sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Armas da Reconstrução de Templos


Charles Evaldo Boller

Sinopse: O trabalhador guerreiro; com a trolha em uma das mãos e a espada na outra.

Em qualquer empreendimento, material ou espiritual, aonde o maçom se lance, há necessidade de trabalho constante. Daí o afloramento da boa vontade ser eficiente arma de defesa contra a oposição difamadora dos inimigos. No mínimo exige o aporte de coragem para enfrentar as vicissitudes da vida, entretanto, sem a existência de forte espiritualidade é praticamente impossível conciliar conflitos, sejam estes materiais ou espirituais. É a característica e desenvolvimento espiritual que dá ao homem a possibilidade de sobrevivência neste sistema competitivo. Característica que só desenvolve plenamente se movida pelo heroísmo de vencer a si mesmo, pelas aspirações e ideias que o diferenciam dos outros animais e de outros iguais. Sua característica guerreira não é fortuita, aconteceu em resultado de sucessivas fases de seleção natural, da prevalência do mais apto. É só olhar ao passado, na história da trajetória do homem até o presente e verificar que a jornada foi penosa, inclemente. Protegiam-se em locais lúgubres como florestas e cavernas, ou então, em encostas e escarpas para escapar aos predadores ou da fúria dos fenômenos naturais. A luta foi longa e muitos agonizaram para lançar o homem no atual estágio de desenvolvimento.

É notório que, apenas os agrupamentos de homens que detinham as mais desenvolvidas características espirituais progrediram e sobreviveram; os demais sumiram nas brumas do tempo sem deixar vestígio de suas passagens. Só as civilizações altamente desenvolvidas em espiritualidade deixaram marcas indeléveis de suas passagens e podem ser vistas hoje ainda. Estas características passaram entre as gerações e, de tão significativas, gravaram-se na estrutura social, passando por herança aos herdeiros, representando a diferença entre a vida e a morte, felicidade e sofrimento. Apenas as sociedades que obtiveram maior sucesso em sustentar características espirituais suplantaram as demais e dominaram por um tempo, normalmente enquanto primavam por altos valores morais e espirituais em suas sociedades. Só através da evolução espiritual é que foi possível obter recompensas de evolução e supremacia e nunca sem o empunhar da espada para defender-se dos inimigos. Os inimigos visíveis são mortos pela espada nos campos de batalha que se cobrem com sangue e, como consequência da derrotas, os seus castelos, templos e cidades são derrubados e incendiados; em muitos casos não sobra pedra sobre pedra. Os inimigos invisíveis, aqueles que conspiram para derrubar o templo interno de cada um, são eliminados por uma espada simbólica com capacidades de lógica, psicologia e gnosiologia.

A espada de defesa na construção e reconstrução de templos internos serve-se da lógica. É ela quem percebe quando o inimigo tenta, por insídia ou ignorância, destruir a construção. Embora a lógica pareça artificial, ela se impõe por si mesma. É a aplicação da razão ao pensamento enquanto pensado. É ferramenta do pensamento enquanto estiver no campo das ideias. Não atua no Universo físico, apenas no pensamento. O grande inimigo da construção é construído no pensamento, e é lá que deve aportar a sagacidade da lógica da espada para matar raciocínios tortos e que conduzem ao erro. É importante entender claramente o que o orador verbaliza e absorver corretamente as estruturas das palavras e frases e sua organização interna. Cabe ao maçom saber falar bem e interpretar corretamente o que fala, usando com galhardia a linguagem para expressar seu próprio pensamento e entender o que os outros realmente verbalizam. Não só ouvir, mas dar sentido lógico e aplicabilidade prática ou sensível. Deve ir além das palavras e descobrir falhas de raciocínio. Andar armado com a espada é necessidade em qualquer ambiente onde se reúnem homens. Todos têm interesses: uns bons, outros não! Que valor tem elogios ditos de forma a apenas fazer coceiras nos ouvidos dos ouvintes? Não é ofensa discordar! Desonesto é elogiar quando existe erro em algum raciocínio. Desgraçada é a construção cujo alicerce é minado pela adulação e falsidade. É cada um em si quem permite que os outros o atinjam com suas armadilhas, com seus pensamentos errados, e isto dura até o momento em que se aplica a fria espada da lógica para derrubar pensamentos tortos. E onde está a lógica na composição da espada? Ela está no fio. Quanto mais aguçada a lógica, com mais facilidade ela corta os raciocínios errados e o derruba inimigo da construção.

A espada que é usada na construção tem mais uma propriedade: a psicologia, capacidade inata ou aprendida para lidar com outras pessoas e consigo mesmo, levando em conta suas características psicológicas. Convém armar-se da espada que percebe a origem do pensamento expresso e qualificá-lo quanto ao tipo a que pertence. Qual linha ideológica defende. A lógica é dependente da psicologia, daí sua importância. A psicologia permite conhecer o processo de pensamento do homem, senão como saber onde atingir os pontos vitais do inimigo? Conhecer bem o homem e os pontos fracos e fortes do seu pensamento é importantíssimo na luta para defender o pátio de obras de construção ou reconstrução de templos. É aprender a reconhecer onde se é mais vulnerável, onde as muralhas são mais frágeis e que eventualmente permitirão um ataque surpresa de vícios e paixões. A psicologia é a essência do "conhece-te a ti mesmo". Sem conhecer a maneira como o homem pensa e sente é apenas luta inglória e o templo pode vir abaixo a qualquer sopro de contrariedades. Se a lógica é o fio da espada, a psicologia é a sua estrutura, o seu desenho é o que lhe dá forma.

Podemos associar fé à psicologia, que endurece o metal de que é feita. Fé é a crença no não visto. Acreditar na existência daquilo que o maçom representa apenas por um conceito, ao qual denomina Grande Arquiteto do Universo, é um ato de fé. É aceitar, mesmo sem ver, a manifestação de uma mente lógica que apenas cria as leis que dão vida. Este ato de fé é resultado da atuação de lógica e psicologia.

A esperança dá sentido e razão do porque lutar para defender o templo interno, aponta a direção para a espada atingir os pontos vitais do inimigo. É a certeza que o Criador não o colocou nesta bela nave espacial sem um propósito definido. Para alguns é indiferente viver em virtude da existência do mal, mas a maldade é criação do livre arbítrio da criatura e não do Criador. A intenção do Arquiteto é simples: felicidade.

Uma espada bem afiada, dura, bem desenhada, manejada com habilidade carece de mais uma característica: a gnosiologia; teoria geral do conhecimento humano, voltada para a reflexão em torno da origem, natureza e limites do ato de pensar; defende o pensamento quanto ao seu valor; estuda as relações entre as diversas verdades de um pensamento, entre o conhecimento e o objeto conhecido. Em grosso modo é a psicologia e a lógica atuando juntas para construir pensamentos corretos, sem falha, onde a gnosiologia apenas os organiza e classifica. É o conhecimento resultante da interpretação correta do pensamento enquanto estiver na cabeça. É a organização de conhecimentos visíveis como visão, gosto, tato, e invisíveis, ou como fantasia, metafísica e outras. Gnosiologia é necessária ao maçom para que esteja estruturado com uma espada eficiente, treinada e organizada para defender a construção de seu templo interior. É a espada do conhecimento que espanta todo e qualquer inimigo que tenta destruir a bela construção moral que cada maçom deve ser na construção da sociedade humana. É o motivo de o maçom estudar em sua loja os mais diversos assuntos do pensamento, guardando-os para aplicação em sua vida. O resultado de todo conhecimento é ordenado e organizado pela gnosiologia. Ela é a espada toda. Está em todos os detalhes, de como este são belos, ordenados e prontos para o uso. Uma arma desprovida de treinamento, organização e método são o mesmo que possuir um revólver sem saber usá-lo, vem o meliante e leva tudo, inclusive a arma.

O maçom que prima pela reconstrução constante de seu interior, de seu templo vivo, usa a trolha numa das mãos e empunha a espada na outra, e em virtude desta condição de permanente alerta é bem sucedido na vida, progride material e emocionalmente - apesar das dificuldades, é feliz. Aprende a suportar a visão do ser e do que há de mais luminoso do ser, visão equilibrada que passa a interpretar como o bem. Só usa da espada para matar os inimigos que tentam bloquear o caminho para a luz, para intimidar e afastar os que tentam interferir na sua permanente reconstrução, razão da sabedoria, manifestação da felicidade. O sumo do bem é encontrar a felicidade. Está consciente que é pelo valor, perseverança e firmeza com que trata seus assuntos internos que dependem seu sucesso na sociedade e constantes momentos de felicidade. Com este repetido trabalho de reconstrução do templo interno obtém a vitória da liberdade como consequência da coragem e da perseverança. Está consciente que o caminho da luz é resultado da repetição que conduz ao hábito, pois quem tem por hábito repetir práticas virtuosas certamente encontra a felicidade. Trabalha para construir um ambiente de paz e harmonia onde possa crescer junto com seus irmãos e cidadãos do mundo, sempre alerta contra os ataques, os quais são repelidos com coragem e firmeza. O ambiente que ele constrói internamente reflete-se ao seu redor, contamina aos que lhe são próximos. Surge o ambiente fraterno onde as pessoas tratam-se como irmãos, onde se reúnem diversos templos vivos semelhantes que têm profundo amor entre si, e como consequência, lá naquele local sagrado se manifesta aquilo que o maçom define pelo conceito de Grande Arquiteto do Universo.

Bibliografia:

1. CAMINO, Rizzardo da, Rito Escocês Antigo e Aceito, Graus um ao Trinta e Três, ISBN 978-85-370-0222-3, primeira edição, Madras Editora Ltda., 302 páginas, São Paulo, 2009;

2. CLAUSEN, Henry C., Comentários Sobre Moral e Dogma, primeira edição, 248 páginas, Estados Unidos da América, 1974;

3. MIRANDA, Pedro Campos de, Os Caminhos da Maçonaria, ISBN 85-7252-216-6, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 160 páginas, Londrina, 2006;

4. SANSÃO, Valdemar, O Despertar para a Vida Maçônica, ISBN 85-7252-206-9, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 192 páginas, Londrina, 2005;

5. SOBRINHO, Octacílio Schüler, Maçonaria, Introdução Aos Fundamentos Filosóficos, ISBN 85-85775-54-8, primeira edição, Obra Juridica, 158 páginas, Florianópolis, 2000;

6. SPOLADORE, Hercule, O Homem, o Maçom e a Ordem, ISBN 85-7252-204-2, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 194 páginas, Londrina, 2005.

Data do texto: 05/02/2010

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná

Local: Curitiba

Grau do Texto: Aprendiz Maçom

Área de Estudo: Espiritualidade, Filosofia, Maçonaria, Moral

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Formação do Ambiente para Reconstrução Interna


Charles Evaldo Boller

Sinopse: A espiritualidade necessária para obtenção da liberdade. Ferramentas utilizadas na construção de templos internos.

Com relação à proposta da Maçonaria de reconstruir o interior de um templo feito de carne e ossos, sendo este extensão ou parte de todas as partículas do Universo animadas com a mesma força ativa, usa-se do exemplo da reconstrução do templo de Jerusalém, em forma de lenda, uma alegoria. A constante reconstrução é com respeito a capacidades racionais, psicológicas, emocionais, valores, princípios e a metafísica do ser espiritual que cada homem desenvolvido é. O homem é um ser material com uma componente espiritual. A reconstrução diz respeito a uma reedificação interna constante devido à destruição efetuada por vícios e paixões desenfreadas, bem como, para relembrar valores adormecidos na memória. Este templo interior pode ser reconstruído indefinidas vezes, dependente apenas de constância na atividade. O local ideal para esta reconstrução interna deve constar de usufruto de amor e paz, porque é só na tranquilidade de um ambiente fraterno e amoroso que o homem se desenvolve para o bem. Esta construção interna, devidamente orientada, resulta no acumulo de inestimáveis tesouros que levam o homem a somar para a perenização da prevalência do bem no meio social em que vive.

Um ambiente cheio de angústia e terror quase impossibilita a reconstrução; apenas homens com alta capacidade de concentração progridem onde existe desorganização e agressividade. Num ambiente hostil e de alta concorrência o homem também não tem oportunidade para se reconstruir internamente. No mundo externo da Maçonaria, o aviltante sistema humano de escravidão drena toda a força ativa até sobrar apenas bagaço. A ordem maçônica tem como modificar esta realidade por provocar o maçom a efetuar reiteradas reconstruções de seu templo interior com vistas a libertá-lo dos grilhões da alienação do trabalho que escraviza e desvirtua a vida natural. Não que venha a partir de então a não trabalhar, mas o conscientiza das outras necessidades que dão sentido para a vida como: presença na família, diversão comedida, amizades e principalmente as necessidades internas de satisfação com a vida.

São provocações no campo intelectual e das sensibilidades, que despertam no indivíduo conhecimentos e percepções que ele já sabe, mas não aplica por estarem adormecidas. Estudiosos concluíram que é impossível levar educação de fora para dentro, daí a ênfase dada pela Maçonaria ao "conhece-te a ti mesmo", de Sócrates (468 a. C. - 399 a. C.). Pode-se introduzir conhecimento de fora para dentro, mas isto é impossível na educação das necessidades internas; aquelas que despertam potenciais internos sensitivos, emocionais e espirituais; esta informação já está lá, na assinatura genética, e só pode ser despertada.

Para Platão (428 a. C. - 347 a. C.) foi difícil definir aquilo que denominava alma inferior, ou os desejos e inclinações que levam à escravidão ao sensível, que de sua ótica levam sempre ao erro; na alma superior a racionalidade deveria desenvolver a capacidade de controlar paixões e desejos, senão seria impossível desenvolver comportamento moral, ou despertar o bem; é a noção de educação do homem naquilo com que a natureza já o proveu. O maçom já possui todas as características que dele fazem um homem moral, mas carece de aperfeiçoamento; é o que ele desenvolve nas constantes reconstruções de seu eu interior. Na ausência de valores na circunvizinhança, para não perecer ou submeter-se aos vícios e perigos, o homem que deseja reconstruir seu Universo interior tem praticamente impossibilitada a atividade de reconstrução interna porque precisa usar de toda a atenção e força para defender-se de ataques externos.

Quando o predador, o inimigo, está perto, toda atenção é dispensada para impossibilitar sua nefasta atuação. Situação vivida no dia-a-dia do trabalhador, onde no local de trabalho a concorrência e a maldade são permanentes caçadores de vítimas ao abate, para que outros possam beneficiar-se do espaço que ocupa. E existem aqueles que trabalham tanto que quase nada sobra para a convivência familiar, ou usufruir das coisas boas da vida no tempo certo e sem exageros.

O maçom usa de ferramentas na reconstrução. Uma delas é a trolha; pequena pá em forma triangular com a qual se assentam tijolos. A trolha é símbolo do trabalho honesto. Mas como usar uma trolha de pedreiro para reedificar internamente o homem? Tomada simbolicamente, esta pá de pedreiro tem um papel importante na reconstrução interna porque sem a utilização simbólica dela não é possível edificar o ambiente fraterno necessário para que cada um possa trabalhar em si. Daí o maçom designar o seu lugar de reunião de templo, um lugar de respeito onde trabalha em si mesmo e em seus relacionamentos apaziguados com a trolha e outras ferramentas. Mesmo o mais ingênuo não conspurca um local tão sagrado como o templo onde se reúne com outros irmãos e todos trabalham em seus templos, construindo e reconstruindo. Ao estender este raciocínio para o templo interior de cada um - o proprietário do mesmo nunca o sujaria! Apenas um louco ou afetado faria qualquer coisa para prejudicar o harmonioso funcionamento de seu templo. E destes existem multidões de desinformados, principalmente no que afeta a cultura e os valores.

Apesar deste raciocínio, mesmo numa loja maçônica existem atritos e tensões entre irmãos; todos são homens bons, mas imperfeitos; os mais sábios já reconstruíram diversas vezes seus templos internos; são os que estão na dianteira e iluminam o caminho aos menos experientes usando da trolha com maestria. Este instrumento de trabalho é o símbolo da tolerância e indulgência para com os erros dos irmãos; pequenas querelas que sempre acorrem entre os homens; principalmente onde se analisam questões sensíveis da dinâmica da sociedade. Normalmente estas discussões estão no plano das ideias e visando o bem da comunidade da loja. A trolha é usada simbolicamente para desconsiderar as pequenas imperfeições dos iguais. Ao "passar a trolha" por sobre as imperfeições de seus irmãos o maçom está trabalhando igualmente em seu templo interior e passa sobre eventual ofensa. Perdoa, esquece a injúria e elimina o ressentimento.

No usar da trolha o exercício espiritual é intenso, ainda mais que perdoar é característica de corajosos e não de fracos. O perdão é definitivo e não um exercício de dissimulação que quando uma oportunidade surgir, se existirem resquícios de ressentimento, estes eclodem em vingança. Ao "passar a trolha" o maçom obtém um locar fraterno onde reunir-se, em sendo homem bom, passa a permanentemente retrabalhar seu mundo interior afastado do mundo exterior onde um sistema aviltante o escraviza. Desenvolvendo virtudes como paciência e afabilidade criam-se ambientes propícios ao desenvolvimento espiritual, é a busca do amor fraterno, a única solução de todos os problemas da humanidade, conforme foi dito pelos grandes iniciados através dos tempos. Perdoar de fato é ato de heroísmo e o resplandecer do amor, é o desenvolvimento da nobreza da abnegação; de negar a si mesmo vantagens em nome do bem comum.

Ao invés da vingança, o ser espiritualizado julga o próximo com complacência e sem ódio, sabendo que também pode cometer os mesmos erros daquele que eventualmente ofendeu. Consciente de sua imperfeição corre em auxílio do próximo com mão de apoio e pratica a caridade. Com o despertar para a constante reconstrução interna glorifica a criação e destaca o poder e a glória da humanidade. Num mundo perfeito seria fácil usar da trolha para alisar os próprios defeitos e os dos semelhantes, mas a realidade não é assim.

Quem desenvolve seu mundo interior carece também de andar armado. Não para o ataque, mas para a defesa. Para reconstruir o templo interior é necessário fazer frente a terríveis e insidiosos inimigos. Cabe neste mundo real usar a trolha numa das mãos, enquanto na outra se porta uma arma de defesa.

O pior inimigo somos nós mesmos, que nos sabotarmos em resultado de vícios e paixões desenfreadas, e seguidamente destruímos nosso templo interior; daí a necessidade de permanentes ações de reconstrução. Aos inimigos externos até não é difícil combater; basta isolar-se daquela influência, mas não deixam de ser perigosos porque usam de nossas fraquezas para nos derrubar e enfraquecer. Normalmente são aqueles que estão mais perto, os amigos e familiares, que exploram nosso coração, instintos e emoções e nos fazem cair reiteradas vezes em erro. Como combater tais inimigos?

Sendo versátil. Numa mão a trolha e na outra a espada. É o trabalho em si com a trolha e ao mesmo tempo combater o mal que nos é imposto à convivência por influência do meio em que vivemos. Contra invejosos, insidiosos e traiçoeiros usa-se simbolicamente da espada da justiça, para os que erram contra nós usamos abnegada e carinhosamente da trolha; dois instrumentos muito importantes para a busca da paz social.

Trabalhar a pedra é bom quando suas faces são lisas e não causam atrito quando em contato com outras pedras. Por outro lado, como é natural e a maioria das pedras possuem asperezas, não assentando corretamente em seu espaço, invadindo o espaço que não lhes pertence, entra em ação a trolha. Aplica-se a massa da tolerância entre as duas pedras, o que reduz bastante o atrito com aqueles que ainda não obtiveram o grau de discernimento e postura adequados para não friccionar suas asperezas nos que estão próximos e desejam conviver para progredir na sua edificação interna. E se uma pedra insiste em prejudicar a outra, entra em ação a espada, que empunhada e movida com maestria, aplica a justiça e a diplomacia, o que espanta ou impede que as asperezas de terceiros abusados prejudiquem o brilho da pedra de cada um. Dizem que se as asperezas de uma pedra atritam a outra, e ambas persistem nesta provocação, então, ao invés de uma pedra cúbica e bem esquadrejada, o resultado será um pedra rolada de fundo de rio; sem forma definida e de comportamento que não adquire estabilidade; rola ao sabor dos eventos aleatórios em direção ao usufruto de uma vida vazia e sujeita a surpresas de chocar-se continuamente até sobrar apenas um pedregulho; isto se não dispersar em forma de areia, resultando um ser nulo, insignificante. A filosofia da Maçonaria possui cabedal de ideias para obtenção do ambiente propício ao desenvolvimento interno do construtor social; favorece o ambiente propício e calmo para trabalhar em paz o templo interior da pedra que reconhece que o Grande Arquiteto do Universo certamente muniu o homem com discernimento de avaliar a vantagem de praticar o amor fraterno em todas as instâncias da vida.

Bibliografia:

1. ANTISERI, Dario; REALE, Giovanni, História da Filosofia, do Humanismo a Kant, Volume 2, título original: Il Pensiero Occidentale Dalle Origini Ad Oggi, ISBN 85-349-0163-5, sexta edição, Paulus, 950 páginas, São Paulo, 1990;

2. ASLAN, Nicola, Instruções para Capítulos, para o 15º ao 18, ISBN 85-7252-218-2, quarta edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 114 páginas, Londrina, 2006;

3. CAPRA, Fritjof, O Ponto de Mutação, A Ciência, a Sociedade e a Cultura Emergente, título original: The Turning Point, tradução: Álvaro Cabral, Newton Roberval Eichemberg, primeira edição, Editora Pensamento Cultrix Ltda., 448 páginas, São Paulo, 1982;

4. COMTE-SPONVILLE, André, O Espírito do Ateísmo, título original: L'esprit de L'théisme, tradução: Eduardo Brandão, ISBN 978-85-60156-66-5, primeira edição, Livraria Martins Fontes Editora Ltda., 192 páginas, São Paulo, 2007;

5. MAQUIAVEL, Nicolau, O Príncipe, Comentado por Napoleão Bonaparte, tradução: Fernanda Pinto Rodrigues, segunda edição, Publicações Europa-américa, 182 páginas, 1976;

6. MICHEL, Oswaldo da Rocha, O Sentido da Vida e a Maçonaria, ISBN 978-85-7252-275-5, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 208 páginas, Londrina, 2010;

7. RIGHETTO, Armando, Maçonaria, uma Esperança, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 160 páginas, Londrina, 1992.

Biografia:

1. Platão ou Platão de Atenas, filósofo de nacionalidade grega. Também conhecido por Aristócles Platão de Atenas. Nasceu em Atenas em 428 a. C. Faleceu em Atenas em 347 a. C. Considerado um dos mais importantes filósofos de todos os tempos;

2. Sócrates ou Sócrates de Atenas, filósofo de nacionalidade grega. Nasceu em Atenas em 468 a. C. Faleceu em 399 a. C. Um dos mais importantes pensadores de todos os tempos.

Data do texto: 02/02/2010

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná

Local: Curitiba

Grau do Texto: Aprendiz Maçom

Área de Estudo: Educação, Espiritualidade, Filosofia, Justiça, Maçonaria, Moral, Tolerância