domingo, 17 de setembro de 2023

Busca da Verdade

Arte de modificar-se

Charles Evaldo Boller


Antiga Prece Judaica

Da covardia que foge da nova verdade,
Da preguiça que se contenta com meias-verdades,
Da arrogância que pensa que sabe toda a verdade,
Oh! Deus da verdade, livrai-nos!

Modificar-se é doloroso!

Por isso, na Maçonaria isto é feito em grupos denominados lojas.

A poucos é dado perceber o significado da Iluminação da iniciação em espírito: ocasião em que o maçom acorda!

A saída da minoridade da qual o próprio homem é responsável é a incapacidade de usar dos próprios recursos intelectuais, físicos e espirituais sem a direção de outra pessoa. A culpa desta menoridade é do próprio homem quando a causa não é resultado de pouco entendimento, mas na ausência de coragem de servir-se de seus próprios potenciais sem que outro o dirija. O crescimento só se manifesta quando o homem reúne coragem para usar do próprio entendimento. A isso a Maçonaria denomina iluminação, polidez, esclarecimento.

O obscurantismo bloqueia o homem na iniciativa de busca de pensamentos novos. Aos covardes resta andar pelo meio confortável onde ninguém se sente ameaçado. Permanece sentado em sua zona de conforto e não evolui.

Quando em loja cada maçom está sujeito a modificar-se. A iluminação arma-o com tolerância ao que o outro diz. Todos têm pontos de vista diferentes e isto é o que possibilita a mudança de cada um. É no recôndito da racionalidade individual que surge a vontade de mudança para melhor, baseado naquilo que outros dizem e fazem. Esta é a forma de relacionamento que são encontrados no filosofar do Rito Escocês Antigo e Aceito.

O simples fato de não se possuir resposta para todas as questões leva à postura humilde de tentar entender o que o outro deseja transmitir. A Verdade é construída pela soma dos intelectos e mesmo esta Verdade não é absoluta, final. Cada intelecto possui apenas fragmentos da verdade e de cuja soma todos se beneficiam.

Ser tolerante implica em sofrimento: sem o que deixa de ser tolerância. Excesso de tolerância anula a própria tolerância. Então, mesmo na presença de dor e sofrimento é imperativo receber novas ideias, quando estas passam pelo crivo da própria lógica com sucesso.

Assim funciona a busca pela Verdade Metafísica dentro da Maçonaria. São pequenos passos. Um de cada vez. O que, ao longo dos dias, produz homens sábios que fazem a diferença na sociedade.

Objetivos da Maçonaria

 Maçonaria e a evolução humana.

Charles Evaldo Boller


A Maçonaria é uma organização fraternal e filosófica que tem uma série de objetivos e princípios comuns a todas as suas lojas e membros. No geral, os objetivos da ordem maçônica incluem: aperfeiçoamento moral e pessoal; busca pela verdade; fraternidade e solidariedade; filantropia e serviço à comunidade; autoaperfeiçoamento e autorreflexão.


Aperfeiçoamento Moral e Pessoal

A Maçonaria promove o aperfeiçoamento moral e ético de seus membros e é, acima de tudo, uma instituição filosófica. Todas as demais atividades maçônicas são os resultados do seu filosofar para atingir as suas finalidades e objetivos político-sociais. Para tanto, usa rituais, ensinamentos filosóficos e símbolos que incentivam os membros a buscar autoconhecimento, virtudes e evolução contínua.

Ela tem suas origens históricas no século 17 e é conhecida por seus princípios éticos e filosóficos. É uma fraternidade secular e discreta que busca o aperfeiçoamento moral e intelectual dos seus membros. Um dos seus principais objetivos é promover o crescimento pessoal e moral dos iniciados em seus mistérios.

Através de rituais, simbolismos e cerimônias, ela oferece uma estrutura para que os maçons busquem aperfeiçoamento e desenvolvimento nas diversas áreas da vida. Todos os graus possuem provocações filosóficas e aplicações práticas na vida dos maçons de frequentam assiduamente os seus quadros de obreiros ou lojas.

Enfatizam-se valores como honestidade, integridade, fraternidade, tolerância e busca pela verdade. Os maçons são incentivados a refletir sobre suas ações e buscar constantemente a evolução moral, tanto em relação a si mesmos como em relação à sociedade.

Os ensinamentos maçônicos são transmitidos ao se progredir em graus onde o maçom evolui, na medida em que adquire conhecimentos e se compromete com os princípios da ordem maçônica. O trabalho simbólico e ritualístico desafia os maçons a refletirem sobre a importância desses valores em suas vidas diárias e a aplicá-los em suas interações com os outros.

No aperfeiçoamento moral, a Maçonaria promove o desenvolvimento intelectual nos debates de sua filosofia. Os maçons são encorajados a buscar o conhecimento, a estudar temas relacionados à ética, história, filosofia, enfim, em todas as áreas do conhecimento humano que possam resultar em aplicações práticas. Em se tratando de público adulto, todos os debates e estudos possuem valores agregados de modo a recompensar a prática do ócio criativo aplicado em utilizar o seu tempo útil ao filosofar.

Como organização discreta, seus rituais, símbolos e práticas são reservados apenas aos seus membros. A fraternidade maçônica tem dimensão social que promove a solidariedade entre os maçons e contribui ao bem-estar da comunidade, por meio de obras de caridade e projetos sociais. É significativa a contribuição do filosofar em suas oficinas na produção de lideranças, homens treinados e habituados a produzirem o bem dentro de um claro objetivo político-social.

Não é religião, embora tenha algumas referências religiosas em suas práticas. Ela acolhe membros de diferentes religiões e enfatiza a importância da liberdade de pensamento e crença. Aliás, o maçom designa a palavra Liberdade com letra maiúscula, porque implica em doação e serviço para a humanidade e não escravidão ao sistema humano que submete a humanidade a exaustão e engano.

Em resumo, a Maçonaria busca o aperfeiçoamento moral e intelectual de seus membros, proporcionando um ambiente de reflexão, estudo e prática de valores éticos. Através de seus rituais, símbolos e ensinamentos, busca promover a evolução individual e o compromisso com o bem-estar da sociedade.


Busca pela Verdade

A Maçonaria valoriza a busca pela verdade e o conhecimento. Maçons são encorajados a buscar o aprendizado, a ampliar seus horizontes intelectuais e a questionar o mundo ao seu redor. A ordem promove a liberdade de pensamento ao incentivar seus membros a explorar diferentes áreas do conhecimento.

É uma sociedade fraternal e discreta que possui longa história e está presente em quase todos países livres ao redor do mundo. Os maçons se reúnem em lojas maçônicas, utilizando-se de rituais e cerimônias que envolvem esoterismo, simbolismo e filosofia.

Um dos princípios fundamentais da Maçonaria é a busca pela verdade. Esta refere-se ao objetivo de buscar conhecimento e sabedoria através do estudo, da reflexão e do compartilhamento de ideias em animados debates. Os maçons buscam aprimorar-se como indivíduos, tanto intelectual quanto moralmente, e, acreditam que isso os leve a uma compreensão prática e profunda dos mistérios da vida e do universo.

Na Maçonaria, a verdade é simbolicamente representada pelo conceito que representa o Grande Arquiteto do Universo, independendo da crença de cada maçom. A busca pela verdade envolve uma jornada pessoal de autoconhecimento, crescimento espiritual e aprimoramento ético. Valoriza a liberdade de pensamento e expressão, incentivando seus membros a questionarem e investigarem ideias, dogmas e conceitos estabelecidos. Os maçons são encorajados a buscar conhecimento em diversas áreas, como filosofia, ciência, história, religião e arte, para expandir sua compreensão eclética do mundo.

Como organização discreta e reservada, os ensinamentos e práticas maçônicas são reservados apenas aos membros e não são divulgados publicamente. Isso contribui para a aura de mistério em torno dela e leva a especulações e teorias conspiratórias urdidas por instituições e indivíduos perversos ou ignorantes de sua elevada função social.

A busca pela verdade do filosofar é um dos princípios centrais da Maçonaria. Ela representa a busca por conhecimento, sabedoria e crescimento pessoal, levando a compreensão profunda dos mistérios da existência. Como sociedade fraternal com rituais e ensinamentos reservados e sua natureza discreta pode levar a interpretações equivocadas por parte daqueles que não estão familiarizados com seus princípios e práticas. Só o adepto realmente entende o que ocorre dentro dos templos, onde ele mesmo se considera um templo sagrado criado pelo Grande Arquiteto do Universo para servir a uma finalidade que ainda lhe escapa.


Fraternidade e Solidariedade

A ordem maçônica é conhecida por sua ênfase na fraternidade e no companheirismo entre os membros. Ela busca promover a união e a harmonia entre as pessoas, independentemente de sua origem étnica, religião ou posição social. O maçom é incentivado a praticar a solidariedade, ajudando-se mutuamente e contribuindo para o bem-estar da sociedade em geral.

A Maçonaria é conhecida por incentivar os princípios da fraternidade e da solidariedade entre seus membros. Esses princípios estão entre os valores fundamentais da Maçonaria, enfatizados em suas tradições e rituais. A fraternidade maçônica refere-se ao senso de união e camaradagem que existe entre os maçons. Independentemente de sua origem étnica, religião, posição social ou política, os maçons tratam-se como irmãos, estendendo apoio e respeito mútuo. Essa fraternidade se manifesta em reuniões maçônicas, onde os membros compartilham experiências, ideias e aprendem uns com os outros. Em ciclos eternos de teses, antíteses e sínteses, os maçons crescem em conhecimento desde o mais elementar até o mais sofisticado dos pensamentos libertários.

A solidariedade maçônica está relacionada ao compromisso de ajudar e apoiar aqueles que estão em necessidade. A Maçonaria promove a filantropia e a caridade como parte de sua filosofia. Muitas lojas maçônicas realizam projetos de assistência social, como doações para instituições de caridade, apoio a comunidades desfavorecidas e auxílio a pessoas em situações difíceis. Não é uma sociedade de auxílio mútuo e o associado só recebe auxílio se a causa for justa. Além disso, a Maçonaria incentiva seus membros a desenvolverem virtudes morais, como generosidade, honestidade e compaixão. Através desses princípios, ela busca construir uma sociedade justa e harmoniosa.

No entanto, apesar da disciplina rígida e dos hábitos sistemáticos cada maçom pode ter sua própria interpretação e vivência desses princípios, e as ações individuais não representam necessariamente a Maçonaria como um todo. A ordem maçônica é composta de homens em desenvolvimento e imperfeitos com o objetivo de evoluírem a cada dia, seus membros encontram-se em permanente evolução visando uma utópica condição de perfeição.


Filantropia e Serviço à Comunidade

É forte o compromisso com a filantropia e o serviço à comunidade. Muitas lojas maçônicas realizam atividades de caridade, contribuindo financeiramente para causas sociais, apoiando projetos educacionais e oferecendo assistência a pessoas necessitadas. Os maçons são encorajados a se envolver ativamente em suas comunidades e a trabalhar para o bem comum.

A Maçonaria é uma ordem fraternal que tem como um de seus princípios a prática da filantropia e o serviço à comunidade. Essa prática é baseada na crença de que os seus membros devem trabalhar para o bem-estar da humanidade e melhorar as condições sociais e morais da sociedade em geral.

A filantropia na Maçonaria se manifesta de diversas formas. Muitas lojas maçônicas realizam atividades de caridade, como doações financeiras para instituições de caridade, apoio a projetos comunitários e programas de auxílio a pessoas necessitadas. Além disso, os maçons também se envolvem em projetos educacionais, programas de saúde, preservação do meio ambiente e outras iniciativas que buscam promover o bem-estar da sociedade.

A prática do serviço à comunidade é valorizada na Maçonaria. Os maçons são encorajados a se envolver ativamente em suas comunidades, oferecendo seu tempo, habilidades e recursos para ajudar a melhorar a qualidade de vida das pessoas ao seu redor. Isso pode incluir o voluntariado em abrigos, hospitais, escolas, organizações sem fins lucrativos e outros projetos que beneficiem a comunidade como um todo.

Vale ressaltar que as atividades filantrópicas e de serviço à comunidade podem variar entre as diferentes lojas maçônicas e regiões, pois cada uma possui suas próprias prioridades e formas de contribuição. No entanto, o ideal de trabalhar para o bem-estar da humanidade e fazer o bem à comunidade é comum a todas as lojas maçônicas ao redor do mundo.


Autoaperfeiçoamento e Autorreflexão

Proporciona-se ambiente no qual os membros são incentivados a refletir sobre si mesmos e a buscar o aprimoramento pessoal. Os rituais e as cerimônias têm o propósito de estimular autorreflexão, autodomínio, autoconhecimento e autotransformação. Todo desenvolvimento evolutivo é individual e intransferível.

Como sociedade fraternal e discreta que tem como base princípios de autoaperfeiçoamento, autorreflexão e busca do conhecimento. Os maçons são encorajados a trabalhar em si mesmos para se tornarem melhores indivíduos, tanto moral quanto intelectualmente.

O autoaperfeiçoamento na Maçonaria é um processo contínuo de desenvolvimento pessoal, onde os membros são incentivados a refletir sobre suas próprias ações, atitudes e comportamentos. Eles são encorajados a buscar constantemente a virtude e a se esforçar para se tornarem pessoas melhores.

A autorreflexão é parte fundamental do caminho maçônico. Os maçons são encorajados a examinar seus pensamentos, palavras e ações, e a considerar como eles podem contribuir para o bem-estar da humanidade e para o aprimoramento de si mesmos. Através da autorreflexão, os maçons buscam compreender melhor suas próprias fraquezas e virtudes, e trabalham para superar os aspectos negativos e cultivar os positivos.

A Maçonaria oferece o ambiente propício para a autorreflexão e o autoaperfeiçoamento em seus templos isolados do mundo externo. Nas lojas os membros participam de rituais, cerimônias e discussões filosóficas que promovem a reflexão sobre princípios morais e éticos. Além disso, a interação com outros maçons em ambiente fraterno encoraja o compartilhamento de experiências e aprendizado mútuo.

É importante ressaltar que a Maçonaria não pretende ser a única via para o autoaperfeiçoamento e a autorreflexão. Os princípios e ensinamentos maçônicos podem complementar outras formas de desenvolvimento pessoal, como a prática espiritual, o estudo acadêmico e a participação em comunidades e organizações voltadas para o crescimento pessoal.

A Maçonaria valoriza o autoaperfeiçoamento e a autorreflexão como meios para o desenvolvimento pessoal e moral. Os maçons são encorajados a buscar constantemente o conhecimento, a refletir sobre suas ações e a se esforçar para se tornarem pessoas melhores, contribuindo assim para o bem-estar da humanidade.


Considerações Finais

As opiniões e interpretações individuais dos objetivos da Maçonaria podem variar entre os maçons. Assim, ela é uma instituição complexa e multifacetada, discreta e reservada, e seus objetivos específicos variam ligeiramente entre diferentes jurisdições, com nuances específicas e diferentes nas lojas ao redor do mundo.

Os objetivos da Maçonaria são surpreendentemente diversos e variam em graus de complexidade crescente conforme o iniciado se aprofunda em conhecimento das ciências, comportamentos, atividades e metafísicas. Sua diversidade é tal que, para atender as mais diversas linhas filosóficas e especulações, seus templos albergam centenas de ritos diferentes. Em seus templos tratam de tudo que é bom e que o homem já produziu no pensamento livre, na sua breve história no universo, desde o mais simples até o mais sofisticado e erudito.

Deixando de lado a grandiosidade de seu alcance os seus objetivos essenciais visam exclusivamente o homem no seu dia-a-dia, consigo mesmo, sua família e o Grande Arquiteto do Universo, designação conceitual da divindade responsável pela criação do Universo através de leis naturais. É pacifista, seu entendimento de pertencer ao Universo e possuir em si mesmo a Luz ou energia que dá vida e enriquece a existência, o leva a tratar a todas as criaturas e coisas com responsabilidade e respeito, pois considera-se parte do Todo que é o imenso universo.

A Maçonaria Como Instituição Filosófica

Maçonaria é algo que se sente.

Charles Evaldo Boller


A Maçonaria é, essencialmente, uma instituição filosófica.

Maçonaria é filosofar constante.

E apenas isso!

O objetivo é ajudar os homens a reforçarem seu caráter, melhorarem sua bagagem moral e espiritual, aumentarem seus horizontes culturais, investigar a Verdade, examinar a moral e praticar virtudes. Com o filosofar, a sua atividade básica essencial, o maçom se realiza dentro da sua oficina. Isolado do mundo externo, com presença constante em loja, confecção e leitura de trabalhos, estudo dos símbolos, elimina preocupações que derivam da vida, atento ao exame dos fatos históricos, espiritualidade, curiosidade e a partir disso o maçom se inicia sozinho nos mistérios maçônicos.

Desde a antiga Grécia o homem inteligente busca provar a possibilidade de o Universo ter surgido do "nada", do vazio, mas o sistema de vida humana o afasta desse alvo. O objetivo do maçom com o seu filosofar é alimentar a esperança de colocar algo no lugar desse "nada".

Pelo árduo trabalho de pensar livremente o iniciado tem a possibilidade de descobrir que, das relações existentes entre os minúsculos campos energéticos que compõem todo o Universo se manifestam as leis do amor. Esses campos de energias, do mais potente ao mais sutil, trabalham entre si de forma colaborativa e harmoniosa, como se observa dos frutos do amor e disso o Todo é formado. Tudo é dependente e colaborativo em direção a uma unidade universal. O Universo inteiro é regido pelas leis criadas por uma manifestação inteligente, racional e lógica que, através da colaboração, da interdependência, se revela o amor, a força que une tudo.

Ao maçom desperto cabe se fazer presente aos trabalhos em loja e trabalhar em si mesmo. O objetivo é despertar nele o líder poderoso que está em seu interior e que tem o condão de transformar a sociedade para melhor, de modo que a Maçonaria atinja a finalidade político-social a que se propõe.

O Nada

 O Universo repousa no "nada".

Charles Evaldo Boller


Quando no livro da lei aparece a referência ao "vazio", este está na frase que se refere à Terra, o planeta, cuja consistência física não passa de ilusão para os nossos sentidos - tudo é ilusão! Fomos criados de uma forma fantástica, mas limitada. O versículo bíblico refere-se ao "vazio" referindo-se a falta de seres viventes, da biosfera, e não que o Universo fosse imperceptível aos nossos olhos. Sempre foi possível perceber o Universo com os sensores que o homem possui desde que foi criado pelo Grande Arquiteto do Universo.

O "nada" referido é a impossibilidade de tocar, ver, degustar, ouvir, cheirar, os campos energéticos que o Criador utilizou para construir tudo. Estas manifestações não são percebidas pelos nossos sentidos, o que, para a criatura viva é "vazio", "nada", "não existente". O que torna as coisas perceptíveis é a velocidade de rotação e translação dos diminutos campos energéticos de que tudo é feito.

Desde a antiga Grécia o homem inteligente busca provar a possibilidade de o Universo ter surgido do "nada", do vazio, mas o sistema de vida humana o afasta desse alvo. O objetivo do maçom com o seu filosofar é alimentar a esperança de colocar algo no lugar desse "nada".

Somos criaturas energéticas! Somos luz! Percebemos as coisas construídas por manifestações que, numa primeira instância, formada de campos de energia do tamanho do átomo e muitíssimo menores, movimentam-se a velocidades superiores à da luz. É resultado dessas velocidades estonteantes que a matéria se torna manifesta e transmite aos nossos sensores que ela é sólida. Na verdade, tudo é "vazio"! Nossos corpos, por serem formados de campos, não fosse a ilusão a que estamos submetidos, seriam invisíveis. Visto dessa forma, apoiado na limitação humana de ver campos, seríamos invisíveis. Todo o Universo não poderia ser visto. Tudo seria um imenso "vazio".

A luz é composta de pequenos campos energéticos. Um campo energético da luz seria impossível de se ver se sua característica não fosse a de emitir fótons. Os campos só são visíveis quando fizermos um feixe de campos energéticos colidirem com um anteparo fosforescente, onde essa colisão emite fótons, luz, que nossos olhos percebem dentro do espectro visível. São ondas eletromagnéticas que têm frequências entre 430.000.000.000.000 e 750.000.000.000.000 ciclos por segundo ou Hertz, as únicas que são percebidas pelo olho humano e interpretadas pelo cérebro. Então, existem frequências abaixo e acima desse intervalo que também podem ser consideradas como "nada".

Tudo no Universo, em sua essência no mundo infinitamente pequeno, só é visível ao olho humano porque se desloca e vibra em velocidades estonteantes dentro das faixas perceptíveis pelos nossos sensores. Assim, tudo é feito de "nada", "espaço vazio" para nossas percepções e, ao mesmo tempo, esse "nada" é "tudo", o Uno. Somos seres de luz em união com "o todo", com o Universo.

Podemos especular que até o Grande Arquiteto do Universo possa se manifestar através de campos energéticos.

Nós, como especuladores da Verdade, podemos afirmar que estamos no ou somos parte do Grande Arquiteto do Universo e Ele está em nós - parte de nós está em sintonia, vibra na mesma frequência que o Grande Arquiteto do Universo. Daí intuirmos que o Grande Arquiteto do Universo está em cada campo energético de que somos formados. Nós e o Universo somos um e o Grande Arquiteto do Universo e o Universo também são parte do mesmo "todo".

Quando o livro da lei, a bíblia judaico-cristã, afirma que fomos feitos à imagem e semelhança do Grande Arquiteto do Universo, é ao nível do infinitamente pequeno, dos campos energéticos subatômicos que essa similaridade se torna manifesta. Então, o "vazio" é esse "nada" que não vemos, dos invisíveis campos energéticos subatômicos, a matéria-prima utilizada pelo Grande Arquiteto do Universo para construir tudo no universo.

E mesmo o vácuo intergaláctico não está vazio, mas recheado de campos energéticos. Tudo é ocupado por campos energéticos. Cada cantinho! O vácuo não está vazio, mas cheio de partículas subatômicas. Existem várias características e fenômenos interessantes no vácuo intergaláctico onde algumas das principais são: ausência de matéria; radiação cósmica de fundo; partículas virtuais; energia escura; campos eletromagnéticos; ondas gravitacionais etc. O vácuo do espaço não é um vácuo absoluto no sentido comum, pois está repleto de várias partículas virtuais e campos quânticos.

Deduzimos disso que nos cabe viver em fraternidade, com moral e ética compatível a um Universo em paz, sem contendas nem vaidades. As criaturas são feitas da mesma matéria prima, portanto, um está no outro. Ferir ao próximo com ações e pensamentos é ferir a si mesmo: é a lei do amor, a única que o Cristo e outros avatares, deram aos seus adeptos seguirem. O amor respeita o "todo" no universo, tudo é construído da mesma essência energética, onde o amor, o espírito vivificante das criaturas, as montanhas, os mares, os planetas, as estrelas, tudo é composto com as mais diversas formas de energia, umas mais densas outras mais sutis.

O "todo" é o Uno, o único, uma coisa só!

Assim, eu e o Grande Arquiteto do Universo somos Um!

Vivência do Amor Fraterno

 A energia que une os maçons.

Charles Evaldo Boller


A Maçonaria recebe novos membros por intermédio de iniciação, o que a diferencia de outras associações de pessoas.

Naquele psicodrama é exigido do recipiendário o juramento de que tudo fará para defender seu irmão na ocorrência de infortúnios. É algo bem diferente ao irmão de sangue. O irmão maçom é resultado de escolha consciente e racional, de onde as amizades desenvolvidas na convivência serem coladas com o cimento místico do amor fraterno.

Um sábio, quando inquirido sobre sua interpretação do significado de fraternidade, usou da seguinte parábola:

Encontrava-me nas proximidades de uma colina coberta de neve e observava dois garotos que se divertiam com um pequeno trenó.

Quando os dois meninos chegavam embaixo da encosta, depois de haverem escorregado, o rapaz mais velho colocava o mais novo às costas e subia pelo aclive puxando o trenó por uma corda.

O garoto mais velho chegava ao topo ofegante debaixo da carga elevada para seu tamanho.

E isto se repetiu várias vezes, até que resolvi inquirir:

- Mas não é uma carga muito pesada esta que levas morro acima?

O garoto mais velho respondeu sorrindo:

- De forma alguma! Esta carga é leve! Pois este é meu irmão!

Para o sábio esta foi a definição exata de fraternidade. Para ele, o amor fraterno exige espírito elevado, consta até de sacrifícios, mas não o considera como tal, e, sim, algo natural, a carga é transportada com alegria e sem reclamação. Este sábio foi o ex-presidente Norte-americano Abraham Lincoln.

Na escolha do candidato a ser iniciado na Maçonaria, procura-se estimar no perfil emocional do proposto em sua capacidade de desenvolver vivência no amor fraterno.

Na investigação antes da iniciação os sindicantes certificam-se se o candidato: vive em harmonia no lar; tem boa reputação na sociedade; relaciona-se bem com colegas de trabalho; é capaz de adaptar-se ao meio social; tem bom convívio social. Significa que todo aquele que for considerado apto, aprovado e iniciado, tem o amor fraterno como característica de caráter e personalidade.

Ele já vem com a capacidade de superar eventuais dificuldades de relacionamento interpessoal. E para melhorar, esta qualidade distintiva fundamental é depois sacramentada por solene juramento! A consequência é o aquecimento do amor fraterno entre os irmãos da loja.

Na iniciação o recipiendário recebe um avental branco, considerado seu ornamento máximo, representa o trabalho, e lhe é dito que deve mantê-lo imaculado, limpo.

Não se trata de sujeira literal, esta pode até ocorrer para o diligente e ativo obreiro. Mancha que sai com água, basta lavar e está limpo. O paramento do zeloso maçom deve ficar isento de qualquer nódoa moral ou comportamental. Esta é difícil limpar porque exige mudança do maçom e o uso da "água" do amor fraterno para lavar.

Nenhum iniciado usa seu avental e adentra numa loja, se lá houver irmão que odeie. Isto suja o avental de forma indelével além de afetar as energias cósmicas que envolvem a todos durante a reunião. Deve-se considerar a dificuldade de resolver problema de relacionamento interpessoal como se fosse o escalar de uma encosta íngreme e coberta de neve, com aquele irmão às costas. Não é fácil!

Mesmo ofegante e debaixo de carga tão grande, deve-se fazê-lo sorrindo. A razão deve suplantar a emoção, haja vista que isto já faz parte do iniciado. Se inquirido do peso da carga, este irmão deve exclamar: - De forma alguma! Esta carga é leve! Pois este é meu irmão!

Egoísmo e indiferença são sintomas de falta de amor. O contrário de amor não é o ódio, é a indiferença!

Quando existem situações de disputa ou mágoa, é importante que os envolvidos resolvam as querelas fora das paredes do templo, e só então coloquem seus aventais e adentrem.

Ao superarem suas diferenças, a benção do Grande Arquiteto do Universo, a divindade que se manifesta dentro do iniciado, lhes proporcionará o aglutinante místico do amor fraterno que cimentará de forma brilhante as duas pedras que ambos representam na grande edificação da humanidade.

Isto é vivência real do amor fraterno, o aglutinante místico que mantém unidos os irmãos numa loja. Num agrupamento assim constituído é certa a presença do Grande Arquiteto do Universo.

Poderá haver bem maior que um amor fraternal bem vivido?

O Grande Arquiteto do Universo certamente só se manifesta onde existem pessoas que se tratam como irmãos espirituais e onde cada um nutre profundo amor fraterno pelo outro.

Todo irmão que passar por uma situação onde eventualmente ocorre disputa ou ofensa, deve colocar aquele que considera ser seu ofensor às costas e carregá-lo ao alto de seu coração. E, se inquirido do peso, deve exclamar:

- De forma alguma! Esta carga é leve! Pois este é meu irmão.

A Nível

Espiritualidade estável.

Charles Evaldo Boller


No simbolismo maçônico, estar em nível e a prumo são condições do que está no lugar certo. Situação aprovada. Obreiro com obrigações da loja em dia: tesouraria, tronco de solidariedade, trabalhos filosóficos etc. Nível e prumo são símbolos que representam o trabalho do maçom, como construtor do Universo moral e material. Ambos relacionados com questões esotéricas e filosóficas, trabalhadas pela Maçonaria.

Nível é ferramenta com a qual o profissional de construção verifica se uma superfície está nivelada, já que para a edificação de um alicerce seguro é fundamental uma superfície no nível que representa a ideia que todos os maçons são iguais na Maçonaria no que diz respeito a seus pensamento e crenças.

Prumo é instrumento que permite aferir a verticalidade da parede sendo erigida: condição fundamental para assegurar estabilidade. Nível e prumo são ferramentas que simbolizam a igualdade que existe entre os irmãos e a sua retidão de caráter. O prumo simboliza a retidão do caráter do irmão. Jeová colocou uma regra de conduta ao povo de Israel, a qual deve ser seguida para que o povo escolhido se desenvolva reto como um muro a prumo.

É comum comparar-se o Universo material com a construção de um edifício, e este, simbolizado pelo templo maçônico, inspirado do templo de Jerusalém, é imitação do cosmo. O mapa celeste, conforme visto pelos antigos hierofantes caldeus e persas, é reproduzido no teto do templo maçônico no Rito Escocês Antigo e Aceito, onde a prática maçônica no interior do templo é o exercício da construção cósmica.

Nível e prumo são importantes ferramentas do labor construtivo que o maçom coloca em sua obra de autoconstrução. Com o nível se comprova a horizontalidade que ele adquire em seu trabalho de construção do seu edifício interno. O prumo mostra que o edifício está perfeito em sua verticalidade em busca de aperfeiçoamento espiritual.

Relacionam-se nível e prumo com os dois os sentidos que a Maçonaria dá ao edifício do caráter humano: horizontal, energia yin, vertical, energia yang.

O maçom cresce nos sentidos dos dois raios que formatam o Universo em sua expansão: extensão e profundidade, latitude e longitude, simplicidade e complexidade, tempo e espaço etc. O prumo, eixo vertical indica o sentido da ascensão em direção à sua elevação espiritual. O nível, eixo horizontal, indica o sentido da extensão em direção aos quadrantes da Terra nos assuntos relacionados a sua materialidade.

Na tradição maçônica o templo reflete o cosmo construído a prumo com o eixo do mundo, cujo centro é a estrela polar. Dela desce um eixo imaginário em torno qual o Universo gira. Como eixo do mundo é o instrumento pelo qual o Grande Arquiteto do Universo esquadreja e erige o Universo de horizonte a horizonte e de cima até em baixo.

Na estrutura fisiológica do ser humano utiliza-se a simbologia do nível e do prumo para representar o homem em sua posição horizontal, em equilíbrio com a natureza e na sua posição vertical em sua ascensão espiritual.

Estar à nível aponta a materialidade e estar a prumo representa a evolução espiritual necessária para a evolução conforme o projeto do Grande Arquiteto do Universo.


Bibliografia

1. BOUCHER, Jules, A Simbólica Maçônica, Segundo as Regras da Simbólica Esotérica e Tradicional, título original: La Symbolique Maçonnique, tradução: Frederico Ozanam Pessoa de Barros, ISBN 85-315-0625-5, primeira edição, Editora Pensamento Cultrix Limitada, 400 páginas, São Paulo, 1979;

2. CASTELLANI, José, Dicionário Etimológico Maçônico, M-N-O-P, Coleção Biblioteca do Maçom, ISBN 85-7252-152-6, terceira edição, Editora Maçônica a Trolha Limitada, 151 páginas, Londrina, 2002;

3. CASTELLANI, José, Dicionário Etimológico Maçônico, M-N-O-P, Coleção Biblioteca do Maçom, ISBN 85-7252-152-6, terceira edição, Editora Maçônica a Trolha Limitada, 151 páginas, Londrina, 2002;

4. FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio de, Dicionário de Maçonaria, Seus Mistérios, seus Ritos, sua Filosofia, sua História, quarta edição, Editora Pensamento Cultrix Limitada, 550 páginas, São Paulo, 1989;

5. PUSCH, Jaime, ABC do Aprendiz, segunda edição, 146 páginas, Tubarão Santa Catarina, 1982;

6. QUEIROZ, Álvaro de, A Maçonaria Esotérica, Rito Escocês Antigo e Aceito, ISBN 978-85-370-1003-7, primeira edição, Madras Editora Limitada, 158 páginas, São Paulo, 2016;

A Utópica Ética Justa e Perfeita

Como viver uma utopia.

Charles Evaldo Boller


A filosofia maçônica considera a possibilidade de se praticar uma ética justa e perfeita, como um alvo a se atingir e não como possibilidade real. Tem a ver com um jargão comum, usado entre os maçons, que a cada sessão repete que os trabalhos foram justos e perfeitos, quando, em verdade, isso é impossível.

Se os preceitos filosóficos que norteiam as relações humanas contivessem pretensões de se obter o cumprimento de regras éticas, em condição de serem justas e perfeitas, não haveria necessidade de palácios de justiça ao redor do mundo. Todo ser humano compreenderia que a cada ação sua corresponde uma reação. Se a ação fosse baseada no amor, o retorno nas relações interpessoais, seria realizado na mesma moeda.

Mas o homem é extremamente competitivo, e cada um luta em manter o comportamento que lhe dê vantagens, daí os ânimos se acirrarem e a necessidade de se estabelecerem normas de conduta moral, que sustentem um código de ética, para que a convivência tenha um mínimo de respeito a limites preestabelecidos em leis; um recurso fraco inventado pelo homem para permitir uma convivência pacífica relativa. Portanto, considerar a ética como justa e perfeita é parte da visão idealizada da Maçonaria, com vistas a uma sociedade utópica, mas plausível. Sonham com condições ideais, assemelhadas às relações fraternas que vigoram dentro de seus templos.

A simples ideia justa e perfeita implica afirmar a existência de respostas ao comportamento humano, em termos absolutos, que estivessem desligadas das circunstancias envolvidas nas relações interpessoais, na geopolítica, nos contextos e nas culturas. A ética é complexa e envolve intrincado sistema de respostas para questionamentos contingentes e subjetivos.

A ética recebe impulsos de diversas fontes e fatores como, cultura, crença, religião, sociedades, e, principalmente, das necessidades e sonhos pessoais de posse, convivência e sobrevivência. Jean-Jacques Rousseau ilumina uma causa grave de conflitos: "o primeiro homem que inventou de cercar uma parcela de terra e dizer - isto é meu -, foi o autêntico fundador da sociedade civil. De quantos crimes, guerras, assassínios, desgraças e horrores teria livrado a humanidade se aquele, arrancando as cercas, tivesse gritado: - não, impostor!".

O que é ético numa cultura pode ser reprovado por outra. O estabelecimento de regras éticas, normalmente, é resultado de administração de conflitos, valores, ideologias ou princípios impostos por dilemas circunstanciais. Daí, não existe uma ética universalmente justa e perfeita, a não ser, o que intuíram grandes avatares da humanidade como, Cristo, Sócrates, Platão, Krishna, Moisés, Confúcio, Aristóteles e outros, que foram unânimes em recomendar a única lei dada aos cristãos: a lei do amor.

Ética é resultado de convulsões sociais intensas que envolvem filósofos, acadêmicos e elemento das sociedades em geral, que melhor contemplem a vida em comum das mais variadas influências culturais e comportamentais, ligados a situações particulares de cada grupo social, assim como é objeto de debates e estudos da comunidade maçônica mundial.

A Maçonaria, do alto de séculos de prática da dinâmica social, lançou a utopia de obter uma ética justa e perfeita, portanto, absoluta. Não que ela venha a obter isso em sua plenitude, mas, apenas, para fixar o rumo naquilo que o próprio homem estabelece, como sendo a vontade do Grande Arquiteto do Universo, em seu projeto da criatura humana inteligente.

É utopia, sim! Entretanto, o objetivo é tornar feliz a humanidade pelo amor, pelo respeito a diversidade do pensamento livre e à crença de cada um. A crença no poder do amor pleno constitui outra utopia, porque as variáveis são imensas e o comportamento humano dinâmico e emocional. Por isso, nas oficinas maçônicas, são promovidos de forma continuada, oportunidades de reflexão crítica, debates abertos e respeitosos, onde se colocam em prática as palavras de um dos principais nomes do Iluminismo na França, o irmão Voltaire: "não concordo com uma palavra do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo", citada ao livro de Jean-jacques Rousseau, O Contrato Social. Então, cabe continuar a perseguição de atingir a utopia de uma ética justa e perfeita baseada no amor fraterno, de modo a desenvolver homens evoluídos, conforme o que se imagina ser o pensamento e a ação do Grande Arquiteto do Universo.

A utópica ética justa e perfeita é alvo inatingível, mas o maçom tem a felicidade de sonhar com algo inalcançável como a perfeição absoluta, onde faz parte sonhar e trabalhar na busca contínua de uma hipotética e utópica ética apoiada no amor fraterno, justo e perfeito. Tais sonhos inatingíveis são a expressão íntima de busca da liberdade em termos ótimos, utópicos. A discussão permanente da ética maçônica constitui um nobre objetivo para a humanidade onde os obreiros da paz continuam a trabalhar em suas oficinas como aquilo que foi intuído pelos grandes pensadores, do presente e do passado, que gravaram seus pensamentos, para hoje e amanhã permitir uma vida plena de realizações, vivendo na prática aquilo que o homem considera alinhado ao projeto do Grande Projetista do Universo.


Bibliografia

1. ABBAGNANO, Nicola, Dicionário de Filosofia, Dizionario DI Filosofia, tradução: Alfredo Bosi, ISBN 978-85-336-2356-9, quinta edição, Livraria Martins Fontes Editora Limitada, 1210 páginas, São Paulo, 2007;

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Conatus

Avaliação da possibilidade do maçom frear o motor do desejo que o movimenta ao erro e submissão, sem matar o Conatus, sua iniciativa de persistir e evoluir independente.

Charles Evaldo Boller


Origem

Diversos filósofos aplicam o conceito Conatus na explicação da origem da violência que tira a liberdade do homem: aquela que o impede de andar com as forças de sua própria iniciativa, escravizando-o através de paixões e desejos.

Trata-se de um verbo latino que dá tratamento filosófico à compreensão e determinação necessárias para tornar-se livre, continuar a existência e aprimorar-se na linha de tempo reservada para a vida: a base da vivência maçônica.

Tem aspectos positivos e negativos que são interessantes de serem analisados, pois exercita uma dicotomia que auxilia no entendimento do ser.

Sem que muitos o percebam, é parte das grandes provocações que a Maçonaria faz a seus adeptos, já desde o primeiro psicodrama do simbolismo: a cerimônia da iniciação; ocasião em que o iniciando é instado se deseja persistir mesmo em presença da luta interna contra rejeição, desejo e paixão.


Baruch Espinoza

Para Baruch Espinoza o conceito Conatus é:

  • O desejo de viver, existir;
  • Esforço que se manifesta na consciência em direção da autoperseverança para continuar existindo;
  • A vida repleta de desejos dos quais depende o usufruto da vida;
  • Onde o homem é essencialmente composto de desejos;
  • A potência de agir e resistir;
  • A essência da humanidade que varia de acordo com a intensidade da autopreservação onde não ter desejos é suicidar-se: é morte!

Como viver sem submeter-se a desejos que escravizam à existência?

Como perseverar na vida com qualidade debaixo do princípio de autoconservação natural que pode levar à escravidão?

O conceito Conatus tem diversas significações em resultado do instinto e livre-arbítrio naturais contrapondo-se ao exercício consciente da liberdade.


Desejo

Desejo é potência, capacidade de realizar, força que leva à ação.

Tudo que resulta em ação é resultado de desejos.

É nisso que se baseiam os oportunistas para exaurir a força da maioria dos humanos: exploram os outros através de seus próprios desejos. Os abusadores deduziram que o homem está construído mais para desejar que para raciocinar.

Pensar é atividade cansativa, para alguns até dolorosa.

Poucos pensam!

A absoluta maioria da massa humana prefere receber o produto de outros pensadores e levar a vida apenas nutrindo seus apetites e desejos primários: são aqueles que estacionam na base da Pirâmide das Necessidades de Maslow, ao nível das necessidades fisiológicas, e dificilmente alcançam ao estágio da autorrealização.

O homem exibe em primeiro plano os resultados de seus desejos e não o resultado de sua capacidade racional.

Os desejos e paixões não deveriam ser a raiz de todo mal, perversidades e perturbações, mas, em resultado da preguiça, são!

Por indolência ou por perversidade, as paixões e desejos escravizam o homem. E o pior, é o próprio escravo que assim o deseja, preferindo a prisão no recôndito de suas paixões que ser livre com responsabilidade.

Daí ser o maçom instado em combater o bom combate para vencer suas paixões escravizantes e praticar as boas paixões para servir e trazer felicidade para si mesmo e aos conviventes.

Mas como matar o motor do desejo que movimenta o homem ao erro e submissão sem matar o Conatus, sua iniciativa de persistir em evoluir independente?

Usando deste elemento motor para desenvolver, pela racionalidade, apenas o lado bom e livre desta potência natural.

Na Maçonaria é oferecida a oportunidade de desenvolver a capacidade de iluminação, o desejo de andar com as próprias forças, sem auxílio ou tutela de outros, nutrindo os próprios desejos naturais sem submeter-se ao desejo de terceiros em virtude de preguiça para evoluir utilizando dos recursos de seu próprio discernimento.


Fraternidade

A convivência fraterna, e sem necessidade de escudos hipócritas, têm potencial para libertar o homem.

A fraternidade existe para proporcionar experiências alegres e agradáveis que levam ao desenvolvimento de forças de ataque e defesa para derrubar desejos que degradam.

A iluminação maçônica tem a pretensão, não a certeza, de propiciar o meio onde a potência para existir com qualidade seja aumentada. Tudo depende de como cada um reage diante da provocação da Maçonaria que, pela fraternidade, induz às experiências alegres de convivência, afastando os adeptos de situações dolorosas e tristes causadas pela tirania, opressão e prepotência de minorias sobre maiorias.

Os encontros efetuados em loja, com sua ritualística e atividades cognitivas cultas, levam a desfrutar da vida com alegria e utiliza a ação Conatus em seu sentido positivo, presta-se a induzir perseverança para continuar na autoconstrução. A loja é semelhante a uma família e ao mesmo tempo uma escola de conhecimentos. Os mestres têm a obrigação de promover atividades e eventos que alimentem o Conatus dos demais associados de tal forma a aumentar sua potência e desejo para a vida fraterna. Não se trata exclusivamente de festividades sociais, mas de reuniões alegres que promovam o bem, o culto, o erudito. Os banquetes maçônicos são culturais. De um lado apreendem-se conhecimentos e de outro, estes mesmos saberes são servidos e distribuídos aos conviventes. É um sistema de trocas que funciona por indução: impossível de representar em linguagem oral ou escrita porque afluem forças que são sentidas, mas ainda impossíveis de serem verbalizadas.

Desta forma são construídas personalidades fortes que agem na sociedade em todas as suas dimensões.

Desenvolvem-se líderes e não títeres.

Despertam potencialidades que levam ao desenvolvimento de gestores dos próprios destinos e transformadores da sociedade para desfrutar daquilo que a natureza oferece.

O objetivo é lúdico e ao mesmo tempo de árduo trabalho na autoconstrução.

O centro é o maçom.

É experiência espiritual.

A mudança, de forma agradável, é centrada no maçom, no adepto, e não nos homens da sociedade. A sociedade é afetada por consequências das ações dos maçons.

É o homem forjado nas oficinas da ordem maçônica que vai fazer a diferença na sociedade onde tem a potencialidade de conduzir seu destino e ajudar outros a desenvolverem-se de igual forma.


Teoria da Afetividade

O conceito Conatus é central dentro da teoria da afetividade.

O operador dinâmico é o maçom e sua afetividade enquanto ser concebido como tendo uma natureza comum.

A amizade é estratégica no procedimento de elevar a capacidade de perseverança, de Conatus, para o desenvolvimento ao bem.

O sucesso da atividade maçonicamente orientada depende e é inseparável dos laços que se formam entre os irmãos. O próprio tratamento como irmandade já implica na exigência de camaradagem na atividade lúdica e cultural.

A ação Conatus é um esforço que não possui objeto, mas é estratégica: é uma potência de agir dentro da fraternidade, seguindo a teoria da afetividade, com fortes possibilidades de conservação do desejo de fazer o bem para a humanidade. Assim, o maçom produz os frutos resultantes da própria produtividade dos dons afetivos que a natureza disponibilizou dentro dele.

Os aspectos positivos do conceito Conatus são as decisões internas que, necessariamente, passam pela vontade de viver em sociedade com outros seres vivos; "o homem é, por natureza, um ser social" (Karl Marx).


Thomas Hobbes

Segundo Thomas Hobbes, o conceito Conatus é indispensável na análise da concepção da natureza humana, em:

  • Tudo aquilo que, de alguma forma, propicia a vida em resultado do desejo e da vontade individual;
  • Um fogo interno que move o homem a dirigir-se àquilo que lhe traz prazer e o afasta do que o desagrada;
  • Ação sem imposição externa: resultante do esforço em perseverar;
  • Capacidade natural de autoconservação: característica racional humana em resultado da consciência de preservação da vida;
  • Preservar a essência interna do homem livre;
  • Manter um estado natural de vida do homem em sociedade.

Por outro lado, a característica natural do conceito Conatus é observada também em aspectos negativos, caracterizado por:

  • Egoísmo do homem que, desassossegado, deseja poder sempre mais que os outros, tendência que o acompanha até a morte;
  • Inclinação que move o homem a vencer sempre;
  • Luta no acumulo de recursos para além da necessidade;
  • Guerra de todos contra todos na vida social;
  • Homem governado por suas paixões, que acha possuir o direito natural de apoderar-se do que bem entender;
  • Aquilo que impulsiona o homem a ultrapassar ao outro na vida social, de onde afloram sentimentos de perdedor e vencedor;
  • Disposição que torna os homens iguais em força quando o fisicamente mais fraco adquire a capacidade de matar o fisicamente mais forte ao usar de estratagemas mais espertos.

Subjugar o outro é característica natural do homem enquanto selvagem ou enquanto não vence a si mesmo. Sua tendência natural é de sempre subjugar os da própria espécie, explorando e exaurindo a força de produção do outro, dando o mínimo ou nada em troca.

Segue a máxima: "estamos aqui para comer uns aos outros".

Esta disposição mental violenta e agressiva pode ser moderada quando cada indivíduo ingressa de forma responsável na vida social: uma das fortes propostas da Maçonaria: pela igualdade, mesmo em presença das diferenças.

O estudo dos contrates do conceito Conatus proporciona o entendimento de como funciona a violência humana decorrentes do despotismo, da arrogância e da prepotência de indivíduos, pessoas e grupos.

Ao maçom, a dicotomia do conceito Conatus aponta caminhos para:

  • Tornar-se bem-sucedido e evitar ser presa daqueles que se acham com mais direitos.
  • Fomentar relacionamentos onde todos levam vantagens, não necessariamente igualitárias, mas justas.
  • Ajudar no entendimento das razões da existência da violência, traduzindo-a como característica natural do livre-arbítrio que pode ser superada pela transformação consciente.


Liberdade e Livre-arbítrio

A ação humana é livre na proporção em que o ator entende como funciona sua determinação, seu exercício de Conatus. O pensamento correto de liberdade advém da análise das possibilidades, onde liberdade e possibilidade são ideias independentes. A liberdade consta de possibilidades de ações e ideias independentes.

Aprende-se na Maçonaria que o homem só pode considerar-se livre se, em sua caminhada pelo mundo, tiver a seu dispor a possibilidade de escolher racionalmente entre alternativas. É a razão da pugna da ordem maçônica em oferecer liberdade para toda a sociedade humana. Assim, ela desenvolve homens com conhecimento da liberdade que se manifesta àqueles que obtêm consciência da autodeterminação: do Conatus.

O maçom constata esta liberdade quando descobre que nada existe fora dele mesmo que lhe imponha uma direção: é o exercício do Conatus voltado ao esforço de atender a tendência de ser livre para persistir em existir e evoluir continuamente.

Com este entendimento, não se confunde liberdade com livre-arbítrio:

  • Liberdade - Livre-arbítrio
  • Autodeterminação: a decisão vem do depois de pensado e avaliado. - Agir sem motivos ou finalidades: em resultado de impulso natural e instintivo.
  • Limitada e racional. - Ilimitado: manifesta-se sem razão ou objetivo.
  • Racional; artificial, dissimulada. - Emocional, instintivo, natural, franco.

O autoconhecimento livra o homem do obscurantismo assim como a autodeterminação leva o homem a desfrutar da liberdade com coerência.

Gostar de alguma coisa, considerando que possa ser resultado de imposição de modismos ou propaganda da mídia, não implica em falta de liberdade, desde que a ação, ou gosto, seja resultado de desejo interno, particular. É liberdade desde que o gosto pertença à pessoa em resultado de sua autodeterminação.

Já o livre-arbítrio não passa de uma ilusão da imaginação, espécie de conhecimento inicial. Livre-arbítrio, na ótica de Baruch Espinoza, é um preconceito primordial, fonte de todos os outros preconceitos.


Conceito e Ação Conatus

Em diversas oportunidades da jornada, o adepto maçom é levado explorar e reforçar sua inclinação latente e congênita de existir com qualidade e de aprimorar-se como pessoa humana na ação Conatus que lhe é inerente.

A melhoria pessoal ocorre na mente, no espírito, na psique e na matéria. Mudança que acontece em todas as dimensões humanas com vistas a produzir um ser humano melhorado em condições de persistir, de aplicar Conatus em sua jornada.

A exploração do conceito Conatus, em seus aspectos positivos, evita a vaidade congênita que tende ao desejo de querer ser mais importante que o outro, daí constar na divisa da Maçonaria: a igualdade. Não existe igualdade sem fraternidade e liberdade. Assim sendo, a ação Conatus impulsiona ao equilíbrio: ocorre aporte de determinação e persistência quando se exercitam igualmente igualdade, liberdade e fraternidade.

Ao frequentar as sessões maçônicas, lentamente, em resultado de fraterna convivência, o maçom se modifica e domina a inclinação de reinar sobre os demais, considera-se igual e, com isso, propicia a liberdade de si mesmo. Entender isso é iniciar-se em espírito: abraçar uma vibração energética que fica acima da realidade perceptível aos sentidos. Ao vencer a vaidade e a soberba torna-se irmão, inicia-se maçom: é reconhecido maçom. Assim, a sua regularidade como maçom vai muito além dos sinais, toques e palavras. Demonstra que entendeu a mensagem da cerimônia de iniciação: a dramatização da iluminação maçônica. Entendeu que está no Universo para servir seus irmãos e à sociedade: "a Maçonaria está nele!" -, dizem sem falsa retórica os mais adiantados.

Aprendeu bem e responde favoravelmente às provocações da Maçonaria em seus rituais: faz o bem e se modifica em resultado da prática do bem. Para um homem assim, os diplomas, as medalhas, os aventais, os colares e outros penduricalhos traduzem expressões de vaidades! Encontrou o poder e a riqueza que edifica seu próprio templo vivo nas virtudes que estão no espírito! Desta forma a ação do Conatus faz o homem persistir em evoluir constantemente.

A jornada modificadora interna do maçom segue em ascendência por uma senda que é semelhante a uma escada dupla que sobe de um lado e desce pelo outro. De um lado, enquanto o maçom sobe, ele é servido por seus irmãos de conhecimentos e ciências, e de outro, enquanto desce pela escada, baseado em virtudes, ele serve seus irmãos. É um exercício de humildade sem precedentes, haja vista a característica natural negativa do conceito Conatus aplicada ao ser humano leva o homem a sentir-se naturalmente mais importante que o outro. Servir sem esperar nada em troca é o altruísmo mais elevado que o maçom pode alcançar! Com isso ele serve qual construtor de templos vivos numa sociedade perdida, pervertida e alienada a um sistema terrível de usura e escravatura.

Livre da escravidão ao sistema florescem qualidades internas que edificam o caráter. O ritual maçônico instiga ao hábito das coisas a serem desenvolvidas no dia-a-dia em todos os lugares.

E do hábito amadurecem grandes maçons que vencem o teste do tempo!

Sem confundir liberdade com livre-arbítrio e longe de se afetar com a perda de liberdade com a evolução científica, o maçom iniciado no espírito - que vive uma experiência espiritual - usa dos conhecimentos e criações científicas para servir a si e aos seus irmãos.

O conceito Conatus é entendido e utilizado em suas dimensões positivas e de construção do desejo e da paixão para o bem: é essencial na manutenção da perseverança para realizar a caminhada da modificação em sentido lato do ser para o bem.

O maçom iniciado no espírito - naquele onde a Maçonaria penetrou em resultado das reiteradas provocações - é o mestre servidor de seus irmãos. Sua alma purificada pelo serviço prestado aos irmãos faz seu corpo resplandecer! Este brilho, esta luz, é resultado positivo da ação Conatus, do ensino e do apoio dado aos irmãos porque é com isto que se dá honra e glória ao Grande Arquiteto do Universo!


Bibliografia

1. LIMONGI, Maria Isabel, Hobbes e o Conatus: da Física à Teoria das Paixões;

2. PAES LEME, André, Spinoza: o Conatus e a Liberdade Humana;

3. PEREIRA, Rafael Rodrigues, o Conatus de Spinoza, Autoconservação ou Liberdade;