Charles Evaldo Boller
Ser maçom não significa ser um homem sem defeitos, mas um homem
consciente de suas imperfeições e comprometido com o trabalho permanente de
aperfeiçoamento. A Maçonaria ensina que a pedra bruta da personalidade humana
deve ser lapidada diariamente, transformando vícios em virtudes, fraquezas em
forças e ignorância em sabedoria.
Sob o aspecto material, o maçom é uma pessoa comum. Trabalha,
cumpre seus deveres profissionais e familiares, segue sua religião, respeita as
leis de sua Pátria e procura ser um bom chefe de família, bom esposo e exemplo
em seu lar. A Maçonaria não afasta o homem do mundo; ao contrário, ensina-o a
viver nele com dignidade, correção, integridade e responsabilidade.
Sob o aspecto emocional, o maçom busca ser calmo, comunicativo,
bondoso e atento às necessidades dos outros. Aprende a sentir a dor alheia como
se fosse sua própria dor. Procura encarar a vida com alegria, mesmo diante das
dificuldades, compreendendo que cada desafio constitui oportunidade de
crescimento. Como ensinava o filósofo estoico Marco Aurélio, não são os
acontecimentos que definem o homem, mas a maneira como ele reage a eles.
Sob o aspecto espiritual, a Maçonaria exige que seus integrantes
professem uma crença religiosa e possuam fé num Princípio Criador ou no Grande
Arquiteto do Universo, que representa essa ideia. Não impõe uma religião específica,
mas reconhece que a dimensão espiritual é fundamental para a formação integral
do ser humano. A fé torna-se uma bússola que orienta a consciência e fortalece
a prática do bem.
Ser maçom é ser leal, justo, reto e humilde. É não se deixar
dominar pelo orgulho e pela vaidade, males que corroem silenciosamente a alma
humana. É ser nobre sem arrogância, altivo sem presunção e firme sem
intolerância. Como ensinava Confúcio, a verdadeira grandeza manifesta-se na
retidão do caráter e não na exibição do poder.
A Maçonaria também alerta contra os perversos, aqueles que
utilizam a inteligência sem moral, o conhecimento sem sabedoria e a influência
sem ética. O maçom deve permanecer vigilante, preservando seus princípios e
discernindo entre aquilo que constrói e aquilo que destrói.
Uma antiga parábola pode ilustrar esse ensinamento. Certo
viajante encontrou dois espelhos. Um estava coberto de poeira; o outro, limpo e
brilhante. Ao olhar para o primeiro, viu apenas sombras. Ao olhar para o
segundo, enxergou sua verdadeira imagem. Assim também ocorre com a consciência
humana. Quando obscurecida pelos vícios, ela deforma a realidade; quando polida
pelas virtudes, revela a verdade. O maçom procura ser esse espelho limpo para
sua família, sua comunidade e a sociedade.
Outra metáfora importante é a da colmeia. Nenhuma abelha
trabalha apenas para si. Todas cooperam para o bem comum. Da mesma forma, o
maçom compreende que a vida em sociedade exige fraternidade, trabalho, amor e
solidariedade. Ele é um cidadão do mundo, fiel às cores de sua bandeira, mas
consciente de que a humanidade constitui uma única família.
Ser maçom é ter fé, trabalho, amor e virtudes. Ser maçom é viver
sendo espelho para os outros e aprendiz de si mesmo. É buscar diariamente
tornar-se melhor do que foi ontem, servindo ao próximo e honrando o Grande
Arquiteto do Universo por meio das próprias ações.
Bibliografia Comentada
1.
BAILLY, Oswald Wirth. A Maçonaria Tornada
Compreensível aos Seus Adeptos. São Paulo: Madras, 2001. Obra clássica que
apresenta a formação moral, simbólica e espiritual do maçom, enfatizando a
lapidação interior e a construção do caráter.
2.
CONFÚCIO. Os Analectos. São Paulo: Martins
Fontes, 2012. Reúne ensinamentos sobre retidão, humildade, dever e virtude,
valores que dialogam profundamente com a ética maçônica.
3.
MARCO AURÉLIO. Meditações. São Paulo: Edipro,
2019. Texto fundamental do estoicismo, oferecendo reflexões sobre autocontrole,
serenidade, dever e aperfeiçoamento moral.
4.
PIKE, Albert. Moral e Dogma do Rito Escocês
Antigo e Aceito. Charleston: Supreme Council, 1871. Importante referência para
a compreensão das dimensões filosóficas, simbólicas e espirituais da tradição
maçônica.
5.
WIRTH, Oswald. O Simbolismo Maçônico. São Paulo:
Pensamento, 2004. Explora os símbolos como instrumentos de transformação
interior e desenvolvimento das virtudes humanas.

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