terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Restauração de Templos Vivos


Charles Evaldo Boller

Sinopse: Exortação à espiritualidade; vida eterna; restauração o templo interno e defesa dos inimigos; influência e pertencimento ao Universo.

O maçom é sucessivamente exortado a edificar e restaurar templos. Reconstruir templos danificados tem na Maçonaria significado simbólico de grande profundidade filosófica. Isto porque na reconstrução concorrem valores humanos significativos, bem mais intensos que na sua construção. Para uma edificação ser reconstruída, esta deve possuir valor inestimável, e são poucos os abnegados que se habilitam na empreitada de reconstruir algo danificado e com alta probabilidade de ser destruído de novo. Na reconstrução de templos concorrem valores como firmeza de decisão e perseverança no objetivo para concluir a reconstrução, bem como, heroísmo no enfrentamento de terríveis e insidiosos inimigos durante as atividades. A ordem maçônica usa de ilustrações de reconstruções para provocar o raciocínio de restaurações constantes de um tipo especial de templo: o homem integral.

Quando em Maçonaria se faz referência a um templo, este designa o local de reunião dos maçons, e por extensão simbólica, significa o "grande" Universo e o "pequeno" Universo, aonde este último constitui a essência do próprio homem, sua força vital, o seu corpo completo; o homem como um templo vivo. Entende-se por corpo completo a sua constituição física e a força ativa que o mantém vivo. Este conjunto complexo pode ser comparado a um Universo em miniatura composto de: corpo, mente, emoção e espiritualidade. Na soma total destes elementos, o espírito é considerado encarnado, parte do corpo físico. A reconstrução deste tipo de templo ocorre a cada iniciação, a cada nova modificação interior, em resultado da auto-educação estimulada pela ordem maçônica. Cada pedreiro trabalha com as ferramentas de que dispõe, em si mesmo e como resultado de seu desenvolvimento físico, intelectual, emotivo e metafísico. O sábio percebe a finalidade do desafio de modificar a si mesmo para o bem. O sublime e principal propósito é levar o homem a conhecer-se intimamente, de modificar-se, de reconstruir-se ou reorganizar-se internamente ao templo vivo que cada um é.

No diálogo, "O Banquete", Platão (428 a. C. - 347 a. C.) afirma que enquanto na juventude prevalece a admiração pela beleza, no adulto amadurecido descobre-se a verdadeira beleza na espiritualidade. É na maturidade que o homem desperta e se considera parte de um templo maior que consiste em toda a vida do "grande" Universo. Conscientiza-se que concorre para a realização de todo o esplendor do milagre da vida estabelecido em leis naturais espantosas, só compreendidas no amadurecimento espiritual adulto. Entretanto, existem "adultos" que, ao não se modificarem internamente, continuam menores de idade, dependentes da orientação de terceiros e ainda não alcançaram idade madura. Neste caso não se trata do período da vida compreendido entre a juventude e a velhice, ou a meia-idade, mas o termo último de desenvolvimento humano, a fase de autorealização. É a liberdade observada quando o homem não é culpado de sua própria menoridade, de sua heteronomia, de deixar-se conduzir por um terceiro. Heteronomia refere-se à deficiência onde a dependência não acontece for falta de entendimento ou limitação fisiológica, mas da falta de coragem ou preguiça de trabalhar em seu templo, presa de paixões desenfreadas ou vícios degradantes. Para Platão, o adulto que venceu sua minoridade reconhece que a beleza emana de sua característica espiritual, essencialmente quando desenvolvida por si mesmo e em si mesmo. E isto constitui a liberdade absoluta do homem, pois quando não padece de heteronomia, é em seu "pequeno" Universo interior, qual templo, que o homem adulto é soberano e senhor absoluto.

Um templo maçônico é a representação simbólica do Universo maior, composta de toda matéria animada e inanimada. É tão incrível a matéria deste "grande" Universo que, se observada de perto, de bem perto, ao nível atômico e subatômico, é como se toda a existência material fosse feita com absolutamente nada de massa, de quase nada, quase que exclusivamente de espaço vazio. As partículas são tão insignificantes e afastadas umas das outras em espaços relativos tão grandes que, em essência, resulta apenas espaço vazio. E é tão somente pela velocidade com que os elétrons giram ao redor do núcleo que se manifesta a solidez da matéria. Em essência, a matéria do Universo é feita de nada, de espaço vazio. Ser parte deste todo e ao mesmo tempo deste nada, deste maravilhoso espetáculo da matéria inanimada e animada pelo sopro da vida, é o que dá um importante significado para a vida do homem. É uma distinção impar ser uma individualidade diante do volume de matéria inanimada que existe. O homem é feito da matéria inanimada do Universo, a qual recebeu vida de uma forma ainda incompreensível para o seu conhecimento científico. É natural que, respeitadas as devidas proporções, se considere o homem como um "pequeno" Universo de matéria e energias aglutinadas e animadas por uma energia vital e sobre o qual o intelecto sem heteronomia exerce poder e comando.

Se as estrelas e planetas exercem influências gravitacionais de uns sobre os outros, então as partículas que formam o templo do homem, o seu "pequeno" Universo interior, estão sob influência energética dos outros corpúsculos semelhantes espalhados pelo "grande" Universo. É este pertencer que dá grande significado para a vida do homem. Seu templo faz parte indissolúvel do Universo e isto promove um maravilhoso significado para exercer a liberdade com responsabilidade. É uma honra e distinção impossível de esquecer o fato de ser premiado para viver com liberdade dando conta de si mesmo no Universo.

Se destruído o corpo, ou parte dele, ao nível da matéria e com a atual tecnologia disponível ainda é impossível ao homem reconstruir um templo assim. Resta remendar o corpo físico e mantê-lo funcionando mesmo que precariamente e em decadência progressiva. Para viver com qualidade, o sábio cuida bem de sua saúde física e emocional enquanto os anos lhe vão desgastando a maravilhosa estrutura biológica, até o instante em que a regeneração química de suas moléculas se torna impossível e o sopro da vida o abandona. Alguns parceiros do homem que compartilham a biosfera terrestre têm em si a capacidade de desenvolverem novos membros que lhes foram arrancados por acidentes ou predadores, mas ao homem esta faculdade ainda não se disponibilizou. Já o templo interior do homem é passível de reconstrução, basta que para isto se parta para a ação com vontade e perseverança. A capacidade de reconstruir o templo interior, uma vez destruído, é uma capacidade que cada homem possui em potencial. É só deixar que esta inclinação espiritual se manifeste e se obedeça ao bom senso de seguir sempre em frente.

Simbolicamente, a ação nobre da espada inibe a aproximação e defende do inimigo externo e subjuga e mata o inimigo interno, enquanto a trolha, na mão do trabalhador da pedra, participa na edificação e reedificação de templos. A trolha constrói o templo externo de pedra, assentando as pedras, em cujo interior, ao alisar as paredes, melhora as relações entre as pedras vivas que estão construindo e reconstruindo templos vivos. Os maçons reúnem-se num templo de pedra que representa o Universo, local sagrado onde cada indivíduo reconstrói seu próprio lugar sagrado, o templo de si mesmo. É local também onde se provoca e incentiva ao seu irmão a edificar e melhorar seu templo. Cada um atua num templo de carne que é a representação em miniatura do Universo dentro de um templo de pedra que representa o Universo. Os templos melhorados pelo trabalho em si mesmos agradecem ao privilégio de vestirem ossos com carne, animados pela força ativa do espírito que exalta o dom da vida. É pelo conjunto de todo o trabalho de construção e reconstrução, planejado racionalmente, que o maçom declara a glória do Grande Arquiteto do Universo,

Bibliografia:

1. CAMINO, Rizzardo da, Rito Escocês Antigo e Aceito, Graus um ao Trinta e Três, ISBN 978-85-370-0222-3, primeira edição, Madras Editora Ltda., 302 páginas, São Paulo, 2009;

2. CLAUSEN, Henry C., Comentários Sobre Moral e Dogma, primeira edição, 248 páginas, Estados Unidos da América, 1974;

3. MIRANDA, Pedro Campos de, Os Caminhos da Maçonaria, ISBN 85-7252-216-6, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 160 páginas, Londrina, 2006;

4. SANSÃO, Valdemar, O Despertar para a Vida Maçônica, ISBN 85-7252-206-9, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 192 páginas, Londrina, 2005;

5. SOBRINHO, Octacílio Schüler, Maçonaria, Introdução Aos Fundamentos Filosóficos, ISBN 85-85775-54-8, primeira edição, Obra Juridica, 158 páginas, Florianópolis, 2000;

6. SPOLADORE, Hercule, O Homem, o Maçom e a Ordem, ISBN 85-7252-204-2, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 194 páginas, Londrina, 2005.

Data do texto: 26/01/2010

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná

Local: Curitiba

Grau do Texto: Aprendiz Maçom

Área de Estudo: Espiritualidade, Filosofia, Maçonaria, Simbologia

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Educação Natural na Maçonaria


Charles Evaldo Boller

Sinopse: Conceito de educação natural; escalada da violência; possibilidade de corrigir direções erradas da civilização.

A escola pública na maioria dos países não contempla a educação natural, aquela que organiza os valores e princípios internos, preconizada pelo Movimento Iluminista, cujas bases foram lançadas por Rousseau (1712-1778) e complementadas por Kant (1724-1804). A educação que humaniza o homem não existe na escola pública moderna, em todos os países. A escola pública gratuita está voltada mais para a transmissão de conhecimento que para a formação do homem integral. Inclusive é negligente com a formação humana nos aspectos de incutir valores e princípios. O homem não é treinado para: pensar; meditar; desenvolver virtudes; emoções; e espiritualidade, mas para ser escravo do próprio homem. Com raríssimas exceções, escolas particulares educam de fato, incutem valores e espiritualidade junto com a formação para o mercado de trabalho. Mas estas escolas normalmente estão fora da realidade econômica da maioria da população.

A transmissão de conhecimentos está voltada para o Comércio e a Indústria, requisitos do Capitalismo, que exerce domínio absoluto em todos os níveis, em todas as escolas públicas ou privadas. Ganho financeiro é um poder ao qual o homem se submete. Negligencia-se o homem em sua trajetória pela vida e se favorece o aparecimento de criaturas com graves crises existenciais, frustradas de tal forma que chegam a não dar mais o devido valor à própria vida. Vive-se o momento e apenas para si mesmo. Os próprios filósofos alardeiam que a vida humana não tem finalidade alguma, que em sua jornada pela biosfera o homem é apenas objeto de eventos aleatórios. Sem a educação natural o homem está condicionado para apenas gozar da vida e fugir das vicissitudes ao invés de enfrentá-las. A única perspectiva futura daquele que não obteve este tipo de educação é de sumir no nevoeiro do tempo de onde lhe foi dito que foi gerado a partir da evolução de bactérias, algas, fermentos, fungos, esponjas, águas-vivas e vermes, para uma não existência, um esquecimento eterno.

Abrir escolas incentiva a ciência, mas não intensifica a consciência; sentimento ou conhecimento que permite ao ser humano vivenciar, experimentar ou compreender aspectos ou a totalidade de seu mundo interior. Na existência de mais consciência, o número de vagas ocupadas nas cadeias diminuiria. Mesmo toda a informação e ciência produzidas pelas escolas podem fechar uma prisão sequer se a sociedade não se conscientizar da necessidade do desenvolvimento da consciência, da moralidade e do bem.

O que antigamente era desenvolvido no seio da família deveria ser ministrado na escola pública, já que pai e mãe, quais escravos, são obrigados a trabalhar debaixo do sistema. Entretanto, a escola pública limita-se em transmitir conhecimento voltado para mercado de trabalho que escraviza, enquanto o treinamento das emoções, sentimentos, sentidos e instintos são negligenciados. Ações que o bom senso recomenda como fundamentais para diminuir o número de presidiários e gerar cidadãos felizes, equilibrados e socialmente integrados. A educação dos potenciais latentes em cada um aproxima o homem de sua condição humana. Educação é consciência, instrução é ciência; ambas sustentam o corpo; a mais importante é a invisível consciência.

Nem religiões, e muito menos governos tratam a educação com a seriedade que deveriam. Governos querem transmitir instrução, religiões restringem-se a moral e assim o homem fica incompleto. Descartes (1596-1650) disse: "Toda a filosofia é como uma árvore: as raízes são a metafísica, o tronco é a física e os ramos são todas as outras ciências". Usando deste pensamento, o homem moderno está incompleto na raiz. Não existe alicerce. Aquilo que não se vê. Sabe-se que existe, mas fica enterrado dentro da pessoa. A escola constrói o homem material, apenas o que da árvore aparece acima do solo; preocupa-se apenas com tronco e folhas. As raízes são complexas necessidades que dão razão para viver e não se restringem apenas à moralidade.

A religião deveria preocupar-se com o alicerce e completar o que está invisível, mas isto não acontece! Centenas as religiões apenas exploram as pessoas em seus metais e as enganam com fantasias. Durante um curto espaço de tempo até é possível enganar alguns, mas é difícil manter mentiras por muito tempo. Acrescente-se que todas as religiões fundamentam seu poder no medo de muitos e na inteligência de um grupo reduzido que lhes definem os descaminhos, sempre voltados ao domínio e opressão pelo medo. Todos os esforços, da absoluta maioria das religiões, estão voltados para um aviltante senhor e único amo: o valor financeiro. A religião coloca de um lado um diabo e de outro um salvador. Enquanto um leva o homem à perdição o outro supostamente o resgataria. Em grosso modo, as maquinações teologais buscam fora do homem a solução de suas incertezas e angústias existenciais; e só se manifestam se sua ação for possível de converter em ganho de qualquer natureza; principalmente financeira e política. Diante desta realidade, que é constante em todas as civilizações, não se constrói ou se fortalece a raiz, o alicerce invisível que mantém o homem de pé frente às tempestades e incertezas da vida. Fica o homem jogado de um lado ao outro ao sabor de tentações e redenções.

Na ausência de formação integral e do despertar da consciência o desenvolvimento do homem fenece e de sua essência apodrece-lhe a raiz nos porões da sociedade, raízes atadas por inquebrantáveis grilhões; indestrutíveis porque são usados voluntariamente, no exercício do livre arbítrio. A conseqüência do livre arbítrio é o homem ser o único ator da construção de sua vida e responsável tanto pelo mal como pelo bem que produz. Ele é responsável por todas as suas ações, independente de prêmio ou castigo, céu ou inferno, ser bom ou mau. Se o homem não gozasse de um projeto que o criou livre e independente, de nada serviria educação de qualquer tipo; bastaria seguir o que lhe fosse ditado pelos instintos. Mas não é assim. O homem é responsável por sua história porque foi dotado de livre arbítrio e nenhum intermediário, homem santo ou clérigo religioso o poderá salvar; nem mesmo Deus interferirá, porque o Grande Arquiteto do Universo criou o homem independente, livre, dotado de livre escolha. Se o Criador interferisse nas ações da criatura seria como admitir a existência de erros em seu projeto. É devido a isto que a Maçonaria ensina que liberdade vem sempre acompanhada de responsabilidade. Quem escraviza é o próprio homem. E o que é ilógico, o homem escraviza a si mesmo. Ao longo da história homem vem explorando homem em seu próprio prejuízo. É dominado à força ou se deixa dominar em virtude de suas limitações e vícios.

No convívio social eclodem choques de todos os tipos. A violência alcançou patamares insustentáveis. Se buscadas razões fora de si, a culpa pela violência é do meliante que pratica a violência. Mas ao lume da fria razão a culpa é partilhada com o omisso que se prende atrás das grades e muros de seu castelo, pensando que isolando a violência lá fora será poupado de sua ação. Diz o sábio que o silêncio dos bons é tão responsável pela maldade quanto o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética. Felizmente os maus ainda constituem minoria. O problema é que a sociedade está cada vez mais tolerante e omissa no tratamento com o mau. O egocentrismo cria legiões de omissos e materialistas. Resguardam-se na ilusão de que o mal nunca cairá sobre eles e por covardia e omissão deixam o mal crescer. Mas como a realidade mostra, o mal sobrevirá para todos os que o provocam, seja por ação ou por omissão. O cidadão bom está por detrás das grades enquanto o meliante está do lado de fora tentando levar vantagem. A sociedade corre atrás de corrigir o mal depois de feito e pouco se faz de forma preventiva através da educação.

Se o homem fosse apenas produto do meio de nada adiantaria também qualquer tipo de educação. Seria simplíssimo! Para resolver os problemas de violência bastaria modificar as circunstâncias do meio em que o homem vive. Afastá-lo da sociedade que o perverte; como o Emílio descrito por Rousseau. Se apenas o meio modificasse o homem para o bem, então todo maçom seria só candura! Mas a realidade não é assim! Ser bom ou mau é questão de escolha, de exercer o poder do livre arbítrio para o bem ou para o mal, e isto é modificável pela educação. Incentivados pela Maçonaria, autoconhecimento e autorealização são caminhos para amenizar o mal porque usam do poder do livre arbítrio do próprio homem para o bem.

Na política, o nebuloso clima de corrupção e a sensação de impunidade deixam a todo bom cidadão desalentado. Isto porque o homem transfere poder aos maus ao vender seu voto. Desta forma os maus estão no poder criando leis cada vez mais complexas e intrincadas de modos que ao meliante fica fácil constituírem defensores matreiros que os defendam na Justiça. E para complicar ainda mais, a Justiça - brasileira - é tão lenta em responder aos anseios do bom que é como se ela sequer existisse. A sensação de impunidade é insuportável!

Se a escola pública realmente educasse o homem conforme preconizado pelos iluministas, e não apenas o instruísse para o trabalho assalariado, a forma de escravidão moderna, a realidade social seria muito diferente. A Maçonaria oferece a educação natural e basta ao maçom aproveitar da oportunidade oferecida e partir para se auto-educar nos moldes ditados por homens como Rousseau e Kant. O ideário educacional iluminista traçou o caminho de uma época de escravidão ao absolutismo imperial e clerical e pavimentaram caminhos para a Democracia e o capitalismo, realidades que apresentam hoje outras nuanças e dificuldades. Os eventos que sucederam os ideários humanitários e pacifistas dos iluministas tornaram-se sucessões de impérios de terror e amarguras. Para os iluministas do século das luzes a violência desencadeada depois de sua atuação destruiu os resíduos de esperança que ainda lhes restavam. Foram revoluções e guerras globais revestidas de muita maldade, do jorrar de muito sangue inocente, de acendimento e manutenção de muito ressentimento. A paz só é mantida pela guerra; são guerras preventivas em todos os quadrantes do Orbe. A constante é sempre o homem explorando o próprio homem.

Quantos hoje são os que seguem a única lei, a do amor fraterno, ditada por grandes iniciados do passado? Ritualística, simbologia e alegorias são ferramentas pedagógicas da Maçonaria programadas como portadoras de mensagens de homens do passado para os homens ao futuro, que é o hoje. A educação natural preconizada por Rousseau e Kant ainda está em sintonia com a dinâmica social de nossos dias. Cabe ao maçom usar da oportunidade que a ordem maçônica oferece e desenvolver em si consciência e valores morais com vistas à sabedoria que conduz a felicidade da humanidade. É a razão de ser designado construtor social. O bom senso indica que a tarefa do malho e do cinzel ainda não terminou. Cabe ao maçom morrer e renascer diversas vezes e ressurgir sempre renovado de dentro da pedra bruta e disforme para servir de pedra angular na construção de templos vivos, purificados da maldade que o homem desenvolve quando se sociabiliza. Certamente o Grande Arquiteto do Universo, através daquilo que inspira o maçom a pensar com sabedoria, proverá as Luzes necessárias para iluminar os caminhos do futuro e usar da Sublime Instituição para a libertação do homem dominado pelo próprio homem.

Bibliografia:

1. ARANHA, Maria Lúcia de Arruda, História da Educação e da Pedagogia, Geral e Brasil, ISBN 85-16-05020-3, terceira edição, Editora Moderna Ltda., 384 páginas, São Paulo, 2006;

2. ROHDEN, Humberto, Educação do Homem Integral, primeira edição, Martin Claret, 140 páginas, São Paulo, 2007;

3. ROUSSEAU, Jean- Jacques, Emílio ou Da Educação, R. T. Bertrand Brasil, 1995.

Data do texto: 19/01/2010

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná

Local: Curitiba

Grau do Texto: Aprendiz Maçom

Área de Estudo: Educação, Espiritualidade, Filosofia, Maçonaria, Pedagogia

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Kant na Construção de Homens Livres


Charles Evaldo Boller

Sinopse: Definições educativas de Kant emcampadas pela Maçonaria; iluminação ou maioridade educacional promovida pela Maçonaria.

Kant (1724-1804) melhorou as ideias de Rousseau (1712-1778) na linha do pensamento iluminista, traduzindo o pensamento daquele nos termos conhecidos hoje na Maçonaria:

- Busca do equilíbrio entre corpo, mente, emoção e espiritualidade ficaram esclarecidas e desvinculadas de intermediação por terceiros; o maçom trabalha só num templo vivo, que é ele mesmo;

- A educação pessoal passa a ser focada no aprendiz, no aluno e não no professor, no clérigo ou numa instituição; o aprendiz trabalha em si mesmo; todo maçom é um eterno aprendiz no que diz respeito aos seus assuntos;

- Limita que a razão não é capaz de reconhecer realidades que não provocam a experiência sensível como: Deus, imortalidade da alma, o infinito do Universo, liberdade, questões metafísicas e consciência moral; daí o cultivo da espiritualidade ser parte da educação obtida na Maçonaria, que não é religião; a espiritualidade é parte indissolúvel do processo de educação natural sem configurar-se em religião; na Maçonaria, escolher uma religião é responsabilidade individual;

- Diferencia os princípios racionais da razão especulativa; razão da apresentação, pelos maçons, de múltiplas facetas de uma mesma verdade em suas considerações e especulações; deixa-se para o ouvinte formular seu próprio juízo;

- Aproxima a razão prática com a vida prática e moral; isto é o que recebe maior ênfase no desenvolvimento maçônico para preparar o homem para a ação social e de onde o maçom deriva ganhos em todos os aspectos, inclusive financeiros;

- Desenvolve raciocínios a respeito de se cumprir o dever pelo dever e não em troca de favores ou benefícios; a espiritualidade e a obediência civil instruída pela filosofia maçônica não é baseada em prêmio e castigo, céu e inferno; cumpre-se o dever pelo dever e não com vistas a um ganho de qualquer tipo; a obediência se dá porque o maçom deseja ser bom e não em resultado de benesse ou tribulação;

- Incentiva o homem a agir pelo dever e combater a boa luta interior entre a lei universal e as inclinações individuais, lançando os pressupostos da liberdade da vontade;

- Preconiza a aprendizagem do controle do desejo não com vista a um suposto prêmio, mas pela disciplina para atingir o governo de si mesmo e a capacidade de se autodeterminar; de modo que cada um forme em si mesmo o seu próprio caráter moral;

- Que mesmo sob forças de coerção, a finalidade principal é propiciar o afloramento do sujeito moral de modo a unir educação e liberdade; na Maçonaria a liberdade é resultado de treinamento, condicionamento do equilíbrio entre liberdade e responsabilidade;

- Define que nenhuma verdade vem de fora do indivíduo, mas é construída pelo cidadão em si mesmo, com alicerce naquilo que ele foi e é; é o indivíduo quem permite que a verdade lhe penetre mente e coração por ação da razão treinada e instruída;

- Estabelece que liberdade de credo seja o ponto base para a boa educação; isto enriquece o debate dos assuntos tratados, visto sob a ótica de outras interpretações religiosas e derruba a razão de tanta separação indevida em nome de verdades que às vezes divergem apenas por mera interpretação semântica ou posições de pontos e vírgulas;

- Cria critérios de liberdade e tolerância religiosa; é a razão de na Maçonaria sentarem sob um mesmo teto pessoas que em outras condições seriam capazes de se agredirem ao ponto de se matarem;

- Afirma que a pessoa moralmente livre é um fim em si mesmo e não para alguma coisa, para ninguém, nem mesmo para Deus; isto de forma alguma limita o poder divino, antes, o enaltece, pois o Criador criou a criatura com o espírito da liberdade, com livre arbítrio; é especificação intencional e característica da criatura ditada pelo Criador; O projeto do homem inclui a autodeterminação, tudo passa pelo filtro do ego, pelo livre arbítrio, e neste mecanismo nem o Grande Arquiteto do Universo interfere; a criatura foi criada livre; e liberdade responsável é uma das principais divisas utilizada pela Maçonaria.

Por influência do iluminismo, Kant cunhou o verbete alemão 'Aufklärung', em português 'esclarecimento', onde ele afirma que o homem é culpado de sua própria menoridade em termos educacionais, quando esta deficiência não for falta de entendimento, mas falta de coragem ou indolência.

É devida a Horácio, e neste mesmo contexto utilizada por Kant, a expressão latina 'sapere aude', ou 'ouse saber', que determina ao homem munir-se de coragem para saber, estudar, conhecer.

A Maçonaria provoca o maçom a largar de sua acomodação de menoridade e que desenvolva a coragem de se responsabilizar pela vida e pela sua história, conduzindo a sua existência para a maioridade. Insiste-se que se abandone a culpa que o escraviza e o submete ao sistema de coisas. Isto é incutido já na iniciação do primeiro grau, quando não pode prescindir da condução de um terceiro em seus passos, cuja dependência dos irmãos vai se libertando cada vez mais na escalada dos graus.

É intenção que o homem saia de sua condição de culpado pela menoridade e vá à luta, que saia de sua acomodação e comece a pensar por si mesmo, utilizando-se plenamente de sua capacidade racional. As provocações contra a alienação do pensamento e da heteronomia, deixar-se conduzir por outro, pretendem livrar o homem e conduzir para a educação natural. Fomenta-se que passe a assumir o risco de suas decisões e coragem para superar o medo que inibe os processos criativos.

Para obter a coragem de determinar-se livre o maçom se utiliza dos irmãos, do apoio que deles emana como grupo. O individuo interage com o grupo, agindo cada um reciprocamente sobre o outro. Esta interação pode levar a ação positiva pelo condicionamento pela educação, mas não é determinante porque depende muito da força de vontade de cada um em determinar-se, de superar o ego, de derrubar as quase intransponíveis muralhas do livre arbítrio.

Para obter a liberdade apenas coragem não é suficiente. Há necessidade de comprometimento pessoal, a autoeducação, de o maçom esculpir-se para fora da rocha disforme e rústica, daí aflora a possibilidade de transformação interna, da transformação do homem integral. Ao superar a minoridade da heteronomia, o medo da liberdade, e assumir a responsabilidade de si mesmo, desperta o homem natural definido por Rousseau; morre o homem escravizado e nasce o homem livre. Todas as iniciações da Maçonaria são exercícios de aprender a morrer para aprender a viver bem. Mostra-se o quanto é efêmera a vida, daí resultar em motivação para viver bem a vida, de ser bom porque assim a razão o determina e não porque possa sofrer algum castigo ou receber determinado prêmio.

Ao ser humano que faz uso de sua capacidade racional é dada a oportunidade de construir-se a si mesmo, de esculpir-se de dentro da pedra em todos os sentidos. Trabalhar o todo de si mesmo bem acima dos instintos e produzir cada característica individual de sua própria existência. Esta é a educação natural definida por Rousseau e Kant na construção de homens livres e donos de si, que na Maçonaria são pedras vivas e independentes, construtores com seus próprios corpos do edifício da sociedade. E este trabalho justifica o fato do maçom nunca iniciar uma tarefa antes de render honra ao Grande Arquiteto do Universo.

Bibliografia:

1. ARANHA, Maria Lúcia de Arruda, História da Educação e da Pedagogia, Geral e Brasil, ISBN 85-16-05020-3, terceira edição, Editora Moderna Ltda., 384 páginas, São Paulo, 2006;

2. ROHDEN, Humberto, Educação do Homem Integral, primeira edição, Martin Claret, 140 páginas, São Paulo, 2007;

3. ROUSSEAU, Jean- Jacques, Emílio ou Da Educação, R. T. Bertrand Brasil, 1995.

Biografia:

1. Fritjof Capra, autor, físico e teórico de sistemas. Nasceu em 1 de fevereiro de 1939, com 69 anos de idade;

2. Humberto Rohden, autor e professor de nacionalidade brasileira. Autor de: O Processo de Sindicância;

3. Kant ou Immanuel Kant, conferencista, filósofo, maçom, professor e teólogo de nacionalidade alemã. Nasceu em Königsberg em 22 de abril de 1724. Faleceu em Königsberg, em 12 de fevereiro de 1804, com 79 anos de idade. Geralmente considerado como o último grande filósofo dos princípios da era moderna, indiscutivelmente um dos seus pensadores mais influentes;

4. Maria Lúcia de Arruda Aranha, autora e professora de nacionalidade brasileira. Licenciada em filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo;

5. Rousseau ou Jean-Jacques Rousseau, ensaísta, escritor, filósofo, pedagogo e sociólogo de nacionalidade francesa. Nasceu em Genebra, Suíça em 28 de junho de 1712. Faleceu, em 2 de julho de 1778, com 65 anos de idade. Foi de suma influência na Revolução Francesa e no Romantismo.

Data do texto: 12/01/2010

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná

Local: Curitiba

Grau do Texto: Aprendiz Maçom

Área de Estudo: Educação, Filosofia, Maçonaria, Pedagogia

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Luta Pela Sobrevivência


Charles Evaldo Boller

Sinopse: Estamos nesta biosfera para comer uns aos outros, mas enquanto não chegar a nossa vez, a vida pode ser desfrutada com qualidade.

Mesmo que entre as criaturas da biosfera exista luta permanente, quando uma alimenta-se do corpo da outra para sua sobrevivência, a atitude do homem, em resultado de sua capacidade de pensar, por empatia para com seus semelhantes, deveria ser mais benevolente, mais condescendente, e prevalecer mais respeito.

A análise torna o estudante sábio quando deduz que as melhores virtudes afloram enquanto não ocorre luta pelo espaço vital e o meio de sustentação da vida; muitas criaturas disputando o mesmo espaço e recursos despertam os mais cruéis instintos selvagens, daí a necessidade de diminuir a prole ser algo a plantar na mente de todos.

Se isto não ocorrer e o esgotamento da natureza levar ao colapso, a capacidade de pensar livremente de nada mais servirá, pois o frágil sistema econômico mundial vai falir e as dores de aflição serão progressivas em violência até encontrar seu ponto de equilíbrio: matando a maioria dos pobres. A natureza será igualmente mortal para obter o equilíbrio, mesmo que para isto mais uma espécie deva ser extinta: o próprio homem.

Resta ao livre pensador usar o que está desenhado no projeto do Grande Arquiteto do Universo onde consta uma fórmula para derramar sabedoria na mente de todos os homens de boa vontade. Nós sabemos perfeitamente decifrar esta fórmula, está escrita claramente na mente e no coração de todos os homens, é só buscar e praticar. Colocar fé na possibilidade dos sofrimentos resultantes das convulsões do agonizante sistema econômico mundial seja minimizado pela prática daquilo que existe latente em cada ser humano e até nos animais. Ter esperança que a ação da Maçonaria e outras instituições assemelhadas sejam bem sucedidas em formar o maior número possível de homens e lideranças para acelerar o aporte do salto de inspiração, do insight que livrará a todos das crises que assolam a sociedade. Todos os homens, e não apenas os maçons, sabem do que se trata! Teimosamente o homem insiste em esquecer-se da prática da atitude que poderia melhorar a efêmera existência neste sistema de coisas. Que a crise de esquecimento passe e seja logo esquecida!

Enquanto isto convém lembrar-se do prazer que sentem os carnívoros quando bebem do sangue das outras criaturas que com seus corpos os alimentam! Ao devorar um belo pedaço de picanha, qual o homem que naquele momento pensa que aquilo que está ingerindo é o cadáver de outra criatura criada pelo sistema do Grande Arquiteto do Universo para a manutenção da vida? Poucos! Pense no caranguejo, ostras e mariscos que são cosidos vivos para servir de alimento! Insensíveis, continuaremos a comer da carne uns dos outros para sobreviver, é criatura comendo a outra porque assim nos foi transmitido pela evolução das criaturas vivas desta biosfera. Ao menos com nossos assemelhados deveríamos usar de empatia e minimizar a miséria e o sofrimento, mesmo que a solução para manter o equilíbrio do sistema de suporte da vida seja a morte de todas as criaturas.

A solução para boa convivência consiste no amor fraterno que pavimenta o caminho em direção a um futuro promissor, repleto de felicidade para as criaturas. Este sim tem a capacidade de solucionar todos os problemas da humanidade. Grandes pensadores e iniciados, em todos os tempos já o divisaram como a única solução para obter convivência pacífica até que a morte venha e nossos corpos sejam dados como alimento para outras criaturas sobreviverem por mais uns tempos até que a sua vez também chega para alimentar outras criaturas em círculos fechados a que denominamos ecossistemas.

O Grande Arquiteto do Universo escreveu em nosso DNA, em nossa mente a solução para uma vida com qualidade; é só praticar o amor fraterno para com tudo o que nos cerca porque estamos em equilíbrio e devemos respeitar os limites impostos pela Natureza. Caso contrário, desapareceremos como espécie ou até destruiremos nossa biosfera, o nosso lindo Jardim do Éden que vaga pelo espaço infindo a um destino desconhecido que só o Grande Arquiteto do Universo sabe. Somos todos tripulantes desta linda nave espacial linda e azul feita do nada para nosso usufruto enquanto ser.

Bibliografia:

1. ABBAGNANO, Nicola, Dicionário de Filosofia, Dizionario di Filosofia, tradução: Alfredo Bosi, Ivone Castilho Benedetti, ISBN 978-85-336-2356-9, quinta edição, Livraria Martins Fontes Editora Ltda., 1210 páginas, São Paulo, 2007;

2. BOURRICAUD, François; BOUDON, Raymond, Dicionário Crítico de Sociologia, tradução: Durval Ártico, Maria Letícia Guedes Alcoforado, ISBN 978-85-0804-317-0, segunda edição, Editora Ática, 654 páginas, São Paulo, 2007;

3. GEORGE, Susan, O Relatório Lugano, Sobre a Manutenção do Capitalismo no Século XXI, título original: The Lugano Report, tradução: Afonso Teixeira Filho, ISBN 85-85934-89-1, primeira edição, Boitempo Editorial, 224 páginas, São Paulo, 1999;

4. MASI, Domenico de, Criatividade e Grupos Criativos, título original: La Fantasia e lá Concretezza, tradução: Gaetano Lettieri, ISBN 85-7542-092-5, primeira edição, Editora Sextante, 796 páginas, Rio de Janeiro, 2003;

5. MASI, Domenico de, O Futuro do Trabalho, Fadiga e Ócio na Sociedade Pós-industrial, título original: Il Futuro del Lavoro, tradução: Yadyr A. Figueiredo, ISBN 85-03-00682-0, nona edição, José Olympio Editora, 354 páginas, Rio de Janeiro, 1999;

6. ROUSSEAU, Jean-Jacques, A Origem da Desigualdade Entre os Homens, tradução: Ciro Mioranza, primeira edição, Editora Escala, 112 páginas, São Paulo, 2007.

Data do texto: 08/01/2010

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná

Local: Curitiba

Grau do Texto: Aprendiz Maçom

Área de Estudo: Educação, Filosofia, Maçonaria, Sociologia

Eliminação de Doenças

Charles Evaldo Boller
O maçom que vive a Maçonaria também adquire a capacidade de refrear os desejos e desregramentos; outra expressão de liberdade. Ao dominar-se, determinar-se, faz aquilo que quer, e não o que determinam seus desejos tirânicos e descontrolados. Aprende que a razão domina os desejos, mas não os elimina; luta que nunca acaba.

A sabedoria mais assentada sabe perfeitamente que não se deve baixar a guarda diante da força dos desejos selvagens. É por isto que ele evita empanzinar-se com excessos de comida e bebida e leva a vida com moderação. Sabe que a racionalidade sozinha não tem como lidar diretamente com os desejos.

Deduz em seus estudos que o homem não é apenas ventre e cabeça, o treinamento o leva a desenvolver forte espiritualidade. Não uma crença naquilo que não vê ou determinado pela fé em dogmas, mas a inspiração racional de que existe de fato uma mente orientadora, um princípio criador que dirige a dança da vida.

As religiões não estão dispostas a acordos ou negociações como é de se esperar numa sociedade que cresce vertiginosamente em termos de conhecimento tecnológico. O de mente aberta por sã racionalidade identifica a existência de um Grande Arquiteto em todas as obras de criação da biosfera e fora dela. Já os crentes nas palavras, tidas como escritas por inspiração divina, resultado de inspiração de deuses antropomórficos, não possuem tal liberdade e interpretam os livros escritos por outros homens, impondo-os aos demais como verdades absolutas; não existe acordo com o fundamentalismo religioso.

O radicalismo fanático religioso é outro instrumento do sistema econômico mundial para matar e submeter os pobres ao estado numa espécie de fornicação; exemplo disso foi vivenciado durante a segunda guerra mundial, quando padres e pastores, em ambos os lados das fronteiras, incitavam seus soldados: - "vão lá e matem em nome de Deus e do país" - estando do outro lado soldados que pertenciam as mesmas religiões.

Aquelas instituições religiosas que se negaram, tiveram seus seguidores perseguidos e eliminados. Isto também aconteceu com os maçons, porque a eles foi dada a oportunidade de exercerem sua capacidade libertadora através do exercício do livre pensamento, do estudo diligente que conduz à liberdade com responsabilidade; deduz-se que nem sempre o livre pensamento e o livre arbítrio exercido com responsabilidade, trás felicidade, pode também propiciar a morte. Para tais momentos é importante o aporte de forte capacidade espiritual.

A Maçonaria oferece o desenvolvimento de espiritualidade desvinculada dos extremismos das religiões radicais; incentiva a prática da religião na medida em que propicie o nascimento da espiritualidade, dentro daquilo que a razão pode tratar e que liberte as pessoas da escravidão imposta pelo fundamentalismo; encoraja a prática de uma religião como iniciadora de uma caminhada sem intermediação; uma espiritualidade flexível e disposta a acordos em sincronia com o fluxo da evolução científica e social.

É fato que os laboratórios farmacêuticos não têm a mínima vontade de efetuar investimentos para desenvolver pesquisas em medicamentos para os pobres. Muito menos em obter soluções simples e baratas para minimizar doenças.

Não se investe pesado em saúde pública preventiva.

Políticas de esterilização e contracepção são combatidas pelas religiões, sua hipocrisia aceita com mais facilidade a matança posterior imposta pelo sistema econômico mundial que prevenir.

É financeiramente mais vantajoso matar depois de exaurir a capacidade produtiva por doenças - algumas naturais, outras fabricadas.

A listagem de doenças é enorme. Algumas pragas para reduzir a população mundial: AIDS; vírus ebola, lassa ou marburgo; doenças respiratórias; sarampo; cólera; malária; tuberculose; gripe a; aleitamento por mamadeira; e tantos outros.

Adicionem-se drogas, falta de água potável, falta de espaço vital e outras necessidades, e os quadros são dramáticos, dignos do inferno de Dante.

Os mecanismos de busca do equilíbrio estão em ação; matando os dispensáveis - só alienados, que não pensam com isenção e razão, desapercebem a execução em massa.

A liberdade só é obtida com pessoas saudáveis. Pobres e doentes são descartados para limitar a população dentro de parâmetros que garantam a sobrevivência daqueles que podem pagar o preço.

O que se vê é apenas um faz-de-conta nos investimentos em educação e saúde.

É para o despertar disto que a Maçonaria cria o ambiente propício para trabalhar a mente de seus adeptos, incentivando-os em buscarem a liberdade pelo pensamento, dedicado a encontrar soluções para a humanidade sair desta situação terrível que vive.

A sedimentação de princípios para ajudar a humanidade a transpor esta fase com o menor dano é maior onde se vê a prática de debates, palestras ou estudos em lojas, sejam elas de natureza filosófica, sociológica, antropológica, ou outra. O maçom que estuda e age conforme o que aprende de seu relacionamento com outras pessoas, detentoras da mesma orientação mental, não é conivente com a mortandade que ocorre ao redor, antes, torna-se multiplicador de posturas que libertam o cidadão para a vida com felicidade com isto demonstrando que o Grande Arquiteto do Universo tem um projeto inteligente de felicidade para suas criaturas.

Bibliografia:
1. ABBAGNANO, Nicola, Dicionário de Filosofia, Dizionario di Filosofia, tradução: Alfredo Bosi, Ivone Castilho Benedetti, ISBN 978-85-336-2356-9, quinta edição, Livraria Martins Fontes Editora Ltda., 1210 páginas, São Paulo, 2007;
2. BOURRICAUD, François; BOUDON, Raymond, Dicionário Crítico de Sociologia, tradução: Durval Ártico, Maria Letícia Guedes Alcoforado, ISBN 978-85-0804-317-0, segunda edição, Editora Ática, 654 páginas, São Paulo, 2007;
3. GEORGE, Susan, O Relatório Lugano, Sobre a Manutenção do Capitalismo no Século XXI, título original: The Lugano Report, tradução: Afonso Teixeira Filho, ISBN 85-85934-89-1, primeira edição, Boitempo Editorial, 224 páginas, São Paulo, 1999;
4. MASI, Domenico de, Criatividade e Grupos Criativos, título original: La Fantasia e la Concretezza, tradução: Gaetano Lettieri, ISBN 85-7542-092-5, primeira edição, Editora Sextante, 796 páginas, Rio de Janeiro, 2003;
5. MASI, Domenico de, O Futuro do Trabalho, Fadiga e Ócio na Sociedade Pós-industrial, título original: Il Futuro del Lavoro, tradução: Yadyr A. Figueiredo, ISBN 85-03-00682-0, nona edição, José Olympio Editora, 354 páginas, Rio de Janeiro, 1999;
6. ROUSSEAU, Jean-Jacques, A Origem da Desigualdade Entre os Homens, tradução: Ciro Mioranza, primeira edição, Editora Escala, 112 páginas, São Paulo, 2007.

Alta Concorrência

Charles Evaldo Boller
O sistema econômico mundial mantém os menos aptos submissos pela falta de educação.

Em países do hemisfério sul são estabelecidos pisos para investimento na educação em todos os níveis do poder, mas estes pisos passam a ser utilizados pela administração pública como tetos, e a partir disto, o cidadão não aprende a pensar, fica desqualificado para o mercado de trabalho, não exerce sua capacidade de libertar-se para a vida com qualidade. E como não tem capacidade de alimentar o sistema econômico mundial, ele fenece.

Exemplo disto é o fato de existirem em nossos dias milhares de indústrias eficientes que produzem bens para um número cada vez menor de clientes; porque estes não têm condições de comprá-los; daí estas mesmas indústrias demitem ou automatizam cada vez mais e com isto eliminam seus principais clientes que são os funcionários demitidos.

Outra faceta é a daqueles que obtém a possibilidade de levar a vida de uma forma mais confortável e que tomam para si muito mais que o necessário para sua sobrevivência, é o desperdício.

Mahatma Gandhi disse que "a cada dia a natureza produz o suficiente para nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não haveria pobreza no mundo e ninguém morreria de fome".

O maçom é incentivado em promover a caridade. Será suficiente?

Por mais que se auxilie em ações pontuais, jamais será capaz de acabar com o abismo que separa ricos de pobres.

Só a capacidade de pensar pode municiar os pobres com a capacidade de eles mesmos irem em busca de recursos, não poluir e reduzir a natalidade. Com isto se reduzirá a ação nefasta do sistema econômico mundial que escraviza ao ponto de matar para possibilitar sua própria sobrevivência.

Debaixo do sistema humano sempre existirão pobres e miseráveis, mas não haverá necessidade de partir para ações que trucidam tantos de forma vil.

Temos no Brasil uma prática funesta de inibição da vontade de progredir, são as bolsas de auxílio aos pobres. Prática fatal que inibe o desenvolvimento individual e incentiva a natalidade. Quanto mais filhos, mais dinheiro o cidadão recebe. Prevalece a motivação em adquirir sempre mais ativos econômicos sob forma de filhos e não a investir em outras formas de riqueza.

Número elevado de filhos é fato de relevância econômica que pertence ao passado.

Hoje o mercado deve manter um número elevado de posições de trabalho não qualificado apenas para sustentar os menos dotados, uma das razões de limitação vem desta prática terrível de dar esmolas com o dinheiro de erário. Com isto produzem-se mais pessoas para serem mortas pelo sistema econômico mundial quando sua estabilidade é ameaçada.

O pobre não tem capacidade de formar sua prole debaixo da realidade de mercado.

Milhões de pessoas não serão absorvidos pelo mercado de trabalho, exigindo do Estado liberação progressiva de recursos da previdência social sem colaborar com a formação do fundo, esgotando-o, originando um escorchante sistema de impostos e confiscos.

É necessário acordar para o fato de que é só pela liberdade de pensamento, evitar preconceitos e dogmas, combater a ignorância que o cidadão vai limitar sua prole e com isto garantir sua felicidade.

No ritmo em que vai, estima-se que em 2020 seremos quase nove bilhões de pessoas.

A fome aumentará de forma geométrica, teremos talvez uma em cada três pessoas passando fome.

Ao longo da história humana, em quase todas as sociedades, existem registros de crises de alimentação, onde os cidadãos de países inteiros morreram de fome.

As ruas de nossas cidades, dia-a-dia passam a receber mais veículos; quantos morrem diariamente apenas em ocorrência de trânsito? Quanto menos espaço para circular, mais aumenta o comportamento agressivo, mais aumenta a violência. É só estender este raciocínio para as outras carências e necessidade básicas do homem. Tire do homem de forma significativa a capacidade de visão, de alimentação, de deslocamento, ou outra necessidade básica de vida, e faça um exercício de abstração para imaginar até aonde a barbárie tomará conta das tênues relações humanas reguladas pelas leis.

Dizem que "quando a miséria entra pela porta, a virtude sai pela janela", daí é só surgir escassez de qualquer recurso que afloram no homem os piores de seus instintos selvagens. Não é isto que experimentamos diariamente? É só assistir aos noticiários para ver a degradação moral e crescimento da violência.

Estarão todos cegos? Terá esfriado o amor fraternal? É muita concorrência!

A quantidade de seres humanos concentrados em pequenos espaços, na ocorrência de competição por qualquer recurso básico de vida, acirra o afloramento das maiores bestialidades, aonde as leis perdem seu efeito regulador nas relações entre as pessoas.

Fica pior quando a Justiça é servida em conta-gotas, é quando esta se comporta como se nem existisse; acrescente legisladores que criam leis que defendem o criminoso, instituições de direitos humanos que defendem o malfeitor, e outros detalhes, que o descrédito nas tênues forças coercitivas das relações sociais desaparece, o caos se estabelece, desaparece a liberdade.

Ao maçom fica a tarefa de consertar esta realidade social. Terá ele esta capacidade? Apenas o amor fraterno praticado entre todos os homens solucionará todos os problemas da humanidade, assim como dito pelos grandes iniciados e que iluminará a caminhada humana à glória do Grande Arquiteto do Universo.

Bibliografia:
1. ABBAGNANO, Nicola, Dicionário de Filosofia, Dizionario di Filosofia, tradução: Alfredo Bosi, Ivone Castilho Benedetti, ISBN 978-85-336-2356-9, quinta edição, Livraria Martins Fontes Editora Ltda., 1210 páginas, São Paulo, 2007;
2. BOURRICAUD, François; BOUDON, Raymond, Dicionário Crítico de Sociologia, tradução: Durval Ártico, Maria Letícia Guedes Alcoforado, ISBN 978-85-0804-317-0, segunda edição, Editora Ática, 654 páginas, São Paulo, 2007;
3. GEORGE, Susan, O Relatório Lugano, Sobre a Manutenção do Capitalismo no Século XXI, título original: The Lugano Report, tradução: Afonso Teixeira Filho, ISBN 85-85934-89-1, primeira edição, Boitempo Editorial, 224 páginas, São Paulo, 1999;
4. MASI, Domenico de, Criatividade e Grupos Criativos, título original: La Fantasia e la Concretezza, tradução: Gaetano Lettieri, ISBN 85-7542-092-5, primeira edição, Editora Sextante, 796 páginas, Rio de Janeiro, 2003;
5. MASI, Domenico de, O Futuro do Trabalho, Fadiga e Ócio na Sociedade Pós-industrial, título original: Il Futuro del Lavoro, tradução: Yadyr A. Figueiredo, ISBN 85-03-00682-0, nona edição, José Olympio Editora, 354 páginas, Rio de Janeiro, 1999;
6. ROUSSEAU, Jean-Jacques, A Origem da Desigualdade Entre os Homens, tradução: Ciro Mioranza, primeira edição, Editora Escala, 112 páginas, São Paulo, 2007.

Iluminação e Evolução do Pensamento

Charles Evaldo Boller
A maior dádiva que se obtém na Maçonaria é o desenvolvimento da capacidade de pensar para além dos limites que alguém impôs a si mesmo por condicionamento no cativeiro debaixo do sistema econômico mundial.

Ser capaz de pensar por si é o maior estágio de liberdade alcançável de forma consciente.

A capacidade de criar idéias novas, libertadoras, é desenvolvida em diálogos, debates e meditação. Na interação com o pensamento de outras pessoas absorvem-se novas idéias, e estas somadas com aquelas já existentes na memória, pela ação da meditação ou intuição transformam-se em pensamentos inéditos, totalmente diferentes dos pensamentos que lhe deram origem. Assim ocorre desde que o homem passou a usar do pensamento para interagir com o ambiente. Foi o que o diferenciou das outras unidades viventes deste imenso organismo vivo que é a biosfera terrestre.

É no pensamento que se materializa a liberdade absoluta, local que a nenhum déspota jamais foi dado saber o que o outro pensa.

Todo aquele que se submete ao pensamento de outros, por preguiça de pensar, é escravo; um homem domina o outro através da força do pensamento, da capacidade de realização do pensamento.

Todo desenvolvimento humano surgiu primeiro na mente.

Pensamento é energia.

Pensamento revela riquezas que estão disponíveis ao redor. É só aprender a colher. É a razão do maçom diligente e perseverante melhorar suas condições sociais e financeiras.

Ninguém escraviza a quem se tornou livre pensador, pois é pela "aufklärung", uma conceituação de Kant que significa iluminação, que ele se conscientiza que sem liberdade deixam de existir fraternidade e igualdade. Um ser iluminado goza de liberdade do pensamento e não carece da tutela de ninguém, é a liberdade absoluta, não carece mais ser guiado por outro, tem coragem de usar do próprio discernimento de seu intelecto para desbravar seus próprios caminhos.

Liberdade começa no pensamento; o resto é mera consequência.

Confúcio disse: "Estudo sem pensamento é trabalho perdido; pensamento sem estudo é perigoso".

Na era paleolítica o homem era uma espécie de gari da natureza, sobrevivendo graças ao que encontravam por acaso. Progrediu até que, pela caça em grupo, obteve sucesso em capturar animais de maior porte e a utilizar-se da colheita selecionada de frutas.

No neolítico passou a desenvolver a agricultura, pastoreio de animais e usar o ferro.

Durante cerca de duzentos anos passou a desenvolver-se cientificamente e a utilizar-se de máquinas automáticas.

Nos últimos anos passou a usar intensamente do saber e da informação.

Existe um abismo entre a primeira e a última fase do desenvolvimento da criatividade humana, tudo resultado da capacidade de pensar com lógica.

A velocidade com que se sucederam as diversas etapas manifestou-se em progressão geométrica.

E como tudo na natureza é uma questão de domínio do mais apto, a maioria das pessoas sempre é dominada pelos melhor preparados; por aqueles que treinaram e são livres para pensar às suas próprias custas, estes foram e são os mais ricos e se forem sábios, serão mais felizes. Também são os mais ricos que mais espoliaram os menos aptos, os pobres e incapacitados de pensar às suas próprias expensas.

Benevolência, magnanimidade, é dada a poucos; sempre houve a exploração do homem pelo próprio homem.

O único caminho para progredir debaixo deste sistema de coisas é educar-se, estudar das coisas da ciência para subsistir com qualidade e educar-se para obter maiores possibilidade de obter sucesso e ser feliz.

Ao maçom é propiciada esta oportunidade de auto-educar-se, de progredir como pessoa, como homem. A educação aqui preconizada é a educação natural, criada por Rousseau e complementada por Kant. Todo aquele que percebe esta intenção e tira da Ordem Maçônica tudo o que é importante para educar-se na linha natural vai obter sucesso na vida e será mais uma pedra polida na sociedade humana, para honra e à glória do Grande Arquiteto do Universo.

Bibliografia:
1. ABBAGNANO, Nicola, Dicionário de Filosofia, Dizionario di Filosofia, tradução: Alfredo Bosi, Ivone Castilho Benedetti, ISBN 978-85-336-2356-9, quinta edição, Livraria Martins Fontes Editora Ltda., 1210 páginas, São Paulo, 2007;
2. BOURRICAUD, François; BOUDON, Raymond, Dicionário Crítico de Sociologia, tradução: Durval Ártico, Maria Letícia Guedes Alcoforado, ISBN 978-85-0804-317-0, segunda edição, Editora Ática, 654 páginas, São Paulo, 2007;
3. GEORGE, Susan, O Relatório Lugano, Sobre a Manutenção do Capitalismo no Século XXI, título original: The Lugano Report, tradução: Afonso Teixeira Filho, ISBN 85-85934-89-1, primeira edição, Boitempo Editorial, 224 páginas, São Paulo, 1999;
4. MASI, Domenico de, O Futuro do Trabalho, Fadiga e Ócio na Sociedade Pós-industrial, título original: Il Futuro del Lavoro, tradução: Yadyr A. Figueiredo, ISBN 85-03-00682-0, nona edição, José Olympio Editora, 354 páginas, Rio de Janeiro, 1999;
5. ROUSSEAU, Jean-Jacques, A Origem da Desigualdade Entre os Homens, tradução: Ciro Mioranza, primeira edição, Editora Escala, 112 páginas, São Paulo, 2007.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Rousseau e a Educação Natural

Charles Evaldo Boller

Rousseau (1712-1778) disse que: "Toda a nossa sabedoria consiste em preconceitos servis; todos os nossos usos não são senão sujeição, embaraço e constrangimento. O homem civil nasce, vive e morre na escravidão; ao nascer, envolvem-no em um cueiro; ao morrer, envolvem-no em um caixão; enquanto conserva sua figura humana está acorrentado a nossas instituições". (Emílio, ou da Educação, Rousseau, São Paulo, Difel). Rousseau foi o mentor inicial da educação natural, cujas idéias foram depois reforçadas, melhor definidas e ampliadas por Kant (1724-1804). Estabeleciam um gradativo retorno à natureza, não de forma a transformar o homem em selvagem, mas pela naturalização comportamental e espontaneidade dos sentimentos.

Papéis significativos foram também desempenhados por Diderot (1713-1784) e Helvétius (1715-1771), quanto à importância no desenvolvimento pessoal usando como mola propulsora as paixões positivas e que rejuvenesceriam o mundo moral. Para obter a liberdade individual, as paixões positivas desempenhariam valor vivificador no mundo moral. Os combates às paixões do maçom dizem respeito àquelas associadas ao vício e licenciosidade, já as paixões ligadas às virtudes e benéficas à educação natural do homem são fortemente incentivadas.

A escravidão sempre se baseia na falta de educação; é muito mais fácil dominar o ignorante, violento e amoral que o indivíduo esclarecido, ou iluminado pela educação. Quando a escola era domínio da religião, ela disseminava a semente da dominação absoluta do rei para assuntos políticos e da religião para assuntos metafísicos; assim compartilhavam o poder apenas entre si. A educação antiga só era de fato acessível às elites e em todas as eras sempre representa uma forma de poder. Desde a invenção da escrita a manutenção do Estado era realizada pelo escriba, cargo que só os mais ricos e influentes obtinham. Em quase todas as civilizações a educação era controlada pela Teocracia - isto sempre restringiu o acesso ao conhecimento técnico aos iniciados na religião do Estado. No antigo Egito, Mesopotâmia, China, Índia, na tradição hebraica, enfim, todas as civilizações centralizaram o conhecimento nas castas mais abastadas da população, e principalmente, em iniciados em mistérios religiosos da religião do Estado. Assim funcionava até que os iluministas introduziram modificações na educação.

A educação natural, aquela voltada para a felicidade individual, laica e não intelectualizada reduziu a dominação absolutista. Normalmente em convulsões revolucionárias. O grande valor do trabalho de Rousseau na pedagogia é o fato de dar ao ensino público uma conotação política e de valorização do homem em todos os níveis sociais, disposição exposta quando afirma que a educação pública deve passar necessariamente por formação cívica, de identidade do cidadão com o país. Afirmava não ser a educação pública idéia dele e quem tivesse interesse, que lesse 'A República', de Platão. O ensino público e gratuito foi o veículo mais importante do Iluminismo que preconizava pelo uso da razão no combate às superstições e obscurantismo religiosos.

A Maçonaria é instrumento importante, não o único, na defesa da escola leiga, não relacionada a religião e função do Estado. Entre outras acusações, mas principalmente pelo posicionamento para a educação, a Ordem Maçônica foi objeto de violentas reações do poder dos estados, bem como, de bulas papais de condenação; ódio que até hoje não foi revogado. O medo dos poderosos não é tanto pela forma esotérica das reuniões dos maçons, mas principalmente pelo fato de pela educação natural libertar o pensamento do cidadão, conscientizando-o de seu papel na sociedade e no Universo. A ordem maçônica não concorda com posicionamentos radicais ou de concentração de poder, e isto lhe rende poderosos inimigos. A vingança de insidiosos perseguiu maçons; miríades morreram para manter a ação de educar o homem do povo em direção à liberdade.

Em sua época, Rousseau teve de fugir diversas vezes da perseguição. As bases de suas considerações pedagógicas declaravam que o homem em estado natural é bom, mas a sociedade dominada pela hipocrisia das instituições o corrompe, destruindo sua liberdade; dizia: - "o homem nasce livre e por toda parte encontra-se a ferros". Em termos políticos defendia que o povo é soberano, e para tal há necessidade de educar o ser humano integral; desenvolveu a idéia da educação natural - nos moldes do que os nobres praticavam em certa fase histórica de Atenas, na Grécia antiga, e hoje, na Maçonaria, tal procedimento é representado simbolicamente pelo homem esculpindo a si mesmo de dentro da rocha disforme.

A educação natural rejeita toda e qualquer tentativa de intelectualização da educação; na Maçonaria qualquer pessoa tem acessos e facilitadores a complexos pensamentos filosóficos apenas por nutrir-se da vasta coleção de símbolos e alegorias.

A linha de pensamento iluminista foi fortemente influenciada pela obra intelectual de Rousseau na educação, inclusive vai além do ato pedagógico e de formação humana que ele apresenta em 'Emílio' e depois complementa em 'Do Contrato Social'. Em conjunto estes trabalhos estabelecem conceitos de cidadania natural do homem na sociedade. O objetivo de Rousseau sempre foi o homem do povo; do cidadão com vistas ao desenvolvimento do homem natural; que não deve ser confundido com o homem da natureza, analisado em seu 'Discurso Sobre a Origem da Desigualdade Entre os Homens'.

O homem natural é o melhoramento do homem da natureza, o cidadão como essência do homem civil, mesmo quando este convive em ambiente hostil às virtudes como acontece com o maçom hodierno. O afastamento de Emílio da influência perniciosa da sociedade é copiado pela Maçonaria quando suas reuniões acontecem longe e isoladas do mundo externo; num mundo idealizado, igualitário, perfeito para o desenvolvimento da educação do homem natural, que:
- É completo em si, a unidade e absoluto total, aquele que tem relação apenas para consigo e a coletividade;
- Como homem civil não é nada mais que uma fração em relação ao corpo social;
- Como indivíduo usa da razão e da universalidade da natureza do homem para usufruto da felicidade;
- O homem é em essência um representante da espécie humana que, dotado de razão, deve desenvolver-se através da educação natural para ocupar seu espaço no Universo.

Em seus estudos Rousseau define que o homem não se reduz apenas a sua condição intelectual, não é apenas razão e reflexão, mas condicionável pela educação a controlar sentidos, emoção, instintos e sentimentos, numa educação natural ativa voltada para usufruto da vida, por ação proativa e movimentada pela curiosidade. Algo assim é absorvido na vivência da rígida disciplina ritualística existente nos templos da Maçonaria, local onde muito de seu pensamento voltado para a educação natural foi adaptado e veio até nossos dias. A pretensão é a mesma da dos tempos de Rousseau - libertar o homem e torná-lo feliz; a Maçonaria apenas propicia os meios e o local para o homem se auto-educar.

Na ordem maçônica pratica-se a educação de si mesmo, a educação natural; que já é parte do projeto do homem. O entendimento é simples se considerar que o livre arbítrio permite apenas a existência da auto-educação. É bem diferente da educação voltada para o conhecimento, dirigida quase que exclusivamente para a escravidão, à alienação pelo trabalho. A educação natural está voltada para a liberdade do homem em sentido lato e através do qual honra o ato criativo do Grande Arquiteto do Universo.

Bibliografia:
1. ARANHA, Maria Lúcia de Arruda, História da Educação e da Pedagogia, Geral e Brasil, ISBN 85-16-05020-3, terceira edição, Editora Moderna Ltda., 384 páginas, São Paulo, 2006;
2. CAPRA, Fritjof, A Teia da Vida, Uma Nova Compreensão Científica dos Sistemas Vivos, título original: The Web of Life, a New Scientific Understandding Ofliving Systems, tradução: Newton Roberval Eichemberg, ISBN 85-316-0556-3, primeira edição, Editora Pensamento Cultrix Ltda., 256 páginas, São Paulo, 1996;
3. CAPRA, Fritjof, As Conexões Ocultas, Ciência para a Vida Sustentável, título original: The Hidden Connections, tradução: Marcelo Brandão Cipolla, 13ª edição, Editora Pensamento Cultrix Ltda., 296 páginas, São Paulo, 2002;
4. ROHDEN, Humberto, Educação do Homem Integral, primeira edição, Martin Claret, 140 páginas, São Paulo, 2007;
5. ROUSSEAU, Jean- Jacques, Emílio ou Da Educação, R. T. Bertrand Brasil, 1995;
6. ROUSSEAU, Jean-Jacques, A Origem da Desigualdade Entre os Homens, tradução: Ciro Mioranza, primeira edição, Editora Escala, 112 páginas, São Paulo, 2007.

Biografias:
1. Diderot ou Denis Diderot o Filósofo, escritor, filósofo e maçom de nacionalidade francesa. Também conhecido por Denis Diderot. Nasceu em Langres, França em 5 de outubro de 1713. Faleceu em Paris, em 30 de julho de 1784, com 70 anos de idade. Um satirista que se tornou conhecido por sua conversa brilhante;
2. Fritjof Capra, autor, físico e teórico de sistemas. Nasceu em 1 de fevereiro de 1939, com 69 anos de idade;
3. Helvétius ou Claude Adrien Helvétius, escritor e filósofo de nacionalidade francesa. Nasceu em Paris em 26 de janeiro de 1715. Faleceu, em 20 de dezembro de 1771, com 56 anos de idade. As idéias de Helvétius influenciaram as doutrinas dos revolucionários franceses, a filosofia utilitarista de Bentham e também várias teorias democráticas e socialistas do século XIX;
4. Humberto Rohden, autor e professor de nacionalidade brasileira. Autor de: O Processo de Sindicância;
5. Kant ou Immanuel Kant, conferencista, filósofo, maçom, professor e teólogo de nacionalidade alemã. Nasceu em Königsberg em 22 de abril de 1724. Faleceu em Königsberg, em 12 de fevereiro de 1804, com 79 anos de idade. Geralmente considerado como o último grande filósofo dos princípios da era moderna, indiscutivelmente um dos seus pensadores mais influentes;
6. Maria Lúcia de Arruda Aranha, autora e professora de nacionalidade brasileira. Licenciada em filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo;
7. Platão ou Platão de Atenas, filósofo grego. Também conhecido por Aristócles Platão de Atenas. Nasceu em Atenas em 428 a. C. Faleceu em Atenas, em 347 a. C. Considerado um dos mais importantes filósofos de todos os tempos;
8. Rousseau ou Jean-Jacques Rousseau, ensaísta, escritor, filósofo, pedagogo e sociólogo de nacionalidade francesa. Nasceu em Genebra, Suíça em 28 de junho de 1712. Faleceu, em 2 de julho de 1778, com 65 anos de idade. Foi de suma influência na Revolução Francesa e no Romantismo.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Herança Educacional Iluminista

Charles Evaldo Boller

Foram significativas as mudanças que se manifestaram na Europa durante o século XVIII, e entre estas surgiu a Maçonaria Especulativa (1717), como parte ativa do processo de gradativa migração do poder para a burguesia, concentrado até então na nobreza e no clero. O Teocentrismo Medieval, Deus como centro de tudo, há muito instigava ao lançamento de idéias que fortaleciam o poder do cidadão. Aos poucos o poder absoluto sobre o cidadão foi desaparecendo e definiram-se os contornos da Democracia. Na época, por herança de práticas e costumes medievais, os nobres viviam à custa dos esforços de outros cidadãos da sociedade, o que prejudicou o nascimento da indústria e dificultava o livre comércio.


Com a invenção e desenvolvimento da máquina a vapor entre 1765 e 1790, por James Watt (1736-1819), se estabelece o início da Revolução Industrial, marca do fim do poder de imperadores e papas, e nascimento do poder do povo. Os burgueses, na Revolução Francesa (1789-1799), usaram de palavras cunhadas por Rousseau (1712-1778) que estabeleceram princípios de liberdade, igualdade e fraternidade através das luzes, divisa usada até hoje pela Maçonaria. Onde a Luz dos iluministas significava o poder da razão humana de interpretar e reorganizar o Universo. O Movimento Iluminista visava inicialmente à liberdade de pesquisa científica, ação que através de Rousseau estendeu-se depois para a educação natural com ênfase no condicionamento moral e cívico.

O Século das Luzes teve inúmeros mentores, cuja ampla maioria concordava que, em resumo, apenas a educação poderia proporcionar os meios para livrar os homens das garras do poder absoluto que embotava o desenvolvimento. Qualquer poder estabelecido sabe, e a Maçonaria promove, que um povo instruído e educado é mais difícil de conduzir com dogmas e crendices, mas é mais feliz porque assume o controle da sua convivência pacífica na sociedade.

O Liberalismo foi outra forte movimentação da burguesia. Atuando na economia, François Quesnay (1694-1774) e Adam Smith (1723-1790) representam as aspirações do cidadão em gerenciar seus próprios negócios sem a interferência do Estado. Defendia-se a economia perseguindo caminhos ditados por leis naturais, onde a figura de um Estado intervencionista não existe. Na política, os mesmos ideais liberais lutavam de todas as formas contra o absolutismo. Na moral buscavam-se formas laicas de tornar naturais as ações do comportamento humano.

Por conta de abusos clericais e da inquisição, que durou mais de seiscentos anos, de 1183 até 1821, o Iluminismo rejeitava a adesão à religião. Principalmente às filosofias religiosas povoadas de fantasias e alegorias ilógicas e impostas como verdades, que pelo aspecto verossímil são colocadas como fatos verdadeiros ao invés de declaradas de origem ficcional, apenas para fins de ilustração de verdades e filosofias.

Os iluministas combatiam os dogmas que em religião estabelecem invenções forçadas, inverossímeis, determinadas por decreto pela autoridade religiosa como verdade divina revelada e que o adepto tem por obrigação acatar; são imutáveis; verdades absolutas que sequer permitem discussão, nem mesmo pensar em contestação; imposição que determina como o adepto deve pensar e até sentir. Foi contra as religiões que impõem dogmas e fantasias, que os iluministas se rebelaram; não eram ateus, muito ao contrário! - Isto, mesmo hoje, não passa de acusação leviana, falsa e insidiosa de parte dos detratores do Iluminismo. Defendiam o aporte de uma religião natural, com orientação mais racional de fé, ou crença naquilo que não é visto e ser apenas sentido ou intuído. Bastava-lhes a fé num princípio criador - semelhante ao que era percebido pelo pensamento lógico do homem da natureza, o qual percebia a impossibilidade de sua existência ser obra do acaso; para o qual é aceitável a existência de uma mente criadora lógica e orientadora da exuberante e diversificada natureza que o cercava e servia; e com a qual vivia em dependência. Hoje se reconhece a simbiose evolutiva como obra criativa, onde a criação é resultado da cooperação e co-evolução das células em processos evolutivos cada vez mais intrincados e complexos orientados por leis definidas por uma mente orientadora, conceito ao qual o maçom denomina Grande Arquiteto do Universo.

O Iluminismo influenciou o Deísmo, doutrina que considera a razão como a única maneira de assegurar a existência de Deus. Principalmente por isto, os detratores do Iluminismo acusaram o movimento de introdutor do ateísmo na sociedade moderna, entretanto, aquele movimento defendia a religião natural, sem dogmas e fanatismo. Para o iluminista, Deus é o Primeiro Motor, o Supremo Criador. Desta magnífica idéia a Maçonaria, que não é religião, herdou o conceito Grande Arquiteto do Universo, o que possibilita a reunião de diversas linhas filosóficas e religiosas num mesmo foro de debate, que de forma proativa discute os problemas da sociedade e do homem; ato impossível para outras instituições, mormente religiões que nunca se entendem e provavelmente nunca chegarão a acordos fraternos na solução de qualquer problema devido ao ódio que nutrem entre si e aos que não concordam com seus dogmas.

Na prática maçônica, as proibições de discussões religiosas nada têm de incentivo ao ateísmo, mas têm por finalidade afastar o maçom de discussões vazias dentro do pântano do fundamentalismo religioso e o conduzir para uma espiritualidade natural, respeitando crenças e a religião de seus irmãos, independente de qual seja. O ateu não é recebido pela Ordem Maçônica; para entrar é exigida crença num Princípio Criador e numa vida futura. Para o maçom a espiritualidade é parte do corpo, é sentida como a plenitude da mente e do corpo; mente e corpo vivos, formando uma unidade. Os momentos de consciência espiritual são observados como unidade, uma percepção de pertencer ao Universo como um todo. A Loja estabelecida é representação deste Universo, o útero da criação, de onde o homem é parte integrante do todo. Quando o maçom contempla a Loja como representação do Universo, percebe que não está lançado em meio ao caos. "Ordo ab Caos", ordem no caos, é sua divisa e inspiração de que é parte de um projeto maior, de uma ordem mais elevada, parte integrante de uma imensa sinfonia da vida conduzida pelo Grande Geômetra, o Maestro da Criação e Grande Arquiteto do Universo. A sua projeção de vida futura é construída no fato de que o seu corpo nunca morrerá e remanescerá vivo, mesmo depois que seu corpo se desfizer em seus elementos moleculares a vida continua. E não apenas o sopro da vida, que é comum a todos os seres viventes, continua vivo, mas também os princípios da organização vital dos seres viventes da biosfera. É esta consciência de ser parte do Universo, de ser esta a sua casa, é desta sensação de pertencer, de ser parte do todo que desperta no maçom o mais respeitoso e profundo sentido para a vida.

Quando na Maçonaria a Bíblia Judaico-cristã é utilizada na construção de parábolas e alegorias, na representação de pensamentos e ideias de forma figurada, os textos são utilizados apenas como referência para a criação de estórias. As alegorias copiadas e depois adaptadas são pura ficção! Verossimilhança que serve apenas de suporte para a criação de parábolas que auxiliam na educação natural; esta utilização é deixada bem clara para todos; é a educação da Maçonaria voltada para a liberdade; educação natural criada por Rousseau (1712-1778) e complementada por Kant (1724-1804). Por outro lado, a mesma Bíblia é utilizada nas atividades litúrgicas das lojas formadas por irmãos de religiões cristãs como Livro da Lei, a mais alta e sagrada representação do grupo, sobre a qual se fazem juramentos e promessas, e da qual se extraem pensamentos e sabedoria; o maçom cristão é constantemente instigado a usá-la como fonte de inspiração no trabalho na pedra; na absoluta maioria dos ritos, nenhuma sessão maçônica inicia sem que um trecho da mesma seja lido no momento mais solene de abertura ritualística dos trabalhos.

A liturgia e instrução maçônica constam de alegorias definidas em todos os aspectos como invenções, historinhas, fantasias, de uso puramente pedagógico e com o único objetivo de construir novas idéias pelos eternos ciclos de construção do pensamento. Estes ciclos, que Hegel (1770-1893) definiu como Contradição Dialética, constituída de: Tese, Antítese e Síntese, é base do desenvolvimento de todo o conhecimento humano: Tese é a afirmação; Antítese a negação ou complementação da Tese; Síntese a superação da contradição; é quando surge uma nova e inusitada idéia, diferente da primeira e da segunda. Então se inicia um novo ciclo de Tese, Antítese e Síntese. E o processo não tem fim. É o que ocorre nos debates da Maçonaria aonde, através da educação natural, se constroem templos, templos vivos e livres.

Estes são alguns dos aspectos do movimento Iluminista que influenciaram a Maçonaria quando de sua fundação como instituição especulativa. Mesmo bebendo de inúmeras outras fontes de inspiração simbólica e alegórica foi esta a origem de que a Ordem Maçônica se utilizou para promover a volta do homem natural perdido desde Atenas, Grécia antiga, reportado por Platão em "A República". Na Maçonaria o homem moderno tem a oportunidade de recuperar o que perdeu em virtude do desmonte da escola hodierna, colocar os pés no chão, trabalhar um templo vivo, dentro de um templo material, edificado pela Maçonaria praticamente só para a sublime finalidade do homem se auto-construir. Mas é dentro do grande templo da sociedade, um templo vivo feito por homens naturais que cada artífice trabalha na pedra, e com a sabedoria da razão, a força da vontade, ele constrói a sua beleza interior para honra e à glória do Grande Arquiteto do Universo!

Bibliografia:
1. ARANHA, Maria Lúcia de Arruda, História da Educação e da Pedagogia, Geral e Brasil, ISBN 85-16-05020-3, terceira edição, Editora Moderna Ltda., 384 páginas, São Paulo, 2006;
2. CAPRA, Fritjof, A Teia da Vida, Uma Nova Compreensão Científica dos Sistemas Vivos, título original: The Web of Life, a New Scientific Understandding Ofliving Systems, tradução: Newton Roberval Eichemberg, ISBN 85-316-0556-3, primeira edição, Editora Pensamento Cultrix Ltda., 256 páginas, São Paulo, 1996;
3. CAPRA, Fritjof, As Conexões Ocultas, Ciência para a Vida Sustentável, título original: The Hidden Connections, tradução: Marcelo Brandão Cipolla, 13ª edição, Editora Pensamento Cultrix Ltda., 296 páginas, São Paulo, 2002;
4. ROHDEN, Humberto, Educação do Homem Integral, primeira edição, Martin Claret, 140 páginas, São Paulo, 2007.

Biografias:
1. Adam Smith, economista, filósofo e político de nacionalidade escocesa. Nasceu em Kirkcaldy, Escócia em 5 de junho de 1723. Faleceu em Edimburgo, em 17 de junho de 1790, com 67 anos de idade. Considerado o fundador da economia liberal clássica;
2. François Quesnay, economista de nacionalidade francesa. Nasceu em 4 de junho de 1694. Faleceu, em 1774, com 79 anos de idade;
3. Fritjof Capra, autor, físico e teórico de sistemas. Nasceu em 1 de fevereiro de 1939, com 69 anos de idade;
4. Hegel ou Georg Wilhelm Friedrich Hegel, filósofo de nacionalidade alemã. Nasceu em Stuttgart em 27 de agosto de 1770. Faleceu em Berlim, em 14 de novembro de 1831, com 61 anos de idade. Um dos criadores do idealismo;
5. Humberto Rohden, autor e professor de nacionalidade brasileira. Autor de: O Processo de Sindicância;
6. James Watt, engenheiro e inventor de nacionalidade escocesa. Também conhecido por Jacobo Watt. Nasceu em Greenock, Escócia em 19 de janeiro de 1736. Faleceu em Heathfield, Inglaterra, em 25 de agosto de 1819, com 83 anos de idade. Inventor do primeiro motor a vapor;
7. Kant ou Immanuel Kant, conferencista, filósofo, maçom, professor e teólogo de nacionalidade alemã. Nasceu em Königsberg em 22 de abril de 1724. Faleceu em Königsberg, em 12 de fevereiro de 1804, com 79 anos de idade. Geralmente considerado como o último grande filósofo dos princípios da era moderna, indiscutivelmente um dos seus pensadores mais influentes;
8. Maria Lúcia de Arruda Aranha, autora e professora de nacionalidade brasileira. Licenciada em filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo;
9. Platão ou Platão de Atenas, filósofo grego. Também conhecido por Aristócles Platão de Atenas. Nasceu em Atenas em 428 a. C. Faleceu em Atenas, em 347 a. C. Considerado um dos mais importantes filósofos de todos os tempos;
10. Rousseau ou Jean-Jacques Rousseau, ensaísta, escritor, filósofo, pedagogo e sociólogo de nacionalidade francesa. Nasceu em Genebra, Suíça em 28 de junho de 1712. Faleceu, em 2 de julho de 1778, com 65 anos de idade. Foi de suma influência na Revolução Francesa e no Romantismo.