terça-feira, 19 de março de 2013

Maçonaria e Descristianização



Charles Evaldo Boller

Sinopse: Considerações a respeito da acusação de descristianização da Maçonaria.

Em sua doutrina, a Maçonaria Especulativa define que o homem negligente com a característica divina existente em si mesmo gradualmente se desumaniza.

O maçom especulativo cristão não abandona sua crença, apenas aceita em sua loja a companhia de pessoas de todos os credos, o que apascenta a convivência social e aumenta a possibilidade de surgirem novos e inusitados pensamentos advindos de culturas e crenças diferentes.

O maior benefício social eclodiu quando a Maçonaria expulsou a intolerância religiosa de seu meio. Isto destrona os argumentos dos detratores que afirmam ter a Maçonaria se descristianizado. Ela continua filosoficamente cristã, mas por conta da tolerância religiosa é indiferente a qual religião o adepto pertença, seja cristã ou não, deísta ou teísta.

Isto a torna apropriada como foro neutro de discussão e conspiração de assuntos que atingem as sociedades onde ela está imersa.

A Maçonaria foi criada para ser instrumento de evolução do homem e não para perder-se em elucubrações que tentam comprovar o Universo do pensamento espiritual - pode até enveredar por estes caminhos, pois cada maçom goza de liberdade absoluta nos assuntos que envolvem o mundo das ideias.

Maçonaria e religiões têm funções e finalidades totalmente diferentes. Enquanto os clérigos se preocupam com o transcendental, os maçons preocupam-se com a dinâmica social, tornar o homem livre para se autoconstruir e autodeterminar. E como isso não se faz sem forte espiritualidade, o caminho ao interior da pedra que todo maçom é, supre a necessidade de religação; religar-se consigo mesmo é caminho para alcançar ao Princípio Criador residente em si mesmo.

Para a Maçonaria interessa construir uma sociedade utópica onde a igualdade seja fato e para isto não impõem qualquer ideologia social e política existente, porque até o momento todas estas também se mostraram ineficientes.

O maçom age alicerçado em padrões de moral com o objetivo de construir o homem evoluído e saudável sem curvar-se diante de outro homem ou das ideias daquele.

Cumpre ao maçom alinhar-se firmemente ao que foi naturalmente delineado no projeto construtivo debitado ao Grande Arquiteto do Universo. E isto é realizado sem dar importância ao falatório e acusações de que o maçom tenha se descristianizado. O maçom é cristão, vedanta, hindu, judeu, ou qualquer outra religião. Interessa apenas amar ao próximo e tornar-se digno de ser considerado uma boa obra do Criador.

Rito: Rito Escocês Antigo e Aceito
Grau do Texto: Aprendiz Maçom.

Nenhum comentário: