domingo, 8 de outubro de 2023

A Salvação do Homem Livre

Esperança na existência de uma razão para a vida.

Charles Evaldo Boller


O principal objetivo do maçom é causar seu próprio "nascimento", apreender a morrer para viver melhor: para isso ele filosofa. No Rito Escocês Antigo e Aceito ele encontra sentido existencial e obtém a sua "salvação", dependente da liberdade de pensar para "renascer". Nas suas ressureições simbólicas sucessivas ele efetua jornadas de autorrealização com alegria e envereda por sendas pacíficas que tornam a sua vida feliz. É à sua maneira de atingir o objetivo maçônico de tornar feliz a humanidade pelo amor.

O bem-estar e a felicidade não são seus únicos objetivos na vida de maçom, mas, principalmente, a liberdade como ideal e realização. A sua religião até o acalma em suas angústias existenciais ao pintar a morte com cores de ilusões, porém, isso é feito com a perda da liberdade de pensamento, preço que ele não está mais disposto a pagar. Por comodidade o crente pode até se ver suprido de serenidade, mas o preço a pagar é abandonar o uso da razão e dar lugar à fé cega. A fé raciocinada livra o maçom da submissão às religiões e ao domínio materialista das ciências e poderes estatais que, juntos, constituem um sistema de poder escravocrata. Ao filosofar, o maçom utiliza-se da arte da liberdade de pensar que revela sentido e razão de ser da vida. Levanta a possibilidade de construir o conhecimento de si mesmo com autoimagem e autoestima aceitáveis para enfrentar a angústia da morte. Em presença da certeza da finitude da vida e respectivas crises existenciais, os grandes avatares do pensamento universal, cujos pensamentos estão presentes ao longo da jornada maçônica no Rito Escocês Antigo e Aceito, são unânimes ao considerarem que as virtudes mais preciosas são liberdade de pensamento e amor fraterno.

O filosofar do maçom fica acima da crença. Não é questão de bem viver fora da religião, mas a busca de "salvação" alinhada à sua capacidade de livre-pensar as questões mais polêmicas que referenciem o universo imanente, apenas referente ao mundo, com componentes transcendentes, que se situam além da física, na metafísica. Não é tão somente a prática diária do bem pensar, possuir agudo espírito crítico, refletir sobre assuntos polêmicos e obter a autonomia individual, conforme inspira a cerimônia de iniciação. O maçom tem certezas relativas a respeito da possibilidade de haver uma forma de vida após a morte. Claro que não a mesma manifestação como a existência presente, mas plausível em termos energéticos, não interessando os detalhes ainda velados aos limitados sentidos humanos. A "salvação" ocorre em termos de serenidade na finitude da vida e isso resulta em liberdade.

Em suas reuniões filosóficas em todos os graus o maçom propicia frequentes oportunidades de convivência sem conflitos, onde investe em alvos necessários e em equilíbrio com a Natureza. Obtém a liberdade para se sentir exclusivo sem se alienar ao vil e massificador sistema humano. Supre sua necessidade de relacionamento social e sente-se em união com outros. Ao livra-se de paixões e vícios vence a sua angústia existencial ao entender a função da filosofia maçônica e respectiva doutrina acima de simples definições de comportamento moral.

Todas as filosofias caminham no sentido de promover a "salvação" do homem do sofrimento em vida, preocupado com a morte ou da solidão eterna.

A filosofia maçônica acena com a esperança numa vida futura sem detalhar como isso se dará.

Não é esperança no "não visto", mas a certeza racional do homem livre que deduz que a sua vida tem uma justificativa de ser.

A Nação Demanda que os Maçons se Alinhem!

 O Brasil precisa de homens que pensam.

Charles Evaldo Boller


Os políticos temem as instituições que mantêm rígidos princípios de moral e agem politicamente através de líderes forjados em seus templos. O maçom prepara-se para combater pensamento com pensamento, e isso só se faz dentro dos templos, pelo filosofar. Tal ação desequilibra a balança de ideologias que ferem de morte à família e por esta a sociedade. O princípio libertário ocorre nos templos, dedicando tempo e raciocínio ao desenvolvimento de pensadores e líderes.

O Brasil é desmontado pedra por pedra, valor por valor, princípio por princípio, família por família, até sobrarem apenas homens ocos e escravos úteis. Quais são as marionetes verde-amarelas? É fácil! Basta pensar! Maquiavelicamente divide-se a sociedade para conquistar. Prática comum do poder para conquistar poder. Brasileiro nunca foi racista: hoje é! Apesar de incomensurável riqueza hoje não se tem: escola, judiciário, hospital, polícia e assim vai.

A Nação demanda que os maçons se alinhem! Não nas ruas, mas nos templos!

Massas são manipuláveis! O homem que pensa não! Urge desenvolver pensadores! É para isso que existe a Maçonaria. Em suas oficinas desenvolve-se o homem que pensa. O templo é a representação do homem símbolo que cuida de transformar-se em pensador livre. O lugar político do maçom é, numa primeira instância, a loja. É na loja que o maçom se ilumina, aprende a andar com as forças das próprias pernas, afia a sua espada, que é a sua língua conduzida por um pensamento claro e inteligente. Maçom que filosofa torna-se líder e desenvolve a capacidade de tornar-se livre para pensar. E pensa! Basta investir e persistir! Em teoria o maçom tem mais chances de efetuar mudanças na sociedade em virtude à liberdade na prática da filosofia político-social da Maçonaria Universal. Urge desenvolver nos templos maçônicos o Homem Símbolo que pensa.

Citando Rizzardo da Camino, (1966):

  • O Arquiteto Está dentro da Loja.
  • O Universo está dentro da Loja.
  • O infinito e o incognoscível estão dentro da Loja.
  • O homem adquire vida dentro da Loja.
  • Uma Loja maçônica não está situada em determinada rua e número, cidade e país: ela está onde se encontra o homem.
  • A Loja está dentro do Homem Símbolo.
  • A Loja é o Homem Símbolo!
  • O homem é o templo do Arquiteto!

Para tornar-se Templo do Arquiteto há necessidade do aporte do Homem Símbolo que é moral, muda a si mesmo, transforma-se e aprende a pensar e contagia aos conviventes.

Será que os políticos brasileiros têm receio de manifestos maçônicos? Mesmo que seja instrumento escrito por pessoas que pensam, quantos manifestos maçônicos já foram emitidos e publicados? Lembra-se deles? Manifestos são escritos, lidos e depois destruídos, engavetados, arquivados, mofados, esquecidos. Os que estão destruindo e entregando o Brasil têm medo sim! Do brasileiro que pensa! Pensa e vota. Pensa e convence outros a votarem. Pensa e faz outros pensarem, portanto, libertarem-se. Pensamento é processo do ser racional vivo, não pode ser arquivado, mofado, esquecido.

É no pensamento que o homem é absolutamente livre! Uma pessoa livre é templo sagrado do Grande Arquiteto do Universo. O homem que pensa é imbatível, arrecada votos e pela multiplicação de pensamentos em meio da sociedade é capaz de virar o jogo, independente de sistema ideológico ou político. Sabe-se disso! Os maçons sempre fizeram assim! A luta sempre foi pela articulação do pensamento, da inteligência! A Maçonaria afirma que os mais aptos devem governar os menos aptos. Em todas as vezes que ela obteve sucesso e interferiu na história política dos países, a arma mais eficaz utilizada foi o pensamento.

Homens brutos desafiam de peito aberto, homens inteligentes desafiam de cabeça aberta em oposição ao poder instalado que abusa, seja este qual for! O homem que pensa e a consequente articulação no meio social convencem outras pessoas a fazerem o mesmo e não derrama sangue. É letal apenas contra o mal. Sim, a nação brasileira demanda que os maçons se alinhem!

A Maçonaria é Aceita em Todos os Lugares?

A busca da individuação, a ação continuada e progressiva que torna a pessoa distinta e independente debaixo do sistema humano de condicionamento e submissão.

Charles Evaldo Boller


A Maçonaria não tem aceitação geral. É tolerada em alguns lugares e combatida em outros. Será que isso ocorre devido ao fato de ela ter segredos ou ser discreta? Não! Outras instituições e classes profissionais também têm segredos e não são combatidas.

Seria por sua ação social de liberdade de culto e de expressão? Também não! Tudo indica que a rejeição vem do fato de a Maçonaria fomentar o livre pensamento do indivíduo que, pelo treinamento do uso da razão, quebra o condicionamento a que a pessoa esteja submetida dentro de seu grupo social.

É de conhecimento geral que a maioria dos regimes de poder não combinam com a liberdade do indivíduo. Nem mesmo os regimes que se denominam democráticos. Seja individual seja coletivo o exercício do poder sempre implica em postura autoritária e despótica.

Desde o berço especulativo a ordem maçônica é perseguida pelos poderes religiosos que nunca a aceitaram como comprometida com o estabelecimento da liberdade do homem. De sua parte a Maçonaria nunca teve a pretensão de substituir qualquer religião, então o que causa tanta perseguição?

Apenas da Igreja Católica Apostólica Romana emanaram inúmeras bulas de Papas com as quais persegue e repudia a Maçonaria (veja Bulas da Igreja Católica Apostólica Romana que Condenam a Maçonaria). As religiões evangélicas se opõem de forma radical à atuação da Maçonaria.

Salvo diminuta exceção, a absoluta maioria das religiões se opõem a atuação da ordem maçônica.

As religiões sempre submeteram seus adeptos aos poderes políticos dos estados, com os quais praticam fornicação política. A fúria fanática das religiões provém do fato de a ordem maçônica quebrar o condicionamento a que foram submetidos os adeptos dessas instituições.

Um sábio disse certa vez que a civilização começou quando alguém cercou um pedaço de chão e se disse proprietário e os outros acreditaram nele. O ditador político diz que ele é dono do poder e o povo acredita nisso. A religião diz que ela é dona da intermediação com o Criador e o adepto crê no dogma. Assim os seres humanos são condicionados a pensar. Creem estar alinhados com o direito e a civilidade, que são modernos e atuais, que vivem livres e autônomos. Em verdade, lhes foram estabelecidas leis que nada têm de livres.

Desde quando linhas invisíveis que separam países determinam a diferença entre miséria e opulência? É tudo jogo de cena. Vem em prejuízo da humanidade. Pequenas diferenças até podem ser toleradas, mas miséria não! Países inteiros sofrem para que outros possam levar vida folgada. E estes contra-stes podem continuar indefinidamente. O maçom não aceita isto porque aprende a pensar. Uma das razões de a Maçonaria ser rejeitada!

Os líderes fanáticos e autoritários das religiões abusam e conduzem seus rebanhos de ovelhas aos seus redis de domínio, afastando-as da influência libertária da Maçonaria. Para obterem sucesso de domínio sobre seus escravos insuflam medo e terror em seus adeptos. Mentem e caluniam a ordem maçônica classificando-a de praticante de ritos demoníacos e outras considerações conspiratórias.

Os déspotas são os que mais temem a ação dos maçons, porque estes preclaros homens não se submetem à vontade de outros que tentem usurpar sua liberdade de pensar livremente ou de agir de acordo com o próprio discernimento e consciência. Sempre foi assim! E continuará sendo! O temor dos tiranos emana do ato de livre pensar dos maçons, aos quais a ordem maçônica incentiva a se desenvolverem em pensamento visando a liberdade, o progresso, a evolução.

Governos e religiões desejam escravos, servos, cativos, dependentes, servidores adestrados. O maçom diligente e estudioso da filosofia maçônica é livre pensador, o que fomenta obstáculos à intensão de dominar as massas. O homem que pensa e age conforme seu pensamento amadurecido é temido, verdadeiro terror daquele que exerce o poder de forma opressora.

Antes de entrar na Maçonaria e de frequentá-la alguns anos, seguindo nova vida em convivência fraterna, igualitária e liberta, o cidadão está condicionado pelos usos e costumes da sociedade em que vive. Influenciam nisso os seus pais, professores, religiosos, livros, filmes, valores sociais e morais, medos, ambições e assim segue. Isso desenvolve um condicionamento mental gravado no mais íntimo do ser, difícil de ser modificado e que aprisiona o indivíduo a um sistema social e de conduta. Não é livre! Não é indivíduo! Ele é iludido que desfruta de liberdade, mas está sujeito a grilhões invisíveis que o dominam e conduzem qual animal que vagueia sem sentido pela vida.

Como ocorre a libertação do condicionamento imposto pela sociedade exercido pela Maçonaria?

Como acontece a formação da individuação, a realização continuada e progressiva que torna a pessoa distinta e independente?

O iniciado em espírito sabe!

Trata-se do segredo da Arte Real que ele pratica. Consta do exercício de antigas e sábias fórmulas esotéricas e ou aplicação do ócio criativo aplicado no tempo reservado pelo maçom para pensar.

Esses procedimentos eram privilégio de reis, príncipes e nobres na antiguidade, quando dedicavam tempo útil para pensar e meditar, por isso é arte da realeza, algo que o maçom pratica quando reserva costumeira e periodicamente certo tempo para filosofar dentro do seu templo maçônico.

Lembrando numa primeira instância que esse "templo" pode até referir-se a um lugar de respeito feito de pedra, mas alude principalmente ao recipiente composto de carne e ossos. Usa-se o jargão "iniciado internamente", fenômeno que só ocorre dentro do maçom quando ele se reúne em grupos, como nas lojas maçônicas ou na prática do hábito de meditar.

Numa sessão maçônica cria-se um ambiente especial, místico e disciplinado, onde o adepto descobre a capacidade de ser criativo. Nessas reuniões ele pode acordar para a realidade, descobrir o Grande Arquiteto do Universo, encontrar a Verdade, impor a morte do anterior homem submisso, mergulhar num estado constante de renovação e outras vantagens libertárias.

A atividade coletiva em loja desperta a criação de si mesmo, a que o iniciado define como o aparar das arestas e imperfeições da pedra bruta, que nada mais é que o "conhece-te a ti mesmo", de Sócrates. Esse constante trabalho em si mesmo liberta o maçom do condicionamento que foi imposto pelo sistema humano de usurpação da liberdade individual. O homem anterior à iniciação é resultado da coletividade, o maçom desperto é produto de reflexão racional em si e que o liberta do condicionamento externo a si mesmo.

A liberdade não é submeter-se a outro tipo de condicionamento, mais nobre ou erudito ou condescendente, mas algo que livra o espírito para despertar o indivíduo. Não é condicionamento, porque senão seria cópia da atuação sociedade e das religiões sobre o indivíduo. Trata-se do despertar racional e espiritual para uma nova forma de vida independente. Não existem promessas nem reprimendas nem prêmios nem castigos para a forma como a vida é dirigida: é a Individuação.

O objetivo da Maçonaria é tornar feliz a humanidade pelo amor, pela liberdade de expressão e de culto, opondo-se a qualquer forma de totalitarismo, fanatismo e obscurantismo. A Maçonaria cria as condições ideais para o homem pensar com liberdade, daí ela ser combatida por qualquer instituição que vise escravizar o povo pelo condicionamento.


Bulas da Igreja Católica Apostólica Romana que Condenam a Maçonaria

  • "In Eminenti Apostolatus Specula" de Clemente XII de 24 de abril de 1738 - baseado nesta Encíclica Felipe V, em 1740, legislou contra os maçons, exemplo que seguiu com o decreto de 2 de julho de 1751 e outras medidas restritivas das autoridades espanholas vigentes até há alguns anos, quando o Governo de Franco condena o maçom com pena mínima de doze anos de prisão, quando não a morte.
  • "Providas Romanorum", de Benedito XVI, de 18 de maio de 1751;
  • "Ecclesiam a Jesu-Christo", de Pio VII, de 13 de setembro de 1821;
  • "Quo Graviora", de Leão XII, de 13 de maio de 1825;
  • "Traditi Humilitati Nostrae", de Pio VIII, de 21 de maio de 1829;
  • "Mirari Vos", de Gregório XVI, de 15 de agosto de 1832;
  • "Qui Pluribus", de Pio IX, de 9 de novembro de 1846;
  • "Syllabus", de Pio IX, de 8 de dezembro de 1864;
  • "Multiplicer Inter", de Pio IX, de 21 de setembro de 1865;
  • "Apostolicae Sedis", de Pio IX, de 12 de outubro de 1869;
  • "Etsi Multa", de Pió IX, de 21 de novembro de 1873;
  • "Humanum Genus", de Leão XIII, de 20 de abril de 1884, seguida de uma Instrução Publica do Santo Ofício "De Secta Massonum" de 7 de maio de 1884;
  • "Proeclara" de 20 de junho de 1894;
  • "Annum Igressi" de 18 de março de 1950, através das colunas do Observatório Romano, no sentido das condenações da Maçonaria manter-se integralmente.
  • Adicionalmente, as Bulas de 30 de janeiro de 1816 do Papa Pio VII, e das de 24 de setembro de 1824 e 10 de fevereiro de 1825, de Leão XII, a Igreja Católica Apostólica Romana condenava os movimentos libertadores da América e indiretamente a Maçonaria.


Bibliografia

1. BAYARD, Jean-Pierre, A Espiritualidade na Maçonaria, da Ordem Iniciática Tradicional às Obediências, tradução: Julia Vidili, ISBN 85-7374-790-0, primeira edição, Madras Editora limitada., 368 páginas, São Paulo, 2004;

2. CAPRILE, G.; FERRER-BENIMELI, José Antonio; ALBERTON, Valério, Maçonaria e Igreja Católica, Ontem, Hoje e Amanhã, título original: La Masoneria Después del Concílio, tradução: Valério Alberton, ISBN 85-349-0535-5, quarta edição, Paulus, 396 páginas, São Paulo, 1998;

3. CASTELLANI, José, A Ação Secreta da Maçonaria na Política Mundial, ISBN 85-88781-02-6, primeira edição, Editora Landmark, 204 páginas, São Paulo, 2001;

4. CICHOSKI, Luiz Vitório, Fundamentos da Ritualística Maçônica, Cadernos de Estudos Maçônicos, ISBN 978-85-7252-365-3, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Limitada, 288 páginas, Londrina, 2017;

5. PORTO, A. Campos, A Igreja Católica e a Maçonaria, terceira edição, Editora Aurora Limitada, 320 páginas, Rio de Janeiro;

6. RODRIGUES, Raimundo, A Filosofia da Maçonaria Simbólica, 4, Coleção Biblioteca do Maçom, ISBN 978-85-7252-233-5, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Limitada, 172 páginas, Londrina, 2007;

7. SÁ, José Anselmo Cícero de, Fonte de Luz Maçônica, A Arte que Praticamos é Filosofia Pura, ISBN 978-85-7252-237-3, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Limitada, 212 páginas, Londrina, 2007;

A Loja Como Organismo Vivo

 A percepção de energias astrais estranhas, desconhecidas e misteriosas que os olhos não veem.

Charles Evaldo Boller


A loja que pratica o Rito Escocês Antigo e Aceito beneficia-se do ensino permanente e da existência de numerosos graus em permanente evolução, não pelas palavras do venerável mestre ou do orador, mas do maçom que a compõe. É dentro da loja que o maçom se identifica como livre-pensador e entende que a fecundação das ideias se opera no silêncio, venerando a inteligência como a mais perfeita manifestação da vida. A amizade que surge entre os irmãos fraternos é o que une a ordem maçônica num só corpo. A ação maçônica da loja se dá sobre o maçom que participa das reuniões, onde absorve energias positivas que o suprem com necessária força para efetuar mudanças em si mesmo, de modo que faça a diferença na sociedade. A loja, como instituição, não aparece em público, e, sim, aqueles que são por ela treinados para assumirem cargos e exercerem o poder para modificar a sociedade; é a razão de não se discutir religião nem política partidária dentro do templo. Maçons ainda não iniciados em espírito custam a entender a neutralidade da Maçonaria e insistem em influenciar a sua loja em favor de obras ou assuntos que eles preferem e disso decorrem problemas de manutenção da harmonia para manter a loja viva.

A loja é para o maçom o asilo sagrado da inviolabilidade de sua consciência e de seu pensamento. É um organismo vivo e complexo. A loja não deve ser vivida como algo simples e assemelhado a um clube. Ela requer planejamento, amadurecimento e vivência com assiduidade. Viver o desenrolar das atividades de uma loja é investir numa estrutura que não pode ser vista, mas sentida. Desta forma pode-se usufruir dos dividendos do aperfeiçoamento pessoal que a convivência promove. O presente serve para o preparo intelectual e espiritual com olhos no futuro. Exige-se compromisso e lealdade no compartilhamento de percepções e intervenção para manter a harmonia. Não é questão de pensar no que o outro deveria fazer, mas trabalhar em conjunto com os demais, apresentando e debatendo propostas, ideias, escolhendo o melhor entre várias proposições. O debate deve melhorar o que o outro cria. Para manter a loja viva não basta assinar o livro de presença; não é apenas presença física, mas ação que implanta novas e inusitadas ideias na cabeça dos participantes, através de peças de arquitetura realmente inéditas e diferentes. Cada maçom em loja é depósito de memórias de gerações passadas; que as gerações futuras se beneficiem da geração atual com suas memórias lançadas no tempo para amadurecer. A loja não é apenas atividade litúrgica, beneficente e estudo, mas uma fábrica de sonhos com boa perspectiva de gerar algo novo para a vida em sociedade de hoje e em futuro próximo.

A loja tem vida! Não deve ser conspurcada com as lides do mundo profano, afinal, trabalham-se com energias telúricas, forças naturais que vêm da terra, que é outro organismo vivo como a loja, e a loja é feita de homens que dela se servem e não o prédio de pedra; percebem-se energias astrais estranhas, desconhecidas e misteriosas que os olhos não veem, mas que o corpo percebe. Nada sobrenatural haja vista que tudo é parte do universo. Lentamente o maçom muda a sua visão do mundo a partir do organismo vivo da loja, onde literalmente o intelecto com espiritualidade salva o maçom de si mesmo.

A Iniciação Iluminada

Uma jornada infindável ao interior de si mesmo, em busca da Iluminação que conduz para a Liberdade e felicidade da Humanidade.

Charles Evaldo Boller


Ver numa pedra bruta apenas as rugosidades externas sem visualizar a beleza interna da pedra polida é limitação daquele que ainda não se iniciou na Maçonaria. É de conhecimento geral que mesmo aquele que passou pela cerimônia de iniciação e apenas enxerga as imperfeições do homem, ainda permanece ligado a vícios humanos e escravo do vil sistema humano materialista. Continua carente da iniciação iluminada pelo filosofar maçônico.

No mais absoluto sigilo, o processo começa com a proposta de iniciação de um cidadão de valor por iniciativa de um mestre maçom. Efetuam-se investigações. Só pessoa de destacadas características é desejada e introduzida na ordem maçônica. O intento é melhorar o que já é bom. Passa então por uma cerimônia especial determinada a testar seu valor. Considera-se que o indivíduo é cortado de uma hipotética pedreira, a sociedade. E mesmo com suas qualidades e erudição reconhecidas, em presença da filosofia maçônica, por obvio, ele ainda apresenta uma forma tosca de construção interna, que apresenta imperfeições. Isso porque lhe falta liberdade devida a seu condicionamento social. A busca de independência implica em livrar-se de crenças surreais que outras pessoas, ao longo da vida, o fizeram acreditar. Urge tomar conta de seus próprios pensamentos, livres da imposição social e dos exageros do politicamente correto.

A caminhada para a iluminação, segundo modelo de vetustas escolas herméticas, se dá em cegueira profunda, total inexistência de Luz. Em termos maçônicos é a representação de condição do homem em estado bruto dentro da erudição filosófica, intelectual e espiritual. A obstrução da visão do iniciando representam os primeiros passos em total dependência, ignorância e castrado de iniciativa. É similar à vida de cidadão algemado pelos poderes humanos que limitam sua evolução. A falta de Luz demonstra onde e como o sistema humano o submete aos poderes que lhe tomam os metais, posses, roupa e força vital. Para demonstrar o seu lastimável destino, um laço no pescoço, à semelhança de um enforcado, o provoca a pensar sua existência à semelhança de um condenado a viver como animal sem inteligência e sabedoria, para o qual a vida apenas passa vazia e sem gosto. Sua total dependência dos outros o incentiva a sorver com ansiedade goles de liberdade para tomar conta de sua vida em sentido lato e sem ser conduzido por terceiros. Para demonstrar sua miserabilidade, o homem não iniciado anda calçado apenas com ordinário e rústico chinelo. Não significa humildade, pois é retrato lastimável do homem dentro do sistema: homem explorando homem em seu próprio prejuízo!

Faz seu testamento. Depois de armado e municiado para libertar-se, entende que o beneficiário é ele mesmo. Como já morreu para o mundo, ele jaz sepulto na caverna que representa a sua consciência. Naquele local lúgubre responde perguntas que o levam a pensar a respeito da vida que teve até ali. Na solidão da sepultura o homem de sensibilidade desperta para princípios de vida com elevado significado existencial. Com a sua morte simbólica rompe definitivamente com a materialidade herdada e que o aprisionavam ao sistema humano de coisas. Prepara-se para reviver na cerimônia de iniciação para uma nova oportunidade de vida. O renascimento exemplificado na Páscoa, no Natal e nos solstícios solares o ajudarão a entender e organizar a sua vida. É o ponto de entrada para uma fantástica jornada em busca da liberdade. Utilizará da sabedoria de vetustas civilizações que ficaram no anonimato para se protegerem de perseguição e proibição. O iniciado usa de todas as culturas, a sua Arte Real, para racionalmente louvar a Criação, obra do Grande Arquiteto do Universo.

É jornada nova! É renascimento que ele escolheu racionalmente quando e onde. Nasceu dentro de si mesmo a partir de sua livre iniciativa e capacidade de pensar e sentir. É a resposta corajosa ao que vê pelas ruas da cidade onde a maioria não está satisfeita com o lugar e o tempo em que vive. Onde os insatisfeitos mais ativos mudam de emprego, família, cidade e país em busca de felicidade para, em curto espaço de tempo, ficar irrequieto novamente e iniciar nova jornada ao léu. É insensatez! Acontece que estes não têm tempo para pensar nos temas certos. Sem concentração e meditação, os andarilhos não encontram respostas para suas angústias. Permanecem infelizes! E a resposta está tão perto! Bastaria olhar para dentro de si mesmo. Modificar-se. Evoluir! Libertar-se! Ser feliz e contagiar a Humanidade em ser feliz também.

Para entender o mapa da caminhada efetuam-se viagens simbólicas. É submetido compulsoriamente às provas que envolvem os quatro elementos da Natureza: terra, água, ar e fogo.

São apresentados seus deveres básicos: absoluto silêncio e fidelidade; vencer paixões prejudiciais; praticar a solidariedade, socorrendo outros ao encaminha-los a praticarem o bem; é-lhe exigida a crença num Princípio Criador, baseado no conceito de Grande Arquiteto do Universo; sujeitar-se às leis.

Depois disto lhe é simbolicamente revelada a Luz. Luz que ilumina o interior do templo sagrado que é o próprio corpo do iniciado.

No dia da iniciação o maçom inicia uma jornada que dura o resto de sua vida. E não vai longe! Ao menos não em termos de deslocamento. O seu destino é ao interior de si mesmo. Bem perto, mas tão longe! Para ver a Luz é necessário desobstruir a entrada da caverna de sua consciência, arrancar as lascas das rugosidades externas e internas da simbólica pedra que ele é. Deixar a Luz entrar na pedra. Ele viaja ao interior de si mesmo. Passa a destruir e a reconstruir a si próprio por utilizar-se das ferramentas que estão espalhadas pelas oficinas maçônicas.

A Maçonaria propicia as ferramentas, o iniciado a matéria prima: a pedra. Ele é a pedra. E somente ele a pode trabalhar. No Universo apenas ele mesmo tem o poder e a capacidade de modificá-la. Nem mesmo o Grande Arquiteto do Universo interfere, pois dotou a criatura com a capacidade do livre-arbítrio, portanto, nunca o cobrará se ele foi ou não bem comportado durante o privilégio de usufruir da vida. Afasta o medo do castigo eterno. Afasta a falsidade da barganha com o Supremo Arquiteto com vistas a obter prazeres eternos. Significa liberdade! E responsabilidade! O pensamento expresso no conceito de Grande Arquiteto do Universo para o maçom não é crença, o que implicaria em dúvida; o maçom tem certeza da manifestação do Criador através de suas obras. O iniciado sente-se privilegiado por merecer essa experiência de vida. A pedra burilada por quem tem o interesse maior resulta num ser humano que sabe equilibrar amor, vontade e intelecto. Constitui o centro do grande tema da Ordem Maçônica.

A grande provocação da cerimônia de iniciação aponta para a liberdade. Durante o início da jornada existe a figura do condutor. Quando revelada a Luz, o iniciado deixa de ser conduzido e daí em diante passa a tomar conta de seus próprios passos, de seu caráter, de sua consciência, de sua vida, e em todos os aspectos que o levam a evoluir. Está focado essencialmente na destruição interior dos embustes nos quais foi condicionado a acreditar. Trabalha agora na edificação de valores virtuosos que revelam potências nunca antes percebidas porque estavam imersas na hipocrisia do mundo de ilusão criado por religiões, escolas, amigos, governos, usos e outras influências. Andar e pensar com liberdade implica em duvidar de velhos hábitos e costumes. Faz do questionamento geral uma Arte Real, praticada no ócio criativo. Aprende a desfrutar da vida de forma comedida e tranquila, aproveita desse paraíso de delícias, chamado Terra, de forma respeitosa e tranquila.

Desbastar a pedra bruta é tarefa individual que os maçons perseguem em sentido moral, ético e mais acentuado na dimensão da elevação espiritual com aprimoramento de caráter e consciência. A Luz do livre pensamento passa a brilhar dentro do templo que a pedra representa. As lascas, o cascalho, que caem neste trabalho são os defeitos e imperfeições como preconceitos, ignorância, fanatismo, tirania, arrogância, orgulho e outros. Assim, mesmo que viva entre as trevas do mundo idealizado pelo homem material, ele aprende a conviver com elas sem se contaminar com as impurezas que vigoram fora do templo, fora de si mesmo. O seu templo interno permanece imaculado. Depois de disciplinada e diligente atividade no desbaste da pedra bruta o iniciado encontra dentro de si o espírito, o transcendental, a assinatura indelével do Grande Arquiteto do Universo, origem da Luz que guarda e guia os iniciados pelos caminhos dos augustos mistérios das antigas escolas iniciáticas.


Bibliografia

1. CLIFFORD, Anthony; A Arte de Questionar, a Filosofia do Dia-a-dia, ISBN 978-85-395-0588-3, 1ª edição, Editora Fundamento, 320 páginas, São Paulo, 2014;

2. Paraná, Grande Loja do; Ritual do Grau 01, Aprendiz Maçom, Rito Escocês Antigo e Aceito, 3ª edição, Grande Loja do Paraná, 98 páginas, Curitiba, 2001;

3. ZIJDERVELD, Anton; BERGER, Peter; Em Favor da Dúvida, Como Ter Convicções sem se Tornar Fanático, In Prise of Doubt, traduzido por YAMAGAMI, Cristina; ISBN 978-0-06-177817-9, 1ª edição, Elsevier Editora Limitada, 172 páginas, São Paulo, 2012;

A Física em uma Sessão Maçônica

Caminhada dentro do templo iluminado pela Física para educar-se e entrar em harmonia com o Universo.

Charles Evaldo Boller


Muitos são os temas que podem motivar a presença do maçom numa sessão maçônica. O mais instigante é expandir o conhecimento portado nos rituais naquilo que os antigos gravaram para a posteridade desenvolver. Para ver uma sessão "pegar fogo" em termos de debate maçônico, basta liberar a palavra em temas que instiguem o livre pensamento a respeito da Natureza ao nível dos irmãos presentes. É a oportunidade de exercer a tolerância dentro da ilimitada liberdade de investigar a Verdade da Física que atua, vibra e modifica cada um dos presentes.

Os anseios por liberdade ampla e sistemas políticos não totalitários foram molas propulsoras da criação da Maçonaria. Seguindo o modelo do maçom operativo, que guardava segredo das técnicas de construção, os maçons especulativos guardavam segredo de assuntos científicos, filosóficos, esotéricos, comerciais e políticos. Naquela época de obscurantismo não era possível teorizar e especular a respeito de assuntos que poderiam libertar e abrir a mente do povo. Prova disso é a influência significativa que tiveram enciclopedistas e iluministas na ordem maçônica. Assim, a Maçonaria em forma de dogma e na presença do livre-arbítrio afirma que à criatura é dada a liberdade que nenhum poder do Universo tem a capacidade de obscurecer, pois nem o próprio Criador interfere no exercício da liberdade em sentido lato. O homem foi criado livre para pensar e agir conforme seu discernimento.

Olhando para o caminho tomado pela História, se houvesse liberdade de expressão e comercial, a Idade das Trevas seria reduzida ou sequer se estabeleceria. Foi um período de retração econômica, bem como de estagnação cultural devido à falta de conhecimento acessível ao povo em presença do obscurantismo e do fanatismo. Nesse desenho o berço da Maçonaria teve origem em necessidades políticas e comerciais. Por isso a ordem maçônica incentiva àquele que tem na religião o consolo supremo que siga os ditames de sua consciência e não faça proselitismo de suas crenças dogmáticas religiosas em seus templos. A máxima maçônica é: ama o teu próximo.

No decorrer da história da Maçonaria o seu objetivo foi se modificando lentamente para instituição filosófica, política e social. Hoje a realidade é diferente do passado obscuro e tenebroso. O homem desenvolve a ciência na busca da "Teoria do tudo" ou "Teoria M", onde existe esperança dos cientistas em dar lastro científico aos fenômenos do Universo. Isso é altamente motivador ao investigador maçom. Tem o potencial de abrir o intelecto para novos e inusitados graus de liberdade.

Em Maçonaria pratica-se a Arte Real. Esta tem por objetivo um escopo bem amplo do conhecimento humano, principalmente na busca de explicações entre ciência e fé. Visa à construção do caráter humano e promove o alfabetismo científico, místico, esotérico adaptado ao desenvolvimento tecnológico de cada época. Para isso, com particularidades para cada grau, os rituais maçônicos regulam o funcionamento da sessão e são sempre repetidos para intuir Verdades apoiadas no desenvolvimento científico. Existem dezenas de ritos, assim como o são as diversificações de pensamentos do homem. Todos os ritos constam de detalhes específicos para despertar filosoficamente o participante para diferentes estados intelectuais, energéticos e emocionais. Dado o ambiente sagrado, disciplinado e ordeiro das sessões, energias potenciais da Física são despertadas. Disso depende a elaboração de conceitos Metafísicos que harmonizam fé e ciência longe dos fanatismos de crenças religiosas que sempre inibiram a livre investigação das Verdades Físicas e Metafísicas.

Todo corpo físico emite ondas eletromagnéticas. Por exemplo, quanto mais calor possuir, maior a emissão da radiação do tipo térmica. As energias que se manifestam como fenômeno eletromagnético, como campos energéticos são largamente estudados e até compreendidos em alguns de seus efeitos. Existem, porém, inúmeras formas energéticas como: mecânica, térmica, elétrica, nuclear, química, radiante, espiritual, mental, emocional etc. Todas elas presentes dentro do corpo do homem, o templo que cada maçom é.

O homem pode ser comparado quimicamente ao Universo, isso porque as diferentes moléculas existentes nesse Universo se manifestam em idêntica proporção dentro do seu corpo. Essa identidade faz o homem considerar-se parte do Universo. Especulam os cientistas que existam outros universos cuja formação se baseia em campos de energia mantendo relações idênticas de formação e essência, daí se especular que todos os universos possíveis serem essencialmente campos de energias. Assim fica o homem ligado ao Todo em sua essência: os campos de energia.

Uma loja maçônica simbólica é a sofrível representação do Universo quando situa o maçom dentro do seu diminuto sistema estelar de quinta grandeza. É apenas um ponto de entrada ao Cosmo para o pensador livre. Só a capacidade de abstração e imaginação do pensamento tem a possibilidade de levar o maçom iniciado a quebrar as barreiras siderais e levá-lo a integrar-se intelectualmente com o seu Universo. Para isso ele filosofa! Liberta-se das amarras de crenças, usos e condicionamentos para viajar fora do círculo imposto pela sua clausura planetária material, bem como naquilo que o fizeram acreditar. Essa liberdade do pensamento e da imaginação exige reconhecer como o seu Universo é constituído, desligar-se da materialidade, do concreto, e partir para a investigação do cerne energético do Todo: os campos de energia que formam os universos possíveis.

Partindo do princípio que toda energia produz alguma forma de trabalho, algumas até conhecidas e amplamente utilizadas, em essência, todas permanecem de difícil conceituação. Mesmo a energia elétrica, amplamente estudada, ainda esconde suas características mais sutis e íntimas. O homem, de formas diversas, utiliza da diferença de potencial elétrica para produzir trabalho. Entretanto, desconhece como de fato é a aparência do Elétron que se move para produzir a corrente de elétrons, ou, a corrente elétrica. Não existe instrumento humano que permita ver o Elétron! Apenas é detectado como campo através de instrumentos por via indireta ou cálculo ou manifestação física. Pela ótica da Química e aplicada a Mecânica Clássica de Isaac Newton existem especulações que o Elétron submetido a uma diferença de potencial "pula" da órbita de um átomo a outro adjacente dentro de um material condutor. Pelo Princípio da Transposição da Física Quântica especula-se que um Elétron deixa de se manifestar num lugar do espaço e passa a se revelar instantaneamente em outro: para tal não se aplicam a leis da Mecânica tradicional de deslocamento, massa, espaço e tempo.

No escopo da especulação maçônica para a obtenção da Verdade não interessa obter certezas na área científica, senão o assunto deixaria de ser objeto do filosofar e passaria a ser Ciência. Ademais, a Ciência está limitada ao atual desenvolvimento tecnológico, o pensamento livre não! O maçom alimenta-se de especulações do mundo científico e tecnológico em todas as direções possíveis e em todas as áreas do seu limitado conhecimento para identificar relações do ser com a Natureza, a Física, o Universo, o Uno. Desde Tito Lucrécio Caro, 99 a. C., os pensadores já especulam que as coisas se originam do vazio. "O campo é a única realidade", dizia Albert Einstein. Máximo Corbucci, médico e físico italiano, afirma que o átomo e as miríades de partículas, conhecidas e desconhecidas, não passam de um imenso abismo vazio onde a massa não existe. Giuliano Preparata, especialista e professor de eletrodinâmica Quântica, assim se expressa: "O vazio é tudo".

Existem apenas campos. Os mais diversos tipos de campos.

Hoje existem aparelhos que atestam a existência dos invisíveis campos de força sobre os quais já se especula há tanto tempo. Daí entender-se como numa sessão maçônica edificam-se campos energéticos potentes que os instrumentos e sensores humanos não percebem, mas que podem ser intuídos e vistos com "outros olhos". Estes "olhos" se utilizam da matéria pura, da grande Mãe, da Física, da Natureza, para proporcionar a evolução humana na busca da Verdade que edifica a consciência. A especulação filosófica maçônica propicia a construção de templos vivos, renovados permanentemente. Segue o mesmo caminho da engenharia reversa utilizada pelo empirismo das ciências que culminaram com o acúmulo de conhecimentos do atual estágio técnico-científico. Todo o conhecimento humano é resultado de infinitos ciclos de teses, antíteses e sínteses. O processo de construção mental numa sessão maçônica preconiza a utilização de dicotomias onde diversas alternativas da Natureza são lançadas aos presentes e cada um as aceita ou rejeita dentro na sua formação racional e naquilo que contribua com o desenvolvimento de sua consciência.

Em reuniões maçônicas entende-se da ciência que, no momento em que dois sistemas de energias colidem entre si forma-se um campo energético mais potente com a soma das partes. Cada maçom em loja é um sistema independente de energias, fonte de diversos tipos de energias, umas perceptíveis imediatamente pela proximidade, e outras, mais sutis, apenas detectáveis pelos seus efeitos, normalmente um estado emocional guiado pela racionalidade. Tudo o que é aceito ou rejeitado passa pela memória emocional individual para depois fixar residência na memória intelectual. Deixado só, o maçom permanece em sua zona de conforto, seu sistema energético fica estável e em equilíbrio. A proximidade desequilibra e soma os diversos sistemas presentes formando redes de afinidade cada vez mais complexas e propícias a gerarem novidades, experiências sutis nunca antes percebidas.

Para não inventarem novos nomes, buscou-se na Teosofia o verbete "Egrégora", aplicado às manifestações energéticas das sessões. Especula-se que estas manifestações físicas de energias seriam o resultado de todas as energias mentais, emocionais e espirituais do grupo de adeptos reunidos com um objetivo comum. Tudo é campo! Percebido, ou não, pelo participante da sessão. A esta interação das energias de campos dos membros do grupo cria-se um ambiente místico propício ao filosofar e especula-se sobre todas as manifestações da Física. Ali o verbete Física significa literalmente as coisas que caracterizam o homem em sua Natureza, do Universo, do Grande Arquiteto do Universo.

No templo trabalham-se energias. Estas estão sujeitas à Lei da Conservação da Energia: toda a energia de um sistema permanece constante enquanto não sofrer a interferência por proximidade de outros campos de energias. A mudança negativa do campo energético em loja é percebida com facilidade quando surge um distúrbio da fraternidade, ocasião em que os intelectos ficam agitados. Diz-se que a Egrégora caiu ou se desfez. Os sistemas energéticos dos indivíduos deixam de se atrair e passam a se repelir. A mística deixa de existir. O ambiente torna-se nocivo ao alfabetismo científico, emocional e espiritual. Deixa-se de trabalhar na Arte Real e passa-se a articular saída aos impasses derivados das desinteligências que derrubaram o ambiente místico próprio aos estudos.

A Arte Real é o trabalho positivo das energias trocadas entre os maçons, daqueles que reservam para si um período de sua vida para especular a Física, a Natureza, o autoconhecimento que produz a liberdade de consciência e de pensamento. Aquele que usualmente não comparece às sessões maçônicas "deixa de ser maçom" porque cessa de alimentar-se dessa fonte energética e continua algemado ao vil sistema humano de coisas: urge quebrar estas algemas.

O estudo em grupo é dito "Real" porque originário da atividade realizada pelos nobres do passado, privilegiados que, em função de sua posição social podiam investir tempo ao filosofar, ao ócio criativo, à crítica, à leitura, ao debate com outros pensadores livres. Daí, na prática da Arte Real, cada maçom reserva toda semana alguns momentos para especular temas da Física, junto com seus irmãos e debaixo de condições ideais de energia, mágica e misticismo. Normalmente são assuntos não tratados na vida profissional, familiar e social porque estas absorvem toda a energia vital do indivíduo, sugando-o até sobrar apenas "bagaço".

O isolamento da loja a coberto concentra os recursos energéticos necessários à autoeducação e autoconhecimento. Reunir-se com outros maçons é a forma de praticar a Arte Real maçônica, técnica de remexer em todas as filosofias humanas, presentes e passadas, para perlustrar através de todos os conhecimentos por soluções de ordem político-social e tornar feliz a Humanidade. Nessas ocasiões, num local sagrado que mais se assemelha a um parque de diversões, o maçom brinca com seus pensamentos, emoções e espiritualidade e pratica a sagrada arte especulativa dos nobres.

Angela Wilgess, em "Só Somos Consciência Quântica?", referindo-se à assinatura energética pessoal, algo que já é medido até por aparelhos celulares, aponta para algumas frequências eletromagnéticas pessoais positivas e outras sofríveis como:  20 Hz - Vergonha; 30 Hz - Culpa; 75 Hz - Mágoa; 100 Hz - Medo; 532 Hz - Amor, compaixão; 600 Hz - Paz; 700 Hz - Iluminação.


Iluminação

Quando se avalia a reunião do maçom com idênticos objetivos e condições energéticas, na presença de harmonia, tolerância e amor são possíveis de se alcançarem níveis energéticos tão altos como o da Iluminação, em torno dos 700 Hertz. Ao menos esse é o objetivo! Cada obreiro colabora com parcela pessoal de oscilações energéticas para que todos se beneficiem das frequências vibratórias positivas presentes na autoconstrução interna.

Pode ser assemelhado ao sintonizar de um rádio numa determinada emissora, ou percebido quando, ao término da sessão, o participante sente-se mais leve, estado assemelhado ao banho após exercício físico intenso. É estado emocional contagiante. Porém, não tão simples! Exige participação constante. Trata-se de algo para o que a ciência ainda rasteja em rudimentos para lhe dar estrutura e explicação. Mesmo a Física Quântica está apenas no limiar especulativo de como ocorrem esses fenômenos que o maçom, cuja vibração eletromagnética se aproxima dos 700 Hertz, experimenta em loja.

Cada maçom reunido em loja está conectado em rede, pulsando a uma só frequência ou em frequências harmônicas, aquelas que guardam certa relação oscilatória múltipla ou divisível entre si. Isso já está comprovado cientificamente. O seu desenvolvimento científico já vem desde as primeiras experiências efetuadas por Max Planck, cerca do ano de 1900, que resultou nas atuais postulações da Física e Mecânica Quântica.

É difícil transmitir essas informações através de textos técnicos ou eruditos, pois ao não conhecedor da linguagem científica as declarações eruditas e técnicas mais confundem que esclarecem os fenômenos naturais oscilatórios que acontecem numa reunião maçônica. Os próprios rituais deixam veladas essas constatações, aliás, estes têm exatamente essa pretensão: deixar ao iniciado desvelar lentamente o Conhecimento se estiver realmente interessado e curioso. Para tal não existem modelos matemáticos ou físicos que equacionem as afirmações expressas com lógica filosófica. O maçom tem apenas a especulação constante para evoluir.

Instruções e ritualística dos rituais litúrgicos criam o ambiente disciplinado para essa finalidade, algo que nunca acontece em ambiente informal e descontraído como, por exemplo, restaurante, biblioteca, lar ou praça. O templo de pedra abriga templos de carne e ossos que interagem energeticamente entre si.

O que o maçom Iluminado ou Iniciado percebe, dispensa a presença de físicos, médicos, matemáticos ou neurocientistas. O empirismo deduzido de símbolos é eficiente, ao ponto em que alguém sem formação acadêmica possuir boas chances de alcançar níveis de oscilação eletromagnética próxima aos 700 Hertz, idênticos ao do cidadão portador de nível superior de escolaridade.

Isso porque o símbolo evolui constantemente em resultado do avanço das ciências humanas e tecnológicas e pode ser facilmente entendido e comparado aos temas mais complexos da natureza sem a adesão a dogmas.

Tem mais chances de alcançar altas frequências aquele interessado que consegue esvaziar a mente com mais facilidade quando se aparta momentaneamente de seus problemas mundanos e passa a concentrar-se em sua desconstrução e reconstrução interna: atividade de intensa concentração mental de largo espectro energético. Essa concentração do pensamento, ou egrégora, ocorre no silêncio e nos debates filosóficos de temas apropriados ao desenvolvimento interno.

A dualidade entre estados de calma e agitação mental tem a ver com a emissão de energia eletromagnética emocional de cada pensamento emitido. Têm a finalidade de desequilibrar o sistema de forças do pensamento individual para que este evolua para graus de complexidade cada vez mais em sintonia com a Verdade escondida na Natureza, na Física.

O pensamento necessita apenas de energia para deixar de ser campo e tonar-se matéria ao gerar a ilusão da realidade de cada indivíduo. Cada um cria a sua própria noção de realidade pelo uso da razão.

Dizem os estudiosos que a consciência é um estado da matéria. Intui-se que os campos são o alicerce desse raciocínio dedutivo. Especula-se o funcionamento da Física aplicada a uma sessão maçônica como o desenvolvimento da consciência, elemento do indivíduo que pode ser modificado por condicionamento, relacionamento e treinamento, e que possibilita a descoberta de como se tornar uno com o Universo, com o conceito que o maçom denomina Grande Arquiteto do Universo.

Entender a Física em ação numa sessão maçônica auxilia na busca da felicidade da consciência treinada para paz, amor e liberdade do homem que possui em seu universo interior a assinatura indelével Daquele, ou Daquilo, que ordena o funcionamento dos campos de energia que propiciam a ilusão da realidade física das criaturas.


Bibliografia

1. BLAVATSKY, Helena Petrovna; Glossário Teosófico, The Theosophical Glossary, traduzido por SARZANA, Sílvia; ISBN 85-7187-071-3, 3ª edição, Editora Grund Limitada, 777 páginas, São Paulo, 1995;

2. CITRO, Massimo; O Código Básico do Universo, a Ciência dos Mundos Invisíveis na Física, na Medicina e na Espiritualidade, The Basic Code of the Universe, ISBN 978-85-316-1254-1, 1ª edição, Editora Pensamento Cultrix Limitada, 286 páginas, São Paulo, 2011;

3. MASI, Domenico de; O Ócio Criativo, traduzido por MANZI, Léa; ISBN 85-86796-45-X, 1ª edição, Editora Sextante Limitada, 328 páginas, Rio de Janeiro, 2000;

4. PARANÁ, Grande Loja do; Ritual do Grau 01, Aprendiz Maçom, Rito Escocês Antigo e Aceito, 1ª edição, Grande Loja do Paraná126 páginas, Curitiba, 2013;

5. WILGESS, Ângela; Só Somos Consciência Quântica? ISBN 978-85-370-1080-8, 1ª edição, Madras Editora Limitada, 214 páginas, São Paulo, 2017;

A Filosofia, para Poucos?

Filosofar, a função mais nobre do maçom.

Ivair Ximenes Lopes e Charles Evaldo Boller


A filosofia da Maçonaria é o menos compreendido dos assuntos relativos ao ofício. É relativamente fácil para o maçom obter conhecimento razoável do simbolismo. No entanto, alguns irmãos, mais cedo ou mais tarde, encontrarão a filosofia em sua busca do conhecimento no âmbito da Maçonaria, e, ao fazê-lo, sentirão que, enquanto alguns de seus pares a entende, para eles ela é incompreensível.

Há duas razões para isso:

  • A visão quase universal de que os grandes filósofos do passado eram gigantes intelectuais, cujo pensamento está acima da compreensão do homem médio;
  • A maioria, em dado momento, para sua edificação teve breve encontro com as obras de Platão, Sócrates ou as de outros filósofos, e, sem ninguém para guiá-lo, desistiu da leitura após alguns capítulos.

Como resultado, ele chega a pensar a filosofia como algo apenas para uns poucos sortudos que podem compreendê-la.

Não há mistério na filosofia, ao contrário, é regra e guia para o desenvolvimento de atitudes em relação a vida, atitudes boas ou não, dependendo do indivíduo. Pode-se facilmente remover a sensação de que a filosofia maçônica é incompreensível ao defini-la. O dicionário indica que a filosofia é "a amizade, o amor ou a busca da sabedoria" dividida em três ramos: natural, moral e metafísica.

Sabedoria é o uso inteligente do conhecimento ou do julgamento. A inteligência determina ou limita a extensão do processo do pensamento e governa a capacidade de retê-la. O conhecimento é fácil de alcançar e é o mais barato a adquirir dentro das limitações da inteligência. Já a sabedoria é desenvolvida ao longo da existência em resultado de trabalho com disciplina, apoiado na inteligência que sabe usar o conhecimento.

Para entender a área onde dirigir esforços na busca da sabedoria, examine-se a estória do Jardim do Éden. Perceba-se que essa alegoria é utilizada há milhares de anos e ainda serve para diferenciar sabedoria de estultícia. Em Gênesis 4, a serpente levou o fruto proibido da árvore da sabedoria e o deu a Eva, que, por sua vez, o deu a Adão e ambos comeram do mesmo. Quando Deus soube disso, Ele os expulsou do jardim, porque, depois de terem comido do fruto proibido, eles haviam se tornado como Deus. Isso ilustra que ao homem foi dado o poder de escolha, o livre-arbítrio. É neste campo de escolha que se trabalha para atingir a sabedoria.

Considere-se alguns escritores de renome na filosofia maçônica:

  • William Preston, nasceu em Edimburgo, na Escócia, em 7 de agosto de 1742. Estava relacionado com a indústria de impressão, tornou-se maçom e foi mestre de sua loja aos 25 anos. A ele é creditada a construção das palestras de grau na forma que temos hoje, principalmente a palestra de companheiro. Vivendo em período de intelectualidade, era natural para ele pensar que o conhecimento com inteligência era a chave para a filosofia da Maçonaria.
  • Karl Krause, nasceu perto de Leipzig, Alemanha, em 1781. Foi fundador de uma escola de direito e professor de Direito por anos. Escreveu extensivamente sobre Filosofia do Direito. Krause abordou a filosofia maçônica e argumentou que a manutenção da ordem social significa responsabilidade para o homem.
  • George Oliver, nasceu na Inglaterra, em 5 de novembro de 1782. Mestre em Gramática na King Edward's School. Baseou sua filosofia maçônica na tradição, alegando que a Maçonaria pura foi ensinada por Seth aos seus descendentes antes da grande enchente, e que a Maçonaria é uma ciência filosófica tradicional.
  • Albert Pike, nasceu em Boston, em 29 de dezembro de 1809. Para a filosofia maçônica abordou o assunto para além do real ou material: na Metafísica.

Tem havido outros maçons que têm escrito sobre a filosofia maçônica. Cada um com seu próprio ponto de vista a respeito do assunto. Na revisão do que eles escreveram é necessário ter em mente o tempo e as circunstâncias em que viviam e quais foram ou são as influências sobre seu raciocínio.

Sabedoria é o objetivo da busca do maçom. Em que área buscar, uma vez que a Maçonaria é ciência do rico simbolismo auxiliado por alegorias em que o conhecimento é velado nos rituais.

Símbolos são objetos materiais usados para expressar pensamentos, ideias ou preceitos. Ao longo do tempo mantem-se fixo o símbolo, mas muda a sua interpretação filosófica.

Alegorias são usadas da mesma maneira que os símbolos. Elas são símbolos de imagem ou figuras de linguagem. Alegorias podem envolver pessoa, coisa ou acontecimento ou a combinação das três. A partir dessas figuras de linguagem derivam as especulações filosóficas. E como acontece com os símbolos, mantem-se inalterada a alegoria, mas a interpretação filosófica muda na linha do tempo. Utilizando-se de rica coleção destes elementos simbólicos, cada maçom desenvolve, dentro de si, lições compatíveis com os modos de comportamento condizente a um homem bom e verdadeiro.

Desta forma, utilizando-se dos símbolos e alegorias imutáveis na linha do tempo, mas adaptando a sua interpretação filosófica mediante meditação e convivência com outros irmãos, o obreiro atinge a sabedoria.

Filosofar é tornar-se amigo da sabedoria, tanto no presente como no futuro. Ao especulador, que coloca dúvida naquilo que seus sensores oferecem e submetido aos mais variados padrões morais de seu tempo, que o controlam e guiam, acorrem intuições que desenvolvem a sabedoria. E isso se aplica a qualquer filosofia que desenvolva dentro de si mesmo, desde que o exercício mental modifique sua conduta influenciada pelos conviventes, costumes e padrões de sua época.

Como se aplica a filosofia maçônica?

O alicerce é a certeza da existência de um Princípio Criador que criou todas as criaturas com livre-arbítrio. Apoiado nisso, cabe ao homem fazer o bem para si e ao próximo. É claro que as escolhas nem sempre contemplam aquilo que é certo, pelo fato de a vida, em presença da competição por recursos, desenvolver-se em ambiente hostil para a vida. Num recinto assim, ter acesso à livre escolha não é garantia de perfeição, o que só acontece com o desenvolvimento da sabedoria. E isso só é possível quando se aplica parcela de tempo ao filosofar, algo que acontece dentro dos templos maçônicos. É por isso que o alvo principal do maçom é a sabedoria, ser amigo dela.

O ponto dentro do círculo ajuda a filosofar, ou especular no desenvolvimento da sabedoria. A ilustração lança a percepção de que o homem precisa de latitude em pensamento, palavra e ação. É a busca do ponto de equilíbrio em presença das emoções que, no homem, se estendem da profundidade até o topo. Em algum lugar entre os extremos é o ponto de equilíbrio perfeito, onde se encontra a felicidade e a realização completa.

Entretanto, há situações em que as circunstâncias exigem que o ponto de ação seja deslocado para cima ou para baixo. Este movimento é governado pelo pensamento e influenciado por conjunto de circunstâncias. Se o pensamento é controlado, assim também são as emoções. Criar o local de repouso ou ponto de equilíbrio é a sabedoria em ação: trata-se de estabelecer controle a partir do ponto dentro do círculo.

O círculo estabelece o limite além do qual não se deve ir para não se aventurar em áreas onde se ignoram as consequências: seria falta de sabedoria. Ao filosofar, o maçom estabelece as dimensões do círculo pelo efeito limitante dos seus valores, princípios e experiência de vida, a partir disso, a sabedoria o leva a encontrar a felicidade. Embora o indivíduo seja rude e grosseiro ou cortês e polido, pelo simbolismo maçônico ele pode definir o limite que determina o que é justo e reto.

A ilustração do círculo e o ponto ressalta a responsabilidade individual para consigo e semelhantes. A necessidade de controle dos pensamentos em exercícios contínuos pelo filosofar maçônico educa desejos e paixões, mantem a fraternidade para o convívio social em paz. Pelo exercício frequente, cada maçom analisa a si mesmo. Usa cada símbolo, alegoria ou ilustração para aumentar a sua sabedoria, algo dirigido pela inteligente aplicação do conhecimento da filosofia maçônica. Com esta formará sua filosofia pessoal e, com isso, encontrará a sabedoria. Assim, terá vida mais rica e plena para honra e à glória do Grande Arquiteto do Universo.


Bibliografia

BENOÎT, Pierre; VAUX, Roland de, A Bíblia de Jerusalém, título original: La Sainte Bible, tradução: Samuel Martins Barbosa, primeira edição, Edições Paulinas, 1663 páginas, São Paulo, 1973;

FONSECA, Geraldo Ribeiro da, A Egolatria e o Escopo Ético da Maçonaria, Cadernos de Pesquisas, 27, ISBN 978-85-7252-344-8, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Limitada, 224 páginas, Londrina, 2015;

LOPES, Ivair Ximenes, adaptada, modificada e sintetizada de uma peça de arquitetura de autor desconhecido;

PARANÁ, Grande Loja do, Ritual do Grau 01, Aprendiz Maçom, Rito Escocês Antigo e Aceito, primeira edição, Grande Loja do Paraná, 126 páginas, Curitiba, 2013;

RODRIGUES, Raimundo, A Filosofia da Maçonaria Simbólica, 4, Coleção Biblioteca do Maçom, ISBN 978-85-7252-233-5, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Limitada, 172 páginas, Londrina, 2007;

sábado, 7 de outubro de 2023

A Consciência do Maçom

 O treinamento de uma boa consciência leva o maçom a tornar-se sábio.

Charles Evaldo Boller


O maçom é sempre obediente?


Não!


Ele obedece a uma treinada consciência voltada para o bem e baseada em princípios morais.


Consciência é capacidade humana que pode ser treinada e desenvolvida. É o utilitário de segurança mais usado pelo homem sábio com vistas à pureza moral. É ela quem efetua comparações com padrões de moral e que freiam o mal. A constante convivência com pessoas detentoras de elevada moral injeta na mente comportamentos, pensamentos, crenças e diretrizes que a treinam. Estudar e filosofar temas morais contribui na sua boa edificação.


Mas não é suficiente!


É necessário querer e estar disposto em aceitar mudanças, orientações e advertências. Quando certa ação conflita com o padrão desenvolvido no condicionamento moral, soa o aviso de alerta ao início da contenda, empunha-se a consciência como escudo. Ela acusa e defende o homem do proceder que prejudica. Deixa de funcionar se estiver cauterizada, tornada insensível por inúmeros atentados que a desrespeitam.


A consciência gera culpa e esta imobiliza a ação errada.


A companhia de pessoas promíscuas e praticantes de atos atentatórios à moral prejudica seu bom condicionamento. É semelhante ao arrancar de terminações nervosas da carne que fica destituída de tato. A ação da pessoa passa a ser controlada pelo temor a castigos e não mais ao sentimento de culpa que imobiliza a ação do mal.


No Rito Escocês Antigo e Aceito o maçom recebe de herança cultural a direção que preconiza a obediência de caserna, disciplina marcial e rígida, influência de vetustas ordens de cavalaria e profissionais. A companhia de pessoas boas e disciplinadas auxilia no desenvolvimento de boa consciência. Razão da boa e criteriosa escolha de novos obreiros. Profano que não possui estatura mínima em sentido moral é impedido de entrar na Maçonaria, daí a importância de rigorosas escolhas e sindicâncias.


Uma vez iniciado, a convivência pacífica e amorosa entre os maçons proporciona a sintonia fina da consciência sensível e inteligente. Quem não treina a sua consciência faz de si um animal incapaz de ocupar-se de outra coisa, a não ser daquela do destino próprio dos animais. Se a consciência do maçom está afinada com a moral, este pode até dispensar o livro da lei no altar dos juramentos. O detentor de boa consciência tem um livro da lei escrito no coração e na mente. Para o cristão, a bíblia judaico-cristã é símbolo da sua consciência. Representa espiritualidade e racionalidade de todo homem bom dotado de consciência voltada ao bem. Aquele que passa por transformação em sentido lato, reunindo em si bons princípios morais, éticos, religiosos, emocionais, físicos e espirituais tem o alicerce de sua consciência construído sobre a rocha.


O maçom usa da inteligência para educar-se e afinar a consciência ao que ditam as leis naturais estabelecidas pelo Grande Arquiteto do Universo.


Desenvolve e entende a mensagem contida na filosofia da Maçonaria, em cuja escalada peregrina ao interior de si. Trabalha a pedra por dentro nos exercícios de individuação tornando-se consciente do milagre da vida que o anima. E nesse seu mundo interior desenvolve acurada consciência, instrumento que o desculpa e acusa, diferencia entre bem e mal, percebe certo e errado.


Na história da Maçonaria observa-se que quando de parte de maçons ocorreu desobediência civil, aconteceram fatos que promoveram melhorias às sociedades humanas. Treinado a consciência o maçom desobedece a tudo o que possa bloquear o exercício da liberdade responsável: o bom uso da liberdade com possibilidades de escolhas.


O maçom obedece mais à consciência criada pelo Grande Arquiteto do Universo que às leis, dogmas religiosos e ideologias políticas.


Parte do princípio que aceitar de forma passiva às leis injustas as tornam legítimas.


A sua espiritualidade associada à sua boa consciência leva-o a caminhar conforme os elementos de seu projeto existencial onde não obedece a ordens que conflitam com a moral guardada pela consciência.


Tem o dever juramentado de rebelar-se contra leis e dominações injustas.


Cultiva e condiciona sua consciência para a ação orientada ao amor fraterno; aquele sentimento em ação que soluciona a todos os problemas de relacionamento e humaniza o homem.


O treinamento da consciência é atividade permanente do maçom e é por isso que ele começa cada tarefa invocando a glória do Grande Arquiteto do Universo.