segunda-feira, 3 de agosto de 2026

O Que Significa Ser Maçom?

 Charles Evaldo Boller

Ser maçom não significa ser um homem sem defeitos, mas um homem consciente de suas imperfeições e comprometido com o trabalho permanente de aperfeiçoamento. A Maçonaria ensina que a pedra bruta da personalidade humana deve ser lapidada diariamente, transformando vícios em virtudes, fraquezas em forças e ignorância em sabedoria.

Sob o aspecto material, o maçom é uma pessoa comum. Trabalha, cumpre seus deveres profissionais e familiares, segue sua religião, respeita as leis de sua Pátria e procura ser um bom chefe de família, bom esposo e exemplo em seu lar. A Maçonaria não afasta o homem do mundo; ao contrário, ensina-o a viver nele com dignidade, correção, integridade e responsabilidade.

Sob o aspecto emocional, o maçom busca ser calmo, comunicativo, bondoso e atento às necessidades dos outros. Aprende a sentir a dor alheia como se fosse sua própria dor. Procura encarar a vida com alegria, mesmo diante das dificuldades, compreendendo que cada desafio constitui oportunidade de crescimento. Como ensinava o filósofo estoico Marco Aurélio, não são os acontecimentos que definem o homem, mas a maneira como ele reage a eles.

Sob o aspecto espiritual, a Maçonaria exige que seus integrantes professem uma crença religiosa e possuam fé num Princípio Criador ou no Grande Arquiteto do Universo, que representa essa ideia. Não impõe uma religião específica, mas reconhece que a dimensão espiritual é fundamental para a formação integral do ser humano. A fé torna-se uma bússola que orienta a consciência e fortalece a prática do bem.

Ser maçom é ser leal, justo, reto e humilde. É não se deixar dominar pelo orgulho e pela vaidade, males que corroem silenciosamente a alma humana. É ser nobre sem arrogância, altivo sem presunção e firme sem intolerância. Como ensinava Confúcio, a verdadeira grandeza manifesta-se na retidão do caráter e não na exibição do poder.

A Maçonaria também alerta contra os perversos, aqueles que utilizam a inteligência sem moral, o conhecimento sem sabedoria e a influência sem ética. O maçom deve permanecer vigilante, preservando seus princípios e discernindo entre aquilo que constrói e aquilo que destrói.

Uma antiga parábola pode ilustrar esse ensinamento. Certo viajante encontrou dois espelhos. Um estava coberto de poeira; o outro, limpo e brilhante. Ao olhar para o primeiro, viu apenas sombras. Ao olhar para o segundo, enxergou sua verdadeira imagem. Assim também ocorre com a consciência humana. Quando obscurecida pelos vícios, ela deforma a realidade; quando polida pelas virtudes, revela a verdade. O maçom procura ser esse espelho limpo para sua família, sua comunidade e a sociedade.

Outra metáfora importante é a da colmeia. Nenhuma abelha trabalha apenas para si. Todas cooperam para o bem comum. Da mesma forma, o maçom compreende que a vida em sociedade exige fraternidade, trabalho, amor e solidariedade. Ele é um cidadão do mundo, fiel às cores de sua bandeira, mas consciente de que a humanidade constitui uma única família.

Ser maçom é ter fé, trabalho, amor e virtudes. Ser maçom é viver sendo espelho para os outros e aprendiz de si mesmo. É buscar diariamente tornar-se melhor do que foi ontem, servindo ao próximo e honrando o Grande Arquiteto do Universo por meio das próprias ações.

Bibliografia Comentada

1.      BAILLY, Oswald Wirth. A Maçonaria Tornada Compreensível aos Seus Adeptos. São Paulo: Madras, 2001. Obra clássica que apresenta a formação moral, simbólica e espiritual do maçom, enfatizando a lapidação interior e a construção do caráter.

2.      CONFÚCIO. Os Analectos. São Paulo: Martins Fontes, 2012. Reúne ensinamentos sobre retidão, humildade, dever e virtude, valores que dialogam profundamente com a ética maçônica.

3.      MARCO AURÉLIO. Meditações. São Paulo: Edipro, 2019. Texto fundamental do estoicismo, oferecendo reflexões sobre autocontrole, serenidade, dever e aperfeiçoamento moral.

4.      PIKE, Albert. Moral e Dogma do Rito Escocês Antigo e Aceito. Charleston: Supreme Council, 1871. Importante referência para a compreensão das dimensões filosóficas, simbólicas e espirituais da tradição maçônica.

5.      WIRTH, Oswald. O Simbolismo Maçônico. São Paulo: Pensamento, 2004. Explora os símbolos como instrumentos de transformação interior e desenvolvimento das virtudes humanas.

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