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sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Intolerância e Fanatismo: uma Reflexão Filosófico-maçônica Sobre os Limites da Razão, da Fé e da Liberdade

 Charles Evaldo Boller

Síntese

Entre a luz e a sombra do espírito humano, a Maçonaria ergue-se como escola de equilíbrio, ensinando que a força não está em impor verdades, mas em lapidar a intolerância pela razão e o fanatismo pela sabedoria. Neste ensaio, o maçom é visto como operário da harmonia, que busca o ponto de ouro entre fé e inteligência, ciência e espiritualidade. Inspirado em Platão, Kant e na física quântica, o texto revela como o Grande Arquiteto do Universo é símbolo da ordem moral e cósmica, e como a tolerância, longe de ser fraqueza, é o poder de compreender sem se render. Trata-se de um convite à reflexão sobre o livre-pensamento, a ética do dever e a arte de construir o templo interior, onde o homem, iluminado pela razão e guiado pelo amor, vence as trevas da ignorância e ascende à verdadeira liberdade.

O Limiar Entre o Racional e o Espiritual

A intolerância é a sombra que persegue a luz da razão. O fanatismo é o fogo que consome a alma quando esta deixa de buscar o equilíbrio e entrega-se à cegueira do dogma. O maçom, viajante do espírito e operário do templo interior, é desafiado a compreender que o combate à intolerância não se dá pela negação da diferença, mas pelo exercício da lucidez, pela aceitação da imperfeição humana e pela prática constante da harmonia interior. A Maçonaria, como escola simbólica e filosófica, ergue-se justamente nesse limiar entre o racional e o espiritual, onde o homem é convidado a despertar de sua minoridade e aprender a dominar a si mesmo para, então, dominar o mundo, não pela força, mas pela sabedoria.

A Gênese da Intolerância e o Despertar Maçônico

Desde as primeiras civilizações, o homem demonstrou a tendência de tomar a justiça em suas próprias mãos. Essa propensão, movida pelo instinto de sobrevivência e reforçada pela ilusão do poder, foi sendo refinada ao longo dos séculos em ideologias políticas, teológicas e culturais. O maçom, ao ser iniciado, é colocado diante do desafio de submeter essa natureza instintiva ao império da razão iluminada pela espiritualidade.

Na linguagem simbólica da Maçonaria, essa passagem é representada pelo ato de desbastar a pedra bruta, ou seja, de lapidar os impulsos primitivos por meio da inteligência e da reflexão ética. Dominar a intolerância é um processo de iniciação permanente, uma forma de alquimia interior em que o chumbo das paixões é transmutado no ouro da temperança.

A intolerância nasce do medo, e o medo é filho da ignorância. O fanatismo, por sua vez, é a cristalização dessa ignorância em forma de certeza absoluta. A tarefa maçônica é dissolver essas cristalizações, reabrindo as janelas do pensamento para a ventilação da dúvida e da busca. Como dizia Voltaire, "a dúvida é um estado incômodo, mas a certeza é ridícula."

O maçom aprende, assim, que a Verdade é um caminho e não uma posse, e que a sabedoria consiste em caminhar com humildade sob a luz das múltiplas interpretações possíveis da realidade.

A Tolerância como Fundamento da Liberdade e da Fraternidade

A tolerância é um dos pilares da Ordem Maçônica porque é a condição para a existência da liberdade e da fraternidade. Uma Loja Maçônica é, por definição, um espaço plural, onde se reúnem homens de diferentes religiões, ideologias e origens culturais para trabalharem juntos em nome da Verdade e do Bem. Essa convivência seria impossível sem a prática consciente da tolerância, não a tolerância passiva do indiferente, mas a tolerância ativa do sábio que reconhece no outro um espelho de si mesmo.

Entretanto, a tolerância absoluta é impossível, pois a própria razão indica que tolerar o intolerável seria destruir o próprio princípio da harmonia. Como afirmava Karl Popper em seu "Paradoxo da Tolerância", uma sociedade que tolera a intolerância acaba por ser destruída por ela. Assim, o maçom entende que há limites éticos e racionais à tolerância: é lícito rejeitar o erro, o fanatismo e o despotismo, não com ódio, mas com firmeza e discernimento.

A tolerância não é permissividade, mas compreensão. Não é fraqueza, mas força moral. É o exercício do equilíbrio, que na filosofia clássica é o ponto de ouro entre o excesso e a falta, entre o vício e a virtude, segundo Aristóteles. A Maçonaria ensina que a moderação é a marca do homem sábio, aquele que não se deixa arrastar pelo radicalismo nem pela apatia, mas que age com prudência, guiado pela luz da razão e pelo amor à humanidade.

O Iluminismo e a Espiritualidade Racional

A Maçonaria moderna nasceu no século XVIII, sob a influência direta do Iluminismo, movimento filosófico que proclamou a autonomia da razão e o valor universal da liberdade. Naquele contexto histórico, a intolerância religiosa e o fanatismo político assolavam a Europa: guerras de religião, tribunais da Inquisição e absolutismos monárquicos. Foi nesse cenário que os maçons propuseram algo revolucionário, a convivência pacífica entre diferentes crenças sob a égide da razão e da moral natural.

O maçom é herdeiro de uma espiritualidade racional, que une fé e inteligência, sem permitir que uma anule a outra. A espiritualidade maçônica não é dogmática nem teológica: é uma experiência interior de religação (religare) do homem com o princípio criador, o Grande Arquiteto do Universo. Este, por sua vez, não é um deus sectário, mas um símbolo da ordem cósmica, da harmonia universal, do logos platônico e do princípio organizador que a ciência moderna chama de energia, campo ou consciência quântica.

Assim, o Grande Arquiteto pode ser compreendido tanto sob o prisma do Deísmo de Locke, que reconhece uma inteligência racional que ordena o universo, quanto sob o Teísmo ético de Kant, que vê em Deus a garantia da ordem moral. A Maçonaria, ao tolerar ambas as visões, eleva-se acima das disputas religiosas, unificando-as no plano da ética e do humanismo.

A Religião, a Ciência e o Símbolo Maçônico

A Maçonaria não é uma religião, mas é religiosa no sentido de religar o homem ao Sagrado. Sua ritualística não é culto, mas método de ensino que se utiliza de símbolos. Em vez de dogmas, propõe alegorias; em vez de fé cega, propõe reflexão. Cada símbolo é uma lição, e cada ritual é um exercício de autoconhecimento.

A oração do venerável mestre no início dos trabalhos não é súplica, mas meditação; a leitura do livro da lei não é imposição doutrinária, mas convite à introspecção. Assim, o maçom aprende a reconhecer a sacralidade em todas as tradições, vendo em cada religião um raio da mesma luz que emana do Sol central do Universo.

Na linguagem da física quântica, poderíamos dizer que o Grande Arquiteto do Universo representa o campo unificado de energia e consciência do qual todas as partículas, seres e galáxias são manifestações temporárias. Como a partícula e a onda coexistem no mesmo quantum, o homem e o divino coexistem na mesma trama energética do cosmos. A intuição mística do místico se encontra, portanto, com a formulação científica do físico: ambos buscam o Uno no múltiplo, a harmonia no caos, a ordem na incerteza.

O maçom moderno deve compreender que ciência e espiritualidade não se opõem, mas se complementam. Einstein dizia que "a ciência sem religião é manca, e a religião sem ciência é cega". Assim também é o maçom que não equilibra razão e fé: ou se torna fanático, ou se torna cético árido. A síntese superior é a do sábio, que compreende o Universo como templo e a razão como instrumento de adoração.

A Ética do Livre-pensamento

O maçom é convidado a pensar por si mesmo. Essa liberdade intelectual, contudo, exige disciplina moral e responsabilidade. Kant, em seu famoso ensaio "Resposta à pergunta: O que é o Iluminismo?", define a maioridade como "a saída do homem de sua menoridade, da qual ele é o próprio culpado". Essa menoridade é a incapacidade de usar o entendimento sem a direção de outro. Na iniciação maçônica, o neófito é conduzido por um guia, símbolo da dependência intelectual e espiritual. Ao receber a Luz, ele é chamado a caminhar com os próprios pés, guiado pela própria consciência, apropriando-se de sua autonomia.

Entretanto, muitos permanecem na minoridade mesmo após anos de Loja. Ser iniciado não é o mesmo que ser iluminado. A iniciação é interior, ocorre depois da cerimônia de iniciação do primeiro grau, na mente e no coração. Exige estudo, reflexão e trabalho sobre si mesmo. O Avental é o símbolo dessa labuta: é o uniforme do operário que trabalha incessantemente na edificação de seu templo moral.

A liberdade de pensar não é o direito de dizer qualquer coisa, mas o dever de buscar a Verdade com honestidade e respeito. É nesse ponto que o livre-pensamento se encontra com a andragogia: o maçom aprende por experiência, reflexão e diálogo. O aprendizado em Loja é coletivo e horizontal: cada irmão é ao mesmo tempo mestre e aprendiz, mesmo o aprendiz, nesses momentos, torna-se facilitador do aprendizado dos demais irmãos. O método andragógico da Maçonaria consiste em provocar, não em doutrinar; em questionar, não em impor.

O Equilíbrio como Antídoto ao Fanatismo

A vida maçônica é um exercício permanente de equilíbrio: entre razão e emoção, entre liberdade e disciplina, entre individualidade e fraternidade. O fanático é aquele que perde esse equilíbrio, entregando-se a uma única dimensão da realidade. Ele é como o viajante que, fascinado pela luz de uma estrela, esquece o caminho sob seus pés e cai no abismo.

O maçom, ao contrário, aprende a ser moderado até no falar e no pensar. A moderação não é fraqueza, mas domínio. Como dizia Epicteto, "nenhum homem é livre se não é senhor de si mesmo". O poder do maçom é o poder sobre si: a capacidade de conter a ira, de controlar o ego, de sublimar as paixões em energia criadora.

A física quântica oferece aqui uma bela metáfora: a dualidade onda-partícula ensina que a realidade depende do observador. Da mesma forma, o fanático vê o mundo como partícula, rígido, fixo, absoluto, enquanto o sábio o percebe como onda, fluido, mutável, interdependente. A tolerância é, pois, a consciência da interconexão de todas as coisas. O que fere o outro fere o todo. O que destrói uma crença destrói também a liberdade de crer.

A Virtude Ativa e o Dever Interior

O maçom, iniciado, evoluído, não age por medo do castigo nem por esperança de recompensa, mas por dever moral. Sabe que o bem praticado é sua própria recompensa, e que o mal cometido é seu próprio tormento. Não deposita no além o juízo de seus atos, mas assume aqui e agora a responsabilidade de suas escolhas. Assim, a Maçonaria o conduz do teísmo infantil ao humanismo ético, onde o Grande Arquiteto do Universo é compreendido como a própria consciência moral universal.

A prática da virtude não é renúncia ao prazer, mas sua sublimação. O maçom deve equilibrar suas paixões, não as suprimir. A paixão é o fogo do malho; o cinzel é a razão que lhe dá forma. O excesso destrói; a falta paralisa. A sabedoria está no ponto médio, onde a energia da vida se transforma em arte e beleza.

A Fraternidade como Ciência da Convivência

Em Loja, a fraternidade é o laboratório da convivência humana. É ali que o maçom aprende a lidar com a diferença, a resolver conflitos, a exercitar a paciência e o amor fraternal. O ambiente ritualístico funciona como um campo energético, uma egrégora, na linguagem esotérica, onde os pensamentos e emoções dos irmãos se somam e criam um espaço de alta vibração espiritual. Essa egrégora é sensível à harmonia ou à discórdia: uma palavra dura pode perturbar o campo, enquanto um gesto de compaixão pode elevá-lo.

A física quântica moderna descreve fenômenos semelhantes no entrelaçamento quântico[1] (entanglement): partículas separadas continuam conectadas por uma informação invisível. Assim também os maçons: unidos por um ideal comum, permanecem ligados por laços sutis de pensamento e intenção, mesmo quando distantes. A fraternidade, portanto, é uma forma de ciência espiritual, a ciência das vibrações do amor e da consciência.

O Templo da Tolerância

O maçom constrói um templo invisível dentro de si, pedra por pedra, gesto por gesto. Cada ato de tolerância é uma coluna erguida; cada vitória sobre o fanatismo é um vitral que se abre à Luz. O inimigo não está fora, mas dentro: é a intolerância que habita o coração humano, o orgulho travestido de convicção, a cegueira que confunde fé com Verdade.

Combater a intolerância é, portanto, um trabalho interior de lapidação e de amor. É transformar o caos em cosmos, o grito em silêncio, a divisão em harmonia. O fanático busca converter os outros; o sábio busca converter-se a si mesmo. O maçom, operário do espírito, sabe que a revolução é a do coração iluminado pela razão.

A Verdade é Infinita

O maçom combate a intolerância não pela espada, mas pela Luz da consciência. Ele compreende que o fanatismo é o entulho que impede a construção do templo interior e que a liberdade é a de pensar com humildade, sentir com equilíbrio e agir com amor. Tolerar é compreender que a Verdade é infinita, e que cada homem, em seu trabalho silencioso, talha uma pedra diferente do mesmo templo universal do Grande Arquiteto do Universo.

Bibliografia comentada

1.      ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Fundamenta a virtude da moderação e o conceito do meio-termo, essência do equilíbrio maçônico;

2.      BLAVATSKY, Helena P. Glossário Teosófico. Fornece conceitos esotéricos úteis à compreensão da egrégora e da estrutura energética da Loja;

3.      CAMPBELL, Joseph. O Herói de Mil Faces. Analisa o processo de iniciação e autotransformação presente nos rituais simbólicos da Maçonaria;

4.      EINSTEIN, Albert. O Mundo como Eu o Vejo. Apresenta a visão do Universo como uma totalidade ordenada e espiritual, conciliando ciência e fé;

5.      EPICTETO. Manual de Vida. Oferece base para o domínio de si e a serenidade estoica presentes na conduta do maçom;

6.      Heisenberg, Werner. A Parte e o Todo. Relaciona a física quântica à filosofia, ajudando a compreender a unidade entre observador e realidade;

7.      KANT, Immanuel. Resposta à Pergunta: O que é o Iluminismo? Texto seminal para compreender a ideia de "maioridade" e a importância da autonomia da razão na filosofia maçônica;

8.      LOCKE, John. Ensaio sobre o Entendimento Humano. Fundamenta o Deísmo racional que inspira a noção maçônica do Grande Arquiteto como causa primeira;

9.      POPPER, Karl. A Sociedade Aberta e Seus Inimigos. Discute o paradoxo da tolerância e os limites éticos do liberalismo;

10.  VOLTAIRE. Tratado sobre a Tolerância. Obra essencial do espírito iluminista que moldou a ética maçônica da convivência e do livre-pensamento;



[1] O entrelaçamento quântico é um fenômeno da mecânica quântica onde duas ou mais partículas subatômicas se tornam tão interligadas que o estado de uma instantaneamente afeta o estado da outra, não importa a distância entre elas. Essa conexão é tão forte que uma partícula não pode ser descrita sem a outra. Por exemplo, se duas partículas entrelaçadas compartilham a propriedade de "spin" e uma é medida como girando no sentido horário, a outra imediatamente assume o sentido anti-horário, mesmo a milhões de anos-luz de distância;

sábado, 4 de janeiro de 2025

Influência Positiva dos Illuminati

 Uma mentira alimentada pela vingança.

Charles Evaldo Boller


Extinta há mais de 240 anos, a instituição Illuminati, fundada por Adam Weishaupt, em 1776, na Baviera, atual Alemanha, formava uma sociedade "secreta" que atraiu a atenção de escritores e pensadores proeminentes da época. No entanto, eles não eram populares e foram rapidamente suprimidos pelo governo bávaro, em 1785. A organização foi alvo de críticas conservadoras e religiosas e acreditavam que eles continuaram a operar "secretamente", influenciando até eventos como a Revolução Francesa.

Hoje em dia, esta organização é frequentemente mencionada em teorias da conspiração e na cultura popular, mas a maioria dessas alegações não tem fundamento histórico. É fascinante como um grupo relativamente tão pequeno pudesse gerar tanto interesse ao longo dos séculos! O que existe por aí, declarando-se parte ou continuação daquela organização ou é falso ou tem intensões que não são boas.

Ligação Entre os Illuminati e a Maçonaria

Quando fundados, alguns de seus membros eram maçons. Adam Weishaupt, seu fundador, convenceu alguns maçons para se juntarem à sociedade. Isso resultou em interpretações variadas sobre a possível ligação entre os dois grupos. As associações são semelhantes na base moral, especialmente porque ambas compartilham estrutura hierárquica e interesse em ideias filosóficas, sociais e políticas.

A relação não durou e, desde sua derrocada, muitas teorias da conspiração têm sugerido onde eles, supostamente, continuam a operar em segredo, inclusive dentro da Maçonaria.

Não há evidências para apoiar estas alegações. São especulações que têm a intenção de denegrir a Maçonaria. A ordem maçônica não passa de instituição essencialmente filosófica com objetivos político-sociais que não interferem, como instituição, nos governos nem no estabelecimento de um grupo de poder com ambição política.

Interessante como essas sociedades, ditas "secretas", têm tanta influência na imaginação popular ao ponto de se inventarem as mais estranhas acusações. A Maçonaria não é secreta, mas discreta e tem segredos, sim, semelhante a qualquer grupo profissional.

A Maçonaria é acusada por diversas organizações religiosas e políticas de ser organização que destila discórdia, ódio e ateísmo. Em verdade ela apenas promove o amor ao próximo e a crença em Deus, o mesmo Jeová que é adorado por cristãos e judeus. No entanto, nesse aspecto, cada maçom reserva-se o direito de não dar nome para a divindade, porque O considera algo fora do alcance da capacidade de percepção do homem. Assim, o maçom tem certeza da Sua existência, mas não segue fé cega ditada por ninguém. Cada maçom apoia-se no próprio discernimento, onde cada um tem a liberdade de escolher seu próprio objetivo de adoração ou solução de crise existencial. O maçom define a divindade apenas pela ideia de Grande Arquiteto do Universo, é um pensamento que foge da tendência antropomórfica de criar e nominar deuses à sua própria imagem e semelhança.

História dos Illuminati

A história dos Illuminati é fascinante e envolta em mistério. Quando fundada por Adam Weishaupt, a sociedade tinha como objetivo promover educação racional, filantropia, combater a superstição e influenciar a sociedade positivamente.

Mediante o esclarecimento de seus adeptos, buscavam influenciar decisões políticas e mudar instituições como a monarquia e a igreja, promovendo nova fonte de "iluminação ou esclarecimento". Assim, eles recrutaram alguns membros da Maçonaria para ajudar a expandir sua instituição para a disseminação do bem.

No entanto, ao ser rapidamente suprimida em 1785, sob pressão da igreja e de grupos extremistas, desde então, eles têm sido associados a várias teorias da conspiração, frequentemente sem evidências históricas concretas, refletindo críticas políticas e religiosas da época.

Efeitos Sociais

Como sociedade "secreta", não teve impacto duradouro na sociedade durante o seu curto período de existência (1776-1785). No entanto, a dissolução deles e as teorias da conspiração que surgiram em seu entorno tiveram efeito significativo na cultura popular e na imaginação coletiva.

Desde a sua supressão, eles têm sido frequentemente associados a eventos históricos e figuras poderosas, sem evidências concretas. Essas associações têm alimentado várias teorias da conspiração ao longo dos séculos, influenciando a maneira como algumas pessoas veem e interpretam eventos geopolíticos, tentando conectá-los a eles.

Embora não tenham tido impacto direto e duradouro, as lendas que cresceram em torno deles continua a ser parte fascinante e, às vezes, controversa da cultura popular.

Teorias da Conspiração dos Illuminati

Existem incontáveis teorias da conspiração fascinantes sobre os Illuminati. As mais populares incluem:

·         Uma das teorias mais persistentes é que eles controlam secretamente os governos e as instituições globais, manipulando eventos para estabelecer uma Nova Ordem Mundial;
·         Muitos teóricos afirmam que eles estiveram por trás de grandes eventos históricos, como a Revolução Francesa e até mesmo a Revolução Americana, influenciando a política e a sociedade em segredo;
·         Existe a crença de que muitas celebridades, figuras políticas e empresários são membros dessa instituição. Esses teóricos apontam para símbolos e gestos feitos por essas figuras públicas como evidências de sua filiação;
·         Alguns acreditam que a organização controla o avanço tecnológico e científico, decidindo quais inovações são liberadas para o público e quais são suprimidas para manter o controle;
·         Outra teoria sugere que eles controlam a mídia, moldando a narrativa pública e manipulando a opinião pública através de notícias, filmes, música e outros meios de comunicação.

Essas teorias, apesar de carecerem de evidências históricas, continuam a capturar a imaginação popular ao redor do mundo. A ideia de uma sociedade "secreta" onipotente é intrigante e a falta de evidências sólidas apenas alimenta mais as especulações e o mistério.

Símbolo dos Illuminati

O símbolo mais associado a eles é o "Olho que Tudo Vê" dentro de um triângulo, este é encontrado em diversos contextos, como na nota de um dólar americano, o que tem sido interpretado como conexão com os Illuminati em algumas teorias. O símbolo é muito utilizado na decoração de lojas maçônicas, o que não evidencia associação alguma. Este símbolo é interpretado como um emblema de vigilância e conhecimento supremo. Trata-se de símbolo que carrega imenso significado e mistério. O símbolo é conhecido como "olho da providência", que representa o olho de Deus observando a humanidade. O símbolo tem referências egípcias, mas ganhou a sua configuração atual no século 17, associado à Maçonaria. Para os maçons, é lembrete de que estão sempre sendo observados pelo Grande Arquiteto do Universo.

Há quem discorde e afirme que o símbolo da associação Illuminati era uma coruja sobre um crânio e não um triângulo com um olho dentro.

Significado de Illuminati

A palavra "Illuminati" vem do latim "illuminatus", que significa "iluminado". O termo reflete o objetivo do grupo de promover a iluminação intelectual e espiritual, disseminar conhecimento e combater superstições. Eles se consideravam portadores de uma nova luz de racionalidade e entendimento. Algumas interpretações sugerem que "Illuminati" também pode significar "inspirado intelectualmente".

Na Maçonaria, a busca pela iluminação está alinhada ao conceito de Kant[1], que define iluminação como a saída da "menoridade" autoimposta. Essa "menoridade" seria a incapacidade de usar o próprio entendimento sem depender da orientação de outros, causada não por falta de conhecimento, mas pela falta de coragem e decisão de pensar de forma independente.

Planos para Dominar a Europa

Os Illuminati buscavam promover a iluminação intelectual e combater a superstição e a influência religiosa. No entanto, teorias da conspiração sugerem que tinham planos de dominar a Europa e subverter instituições políticas e religiosas, especialmente durante a Revolução Francesa. Apesar da falta de provas concretas, essas ideias continuam a alimentar a imaginação popular e a cultura conspiratória.

Adam Weishaupt e os Jesuítas

Adam Weishaupt, fundador dos Illuminati, foi educado pelos jesuítas em sua juventude, mas tornou-se um de seus maiores opositores. Após a dissolução da Companhia de Jesus pelo Papa Clemente XIV, em 1773, Weishaupt assumiu a cátedra de Direito Canônico na Universidade de Ingolstadt, posição anteriormente ocupada exclusivamente pelos jesuítas. Essa transição de poder intensificou a hostilidade entre ele e os jesuítas, que consideravam os Illuminati uma ameaça às suas crenças e influência.

Influência Positiva

Os Illuminati da Baviera, foi uma sociedade que emergiu no contexto do Iluminismo[2], promovendo ideais de racionalidade, igualdade e liberdade de pensamento. Apesar de sua curta duração, seus princípios e ideais tiveram profundo impacto no pensamento moderno.

A organização se opunha à influência excessiva da Igreja e do Estado sobre a vida cotidiana, defendendo uma sociedade guiada pela razão e pela educação. Seus objetivos incluíam a promoção do pensamento crítico, o incentivo à filantropia e a luta contra a ignorância e a superstição, características centrais do movimento iluminista.

Mesmo dissolvidos, os Illuminati ganharam notoriedade em teorias da conspiração, sendo associados a um suposto controle oculto do mundo. No entanto, sua contribuição real e menos sensacionalista está na disseminação de valores iluministas que moldaram ideias de progresso, democracia e liberdade individual. Esses valores continuam sendo pilares fundamentais nas sociedades contemporâneas, inspirando debates sobre ciência, política e direitos humanos.

É fascinante como uma organização tão breve pode ter um impacto tão duradouro, especialmente quando o foco está em ideais universais e atemporais como o avanço da racionalidade e a busca pelo conhecimento.

Relevância Atual

Os ideais dos Illuminati, como valorização da ciência, educação e promoção de práticas éticas e humanitárias, continuam a ser relevantes na sociedade moderna. Esses princípios ressoam em movimentos que buscam o progresso, a racionalidade e o bem-estar social da humanidade.

Embora a organização dos Illuminati não exista mais, sua essência pode ser observada em iniciativas que combatem a desinformação e promovem uma sociedade mais educada.

A Maçonaria, que não possui ligação com os Illuminati, também compartilha objetivos semelhantes, entre outros valores, ao incentivar o aperfeiçoamento moral, intelectual e espiritual dos maçons.

Bibliografia

1.      FENSTER, Mark, Conspiracy Theories: secrecy and Power in American Culture;

2.      JACOB, Margaret C., Living the Enlightenment: freemasonry and Politics in Eighteenth-Century Europe;

3.      KANT, Immanuel, Was ist Aufklärung? O Que É Esclarecimento;

4.      NEUGEBAUER-WÖLK, Monika, Aufklärung und Geheimbundwesen;

5.      STEVENSON, David, The Origins of Freemasonry: scotland's Century, 1590-1710;

6.      WILLIAMS, Vanessa L., The Illuminati: facts and Fiction;



[1] Kant, autor, conferencista, filósofo, professor e teólogo de nacionalidade alemã. Immanuel Kant nasceu em 22 de abril de 1724 em Königsberg. Faleceu em 12 de fevereiro de 1804 em Königsberg. Grande filósofo dos princípios da era moderna;

[2] O Iluminismo foi um movimento cultural, filosófico e científico que se desenvolveu na Europa entre os séculos XVII e XVIII. O movimento foi marcado por uma valorização da razão e da ciência, em detrimento da fé e do absolutismo;

domingo, 8 de outubro de 2023

A Maçonaria é Aceita em Todos os Lugares?

A busca da individuação, a ação continuada e progressiva que torna a pessoa distinta e independente debaixo do sistema humano de condicionamento e submissão.

Charles Evaldo Boller


A Maçonaria não tem aceitação geral. É tolerada em alguns lugares e combatida em outros. Será que isso ocorre devido ao fato de ela ter segredos ou ser discreta? Não! Outras instituições e classes profissionais também têm segredos e não são combatidas.

Seria por sua ação social de liberdade de culto e de expressão? Também não! Tudo indica que a rejeição vem do fato de a Maçonaria fomentar o livre pensamento do indivíduo que, pelo treinamento do uso da razão, quebra o condicionamento a que a pessoa esteja submetida dentro de seu grupo social.

É de conhecimento geral que a maioria dos regimes de poder não combinam com a liberdade do indivíduo. Nem mesmo os regimes que se denominam democráticos. Seja individual seja coletivo o exercício do poder sempre implica em postura autoritária e despótica.

Desde o berço especulativo a ordem maçônica é perseguida pelos poderes religiosos que nunca a aceitaram como comprometida com o estabelecimento da liberdade do homem. De sua parte a Maçonaria nunca teve a pretensão de substituir qualquer religião, então o que causa tanta perseguição?

Apenas da Igreja Católica Apostólica Romana emanaram inúmeras bulas de Papas com as quais persegue e repudia a Maçonaria (veja Bulas da Igreja Católica Apostólica Romana que Condenam a Maçonaria). As religiões evangélicas se opõem de forma radical à atuação da Maçonaria.

Salvo diminuta exceção, a absoluta maioria das religiões se opõem a atuação da ordem maçônica.

As religiões sempre submeteram seus adeptos aos poderes políticos dos estados, com os quais praticam fornicação política. A fúria fanática das religiões provém do fato de a ordem maçônica quebrar o condicionamento a que foram submetidos os adeptos dessas instituições.

Um sábio disse certa vez que a civilização começou quando alguém cercou um pedaço de chão e se disse proprietário e os outros acreditaram nele. O ditador político diz que ele é dono do poder e o povo acredita nisso. A religião diz que ela é dona da intermediação com o Criador e o adepto crê no dogma. Assim os seres humanos são condicionados a pensar. Creem estar alinhados com o direito e a civilidade, que são modernos e atuais, que vivem livres e autônomos. Em verdade, lhes foram estabelecidas leis que nada têm de livres.

Desde quando linhas invisíveis que separam países determinam a diferença entre miséria e opulência? É tudo jogo de cena. Vem em prejuízo da humanidade. Pequenas diferenças até podem ser toleradas, mas miséria não! Países inteiros sofrem para que outros possam levar vida folgada. E estes contra-stes podem continuar indefinidamente. O maçom não aceita isto porque aprende a pensar. Uma das razões de a Maçonaria ser rejeitada!

Os líderes fanáticos e autoritários das religiões abusam e conduzem seus rebanhos de ovelhas aos seus redis de domínio, afastando-as da influência libertária da Maçonaria. Para obterem sucesso de domínio sobre seus escravos insuflam medo e terror em seus adeptos. Mentem e caluniam a ordem maçônica classificando-a de praticante de ritos demoníacos e outras considerações conspiratórias.

Os déspotas são os que mais temem a ação dos maçons, porque estes preclaros homens não se submetem à vontade de outros que tentem usurpar sua liberdade de pensar livremente ou de agir de acordo com o próprio discernimento e consciência. Sempre foi assim! E continuará sendo! O temor dos tiranos emana do ato de livre pensar dos maçons, aos quais a ordem maçônica incentiva a se desenvolverem em pensamento visando a liberdade, o progresso, a evolução.

Governos e religiões desejam escravos, servos, cativos, dependentes, servidores adestrados. O maçom diligente e estudioso da filosofia maçônica é livre pensador, o que fomenta obstáculos à intensão de dominar as massas. O homem que pensa e age conforme seu pensamento amadurecido é temido, verdadeiro terror daquele que exerce o poder de forma opressora.

Antes de entrar na Maçonaria e de frequentá-la alguns anos, seguindo nova vida em convivência fraterna, igualitária e liberta, o cidadão está condicionado pelos usos e costumes da sociedade em que vive. Influenciam nisso os seus pais, professores, religiosos, livros, filmes, valores sociais e morais, medos, ambições e assim segue. Isso desenvolve um condicionamento mental gravado no mais íntimo do ser, difícil de ser modificado e que aprisiona o indivíduo a um sistema social e de conduta. Não é livre! Não é indivíduo! Ele é iludido que desfruta de liberdade, mas está sujeito a grilhões invisíveis que o dominam e conduzem qual animal que vagueia sem sentido pela vida.

Como ocorre a libertação do condicionamento imposto pela sociedade exercido pela Maçonaria?

Como acontece a formação da individuação, a realização continuada e progressiva que torna a pessoa distinta e independente?

O iniciado em espírito sabe!

Trata-se do segredo da Arte Real que ele pratica. Consta do exercício de antigas e sábias fórmulas esotéricas e ou aplicação do ócio criativo aplicado no tempo reservado pelo maçom para pensar.

Esses procedimentos eram privilégio de reis, príncipes e nobres na antiguidade, quando dedicavam tempo útil para pensar e meditar, por isso é arte da realeza, algo que o maçom pratica quando reserva costumeira e periodicamente certo tempo para filosofar dentro do seu templo maçônico.

Lembrando numa primeira instância que esse "templo" pode até referir-se a um lugar de respeito feito de pedra, mas alude principalmente ao recipiente composto de carne e ossos. Usa-se o jargão "iniciado internamente", fenômeno que só ocorre dentro do maçom quando ele se reúne em grupos, como nas lojas maçônicas ou na prática do hábito de meditar.

Numa sessão maçônica cria-se um ambiente especial, místico e disciplinado, onde o adepto descobre a capacidade de ser criativo. Nessas reuniões ele pode acordar para a realidade, descobrir o Grande Arquiteto do Universo, encontrar a Verdade, impor a morte do anterior homem submisso, mergulhar num estado constante de renovação e outras vantagens libertárias.

A atividade coletiva em loja desperta a criação de si mesmo, a que o iniciado define como o aparar das arestas e imperfeições da pedra bruta, que nada mais é que o "conhece-te a ti mesmo", de Sócrates. Esse constante trabalho em si mesmo liberta o maçom do condicionamento que foi imposto pelo sistema humano de usurpação da liberdade individual. O homem anterior à iniciação é resultado da coletividade, o maçom desperto é produto de reflexão racional em si e que o liberta do condicionamento externo a si mesmo.

A liberdade não é submeter-se a outro tipo de condicionamento, mais nobre ou erudito ou condescendente, mas algo que livra o espírito para despertar o indivíduo. Não é condicionamento, porque senão seria cópia da atuação sociedade e das religiões sobre o indivíduo. Trata-se do despertar racional e espiritual para uma nova forma de vida independente. Não existem promessas nem reprimendas nem prêmios nem castigos para a forma como a vida é dirigida: é a Individuação.

O objetivo da Maçonaria é tornar feliz a humanidade pelo amor, pela liberdade de expressão e de culto, opondo-se a qualquer forma de totalitarismo, fanatismo e obscurantismo. A Maçonaria cria as condições ideais para o homem pensar com liberdade, daí ela ser combatida por qualquer instituição que vise escravizar o povo pelo condicionamento.


Bulas da Igreja Católica Apostólica Romana que Condenam a Maçonaria

  • "In Eminenti Apostolatus Specula" de Clemente XII de 24 de abril de 1738 - baseado nesta Encíclica Felipe V, em 1740, legislou contra os maçons, exemplo que seguiu com o decreto de 2 de julho de 1751 e outras medidas restritivas das autoridades espanholas vigentes até há alguns anos, quando o Governo de Franco condena o maçom com pena mínima de doze anos de prisão, quando não a morte.
  • "Providas Romanorum", de Benedito XVI, de 18 de maio de 1751;
  • "Ecclesiam a Jesu-Christo", de Pio VII, de 13 de setembro de 1821;
  • "Quo Graviora", de Leão XII, de 13 de maio de 1825;
  • "Traditi Humilitati Nostrae", de Pio VIII, de 21 de maio de 1829;
  • "Mirari Vos", de Gregório XVI, de 15 de agosto de 1832;
  • "Qui Pluribus", de Pio IX, de 9 de novembro de 1846;
  • "Syllabus", de Pio IX, de 8 de dezembro de 1864;
  • "Multiplicer Inter", de Pio IX, de 21 de setembro de 1865;
  • "Apostolicae Sedis", de Pio IX, de 12 de outubro de 1869;
  • "Etsi Multa", de Pió IX, de 21 de novembro de 1873;
  • "Humanum Genus", de Leão XIII, de 20 de abril de 1884, seguida de uma Instrução Publica do Santo Ofício "De Secta Massonum" de 7 de maio de 1884;
  • "Proeclara" de 20 de junho de 1894;
  • "Annum Igressi" de 18 de março de 1950, através das colunas do Observatório Romano, no sentido das condenações da Maçonaria manter-se integralmente.
  • Adicionalmente, as Bulas de 30 de janeiro de 1816 do Papa Pio VII, e das de 24 de setembro de 1824 e 10 de fevereiro de 1825, de Leão XII, a Igreja Católica Apostólica Romana condenava os movimentos libertadores da América e indiretamente a Maçonaria.


Bibliografia

1. BAYARD, Jean-Pierre, A Espiritualidade na Maçonaria, da Ordem Iniciática Tradicional às Obediências, tradução: Julia Vidili, ISBN 85-7374-790-0, primeira edição, Madras Editora limitada., 368 páginas, São Paulo, 2004;

2. CAPRILE, G.; FERRER-BENIMELI, José Antonio; ALBERTON, Valério, Maçonaria e Igreja Católica, Ontem, Hoje e Amanhã, título original: La Masoneria Después del Concílio, tradução: Valério Alberton, ISBN 85-349-0535-5, quarta edição, Paulus, 396 páginas, São Paulo, 1998;

3. CASTELLANI, José, A Ação Secreta da Maçonaria na Política Mundial, ISBN 85-88781-02-6, primeira edição, Editora Landmark, 204 páginas, São Paulo, 2001;

4. CICHOSKI, Luiz Vitório, Fundamentos da Ritualística Maçônica, Cadernos de Estudos Maçônicos, ISBN 978-85-7252-365-3, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Limitada, 288 páginas, Londrina, 2017;

5. PORTO, A. Campos, A Igreja Católica e a Maçonaria, terceira edição, Editora Aurora Limitada, 320 páginas, Rio de Janeiro;

6. RODRIGUES, Raimundo, A Filosofia da Maçonaria Simbólica, 4, Coleção Biblioteca do Maçom, ISBN 978-85-7252-233-5, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Limitada, 172 páginas, Londrina, 2007;

7. SÁ, José Anselmo Cícero de, Fonte de Luz Maçônica, A Arte que Praticamos é Filosofia Pura, ISBN 978-85-7252-237-3, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Limitada, 212 páginas, Londrina, 2007;

sexta-feira, 29 de setembro de 2023

Oposição à Maçonaria e Livros Antimaçônicos

Análise resumida da perseguição religiosa e política aos maçons pelo mundo e o que realmente se faz dentro dos templos da Maçonaria.

Charles Evaldo Boller


Inúmeras obras antimaçônicas foram escritas no passado. Algumas com consequências mortais, instigando a perseguição de parte dos fundamentalistas políticos e religiosos. São exemplos: a perseguição na Alemanha, por Adolf Hitler; na Espanha, Francisco Franco; diversos papas católicos e líderes de outras miríades de religiões fundamentalistas. Milhares de maçons foram assassinados em consequência destas obras escritas apenas para público profano desejoso de conhecer os "terríveis segredos da Maçonaria". Outros tinham por alvo disseminar mentira e instigar à discriminação racial, guerras ideológicas e sanguinárias, como no caso de "Os Protocolos dos Sábios de Sião".

Houve obras antimaçônicas que causaram até bem para a ordem maçônica porque trouxeram mais informação útil que alguns livros maçônicos escritos com o objetivo de auxiliar, ou registrar fundamentos, filosofias e sua história ou liturgia. Existem obras de autores maçônicos causadores de danos graves; são os escritos por pessoas de pouco ou nenhum conhecimento técnico histórico. Inventaram estórias e dados inconsistentes que, de tanto serem replicadas, alcançaram até status de verdade, mas alimentam as baterias dos detratores. Existem casos onde os fatos relatados têm mínima chance diante de uma pesquisa superficial; é pura ficção, de pouco ou nenhum suporte. Obras que não respeitam a inteligência dos antimaçons, e certamente, muito menos ainda, a dos maçons. O observador arguto deduz prontamente que, os piores inimigos estão dentro da Maçonaria, constituído de "irmãos" oportunistas e astutos na preparação de ardis, que à luz da pesquisa desmoronam, revelando sórdidos objetivos comerciais. Estes sim expõem a Maçonaria Universal a ridículo e perigo; geram a munição que os detratores da instituição maçônica buscam para carregar suas armas insidiosas.

Apenas um ano após a aparição da primeira constituição maçônica, quando, em 1724, foi escrito o Livro das Constituições de James Anderson, surgiu em Londres, de autor anônimo e edição de Willian Wilmont, um pequeno impresso com o título "Revelado o Grande Mistério dos Maçons". Tudo leva a crer que o autor foi um covarde maçom, cujo único objetivo foi vender informações maçônicas ao maior número de pessoas. Depois surgiu "Toda a Instituição Maçônica", revelando até sinais e palavras. Foram muitos os textos que surgiram na época, alguns até plágio dos primeiros, mas todos com o objetivo de fazer dinheiro à custa da curiosidade profana. A partir de 1730 surgiram obras antimaçônicas de vulto e impacto: "A Maçonaria Dissecada" de Samuel Prichard. Em 1744, o abade Perau publicou o livro: "A Ordem dos Franco-maçons Traída e Seus Segredos Revelados". Neste mesmo ano, Luiz Traveno publicou diversos livros versando sobre Maçonaria, sempre expondo assuntos internos, no claro objetivo de apenas vender livros e fazer dinheiro. Em 1760 foi editado um livro de autor desconhecido, "As Três Batidas Distintas". Em 1762 apareceu o livro "Jaquim e Boaz". Depois surgiu "Memórias do Jacobismo", do padre Augustinho Barruel, o qual é considerado, de fato, o pai da antimaçonaria, pois sua criatividade criou fábulas tão verossímeis que estas ainda hoje prejudicam os maçons.

De todos estes autores podemos aceitar até motivação por ódio e oportunismo comercial contra a Maçonaria, pois não eram maçons. Entretanto, o maior mestre do engodo, de todos os tempos, foi o aprendiz maçom Leo Taxil, este causou estragos terríveis à ordem maçônica. Depois deste "irmão" surgiu frei Boaventura em seu livro "A Maçonaria no Brasil", também pretendia contar os "segredos" dos homens que se reuniam a portas fechadas em confrarias fraternas.

O supremo campeão é sem dúvidas "Os Protocolos dos Sábios de Sião", obra ficcional na qual foram baseadas as invenções de alguns detratores e principalmente de parte do padre Barruel, dando conta de uma suposta "Conspiração Maçônica", e onde foram dramatizadas situações sem fundamento que muitos males causaram aos maçons ao longo do tempo; nem as dramatizações de Leo Taxil e todos os anteriores ao padre Barruel causaram tanto mal. Mesmo escrevendo diversos livros dos dramas e problemas proporcionados, não se esgota o assunto da antimaçonaria.

Na Internet encontram-se inúmeros sites contendo informações desencontradas da organização e ação da Maçonaria que carecem até de algum discernimento para perceber o engodo nelas contido. Em sua maioria são produções que usam os livros já citados e até da bíblia judaico-cristã como plataforma da calúnia e raciocínio falso. Todo extremismo, todo fundamentalismo religioso e político tem estas características; quando não consegue convencer pelo argumento lógico e claro, apela para a mentira e fantasia, torce o sentido das palavras de seus livros sagrados para denegrir qualquer obstáculo que lhes embarace o caminho aos negócios bilionários ou caça ao poder efêmero.

Felizmente a instituição maçônica provê abertura para debate de amplo leque. Maçonaria não se faz com templos, livros, grandes lojas, grandes orientes, sinais, palavras de passe ou palavras sagradas! Estas são apenas ferramentas, utensílios que facilitam o raciocínio, abrem o entendimento. Maçonaria se faz dentro da mente e no coração! Todo o resto é ilusão! Nem mágica ou Misticismo colaboram, antes denigrem e municiam os inimigos com argumentação para quebrar e hegemonia da Maçonaria Universal. Não fossem a pequenez e fragilidade humana, as ferramentas, obediências, ritos e locais de reunião seriam até desnecessárias! A Maçonaria seria dispensável! Tentar revelar os "segredos" da ordem maçônica é seguramente um vão esforço dos detratores de alcançarem o vento na corrida! Grandes pensadores já intuíram em tempos idos que, onde existirem pessoas que se tratam como irmãos e demonstram profundo amor entre si, com certeza ali estará o espírito do Grande Arquiteto do Universo e se pratica a verdadeira Maçonaria; independente se as pessoas forem ou não iniciadas. A iniciação verdadeira ocorre no coração. É dádiva divina! Resultado de sã racionalidade, lógica e espiritualidade, equilibrados.

Um dos mais fantásticos insights proporcionados pela Maçonaria é o autoconhecimento; "o conhece-te a ti mesmo", de Sócrates; a viagem interior que afasta da mente todo apego estrito à palavra escrita ou falada e revela a espiritualidade; o lugar onde está o Deus, onde cada um tem o Deus criado a partir de antropomorfismo que é característica do homem comum. O maçom sequer discute ou gera Deuses à sua imagem e semelhança, porque seres desta magnitude não cabe dentro da lógica e apenas gera separação e ranger de dentes, daí usar apenas do conceito de um Princípio Criador, ao qual denomina Grande Arquiteto do Universo. É a razão da paz encontrada entre as colunas das lojas dos maçons.

É o conhecimento da verdade relativa em todas as questões que conduz ao crescimento pessoal e espiritualidade avançada; o maçom que possui o conhecimento da Maçonaria em si não é idólatra, materialista ou medíocre. O fundamentalismo de qualquer espécie terá muito trabalho para manter a cegueira que subjuga por uns tempos, já que a evolução espiritual e do autoconhecimento do maçom promovem o discernimento que conduz à sabedoria e liberdade.

O livre pensador torna-se independente de intermediários na busca de sua espiritualidade. O Deus que busca está perto para o iniciado e muito longe ao cego escravizado, num hipotético céu, em virtude de estar submetido a dogmas e fantasias dos inimigos da liberdade. As religiões querem escravos do pensamento para manter seu poder temporal efêmero, algo do que a Maçonaria liberta seus homens e, devido a isto, as religiões odeiam a ordem maçônica criando mentiras. O mesmo faz o poder político absolutista, ditatorial.

Vencer aos detratores da Maçonaria é a razão do maçom cauterizar e envolver sua mente de forte couraça de aço. Aprende a usar da espada numa mão, que é sua língua manejada com maestria na derrubada das mentiras ou raciocínios ilógicos e, na outra mão, porta a trolha com a qual constrói e apazigua uma sociedade livre de obscurantismo.

O corpo do maçom, que constitui seu templo, o seu lugar de adoração sagrado, permanece puro, imaculado da perfídia imunda do obscurantismo gerados por religiões e ideologias políticas que conspurca a sociedade humana. Porque o Deus que reside no maçom é tão verdadeiro como aquele que reside em qualquer outra criação do Universo. A Maçonaria promove nos homens por ela treinados a mais ampla liberdade; a suprema liberdade do pensamento; é onde qualquer ser racional é absolutamente livre por característica de projeto devido ao Grande Arquiteto do Universo.


Bibliografia

1. BAYARD, Jean-Pierre, A Espiritualidade na Maçonaria, Da Ordem Iniciática Tradicional às Obediências, tradução: Julia Vidili, ISBN 85-7374-790-0, primeira edição, Madras Editora limitada., 368 páginas, São Paulo, 2004;

2. BOUCHER, Jules, A Simbólica Maçônica, Editora Pensamento, 1979;

3. CARVALHO, Francisco de Assis, O Avental Maçônico e Outros Estudos, número 6, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha limitada., 160 páginas, Londrina, 1989;

4. FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio de, Dicionário de Maçonaria, Seus Mistérios, seus Ritos, sua Filosofia, sua História, quarta edição, Editora Pensamento Cultrix limitada., 550 páginas, São Paulo, 1989;

5. PROBER, Kurt, História do Supremo Conselho do Grau 33 do Brasil, Volume 1, 1832 a 1927, primeira edição, Kosmos, 405 páginas, Rio de Janeiro, 1981;

6. WESTCOTT, William Wynn, Maçonaria e Magia, título original: Tha Magical Mason, tradução: Joaquim Palácios, ISBN 85-315-0384-1, primeira edição, Editora Pensamento Cultrix limitada., 240 páginas, São Paulo, 1983;

Desmonte da Maçonaria e da Sociedade

Liberdade é luta perene.

Charles Evaldo Boller


Os efeitos das evasões na Maçonaria, independente de obediência e país, é resultado de gradual desmonte. As estatísticas demonstram que desde a década de 1950 a Maçonaria é desmontada à semelhança do hodierno Estado brasileiro. Em termos globais o número de obreiros da Maçonaria e os valores da sociedade crescem à semelhança de rabo de cavalo; para baixo!

Os grupos de poder infiltrados na Maçonaria e na política mundial conduzem as instituições ao sabor de suas insidiosas pretensões.

No Estado brasileiro é só ler o PNDH-3 e outros projetos e leis para identificar ideologias perniciosas que contribuem ao desmonte da sociedade brasileira.

Os valores culturais do brasileiro estão abalados.

O legislativo gradativamente altera a ordem cultural brasileira submetido a escusos interesses de poder, saúde alimentar e economia de outros países.

Sociedades como os Estados Unidos da América fenecem debaixo da degradação de valores e princípios.

E quando os valores da educação e hegemonia familiar são prejudicados, ao olhar a história da humanidade, em todas as civilizações, esta degradação define desmonte, sobraram de cada civilização apenas resquícios que "mais se parecem com as colunas de um templo druida em ruínas, rude e mutilado em sua grandeza".

Por analogia, e devido ao fato de o maçom ser parte desta sociedade em dissolução, implica que a ordem maçônica segue o roldão.

A principal atividade da ordem maçônica é a de propiciar ambiente próprio para homens bons desenvolverem-se ainda mais, tornarem-se líderes na Maçonaria e na sociedade e obterem a educação necessária para oferecer oposição ao desmonte preconizado pelos que mandam no mundo.

O que se vê na Maçonaria são manobras de distração, de mudança de foco da essência do que deveria ser realizado em loja.

Se a divisão em novos ritos e obediências promove novas linhas de pensamentos ela é correta, vem ao encontro de salvar a atual civilização. Se a razão for dividir para conquistar poder, então a instituição segue o caminho da estagnação, mesmice, trivialidade. Basta observar em qual destes caminhos cada loja segue, para determinar a capacidade de sobrevivência de seus obreiros na ordem maçônica.

Se não existirem elementos de atração para o maçom permanecer dentro da instituição; se os maçons não efetuarem esforços hercúleos para motivar outros maçons à prática da ação maçônica, toda a instituição dirige-se célere ao fim.

Algumas causas de conhecimento geral de evasão de maçons das lojas são:

  • Acomodação: obreiro entra calado e sai mudo do templo;
  • Debate: descamba em queixume, lamúria e até explosão emocional;
  • Decepção: na maioria das propostas de iniciação busca-se por evolução humanística;
  • Desafio: ausência de projetos nas áreas de ciências humanas;
  • Educação: não de conhecimento, mas de valores e princípios;
  • Instrução: aplicada de forma mecânica e sem cobrança;
  • Pensamento: tíbio interesse para pesquisar, ler e escrever;
  • Prolixidade: oratória inócua, desfocada;
  • Propaganda: associação é espaço para divulgação de currículos, bens e serviços;
  • Proposta: é usual proporem a terceirização da responsabilidade civil individual;
  • Proselitismo: reiterada investida para atrair irmãos para religião ou ideologia;
  • Recrutamento: proposto não tem perfil maçônico;
  • Sindicância: irresponsável e negligente;
  • Trabalho: aprendizes e companheiros ensinam;
  • Vaidade: cargo é motivado por sede de poder e distinção;
  • Voluntariado: não aceita cargo que exige trabalho, dedicação e assiduidade.

Albert Pike, em 1871, em "Morals and Dogma", relativo aos graus filosóficos do Rito Escocês Antigo e Aceito, assim se dirigiu aos irmãos do grau quatro, Mestre Secreto:

"Se o irmão estiver desapontado com os três primeiros graus, na forma como os recebeu, e, se pareceu que o desempenho não chegou até o que imaginava; se as lições de moralidade não são novas; onde a instrução científica é rudimentar e os símbolos são explicados de forma imperfeita; lembre-se que as cerimônias e as lições dos graus, com o tempo, foram se acomodando cada vez mais, por supressões e afundando na memória muitas vezes limitada da capacidade e intelecto do mestre e das necessidades do aprendiz recém-iniciado; que a simbologia veio até nós de uma época em que os símbolos eram usados, não para revelar, mas esconder; quando a aprendizagem mais comum foi confinada a uns poucos escolhidos e os mais simples princípios de moralidade pareciam verdades recém-descobertas. Onde esses graus, antigos e simples, agora mais se parecem com as colunas de um templo druida em ruínas, rude e mutilado em sua grandeza, em outras partes corroídas pelo tempo e desfiguradas pelas adições modernas e interpretações absurdas. Estes três graus iniciais, ditos simbólicos, são a entrada para o grande templo maçônico. São as três colunas do pórtico de entrada".

Mesmo com a realidade de 1871, que é semelhante a atual, a Maçonaria cresceu durante as duas grandes guerras e depois começou a decair a partir de 1950, logo após a Segunda Guerra Mundial. Será que o maçom aguarda a eclosão da Terceira Guerra Mundial para motivar-se? Por mais forte que seja a Maçonaria esta não resistirá se seus homens se desumanizam, não estudam, não leem, não pensam, não lutam.

Rousseau iniciou a análise da alienação das pessoas, afirmando ser praticamente impossível escapar da possibilidade de submeter-se à vontade geral em detrimento da vontade individual. O cidadão, em nome da aprovação social e da sobrevivência castra sua vontade individual.

Com o homem cada vez mais alienado, alheio a si mesmo e da coletividade, escravo do trabalho e das instituições que funcionam debaixo de um vil sistema de abuso, controlado por demandas econômicas, ideológicas e sociais, ele se desumaniza. Transforma-se num robô! Ao pensar e debater este tema o maçom acorda o que jaz adormecido em si e se posiciona. Posicionamento exige debate, estudo, ação. Posicionar-se significa perda de poder dos poderosos e daqueles que defendem ideologias perniciosas que dividem para conquistar.

  • Divide-se a sociedade entre homens e mulheres, sendo os primeiros acusados de ódio às mulheres e machistas;
  • Separa-se a sociedade em negros e brancos, formando quatro grupos ao ressaltarem o racismo;
  • Repartiram a sociedade em hétero e homossexuais, formando oito grupos estanques;
  • Romperam a sociedade em capitalistas e comunistas, criando dezesseis grupos separados...

E as divisões continuam a evoluir em progressão geométrica até transformarem a sociedade humana numa moderna torre de Babel, onde ninguém colabora ou se entende. Como agente social o maçom pode se alimentar de estratégias mentais para se opor a essa fragmentação que serve apenas para concentrar o poder nas mãos de inescrupulosos tiranos.

A Maçonaria preconiza a fundamentação filosófica que se use como referência a natureza humana e que se estudem os limites e interesses humanos. Para o maçom e Protágoras, o homem é a medida das coisas quando reconhece suas limitações, e, assim, dimensiona sua ação maçônica dentro de sua capacidade. Os símbolos maçônicos falam ao erudito como aos sem erudição num mesmo nível, cada um responde conforme seus referenciais. Coloca-se o homem no centro da realidade e do saber quando se propiciam oportunidades iguais para todos e se respeitam as limitações individuais. Este laboratório recheado de símbolos existe em todos os ritos da Maçonaria, é só viver o dia-a-dia de cada loja. Levar outros a posicionarem-se é dos objetivos que a Maçonaria faz e os poderosos abominam!

Se a Maçonaria caminha para a estagnação, seria porque o "conhece-te a ti mesmo", de Sócrates e da Maçonaria, foge aos interesses dos que realmente mandam no mundo?

Os ignorantes são facilmente conduzidos aos redis dos poderosos, salvo uns poucos que observam fatos e dados de ângulo mais elevado.

Da maioria ouvem-se brados de ordem e revolta, muita lamúria e pouca ação maçônica.

Quando se diz que cada maçom deve permitir que a Maçonaria penetre em si mesmo, significa ação proativa para consigo mesmo e a sociedade, representado por: educação, pensamento, debate, trabalho e luta.

Ao libertar-se da alienação e pensar por conta própria corta-se o poder dos poderosos, dos alienadores, e disto eles estão cientes; é a razão das hostes inimigas sitiarem e atacarem a Maçonaria, desmontando-a.

O desmonte ocorre de dentro para fora.

Os piores inimigos, os mais terríveis demolidores da Maçonaria são maçons!

Alguns destes maçons nem sabem que são joguetes nas mãos dos poderosos, são até honestos em suas intensões, mas não pensam e não deixam os outros pensarem.

Ou então babam pelo poder!

Quando não são vítimas de suas próprias paixões servem de instrumento para desfigurar a Maçonaria com "adições modernas e interpretações absurdas".

A ideologia do igualitarismo da Maçonaria funciona como Aristóteles define homens tratados da mesma maneira, mas que a retribuição é proporcional à contribuição individual usando como referência: mérito, necessidade e solidariedade. Desta forma o maçom se humaniza sabendo da necessidade de ação para obter mérito.

Sem ação maçom se torna peso para os outros maçons. A Maçonaria não é sociedade de auxílio mútuo!

Há necessidade de trabalho e ação social. Esta ação não está restrita a benemerência que pode ser terceirizada, o objetivo é fazer cada maçom posicionar-se na sociedade como multiplicador de novos pensamentos. Como adquirirá novos pensamentos sem leitura, debate, estudo e escrita?

É na autorrealização, o último estágio das necessidades de Maslow, que o maçom se motiva e continua perseverante em sua atividade, obtida com ação maçônica constante.

Diz o sábio maçom: "lugar de maçom é em loja".

Um grande iniciado do primeiro século, e muitos outros antes e além dele, chegaram à única conclusão que é apenas pelo amor fraterno que se resolvem todos os problemas da humanidade.

Creia na proteção do Grande Arquiteto do Universo, mas, por favor, tranque a porta! - diz o sábio.

O caminho para aumentar em número com qualidade é a ação maçônica em todos os sentidos: beneficente, conspiratória, erudita, espiritual, filosófica, fraterna, iniciática, política, social, e por aí afora.

Nada se faz sem luta, sem ação!

A luta através da ação maçônica não tem necessidade de nova guerra global, basta que cada maçom usufrua e coloque em prática o que desenvolve junto com seus irmãos em sua loja.

A diversificação de ritos, lojas e obediências serve para o propósito de oferecer albergue para todas as linhas de pensamento. É só olhar para a história que se deduz que é em resultado de autoconhecimento, de autoeducação, desenvolvimento físico, intelectual e moral, que o homem se liberta da escravidão. A autoeducação liberta o cidadão e, por consequência, o Estado.

Resultado: lojas cheias.

Apenas quando a absoluta maioria dos cidadãos agirem à glória do Grande Arquiteto do Universo é que a Maçonaria pode ser desmontada, pois então os homens estarão perfeitos e a ordem maçônica deixará de servir ao propósito de despertar o que existe de humano dentro de cada um.

Enquanto os homens criarem divisões para dominar outros iguais, a Maçonaria continuará a única fortaleza que usa da razão, emoção e espiritualidade para provocar pensamentos de liberdade em oposição aos poderosos.


Bibliografia

1. CASTELLANI, José, A Ação Secreta da Maçonaria na Política Mundial, ISBN 85-88781-02-6, 1a edição, Editora Landmark, 204 páginas, São Paulo, 2001;

2. CHAVES, Pablo Bonilla, Uma Leitura do Papel da Educação à Luz da Constituição Brasileira de 1988, O Processo Educativo como Elemento Propulsor da Cidadania e da Sociedade, ISBN 978-85-60520-53-4, 1a edição, Núria Babris Editora, 216 páginas. Porto;

3. COSTA, Frederico Guilherme, Maçonaria, um Estudo da sua História, Número 12, 1a edição, Editora Maçônica a Trolha Limitada, 184 páginas, Londrina, 1991;

4. Estatística da variação de obreiros na Maçonaria norte-americana desde 1924; Masonic Membership statistics;

5. ESTULIN, Daniel, A Verdadeira História do Clube Bilderberg, título original: La Verdadera Historia dei Club Bilderberg, tradução: Lea P. Zylberlicht, ISBN 85-7665-169-6, 1a edição, Editora Planeta do Brasil Limitada, 320 páginas, São Paulo, 2006;

6. FERREIRA, Antônio do Carmo, A Função do Maçom na Sociedade, ISBN 978-85-7252-272-4, 1ª edição, Editora Maçônica a Trolha Limitada, 148 páginas, Londrina, 2009;

7. FERRER-BENIMELI, José Antonio, Arquivos Secretos do Vaticano e a Franco-maçonaria, História de uma Condenação Pontifícia, título original: Les Archives Secretes du Vatican et la Franc-maçonerie, tradução: Sílvio Floreal de Jesus Antunha, ISBN 978-85-370-0288-9, 1ª edição, Madras Editora Limitada, 832 páginas, São Paulo, 2007;

8. GEORGE, Susan, O Relatório Lugano, Sobre a Manutenção do Capitalismo no Século XXI, título original: The Lugano Report, tradução: Afonso Teixeira Filho, ISBN 85-85934-89-1, 1ª edição, Boitempo Editorial, 224 páginas, São Paulo, 1999;

9. ISRAEL, Jonathan L., Iluminismo Radical a Filosofia e a Construção da Modernidade 1650-1750, Radical Enlighttemnent, Philosofy, Making of Modemity, 1650-1750, tradução: Cláudio Blanc, ISBN 978-85-370- 0432-6, 1ª edição, Madras Editora Limitada, 878 páginas, São Paulo, 2009;

10. KAMEL, Ali, Não Somos Racistas, ISBN 85-209-1923-5, 1ª edição, Editora Nova Fronteira Sociedade Anônima, 144 páginas. Rio de Janeiro, 2006;

11. Livro com a íntegra do PNDH-3, Programa Nacional de Direitos Humanos, Versão três, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República Federativa do Brasil;

12. MASI, Domenico de, Criatividade e Grupos Criativos, título original: La Fantasia e la Concretezza, tradução: Gaetano Lettieri, ISBN 85-7542-092-5, 1ª edição, Editora Sextante, 796 páginas, Rio de Janeiro, 2003;

13. MASI, Domenico de, O Futuro do Trabalho, Fadiga e Ócio na Sociedade Pós-industrial, título original: Il Futuro dei Lavoro, tradução: Yadyr A. Figueiredo, ISBN 85-03-00682-0, 9a edição, José Olympio Editora, 354 páginas, Rio de Janeiro, 1999;

14. PIKE, Albert, Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry, prepared for the Supreme Council of the Thirty Third Degree for the Southern Jurisdiction of the United States, Charleston, 1871.