de se fazer presente em todas as oportunidades para trabalhar em si mesmo.

A influência do grupo sobre o indivíduo é fenômeno complexo estudado na Psicologia Social, Sociologia e Antropologia, onde a origem dessa inclinação natural, comumente é debitada a várias teorias e conceitos como: a Psicologia Social, onde os indivíduos tendem a se conformar com as normas e expectativas de um grupo, mesmo que isso signifique ir contra suas próprias crenças ou julgamentos; a Identidade de Grupo que parte da teoria da identidade social, onde as pessoas categorizam a si mesmas e derivam parte de sua identidade e autoestima; a Polarização do Grupo que influi nos membros de um grupo a compartilharem opiniões ou atitudes semelhantes; onde as Normas Sociais aplicam regras que regem o comportamento aceitável do indivíduo dentro de um grupo ou sociedade; e a Pressão Social sobre o indivíduo que se manifesta de diversas formas, incluindo aprovação, desaprovação, elogios, críticas e até mesmo coerção. Assim, as pessoas, muitas vezes, cedem à pressão social para evitar conflitos ou para sentirem-se aceitas. A Teoria da Psicologia Evolutiva explica que a tendência de os seres humanos serem influenciados pelo grupo tem raízes na própria evolução das sociedades. A cooperação do indivíduo dentro de grupos sociais conferiu vantagens adaptativas ao longo da história da evolução humana, assim, a influência do grupo sobre o indivíduo é fenômeno complexo afetado por interação de fatores psicológicos, sociais e culturais. A compreensão desses fatores é essencial para entender por que os maçons acabam adotando comportamentos, crenças e valores conforme à loja a qual pertencem, e, assim, aprendem e se influenciam uns com os outros.

Quem ensina que a raiz quadrada de 4 é igual a 2 é o professor de escola, mas quem ensina na Maçonaria é o próprio obreiro. Não existe a figura do professor na Maçonaria. Todos são autodidatas. Dessa forma, a Maçonaria promove a autoeducação a partir do autoconhecimento e potencial de cada um. Em presença do livre arbítrio, no Universo inteiro, apenas o próprio indivíduo muda a si mesmo, se assim ele o desejar. E isso acontece dentro da loja que o maçom frequenta aproveitando-se da característica natural interna gravada no seu DNA, em milênios de evolução social. Cada loja é uma célula independente, onde cada maçom se autoconstrói e evolui segundo a sua vontade e conforme a sua capacidade intelectual. É dentro da oficina que se levantam templos à virtude, no plural, porque um obreiro influencia o outro e todos crescem juntos. Cada um é professor de si mesmo e dos outros. Como cada maçom é internamente um templo, o processo de mudança individual exige a presença dos outros templos, que são os outros irmãos. A atividade é coletiva, realizada em conjunto. Um depende do outro, daí a criação do ambiente próprio dentro do templo onde a mudança ocorre, tudo dependendo da vontade individual. E assim acontecem fenômenos de mudança que parecem magia, mas é resultado da simples convivência em ambiente apropriado e mediante o debate da filosofia maçônica. O que cada maçom cria nesse meio é extremamente cativante e motivador, pois, como afirmava Domenico de Masi, "a criatividade baseia-se na incerteza: o criativo erra muitas vezes, mas quando acerta, revoluciona"!

O valor agregado nas sessões maçônicas onde o maçom filosofa produz aprendizagem com aplicação prática diária. Em sendo adulto, aprende o que realmente precisa e quer saber; um homem assim vai diretamente ao ponto que o interessa. A atividade ritualística e intelectual o leva ao processo denominado Metacognição, que é a capacidade de pensar sobre a maneira de resolver problemas e reagir com rapidez aos processos de mudança cada vez mais rápidos da tecnologia e de aspectos culturais. Com isso o maçom obtém valores nos campos espiritual, financeiro, social e na maneira de conduzir a vida. Ao mudar a si mesmo ele muda àqueles que com ele se relacionam, e os outros só mudam depois que ele se modifica, e, assim, torna feliz a humanidade pelo amor.

O que se faz na loja é o trabalho constante em si mesmo ao cavar masmorras aos vícios, algo dentro de cada um que prejudica e que apenas o próprio autor consegue remover. As masmorras também são escritas no plural, porque a ação vem de dentro, mas a influência pode vir de fora, do modelo e do desejo de ser aprovado pelo grupo para sentir-se bem. Um maçom ajuda o outro a cavar cárceres para aprisionar os próprios defeitos, e, com isso, influencia os demais a fazerem o mesmo. Isso cria um ambiente fraterno onde o amor realiza a grande mágica que faz aqueles homens, que já são bons, a se aperfeiçoarem ainda mais, de acordo com o projeto criativo do Grande Arquiteto do Universo.

sexta-feira, 29 de setembro de 2023

O Maçom e o Trabalho

 Símbolo de força e trabalho.

Charles Evaldo Boller


O homem vê o trabalho como atividade em que se autorrealiza e com o qual transforma a natureza. E só começa a realizar um serviço depois de haver pensado e planejado intencionalmente a tarefa. Não existe trabalho sem o uso conjunto da força e do intelecto, ambas se complementam. Enquanto o projeto é uma ação passiva, o trabalho é uma ação ativa. O resultado é a realização prática de algo.

A ferramenta que representa o trabalho nas oficinas maçônicas é o malho. Este representa a força bruta, a vontade que executa. Sem a vontade do malho o cinzel não poderia exercer seu livre arbítrio. E, longe de ser destituído de racionalidade, algo embrutecido e aleatório, ele representa a intenção por trás da ação. Não é apenas um aglomerado metálico, pesado e violento, muito menos sinônimo de obstinação ou teimosia.

Baseado na maneira como o malho atua, batendo vez após vez, denota-se que sua atividade é firme e perseverante. Ele não executa todo o trabalho de uma só vez, mas em pequenos avanços, firmes e objetivos. Age de forma descontinua, num esforço inconstante, em pancadas, pois se exercesse pressão continua sobre o cinzel, este perderia todo o rigor na execução da obra final. Como o conjunto não é aparato de criação, mas de desbaste, sempre arrancando e nunca acrescentando, impõe-se disciplina, levando aquele que o empunha a alterar sua visão de mundo e principalmente de si mesmo.

Sem o malho o maçom não poderia trabalhar a pedra bruta e não teria como se autoproduzir; porque é ele mesmo quem trabalha a sua "pedra" interior. Esta deve ficar plana e esquadrejada; obtendo com isto uma condição aprovada, que lhe permita fazer parte da estrutura do grande templo. Ao desbastar a pedra bruta, dela são arrancadas as superficiais e grosseiras arestas da personalidade, sendo que a sua atuação deve ser forte, resoluta e pode até ser dolorosa. O malho é o emblema do trabalho, é quem fornece a força material, para de forma figurada aplainar a pedra bruta e culminar em educação, polindo a silvestre e inculta personalidade para uma vida e obra superior. O acabamento de um trabalho assim conduzido resulta em amarrar intimamente a energia que age e a determinação moral. O resultado é fina educação ou polidez, e os produtos desta associação são belos, sutis e delicados, revelando o intelecto que atua por traz da ação.

Sem o uso do malho com mestria e vigor, o maçom não poderia derrubar obstáculos e superar dificuldades, haja vista que é na constância e na determinação que desenvolve habilidade e imaginação. O seu uso o leva a aprender e conhecer as forças da natureza e a desafiá-las; leva-o a conhecer as próprias forças e limitações; relaciona-o com os companheiros e leva-o a viver o afeto desta relação.

O malho é sempre empunhado pela mão direita, o lado ativo, ele também é a insígnia do comando, da direção. Simboliza a vontade ativa, a energia, a decisão, o aspecto ativo da consciência do maçom, a força e a vontade. É o indutor da iniciativa, da perseverança, é, enfim, o símbolo da inteligência que age e persevera, que dirige o pensamento.


Bibliografia

1. BOUCHER, Jules, A Simbólica Maçônica, Segundo as Regras da Simbólica Esotérica e Tradicional, título original: La Symbolique Maçonnique, tradução: Frederico Ozanam Pessoa de Barros, ISBN 85-315-0625-5, primeira edição, Editora Pensamento Cultrix limitada., 400 páginas, São Paulo, 1979;

2. CAMINO, Rizzardo da, Dicionário Maçônico, ISBN 85-7374-251-8, primeira edição, Madras Editora limitada., 413 páginas, São Paulo, 2001;

3. FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio de, Dicionário de Maçonaria, Seus Mistérios, seus Ritos, sua Filosofia, sua História, quarta edição, Editora Pensamento Cultrix limitada., 550 páginas, São Paulo, 1989;

O Templo Deve Ser Respeitado

Cada um se dá o valor que acha valer.

Charles Evaldo Boller


O templo não é local exclusivo para fazer ordem-unida, marchar, bater continência, apresentar armas, formar fileira, ler a ordem do dia e cumprir ritual de forma impecável. É local sagrado! Sim! É o espaço tridimensional físico mais sagrado que o maçom possui: ele mesmo! O templo é o local onde ele se percebe em união com o Todo.

É inaceitável comportamento inadequado dentro do templo que representa o homem símbolo no universo. Não se trata do templo físico feito de cimento, areia e tijolos: isso é matéria. O templo é outro. Feito de carne, ossos, nervos, e, principalmente, intelecto e espírito. A loja representa o homem. Feita para o homem. Simbolicamente é um homem deitado de costas com a cabeça no oriente. Adentrar ao templo significa que se está penetrando o local mais recôndito de si mesmo: representação viva do que cada um é. O maçom esclarecido e espiritualizado entra no templo consciente que está caminhando dentro em si mesmo. Local onde prospecta por virtudes, valores e mudanças em todas as dimensões.

É na aparência externa que o outro reconhece imediatamente aquele que já se iniciou maçom. Uma coisa é iniciar alguém, isso é simbólico, outra é iniciar a si mesmo, isso é sublime, real! A iniciação simbólica é trabalhada no grau de aprendiz maçom; a iniciação real acontece depois, em surdina, no íntimo de cada um. Inicialmente burila-se o lado externo da pedra: mundo da aparência, da fantasia, dos sentidos, daquilo que parece ser. Subsequentemente trabalha-se o interior da pedra, da realidade, daquilo que os outros não veem: que representa o maçom no universo. Este é o maçom de fato e em sentido lato. Aquele que já se iluminou enxerga dentro de si mesmo, vê dentro da pedra. O que passou pela cerimônia da iniciação pode até camuflar sua aparência externa que os outros veem, mas é impossível camuflar de si o que ele é por dentro.

A transposição das colunas vestibulares separa dois universos: macro e microcosmo; no macrocosmo está o homem que parece ser: corresponde à sala dos passos perdidos, átrio etc.; no microcosmo o homem real, que é: sua essência, existência, realidade, consciência, espírito, templo etc. Tudo no Universo é energia. O homem é energia. O pensamento é energia. A Mecânica Quântica já caminha em direção da obtenção de explicações razoáveis desta manifestação. Místicos reportam-se a algo denominado por eles como Egrégora, uma força coletiva que se manifesta em condições especiais de colaboração e fusão espiritual. Até associam a manifestação do espírito de pessoas mortas na criação desta manifestação etérea. Mesmo ao incrédulo da manifestação energética dos mortos em tais ocasiões há de considerar, no mínimo, a presença das pessoas vivas que colaboram com a criação de um campo energético concentrado. É física! O homem já está quase lá! Por ora apenas intuímos e percebemos tal possibilidade sentida, mas em futuro próximo haverá comprovação científica desta manifestação energética.

Isto dá sustentação para a necessidade de preparar o templo material de pedra, de modo a tornar-se eficiente para concentrar energias. Entrar no templo antes do que se definiu por consenso, ritualística e regulamentação é uma forma de conspurcar um local sagrado preparado para lidar com variadas formas de energia. Entrar antes de o ambiente estar preparado é desobediência, rebeldia, brutalidade. Pode-se até entrar antes do permitido! Quem impede ao embrutecido de fazer estragos? Apenas ele mesmo! Desobedecer ao acordado a priori certamente altera o espaço físico onde se formará o homem-símbolo espiritual que cada um é; respeitar tal dispositivo no mínimo acata o direito dos demais usuários do local. A falta de respeito ao local sagrado altera a essência espiritual coletiva dos irmãos reunidos em assembleia. Por empatia, com sentimento fraterno deve-se reverenciar o sentimento dos irmãos recolhidos dentro de si mesmos em presença do Grande Arquiteto do Universo! Maçonaria não é religião, o templo maçônico não é local de adoração, mas o mais sagrado dos templos que cada um é. Este local é sagrado, inefável, deve ser tratado com respeito porque assim cada um respeita a si mesmo. O templo de pedra é apenas a sua representação simbólica, mas quem o desrespeita e o conspurca com sua presença ao entrar antes da hora está desrespeitando primeiro a si próprio, depois a todos os outros irmãos que compartilham do mesmo espaço.

Entrar no templo é entrar no lugar mais sagrado do Universo para cada um: é adentrar em si mesmo. E nesta ocasião cada um se dá o respeito que acha que deve; se dá a importância que acha pertinente. Cada um entra em seu local mais sagrado trajando-se interna e externamente da forma em que se dá importância. Toda sessão em loja é magna para aquele que se respeita. Certo seria trajar-se sempre para evento de importante envergadura, ocasião magna. O ritual recomenda: terno, gravata, sapato, cinto, meias pretas e camisa branca. Qualquer diferença é apenas aceitável, tolerável, afinal cada um se dá o valor que acha possuir. Como falar de amor com alguém que nunca foi amado? Como poderá amar a si mesmo aquele que nunca foi amado? O bruto que não respeita a si mesmo nunca foi amado. Se o maçom em formação ainda não despertou e não se dá valor, pode entrar de forma contumaz, com a indumentária com que se sente melhor trajado para comparecer diante de si mesmo, dentro de si mesmo, diante do universo, perante o Grande Arquiteto do Universo: isto é pessoal, é intransferível. Cada um se dá o valor que acha que deve.

O templo é lugar sagrado que recebe a cada um naquilo que é em sentido lato, não tem como escamotear a própria percepção de realidade de si mesmo, da sua consciência e memória.

À glória do Grande Arquiteto do Universo, o templo deve ser respeitado!


Bibliografia

1. CAPRA, Fritjof, O Ponto de Mutação, A Ciência, a Sociedade e a Cultura Emergente, título original: The Turning Point, tradução: Álvaro Cabral, Newton Roberval Eichemberg, primeira edição, Editora Pensamento Cultrix limitada., 448 páginas, São Paulo, 1982;

2. GOSWAMI, Amit, O Universo Autoconsciente, como a Consciência Cria o Mundo Material, tradução: Ruy Jungmann, ISBN 85-01-05184-5, segunda edição, Editora Rosa dos Tempos, 358 páginas, Rio de Janeiro, 1993;

3. KEATING, Kathleen, A Terapia do Amor, título original: The Love Therapy Book, tradução: Terezinha Batista dos Santos, ISBN 85-315-0797-9, 11ª edição, Editora Pensamento Cultrix limitada., 98 páginas, São Paulo, 1999;

4. ZOHAR, Danah, O Ser Quântico, Uma Visão Revolucionária da Natureza Humana e da Consciência, Baseada na Nova Física, tradução: Maria Antônia van Acker, primeira edição, Editora Best Seller, 186 páginas, 1990;

Tronco de Solidariedade

Considerações a respeito do Tronco de beneficência ou de solidariedade;

Ritualística de coleta; interpretação mística e filosófica.

Charles Evaldo Boller


No Rito Escocês Antigo e Aceito é explicado ao neófito que o Tronco de Solidariedade arrecada dinheiro, denominado metais, que serão distribuídos depois aos necessitados. O obreiro coloca seu óbolo na mão e a fecha, coloca-a dentro da bolsa de coleta e lá dentro a abre e solta sua doação, deposita para si mesmo, soltam-se os fluídos da ponta de seus dedos, energizando o conteúdo da bolsa, fecha a mão e a retira fechada. Ao retirar a mão fechada significa que assim como ele pode colocar o que lhe ditar o coração, também poderá tirar quando necessidades o afligirem. Daí deduzindo que os necessitados a serem socorridos em primeira instância são os próprios irmãos do quadro.

Existem relatos que creditam a origem deste procedimento como remanescente ao tempo em foi construído o templo de Salomão, onde ferramentas, projetos, documentos e pagamento dos obreiros eram colocados dentro das colunas do templo, que eram ocas exatamente para esta finalidade. O pagamento de companheiros e aprendizes origina-se da tradição de retirar do interior do tronco das colunas o salário a que faziam jus.

Mas a origem mais convincente e lógica é francesa, pois naquela língua a palavra "tronc" pode ser usada tanto para tronco humano como para caixa de esmolas. Guarda-se apenas a simbologia deste procedimento, em verdade as colunas B e J dos templos atuais são meras figuras simbólicas e não são ocas.

A circulação ritualística da bolsa de solidariedade obedece ao formato de duas estrelas de seis pontas, que por sua vez são compostas cada uma por dois triângulos um dentro do outro, em posição invertida.

A marcha inicia no Ocidente, entre colunas, em direção ao oriente. O irmão hospitaleiro coloca a bolsa colada a sua cintura, ao lado esquerdo do corpo e inicia a marcha. Sem olhar para o que é depositado na bolsa vai passando por todos os obreiros em loja. O venerável mestre, primeiro vigilante e segundo vigilante definem o primeiro triângulo; orador, secretário e guarda do templo definem o segundo triângulo, o que resulta na primeira estrela; depois passa pelos oficiais e obreiros do oriente, pelos mestres e oficiais da coluna do Sul e pelos mestres e oficiais da coluna do Norte, definindo o terceiro triângulo; companheiros, aprendizes e o cobridor externo formam o quarto triângulo e completam a segunda estrela. E por fim, o cobridor externo segura a bolsa, e o próprio hospitaleiro deposita seu óbolo na bolsa, retoma a bolsa, lacra-a e conclui o giro da bolsa postando-se entre colunas. Comunica ao venerável mestre que a tarefa está cumprida e recebe instruções do que deve fazer em seguida.

Normalmente o hospitaleiro leva a bolsa lacrada até o altar do tesoureiro e ambos conferem o valor coletado. Em seguida o tesoureiro comunica ao venerável mestre o valor arrecadado. Durante a circulação da bolsa nenhum irmão pode adentrar ou sair do templo. Normalmente é momento em que os obreiros aproveitam para recolhimento espiritual ou relaxamento, pois o ato de doar é tido como místico, é o sacrifício da oferenda que se faz como culto ao conceito de Grande Arquiteto do Universo de cada um. Para tornar o momento mágico o mestre de harmonia baixa a intensidade das luzes e executa músicas suaves. É uma parte do ritual que se não executado é considerado como se aquela sessão não foi válida, à exceção das sessões brancas.

O retirar de metais não ocorre no instante em que o obreiro retira a mão da bolsa, mas é solicitado ao venerável mestre que determinará a seu critério mandar efetuar sindicâncias, para só então fornecer os recursos financeiros ao irmão em necessidade. Normalmente sequer é o beneficiado quem faz a solicitação, na maioria das vezes tal ação parte do hospitaleiro, mas pode ser qualquer outro irmão do quadro.

O irmão que não consegue pagar suas contas tem direito ao uso destes recursos? Não! Isto não é situação válida para obter recurso deste fundo. O obreiro teve sua casa queimada ou uma doença grave sobre ele se abateu de forma inesperada, pode ser socorrido com recursos do Tronco de Beneficência? Sim! À critério do venerável mestre e da loja.

Sempre precisa haver razão válida, de real valor humanitário para se efetuar algum socorro. E esta ajuda é feita muitas vezes de tal maneira que o beneficiado sequer sabe de onde vem o recurso, é feita também de tal forma que não humilhe aquele; tem somente o objetivo de amenizar o sofrimento de quem realmente necessita. É por isto também conhecido como tronco da viúva, onde os filhos da viúva são os maçons.

Quando os fundos do tronco dos pobres ou da viúva atingem valor razoável, parte dele é destinado para obras de beneficência. Nunca é totalmente gasto, sempre fica um fundo para a eventualidade de haver necessidade de socorrer algum irmão em real necessidade emergencial.

Não colaborar com o ato litúrgico do tronco de solidariedade é o mesmo que fugir da prática da caridade e torna o maçom indigno de exercer todos os demais privilégios maçônicos. E se possuir posses que lhe permitam fazê-lo, e não o faz, torna-se desonesto para consigo mesmo, pois poderá ser ele próprio o beneficiário daquele óbolo que coloca na bolsa. Se não colabora por vaidade ou avareza o seu caráter não é bom, ele deve desconfiar que tenha algo errado consigo mesmo. Dar esmola não significa mixaria, ninharia, insignificância; é melhor que não coloque nada e arque com as consequências que sua consciência lhe exigir.

É pela beneficência que o verdadeiro maçom se torna digno na procura de alcançar a glória de merecer de parte daquilo que ele considera o Grande Arquiteto do Universo, o seu Deus, o prêmio de fazer parte da edificação da sociedade.

Em sendo tão séria esta disposição então porque abusar da sorte: hoje está tudo bem, mas quem sabe o que o amanhã reserva?


Bibliografia

1. ASLAN, Nicola, Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia, Volume I, ISBN 85-7252-158-5, segunda edição, Editora Maçônica a Trolha limitada., 1270 páginas, Londrina, 2003;

2. CAMINO, Rizzardo da, Dicionário Maçônico, ISBN 85-7374-251-8, primeira edição, Madras Editora limitada., 413 páginas, São Paulo, 2001;

3. CASTELLANI, José, Dicionário Etimológico Maçônico, A-B-C, Coleção Biblioteca do Maçom, ISBN 85-7252-169-0, segunda edição, Editora Maçônica a Trolha limitada., 143 páginas, Londrina, 2003;

4. FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio de, Dicionário de Maçonaria, Seus Mistérios, seus Ritos, sua Filosofia, sua História, quarta edição, Editora Pensamento Cultrix limitada., 550 páginas, São Paulo, 1989;

Ritualística e sua Utilidade

Ritualística é portadora de mensagens subliminares e provocação esotérica.

Charles Evaldo Boller


Diversidade

Até o momento, ao longo da história da Maçonaria universal, estão compilados mais de duzentos ritos maçônicos diferentes, cada um com sua própria ritualística. Considere-se que rito nada mais é que uso e costume aprovado ou submissão a regramento externo imposto como forma de obediência. Albert Galatin Mackey analisou o assunto e, da origem grega do verbete deduziu que significa um caminho a ser trilhado, ou, por metáfora, um costume a ser seguido.

Para se entender uso e costume atrelado a rito é bom observar que, nas mais variadas sociedades espalhadas pelo mundo surgiram ritos como de: passagem de uma casta para a outra, gravidez, nascimento, parto, coragem do púbere, casamento, noivado, funerais etc. De prática social, os ritos passaram a impor moralidades impostas pela religião, com o objetivo de controlar o grupo social e seus rituais. A partir de confissões de fé a religião sugere a prece cujo rito passa por encantamento, promessa, adoração e oferenda.


Luz Maçônica e Individuação

Na Maçonaria o rito é procedimento para despertar Luz maçônica através da passagem por séries de graus, que, ao afinal, se reduz a método que verte do governo do rito. Essa Luz é algo que liberta. Tem o condão de transmitir conhecimentos para a obtenção da Individuação, necessidade humana estudada por gigantes pensadores da ciência da Psicologia e que trata de conceitos básicos para dar ao indivíduo sentido prático e útil à vida em grupo.

De formas diferentes, cada rito maçônico visa a felicidade geral da humanidade e colabora para a saúde psicológica do adepto. Essa busca por saúde é resposta à pressão interna de unidade e identidade para sentir-se bem. Uma das formas é o suprimento de visão da Verdade, apartada da cegueira do fanatismo e do obscurantismo. Naturalmente ocorre equilíbrio dinâmico entre o indivíduo e o meio social. A Individuação suporta a estrutura e funcionamento de sua individualidade e estabelece limites para cada fase da vida. Para o iniciado, essa saúde psicológica que orienta para a liberdade é focada desde os primeiros passos de sua vida maçônica quando, num lance dramático, lhe oferecem Luz para o entendimento e motivação para desenvolver sua Individuação.

É bela a perspectiva de desenvolver inúmeros momentos de felicidade e saúde psicológica na prática dos rituais maçônicos. A ritualística não oferece espaço para discussão vazia e desperdício de tempo útil com detalhes e implicâncias insignificantes. Ela é utilizada para preparar o ambiente para os objetivos nobres de espargir a Luz resultante de filosofar, debater e instruir. A ritualística é simples uso e costume, codificação de cerimônias apropriadas para estabelecer o ambiente respeitoso, particular, cerimonial e impregnar o subconsciente com poder e eficiência real na obtenção da Luz. O cerne da ritualística bem conduzida é a base para absorver a Luz, para a luta pela liberdade das cadeias que a sociedade impõe cuja alforria leva naturalmente ao exercício da Individuação.


Ritualística

A ritualística de cada rito é regulada por autoridade hierárquica própria. Cada maçom a ela se submete por força de juramento, leis e atos emanados de seus superiores. São instrumentos de obediência obrigatória aos maçons de cada obediência. Não é ato tomado à revelia ou de boa vontade, é obrigação! A História relata que, toda vez em que ocorreu rompimento do respeito à ritualística surgiram cismas e ranger de dentes.

A ritualística caracteriza cada rito e não pode se fundir a outros sem renunciar aos seus próprios usos e costumes. A legislação das potências permite a cada loja a escolha do seu rito, independentemente do número de graus de funcionamento e com a condição de que este rito seja praticado com reverência e perfeição. Pretende-se obter unidade de doutrina em cada rito. Cada loja é independente no que diz respeito a suas formalidades administrativas e cíveis, mas é submissa a executar com precisão a ritualística de seu rito. A formalização e o cuidado com a qualidade da ritualística uniforme numa jurisdição prende-se a detalhes como: identificar a qualidade dos iniciados; proteger os sentidos ocultos de cada grau; propor ações uteis à moral; aplicar doutrina e as regras para disciplinar o cultivo da fraternidade; e, principalmente, ações com o objetivo de proteger e uniformizar os ritos debaixo de sua jurisdição. Ressalte-se que os rituais podem passar por revisões e modificações, conforme a vontade e a critério das autoridades da jurisdição, mas é prática que gradualmente tende a buscar apoio nos rituais mais antigos e na evolução tecnológica, sem prejuízo do conteúdo esotérico. Nas grandes lojas brasileiras existem esforços da Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil para obter rituais uniformes em todos os estados da federação.


Ritos

Quatro são os ritos regulares mais praticados e tidos como universais: simbólico ou azul; York ou moderno inglês; Schröder; e Rito Escocês Antigo e Aceito. No Brasil predomina o Rito Escocês Antigo e Aceito com seus 33 graus, dividido em cinco séries de graus: simbólicos, 1-3; inefáveis ou de perfeição, 4-14; capitulares ou históricos, 15-18; Kadosh ou filosóficos, 19-30; administrativos ou consistório, 31-33. Existe divisão de obediências entre os graus simbólicos 1-3, subordinadas às grandes lojas e os demais graus, 4-33 do rito, são administrados por obediência separada e subordinado a um Supremo Conselho.

A diversidade de mais de duzentos ritos da Maçonaria implica em sérias dificuldades para definir a origem da ordem maçônica. Existem historiadores e autores que atribuem a origem a colégios de arquitetos e pedreiros romanos de 715 a. C. Outros o debitam aos essênios e judeus na construção do templo de Jerusalém. Existem vertentes que o creditam a Zoroastro e até mesmo a Adão.


Complexidade que Divide

Que o tumulto de informações controversas não confunda a cabeça do obreiro recém-chegado à porta do templo. Exemplificando: em tempo recente houve cisão maçônica na Inglaterra entre Modernos e Antigos. O desentendimento estava relacionado à divergências a respeito de detalhes ritualísticos. As querelas chegaram a tal ponto que culminou na criação de nova grande loja onde os causadores do rompimento foram detalhes como: omissão das preces; descristianização do ritual, provado pelas Constituições de Anderson; ignorar os diáconos; afastamento do antigo método de arrumar a loja; ignorância e negligência dos dias santos com a realização das posses e das festas em dias que não eram os de São João; omissão da preparação do candidato segundo o costume; abreviação do ritual; negligência com as instruções; eliminação da espada flamejante na cerimônia de iniciação; acabar com a cerimônia esotérica da instalação de venerável mestre; etc. Aconteceu a separação. Passou o tempo. Hoje a Maçonaria inglesa reconciliou-se, mas daquela cisão resultaram os Maçons Antigos Livres e Aceitos, qualificação adotada hoje pelos membros de diversas obediências maçônicas.


Rito Escocês Antigo e Aceito

Quanto ao Rito Escocês Antigo e Aceito, este tem em sua origem múltiplas controvérsias. Há historiadores que negam sua origem prussiana, templária ou anterior. Seria mais acertada a assertiva que debita a base fundamental ao Rito de Perfeição, de 25 graus criado em Paris, em 1756, no Capítulo de Imperadores do Oriente e do Ocidente. Entre diversas guinadas foi levado aos Estados Unidos da América. Reunidos em Charleston, Carolina do Sul, distribuíram cargos, aumentaram os graus de 25 para 33, concentraram a administração, e, em 31 de maio de 1801, fundaram o primeiro Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceito.

Em presença de tanta controvérsia fica difícil ver ordem no caos. Para padronizar um ritual é justo e desejável que o mesmo seja perfeito e igual em toda parte. Considerando a diversidade da Maçonaria é natural que isto seja impossível, daí a ritualística ser profundamente afetada e diferente para o mesmo rito em países diferentes e até em jurisdições assemelhadas como nas grandes lojas do Brasil. Mesmo com todas essas realidades, embora as cerimônias ou o ritual variar em diferentes períodos e em diversos países, a ciência, a filosofia e o simbolismo continuam firmes em tornar feliz a humanidade pelo amor.


Templo

O templo maçônico é local místico, cerimonioso e sagrado, haja vista que foi ritualisticamente inaugurado. Não se confunda esse sagrado com a sagração de um templo religioso. O maçom venera e respeita o templo porque este representa o micro e o macrocosmo do homem em sentido lato. Dentro do templo ocorrem cerimônias onde fluem energias cósmicas ou telúricas, de Terra, do latim tellus, recebidas do Universo e que influenciam o planeta e sua biosfera. A própria Terra gera energias cuja frequência são composição de inúmeras fontes e beneficiam o homem. Os segredos esotéricos escondidos nos rituais conduzem ao raciocínio de que basta entrar em ressonância com essas frequências benéficas e absorve-las para manter a saúde psicológica e espiritual, e, consequentemente, evoluir para estágios melhorados em si mesmo.


Utilidade da Ritualística

Albert Galatin Mackey, em sua enciclopédia, define ritualística como o modo de abrir e fechar a loja, de conferir graus, de instalar e desempenhar outros deveres e de constituir o sistema de cerimônias extraído do ritual. Grande parte do ritual, independente do rito, é esotérica, e, por isso, não deve ser transcrito, transmitindo-se o Conhecimento por instrução oral. O ritual é apenas a forma externa e extrínseca do rito, a doutrina da Maçonaria é a mesma, o corpo é invariável e permanece sempre e em toda parte o mesmo. O ritual é o traje externo que cobre o corpo e está sujeito a constante variação de acordo com a evolução tecnológica e social.

Independente do rito, a importância da ritualística é vital ao desenvolvimento do maçom. Fazer-se presente à sessão é a oportunidade individual de construir espaços repletos de energias que carregam a consciência e o conhecimento de si mesmo. Trata-se de fenômeno que só pode ser sentido, impossível de ser escrito ou explicado em palavras. Prodígio que acontece naturalmente quando diversas pessoas se reúnem para o objetivo de serem felizes e distribuírem felicidade aos outros. O maçom iniciado internamente reconhece a importância em participar de cada reunião do grupo, maravilha que o motiva para a vantagem prazerosa de consumir os frutos salutares da convivência que alimenta a alma e modifica o ser. O júbilo de obter conhecimento é tanto que, após a sessão, é normal desejarem continuar juntos para apreciar ágape festiva que fortalece os laços de união.

O lado excelente e a utilidade da variedade de ritos são óbvias: trata-se de forma natural para atender aos anseios da enorme massa heterogênea e complexa de maçons que querem praticar o bem para a humanidade. Considere-se que "toda a unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar." (Nelson Rodrigues, 1912-1980). As divisões em ritos e obediências são indício seguro que o maçom não é indiferente com a humanidade e lhe deseja o melhor e nessa direção vale que "o oposto do amor não é o ódio, mas a indiferença." (Elie Wiesel, 1928-1986).

Para honra e à glória do Grande Arquiteto do Universo, a diversidade agrega valor para a atuação da Maçonaria em todos os cantos do mundo, porque alimenta o espírito de todo homem desejoso de mudar a si mesmo em busca da Individuação, e essa o modifica internamente. Com a sua própria evolução o maçom modifica a sociedade para o bem.


Bibliografia

1. CASTELLANI, José, O Rito Escocês Antigo e Aceito, História, Doutrina e Prática, Cadernos de Estudos Maçônicos, 04, 1ª edição, Editora Maçônica a Trolha Limitada, 340 páginas, Londrina, 1988;

2. PROBER, Kurt, História do Supremo Conselho do Grau 33 do Brasil, Volume 1, 1832 a 1927, 1ª edição, Kosmos, 405 páginas, Rio de Janeiro, 1981;

3. QUEIROZ, Álvaro de, A Maçonaria Esotérica, Rito Escocês Antigo e Aceito, 1ª edição, Madras Editora Limitada, 158 páginas, São Paulo, 2016;