quinta-feira, 7 de outubro de 2010

As Colunas Zodiacais

Charles Evaldo Boller

Sinopse: Uma viagem pelo Universo; considerações filosóficas, ritualísticas, atribuições e imaginário ligado as colunas zodiacais presentes no ocicente das lojas simbólicas do Rito Escocês Antigo e Aceito.

As colunas zodiacais num templo maçônico do Rito Escocês Antigo e Aceito são doze. Servem como símbolos de demarcação do caminho do homem maçom em desenvolvimento. Localizam-se todas no ocidente e são sinais do crescimento do aspecto material, moral e ético do iniciado, que durante sua jornada transcende em sua religação com a divindade. São seis em cada lado, normalmente engastadas nas paredes e sempre na mesma ordem. Constituem mais da metade de toda a decoração da loja. Suas representações gráficas apresentam misturas dos quatro elementos místicos estudados por Aristóteles da Grécia antiga e sete astros.

Na história humana existem diversos povos que desenvolveram técnicas astrológicas, entre os mais conhecidos estão: caldeus, chineses, egípcios, árabes, gregos e astecas. Todas resultantes da necessidade de prever o resultado da influência da interação de forças gravitacionais, de atração e repulsão dos corpos celestes e que modificam o meio-ambiente da fina camada da biosfera com uns seis mil metros de espessura.

Segundo visão recente, esta camada é um imenso ser vivo global, onde cada ser vivo é parte integrante do todo, distribuída em redes de relações interdependentes, de complexidade crescente e denominada Gaia. Como não existia tecnologia no passado para definir como os fenômenos gravitacionais eram sentidos por Gaia, pois ao homem limitado daquela época era impossível determinar como atuavam fisicamente aquelas linhas de força invisíveis, então ele desenvolveu especulações de como e o que poderiam ser e lhes impôs conotação mística e mágica.

Processos empíricos culminaram por desenvolver técnicas de previsão que geraram imenso cabedal de cultura mística. A técnica permitia prever fenômenos físicos que influíam na vida, como o regime das cheias de um rio ou a posição de um astro no céu num determinado dia do ano. Isto determinou destaque e importância da astrologia nos governos políticos. Naquela época, política e religião formavam um conjunto indissolúvel, o rei normalmente também era sacerdote, mágico e até divindade. Sem as previsões da leitura da posição dos astros era temerário governar. Na maioria das vezes o diferencial entre vida e morte, saciedade e fome.

Os detentores do conhecimento da influência dos astros na biosfera eram considerados mágicos e cercavam sua tecnologia do maior sigilo, só revelado a iniciados, aos treinados nas técnicas do conjunto de doutrinas simultaneamente: místicas, astrológicas, alquímicas, mágicas e filosóficas, atribuídas pelos seus autores da antiguidade greco-latina à inspiração do Deus Hermes Trismegisto, origem da designação Hermetismo e relacionado ao Deus egípcio Thot. Este conjunto de técnicas influenciou teólogos, alquimistas e filósofos na Idade Média. E como parecia mágico o que aqueles iniciados faziam, qualquer coisa que falassem era sempre cercada da maior importância, até veneração.

Um dos ramos desta cultura mística, mediante observação de reis e pessoas, procurou determinar uma relação entre o dia do nascimento da pessoa e seu caráter. O processo empírico com que foi desenvolvido o sistema partiu do que se conhecia do homem em sentido moral, ético, beleza, força, determinação, para conectá-lo a posição dos astros. Uma espécie de engenharia reversa, que parte do resultado para lhe determinar fonte ou origem. Assim originaram-se os diversos métodos astrológicos, cujo objetivo era decifrar a influência dos astros no curso dos acontecimentos terrestres e na vida das pessoas, em suas características psicológicas e em seu destino, explicar o mundo e predizer o futuro de povos ou indivíduos. O mais famoso de todos, segundo especialistas, foi o sistema dos astecas. Com isto se influenciou o povo em ver nas previsões dos astrólogos a delineação de rumos para as suas vidas, a semelhança que se dava aos fenômenos naturais influenciáveis pelas linhas de força da gravitação universal.

Os rituais maçônicos usam os signos, sinais do zodíaco, em sentido simbólico, não falam em horóscopo, ou em diagrama das posições relativas dos planetas e dos signos zodiacais num momento específico, como o do nascimento de uma pessoa, ou com a intenção de inferir o caráter e os traços de personalidade e prever os acontecimentos da vida de alguém, ou um mapa astral, ou mapa astrológico. O homem livre não carece disto quando estuda e evolui.

As bases para a localização das constelações usadas na astrologia são tão antigas que hoje necessitam de correção astronômica. A razão de apresentar as colunas dentro de um templo maçônico, naquelas posições e respectivos aspectos herméticos tem objetivo diferente da adivinhação do futuro usado no passado. Augusto Comte, que fundou a escola filosófica do Positivismo e criou um conceito de ciência social denominada Sociologia, em suas postulações e assertivas, aniquilou definitivamente a astrologia; e dizem que com isto deu-se advento ao Materialismo e descrença generalizada no poder místico da Astrologia que até então era considerada uma ciência.

Na filosofia maçônica as colunas zodiacais são apenas símbolos para estudo, destituídas da atribuição de aspectos da predição do comportamento do homem. É fácil deduzir que sua existência no Rito Escocês Antigo e Aceito tem finalidade educacional, parte de uma metodologia pedagógica específica à semelhança de outros símbolos e ferramentas.

Para o iniciado colocado no plano do templo, independente da posição que ele ocupe no ocidente, na coluna do norte ou do sul, ele faz parte do centro da loja. Está cercado pelas colunas zodiacais em qualquer posição que ocupe naqueles quadrantes. Observando o conjunto homem e colunas apenas sobre o plano definido pelo piso, estas colunas estão dispostas fisicamente, como resultado do projeto arquitetônico, em alinhamento com as paredes do templo. Mas em verdade estão dispostas sobre um circulo imaginário cujo raio é de tal amplitude quanto a imaginação do observador pode alcançar. O círculo é dividido em doze partes iguais e para cada fragmento de arco assim definido deu-se o nome usado pelos astrólogos no vaticínio do destino do homem. Não é uma circunferência de raio infinito, porque este é apenas um conceito matemático abstrato, pois a abrangência desta observação é limitada às constelações visíveis da Terra, mesmo que com apoio de instrumentos. O raio é finito, limitado, assim como o mundo material, mas nada impede do observador especular para além deste limite, para algo bem mais amplo, sempre de abrangência limitada. É por isto que todas as colunas zodiacais ficam no ocidente, onde o Universo é limitado e restrito ao mundo material e visível.

A jornada do iniciado revela a existência de outros valores e segredos só desvelados aos que persistem nos estudos do rito. Assim são as estórias, as ficções, lendas usadas para transmitir elementos éticos e morais ao homem maçom, as colunas presentes nos templos são utilizadas como símbolos para transmitir e construir aquela lenda funde-se com a lenda, elas são lendas também. Este uso é nobre e aprovado, lhes imprime valor prático e sevem para a edificação de homens completos e aprovados pelo Grande Arquiteto do Universo.

Em Maçonaria o observador é sempre conduzido a olhar uma composição de símbolos em seu centro, onde está a informação para a qual se deseja chamar a atenção. É o caso do delta, que possui ao centro um olho ou a letra iod; a estrela flamígera tem ao centro a letra G; esquadro e compasso têm ao centro o livro da lei. No centro da loja tem o homem, o obreiro, que de seu ponto de observação observa o Universo conhecido. Nesta observação desloca-se pelo cosmos segundo o caminho demarcado pelas colunas zodiacais. Pode começar sua peregrinação em qualquer posição desta circunferência ao redor do ponto central, local onde existe menor agitação, e depois vai se afastando cada vez mais em suas pesquisas da verdade. É um caminho que não tem inicio nem fim, dando a conotação de que a especulação é ilimitada e nunca se deve rotular uma verdade como absoluta e final. Sem as colunas como referência, demarcando o caminho a seguir para adentrar ao Universo do iniciado, esta jornada seria no mínimo temerária. Cada coluna representa uma constelação conhecida que serve para determinar direções para a cognição no estabelecimento da verdade. A ordem em que estão colocadas dá a direção a ser seguida por aquele que busca a verdade alicerçada na filosofia maçônica. Nada têm de mágico porque o conjunto é apenas suporte para especular detalhes pormenorizados da jornada entre a materialidade e a espiritualidade, do esquadro ao compasso, da religação individual com a divindade de cada um.

Depois de perambular pelo Universo conhecido, maravilhando-se com a obra do Incriado, até onde a vista alcança, até onde a imaginação o carrega, o homem passa a olhar para si mesmo e caminha ainda mais para o centro, buscando a paz e a tranquilidade de um local sem agitação. E bem no centro de si mesmo, ao centro do próprio homem, contempla outra maravilha, outro Universo, uma miniatura daquele cosmos conhecido e representado pelas colunas zodiacais. Este é o verdadeiro centro do Universo da ótica do iniciado. É quando ele desvela o seu mundo interior, a suprema verdade do triunfo humano, a espiritualidade do maçom, ou aquilo que ele considera a representação da mesma. O conjunto aponta o cosmos, de onde é réplica uma realidade física e transcendental interna de cada iniciado, o seu macrocosmo, o seu Universo interior, onde ele encontra os vestígios do Grande Arquiteto do Universo e torna-se homem livre e útil ao propósito divino.

Bibliografia:

1. BENOÎT, Pierre; VAUX, Roland de, A Bíblia de Jerusalém, título original: La Sainte Bible, tradução: Samuel Martins Barbosa, primeira edição, Edições Paulinas, 1663 páginas, São Paulo, 1973;

2. BLAVATSKY, Helena Petrovna, Glossário Teosófico, título original: The Theosophical Glossary, tradução: Sílvia Sarzana, ISBN 85-7187-071-3, terceira edição, Editora Grund Ltda., 777 páginas, São Paulo, 1995;

3. BOUCHER, Jules, A Simbólica Maçônica, Segundo as Regras da Simbólica Esotérica e Tradicional, título original: La Symbolique Maçonnique, tradução: Frederico Ozanam Pessoa de Barros, ISBN 85-315-0625-5, primeira edição, Editora Pensamento Cultrix Ltda., 400 páginas, São Paulo, 1979;

4. CAMINO, Rizzardo da, Dicionário Maçônico, ISBN 85-7374-251-8, primeira edição, Madras Editora Ltda., 414 páginas, São Paulo, 2001;

5. FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio de, Dicionário de Maçonaria, Seus Mistérios, seus Ritos, sua Filosofia, sua História, quarta edição, Editora Pensamento Cultrix Ltda., 550 páginas, São Paulo, 1989;

6. GHEERBRANT, Alain; CHEVALIER, Jean, Dicionário de Símbolos, Mitos, Sonhos, Costumes, Gestos, Formas, Figuras, Cores, Números, título original: Dictionaire des Symboles, tradução: Vera da Costa e Silva, ISBN 85-03-00257-4, 20ª edição, José Olympio Editora, 996 páginas, Rio de Janeiro, 1982;

7. MASI, Domenico de, Criatividade e Grupos Criativos, título original: La Fantasia e lá Concretezza, tradução: Gaetano Lettieri, ISBN 85-7542-092-5, primeira edição, Editora Sextante, 796 páginas, Rio de Janeiro, 2003.

Nota:

1. Mística, conhecimento ou estudo do misticismo; tendência para a vida religiosa e contemplativa, com ocupação contínua da mente nas doutrinas e práticas religiosas; misticismo; fervor religioso que faz o místico alcançar um estado de êxtase e paixão, e cujo objeto é a divindade;

2. Biosfera, conjunto dos ecossistemas existentes no planeta Terra; ecosfera;

3. Gaia, Géia ou Gê era a Deusa da Terra, como elemento primordial e latente de uma potencialidade geradora quase absurda. Segundo Hesíodo, ela é a segunda divindade primordial, nascendo após Caos.

Biografia:

1. Aristóteles ou Aristóteles de Estagira, filósofo grego. Nasceu em Estagira em 384 a. C. Faleceu, em 7 de março de 322 a. C. Um dos mais importantes pensadores de todos os tempos;

2. Auguste Comte, filósofo, maçom, pensador social e sociólogo francês. Nasceu em Montpellier em 19 de janeiro de 1798. Faleceu, em 30 de setembro de 1857, com 59 anos de idade. Fundou a escola filosófica conhecida como positivismo e criou um conceito de ciência social a que deu o nome de sociologia;

3. Hermes Trismegisto ou Hermes Trismegistos, alquimista egípcio. Nasceu em 9 de outubro de 1399 a. C. Faleceu em El Amarna. O fundador mítico da filosofia alquímica. Ou Platão de Atenas, filósofo de nacionalidade grega. Também conhecido por Aristócles;

4. Platão de Atenas. Nasceu em Atenas em 428 a. C. Faleceu em Atenas, em 347 a. C. Considerado um dos mais importantes filósofos de todos os tempos;

5. Toth, Tot, Tôt ou Thoth é o nome em grego de Djehuty, um Deus pertencente ao panteão egípcio, Deus da sabedoria um Deus cordato, sábio, assistente e secretário-arquivista dos Deuses. É uma divindade lunar (o Deus da Lua) que tem a seu cargo a sabedoria, a escrita, a aprendizagem, a magia, a medição do tempo, entre outros atributos.

Data do texto: 03/01/2011

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná

Local: Curitiba

Grau do Texto: Aprendiz Maçom

Área de Estudo: Espiritualidade, Filosofia, Maçonaria, Simbologia

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A Chave de Hiram

Charles Evaldo Boller

Sinopse: Considerações a respeito do livro A Chave de Hiram; implicações de conhecimento e educação para o maçom; valor do culto e erudito para a ordem maçônica.

A leitura do livro "A Chave de Hiram" é visto como leitura prejudicial por pessoas que, em razão de suas crenças, descartam a possibilidade aventada pelos autores de que Jesus Cristo é parte de linhagem real diferente da vertida pela Bíblia Judaico-cristã. Sem entrar no mérito da veracidade e seriedade das pesquisas que culminaram na proposta das mudanças na história da cristandade, os argumentos são válidos e consistentes como pensamentos novos. Que cada pessoa, debaixo da luz de seu próprio discernimento e crenças, com a visão de sua sã racionalidade e sensibilidade, mude sua forma de pensar. Se isto destruir dogmas absurdos é bom sinal; liberdade é objetivo central da Maçonaria. Significa progresso do pensamento e do conhecimento, cauteriza as chagas do obscurantismo que tanto mal promove ao longo da história. A educação e o conhecimento libertam! Polir a pedra é tarefa de todo maçom.

Todos carecem de polidez, virtude que marca a origem de outras virtudes. A polidez é insignificante e ao mesmo tempo importante; sem ela todas as outras virtudes seriam imperceptíveis. É na aparente insignificância da polidez que reside sua importância. Não se trata de refinada educação, tratamento impecável e boas maneiras, mas do acolhimento de novas ideias e posturas, de mais cultura. É o que significa polir a pedra; é polidez! O caminho da polidez é o ataque frontal, e com todas as forças mentais e psicológicas disponíveis, ao estudo pessoal dentro da capacidade individual e, com isto, progredir em conhecimento, desenvolver em polidez. O maçom alcança seu objetivo quando discute algo que muda seu modo de pensar. Debates fomentam o crescimento maçônico; é o brunir da pedra até brilhar, ficar polida. Ingressa-se na ordem maçônica para beneficiar-se de um sistema de incremento da polidez, para se autoproduzir, e não apenas para ser membro do "sindicato". E que não fique apenas em meia dúzia de autores! Que absorva bibliotecas inteiras na tarefa de busca de polidez. Não se restrinja a temas exclusivamente maçônicos. Seja eclético! É trabalho, estudo, diversão! E não fique apenas nisso, coloque-se em uso prático o que se descobrir; dê exemplos; as enciclopédias estão repletas de conhecimentos, mas não possuem a capacidade de colocar tal preciosidade em ação.

Os irmãos autores do livro "A Chave de Hiram" pesquisaram e trabalharam para alicerçar dados aceitáveis. São corajosos ao exporem seus pensamentos para a cristandade. O objetivo dos autores não é a de semear discórdia entre maçons, mas apresentar novas ideias, novos formatos, questionar verdades em novos ciclos de tese, antítese e síntese. Seriam estultos se suas pesquisas estivessem baseadas em argumentação sem sustentação histórica e científica. As comunidades acadêmicas e de pensadores os trucidariam! Foi graças ao seu treinamento maçônico que eles obtiveram discernimento diferente das comunidades acadêmicas e científicas que há tanto tempo estudam na mesma linha sem acrescentarem novidade na área, talvez por receio de enfrentar a ira de religiosos fundamentalistas ou mesmo da falta de visão; insight.

Independente de o historiador não usar de "achismos", seja ele técnico e alicerce suas reflexões em documentação de fonte segura e fidedigna, a história contada em qualquer tipo de registro histórico contém falhas de interpretação, erros e falsidades; não por falha do historiador. Mesmo se a fonte estiver registrada e fartamente documentada, a redação de evento histórico está sujeita aos ventos dos interesses do historiador, grupos de poder, filosofias, religiões e políticas. Muito do que lemos e interpretamos em documentos que o tempo preservou intactos, estão recheados de mentiras; já falsos em sua origem. A boa técnica exige do historiador métodos e procedimentos de correlação de fatos passados, e por ser parte especulativa e parte assertiva, a verdade histórica absoluta é quase impossível; resta duvidar sempre; na dúvida e na certeza, duvide! Segundo o pensamento grego, a verdade absoluta e eterna deve presidir o pensamento filosófico, mas até este deve ser permanentemente questionado. O pensamento deve ser reavaliado em base permanente pelos eternos ciclos de tese, antítese e síntese. Para evadir-se da possibilidade de gerar obscurantismo é recomendada ampla abertura para o lançamento de novas ideias, sempre as submetendo aos filtros que cada um dispõe. Com o livro "A Chave de Hiram" não é diferente. Mesmo com o risco de a obra ser construída em resultado de promoção comercial, visando lucros, em hipótese alguma aceitar o preconceito fundamentado em crenças, dogmas, fantasias e absurdos de alguns para censurar, refutar ou invalidar o pensamento. A liberdade de pensamento é a coluna mestra de sustentação da Maçonaria. A pesquisa de novas ideias não divide a Maçonaria, tal procedimento a justifica. Divisão é natural em todas as organizações humanas, a Maçonaria não é exceção. A proposta da Maçonaria é a de promover a tolerância para fomentar a livre investigação da verdade, caso contrário ela é apenas mais uma simples organização filosófica.

A Maçonaria simbólica de 1871 era vista assim por Albert Pike: "Se você ficou desapontado nos primeiros três graus da forma como os recebeu, e se pareceu a você que o desempenho não atingiu o prometido, que as lições de moralidade não são novas, a instrução científica é rudimentar e os símbolos foram explicados deficientemente, lembra de que as cerimônias e lições desses graus foram se acomodando cada vez mais no tempo, reduzindo-se e afundando na trivialidade da memória e capacidade limitada do mestre e instrutor para o intelecto e necessidades do iniciado; que eles vieram a nós de tempos onde os símbolos eram usados, não para revelar, mas para esconder, quando o aprendizado simples foi limitado a uns poucos seletos e os princípios mais simples de moralidade pareciam verdades recentemente descobertas; e que estes antigos e simples graus estão agora como as colunas quebradas de um abandonado templo druida, na sua rude e mutilada grandeza; e em muitas partes, também, corrompidas no tempo, desfiguradas por adições modernas e interpretações absurdas. Estes graus iniciais são a entrada para o grande templo maçônico, as colunas triplas do pórtico". - Estas "colunas triplas do pórtico" são os três graus simbólicos, a base, o sustentáculo de toda a estrutura do sistema de polidez da Maçonaria. Se a Maçonaria simbólica cai na trivialidade, as colunas de sustentação quebram e a Maçonaria Universal caminha para a aparência de "um abandonado templo druida".

A aventura continua nos graus filosóficos nos ritos que possuem tal extensão. Não são graus superiores; é falácia! Não distingue ninguém! Antes, espreme o maçom debaixo de grande responsabilidade: o de tornar-se mestre servidor. Os graus filosóficos caracterizam-se apenas pela continuação do que deveria acontecer no terceiro grau simbólico. Nada mais! O maçom que alcança ao mais alto grau de seu rito deve abandonar insígnias, comendas e enfeites dourados, que só serviram como demarcação visível do caminho e passagem pelos degraus da escada de Jacó, para voltar a portar apenas a mais humilde e significativa das insígnias maçônicas: o avental do aprendiz maçom; assim continua e faz da arte de pensar, debater, estudar, o hábito permanente de sua vida; chegado ao topo, volta aos graus simbólicos e filosóficos inferiores para dar sustentação à base; sem alicerce a estrutura da edificação vem abaixo.

A Maçonaria cresceu vertiginosamente até a década de 1950, quando inicia sua corrosão e aumenta a evasão; é fenômeno universal! A evasão acentuada é em virtude da falta de desafios, de renovação do pensamento, de acomodação, sem interesse intenso em pesquisar, ler e abrir a mente para novos pensamentos. Quando a divisão em novos ritos e obediências promove novas linhas de pensamentos ela é correta, se a razão for dividir para conquistar poder, então a instituição segue o caminho da estagnação, mesmice, trivialidade; basta avaliar em qual destes caminhos cada loja segue, para determinar a capacidade de sobrevivência de seus obreiros na ordem maçônica.

A Maçonaria universal oferece amplas possibilidades ao crescimento de polidez de seus membros, mas eles devem trabalhar arduamente a pedra. Reportando-se a isso, certo ritual do Rito Escocês Antigo e Aceito verte o seguinte: "Um sistema de numerosos graus, onde o ensino é permanente, não pela palavra do presidente ou do orador, mas principalmente pelo trabalho do adepto". Quem trabalha é o obreiro, o adepto - não existe a figura do professor; não existe cardápio pronto, receita de bolo ou varinha mágica! Quem desenvolve polidez com auxílio de seus irmãos é o obreiro, e isto só ocorre na convivência, em debates e produção de material intelectual escrito. Aponta-se principalmente para a importância em manter a mente aberta para novos ou inusitados pensamentos; abrir portas diferentes ou novas. A sociedade muda pela força do pensamento e da consciência; e isto demanda trabalho!

O resultado certo é a produção duradoura de felicidade e paz para a humanidade pela evolução do conhecimento bem utilizado. O Grande Arquiteto do Universo ilumina os caminhos do homem que obtém sabedoria em resultado do uso do livre-arbítrio no esforço de obter polidez e discernimento de aplicação prática.

Bibliografia:

1. BRASIL, Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito para a República Federativa do, Ritual do Grau 15 do Rito Escocês Antigo e Aceito, Cavaleiros do Oriente, da Espada e da Águia, Segunda Série de Graus Históricos e Capitulares, primeira edição, Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito para a República Federativa do Brasil, 64 páginas, Rio de Janeiro, 1925;

2. COMTE-SPONVILLE, André, Pequeno Tratado das Grandes Virtudes, tradução: Eduardo Brandão, ISBN 85-336-0444-0, primeira edição, Livraria Martins Fontes Editora Ltda., 392 páginas, São Paulo, 1995;

3. CURY, Augusto Jorge, O Código da Inteligência, a Formação de Mentes Brilhantes e a Busca pela Excelência Emocional e Profissional, ISBN 978-85-6030-398-4, primeira edição, Ediouro Publicações S. A., 236 páginas, Rio de Janeiro, 2008;

4. CURY, Augusto Jorge, Pais Brilhantes, Professores Fascinantes, A Educação de Nossos Sonhos: Formando Jovens Felizes e Inteligentes, ISBN 85-7542-085-2, sétima edição, Editora Sextante, 172 páginas, Rio de Janeiro, 2003;

5. GOLEMAN, Daniel, Inteligência Emocional, A Teoria Revolucionária que Redefine o que é Ser Inteligente, título original: Emotional Intelligence, tradução: Marcos Santarrita, ISBN 85-7302-080-6, 14ª edição, Editora Objetiva Ltda., 376 páginas, Rio de Janeiro, 1995;

6. HUNTER, James C., Como se Tornar um Líder Servidor, Os Princípios de Liderança de o Monge e o Executivo, título original: The World's Most Powerful Leadership Principle, tradução: A. B. Pinheiro de Lemos, ISBN 85-7542-210-3, primeira edição, Editora Sextante, 136 páginas, Rio de Janeiro, 2004;

7. HUNTER, James C., O Monge e o Executivo, Uma História Sobre a Essência da Liderança, título original: The Servant, tradução: Maria da Conceição Fornos de Magalhães, ISBN 85-7542-102-6, primeira edição, Editora Sextante, 140 páginas, Rio de Janeiro, 2004;

8. KNIGHT, Christopher; LOMAS, Robert, A Chave de Hiram, Faraós, Franco-maçons e a Descoberta dos Manuscritos Secretos de Jesus, título original: The Hiram Key: Pharaohs, Freemasons and the Discovery of the Secret Scrolls of Jesus, tradução: José Rodrigues Trindade, ISBN 85-88781-085, primeira edição, Editora Landemarque, 378 páginas, São Paulo, 2002;

9. PIKE, Albert, Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry, Prepared for the Supreme Council of the Thirty Third Degree for the Southern Jurisdiction of the United States, Charleston, 1871.

Biografia:

1. Albert Pike, advogado, autor, escritor, historiador, maçom e poeta de nacionalidade norte-americana. Nasceu em Boston, Massachusetts em 29 de dezembro de 1809. Faleceu em Washington, em 2 de abril de 1891, com 81 anos de idade. Reorganizador de todos os rituais do Rito Escocês Antigo e Aceito, do grau quarto ao trinta e três;

2. Christopher Knight, autor de nacionalidade inglesa. Nasceu em Cidade de Nova Iorque, Nova Iorque, Estados Unidos da América em 7 de novembro de 1957. Com 53 anos de idade;

3. Robert Lomas, engenheiro eletricista, escritor e maçom de nacionalidade inglesa. Ensina Sistemas de Informação na Escola de Administração da Universidade de Bradford.

Data do texto: 30/12/2010

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná

Local: Curitiba

Grau do Texto: Aprendiz Maçom

Área de Estudo: Cultura, Educação, Maçonaria

sábado, 25 de setembro de 2010

Um Lugar Entre Vós

Charles Evaldo Boller

Sinopse: O método de autoeducação da Maçonaria; identificação de novos maçons para a Ordem; caminhos do humanismo; valorização do pensamento lógico.

A Maçonaria "nada" faz! Quem faz é o obreiro. E se ele assim o desejar. A Maçonaria, com sua filosofia, doutrina, estrutura, enfim, com seu sistema, apenas apoia o processo de mudança a que cada um se submete. Ilude-se o cidadão que entra na ordem maçônica aguardando dela a ação de educá-lo; existe apenas autoeducação. Razão de se afirmar que a Maçonaria não é "reformatório". O maçom já vem pronto, cabe a ele utilizar-se do sistema da Maçonaria para melhorar-se, e isto só é possível com árduo trabalho.

Na busca por novos, se realmente se desejar que a ordem mude no aspecto de albergar em suas colunas homens de escol, que façam a diferença, deve-se prospectar por aqueles que já são "maçons" quando profanos. Iniciação é formalidade. Tais homens são imberbes no que diz respeito aos ritos e a doutrina maçônica; o objetivo é fazer estes homens ainda melhores que já são. O que atua para mudar tais bons homens para melhor? É a convivência com outros homens de semelhante característica e determinação. É da convivência, do constante roçar de uns nos outros em termos intelectuais e é abordando problemas da sociedade que se propicia a possibilidade de aportarem insights que possam mudar a sociedade pelo desenvolvimento do humanismo. O maçom não vai mudar os outros homens da sociedade, longe disso, é falácia dizer que o maçom deve voltar para a sociedade e mudar criaturas brutas e abestalhadas que lá se encontram em resultado de suas lides materialistas, oportunistas e viciadas. O bom homem que adentra às portas do templo vai melhorar a si mesmo; e só! Quanto mais personalidades adentrarem nesta sublime instituição por amizade e politicagem, em detrimento de qualidades que o revelem "maçom" ainda não iniciado, pior fica o ambiente, corrompem-se relacionamentos, situações surgem onde a tolerância é colocada à prova, até o momento em que a própria tolerância fenece e surge tirania.

O insight da afirmação a respeito do "nada" que a Maçonaria oferece tem por base a conhecida resposta de Pitágoras momentos após sua iniciação; ele teria dito: - Simplesmente nada encontrei! - E que depois disso partiu em busca do significado deste "nada". É o que o maçom deve fazer na Maçonaria, buscar respostas deste "nada". Ao maçom cabe reunir-se com outros maçons que igualmente buscam escapar por alguns instantes da semana do mundo dos desejos e das ilusões e desenvolver sabedoria. Isto pode ser um excelente exercício discursivo se remanescer apenas no plano das ideias, retórica que nada constrói de prático sem o concurso de exemplos e a influência do grupo social. O homem, criatura social por excelência, carece da convivência, do elogio, da aprovação, da continua provocação para melhorar-se. O maçom usufrui de convivência, emoção, amizade, para mudar a si mesmo no processo de autoeducação onde atua a doutrina maçônica.

Muitos se afastam das lojas porque os maçons lá recebidos nada encontram para dar respostas ao "nada" que trazem em si. Encontram "nada" porque a maioria dos que deveriam ser seus iguais, "nada" portam igualmente e "nada" trocam com ele. Em todo canto encontram-se maçons que com empáfia falam de simbolismo do alto de suas "cátedras" quando sequer entendem o significado do compasso e os sucessivos círculos concêntricos que com ele podem ser produzidos; os infinitos pensamentos. Limitam-se os maçons iniciados a repetir rituais automáticos e muito bem ensaiados sem lhes determinar o sentido, a doutrina maçônica. Sentem que participam de associação de amigos que se reúnem para comer macarrão e churrasco, tomar cerveja e verbalizar causos do cotidiano. Fica pior quando as sessões arrastam-se monótonas e sem gosto, onde fica evidente a perda de tempo. Como uma sessão sem atividade intelectual pode corroborar para o desenvolvimento do maçom? Trabalhos são lidos e mal discutidos. Instruções são lidas e não interpretadas passo a passo. Quando surge expoente entre os aprendizes, sua capacidade de participação é desprezada por aqueles que se assenhoraram da verdade absoluta e se consideram donos destas; ou desestimulam o aprendiz com frases de efeito; quando ignoram questionamentos, fazem troça e dizem que ele vai aprender isto em graus superiores; estes manifestam o "nada" de que são constituídos.

O materialista questiona: - Como nada? Não vê os adornos do templo, ferramentas e estrelas no teto? O maçom torto apenas vê o esquadro e não imagina que aquele significa retidão de proceder; talvez o saiba, mas não o coloca em prática em sua vida e logo o esquece. Porque faz assim? Porque não era "maçom" antes de ser iniciado.

Um ponto de entrada na doutrina maçônica é a capacidade de abstração para converter o simbolismo em raciocínios práticos e os colocar em uso na vida. Para isto ocorrer com eficiência concorre elevada capacidade espiritual. Não há necessidade de ser acadêmico! O simbolismo é simples, mas é preciso pensar, trabalhar e entender. Observa-se que os melhores maçons são em sua maioria pessoas humildes que debatem com ardor ideias novas sem se ferirem. São aqueles que alimentam seus pensamentos com novas ideias de forma permanente, que afiam suas espadas, suas línguas, em exercícios de retórica refinada para convencer seus pares de suas ideias e do que é objeto da sua mais alta aspiração. Que escrevem com denodo e capricho peças de arquitetura para transmitir com clareza seus pensamentos aos outros. Que permanecem calados quando percebem que o outro demonstra verdades de outra forma e ótica que a sua.

Pensar de forma proativa é raro entre os entorpecidos pela preguiça de estudar, pensar e que balbuciam palavras desconexas e repetitivas semelhante ao rito. Rito é repetição, pensamento não! E é divertido brincar com pensamentos! De todas as propostas de iniciação que li em minha loja simbólica, li a maioria das que remanescem nos arquivos, os maçons iniciados buscam na Maçonaria condição de aperfeiçoamento. A intensão pode estar velada por motivos estritamente materialistas, encontrar protetores ou ganhar mais dinheiro, mas no papel registraram em sua maioria que desejam melhorar. Outros, no andar da carroça, enquanto as abóboras vão se acomodando, despertam em si os mais elevados sentimentos humanistas. Depois que a curiosidade está alimentada é necessário ingerir novos alimentos mentais, cada vez mais consistentes, senão desaparece o interesse. Cabeça vazia é oficina do diabo!

Outra falácia imposta pela errônea interpretação e uso de antigos maçons é o que deve ser mantido em segredo para o não iniciado. O cidadão bate às portas do templo sem conhecer rudimentos do que o espera - e isto segue adiante nos graus filosóficos. Alguns aguardam da realidade maçônica a consecução de ilusões díspares, inadequadas, absurdas. Maçonaria não é reformatório nem atende às ilusões dos homens nem é remédio para ilusões. É possível criar mais expectativa por revelar detalhes e comportamentos do maçom, o que é Maçonaria e de como ela funciona, sem revelar segredo algum. Na Grande loja do Paraná é usual entregar um livreto ao pretendente, mas ainda é pouco.

Já vivenciei cerimonia de iniciação que mais parece trote universitário que reflexão da gravidade e sacralidade do ato de morrer para uma condição anterior. O cidadão é iniciado, mostram-lhe ferramentas e determinam que trabalhe na pedra bruta. Se trabalhar recebe aumento de salário, se não, recebe também. O que se vê com frequencia são peças de arquitetura toscas, meras cópias de rituais e textos obtidos na Internet e livros de origem duvidosa. É feita a leitura, o vigilante pede aumento de salário e pronto! O maçom ascende um grau. Chega à plenitude da Maçonaria simbólica e nada desenvolveu da doutrina contida nos rituais. Não aprendeu a pensar e interpretar a doutrina da Maçonaria. A base é a doutrina o rito a ferramenta. Doutrina exige pensar, rito é repetição mecânica, provocação ao ato de pensar. Os aprendizes não pensam porque seus pares também não o fazem; não debatem, não analisam, não debulham os meandros das ideias desenvolvidas ou copiadas pelo irmão. Copiar não é pecado, o erro está em não pensar e detalhar o que se copiou. E se o oficial resolve endurecer já apontam padrinho e outros irmãos a demovê-lo de seu intento: - Não faça isso, você vai espantar o obreiro. São realidades que confrontam o novo irmão com o mesmo "nada" que o levou a pedir a luz. É lógico que procure motivos urgentes para despedir-se.

Qual o motivo dos maçons não oportunizarem o trabalho no campo do pensamento. Preguiça? Ou seria porque trabalho carrega em si conotação de negação do ócio, de castigo? O maçom operativo trabalhava de sol-a-sol em atividade que lhe rendia momentos de êxtase e concretização de belezas, algumas delas constante de arte fútil, mas que rendia prazer. Cada pedreiro preocupava-se com o detalhe que tinha a seu cargo, a pedra que esculpia; dificilmente olhava a obra inteira, mas sabia que trabalhava na construção de uma catedral; o pedreiro especulativo olha apenas a sua pedra, ele mesmo, sem olhar para o resto da sociedade, que é a catedral da qual faz parte. É só olhar para imagens das catedrais erigidas por aqueles vetustos profissionais para deduzir que a maior parte daquele árduo trabalho era desnecessária, mas era arte; igualmente o especulativo deve desenvolver atividade que lhe dê prazer, arte, diversão pelo pensamento.

Dizer para um irmão que ele deve produzir trabalho intelectual reflete nele com conotação de escravidão, tarefa a ser realizada para satisfazer necessidades fisiológicas ou atender a exploração do sistema. Muitos não veem a hora de sair do templo, olham o relógio com frequência, para dirigirem-se ao bar para "tomar umas e outras" e "jogar conversa fora". Não poderiam canalizar este "jogar conversa fora" para debates de temas úteis em direção ao humanismo e assim mesmo desfrutar prazer? O homem de hoje procura prazer imediato sem ter de investir. Poucos destilam prazer do trabalho. Os objetivos das sessões devem ser tais que transformem trabalho em momentos de ócio criativo, assim como explicado por Domenico de Masi e Bertrand Russell. O maçom, o homem de hoje não entende como alguém pode desfrutar prazer no trabalho. O trabalho em loja deve se converter em diversão; deve ser encarado como um imenso playground do pensamento para tornar-se agradável e atrair os irmãos reiteradas vezes às atividades intelectuais.

Defendo a ideia de transformar as reuniões em encontros prazerosos e ao mesmo tempo edificantes, sem prejudicar o rito. Como descobrir a veia artística de cada maçom em loja e ao mesmo tempo conduzir as atividades para aprimorar o humanismo? Temos necessidade de compreender o que existe escondido nos ritos e transformar isto em atividade prazerosa, algo que resulte em satisfação; atividade criadora assemelhada ao trabalho dos antigos pedreiros da guildas.

Que as sessões não sejam apenas um amontoado desconexo de palavras e sim prateleira organizada de pensamentos e ideias. Que o "nada" ceda lugar ao desejo de participar cada vez mais. Que cada sessão fique com aquele gostinho de "quero mais", onde os próprios debatedores e participantes solicitem prolongamento dos trabalhos com vistas a aumentar o prazer desfrutado para convivência prazerosa na obra do grande templo da sociedade. Desenvolver o gérmen de algo inusitado para preencher o "nada" de cada um deve ser a mola mestra das atividades. Como fazê-lo? É simples, nivele a loja e coloque os irmãos a debater temas onde eles próprios são as personagens; onde eles possam solucionar a angústia de preencher o vazio do "nada" que portam e com isto justificar o dom do livre-arbítrio atribuído pelo Grande Arquiteto do Universo as suas criaturas e com isto dar glória para obra criativa.

Bibliografia:

1. BEHRENS, Marilda Aparecida, Paradigma da Complexidade, Metodologia de Projetos, Contratos Didáticos e Portfólios, ISBN 85-326-3247-5, primeira edição, Editora Vozes Ltda., 136 páginas, Petrópolis, 2006;

2. BRASIL, Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito para a República Federativa do, Ritual do Grau 15 do Rito Escocês Antigo e Aceito, Cavaleiros do Oriente, da Espada e da Água, Segunda Série de Graus Históricos e Capitulares, primeira edição, Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito para a República Federativa do Brasil, 64 páginas, Rio de Janeiro, 1925;

3. CAPOZZI, Carmo, A Luva e a Alma, primeira edição, Agnes Gráfica e Editora, 96 páginas, São Paulo, 2008;

4. CAPRA, Fritjof, A Teia da Vida, Uma Nova Compreensão Científica dos Sistemas Vivos, título original: The Web of Life, a New Scientific Understandding Ofliving Systems, tradução: Newton Roberval Eichemberg, ISBN 85-316-0556-3, primeira edição, Editora Pensamento Cultrix Ltda., 256 páginas, São Paulo, 1996;

5. CHALITA, Gabriel, Os Dez Mandamentos da Ética, ISBN 85-209-1584-1, primeira edição, Editora Nova Fronteira S/A, 224 páginas, Rio de Janeiro, 2003;

6. SEMLER, Ricardo, Virando a Própria Mesa, Uma História de Sucesso Empresarial Made in Brasil, ISBN 85-325-1348-4, primeira edição, Editora Rocco Ltda., 232 páginas, Rio de Janeiro, 2002.

Biografia:

1. Fritjof Capra, autor, físico e teórico de sistemas. Nasceu em 1 de fevereiro de 1939. Com 71 anos de idade;

2. Pitágoras ou Pitágoras de Samos, filósofo e matemático de nacionalidade grega. Nasceu em Ásia Menor em 26 de novembro de 582 a. C. Faleceu em 500 a. C. Fundador da Escola de Crotona, responsável pela criação dos números irracionais e do Teorema de Pitágoras;

3. Ricardo Semler, autor e empresário de nacionalidade brasileira. Nasceu em São Paulo, São Paulo em 1959. Com 51 anos de idade. Presidente da SEMCO S/A.

Data do texto: 09/01/2011

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná

Local: Curitiba

Grau do Texto: Aprendiz Maçom

Área de Estudo: Filosofia, Maçonaria, Ritualística, Tolerância

domingo, 19 de setembro de 2010

Busca de Renovação

Charles Evaldo Boller

Sinopse: Procedimentos, requisitos, características do candidato à Maçonaria.

A iniciação é fundamental para a continuação da Maçonaria, porém a escolha de novos exige responsabilidade. Para ser maçom não basta ser livre e de bons costumes, amigo, bom esposo e pai. Exige-se do candidato inteligência e discernimento para absorver as filosofia e doutrina maçônicas para si, agregada à capacidade de espargir a luz deste conhecimento aos outros.

Busca-se pessoa que: crê em Deus e numa vida futura; seja sociável, honesta, livre e de bons costumes; possua comportamento moral ilibado; reconheça a importância dos valores; traga dentro de si bons costumes adquiridos da educação; busca incessante evolução; seja estudante dedicado; entenda o conceito de liberdade responsável; tenha pensamento aberto; respeite o pensamento do outro; possua boa vida familiar; disponha de recursos financeiros para despesas pecuniárias na instituição; possua ilibado comportamento, apto, disposto a lutar pelo bem estar da humanidade. Para entrar na Maçonaria há necessidade que alguém represente o cidadão, que conheça suas qualidades e esteja apto a julgar se o convite é viável. Confirmadas as qualidades do candidato acontece o convite. Só depois de certificar merecimento faculta-se ao cidadão pedir adesão.

Viver de acordo e em plenitude com a filosofia maçônica é de difícil alcance. O maçom já existe dentro do candidato, o que se faz é encontrá-lo e iniciá-lo. Não está fácil encontrar homem voluntarioso para trabalhar pela evolução da humanidade. É árduo o procedimento de convidar alguém que demonstre o conjunto de características desejadas. Não apenas atuante na filantropia, mas de forma comprometida e proativa engajar-se na luta para a solução de problemas da humanidade; alguém ciente da necessidade de melhorar sua educação; dotado de humildade e energia para efetuar mudanças em si mesmo. O candidato deve possuir boas características antes de entrar; a Maçonaria não é reformatório!

Considerando a importância da questão para continuidade da Maçonaria cabe ao mestre maçom debater o tema da escolha de novos junto a seus irmãos e sob a luz da sabedoria do Grande Arquiteto do Universo.

Data do texto: 03/01/2011

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná

Local: Curitiba

Grau do Texto: Aprendiz Maçom

Área de Estudo: Maçonaria

domingo, 12 de setembro de 2010

A Tolerância

Charles Evaldo Boller

Sinopse: Interpretação filosófica, limites e considerações da tolerância aplicada na Maçonaria. Destaca a aplicação no comportamento individual e nas relações interpessoais.

Dentro daquilo que a Maçonaria preconiza como ideal, a mente do maçom equilibrado não tolera tudo. É incentivado a ser inimigo figadal dos que tolhem a liberdade das massas e tentam agrilhoar a ele ou seus irmãos. Recebe treinamento para repudiar emoções desenfreadas, que induzem à tirania e conduzem ao despotismo. É intransigente com a intolerância desenfreada que conduz a perseguição ou a ignorância das massas conduzidas por homens inescrupulosos. Sua tolerância deve ser tal que não fique posando qual ingênuo, que confunde tolerância com licenciosidade.

A Maçonaria educa aqueles que são iniciados em seus segredos porque é de sua crença que um povo desenvolvido não pode ser escravizado e um povo ignorante não pode ser libertado. O verdadeiro maçom é um estudioso prático, um intelectual que age. Sem estudo não existe progresso. Sem discussão e exercício do pensar não existe evolução.

A história da Maçonaria tem em torno de dois séculos. Afirmar que seja mais velha é apenas vaidade de uns poucos que acreditam que quanto mais no passado estiver a origem de uma organização maior é sua credibilidade e grandeza. E neste espaço de tempo ela já angariou miríades de inimigos implacáveis e vingativos, sempre movidos pela intolerância, ignorância e escravidão mental e espiritual. No Brasil, um grande exemplo de intolerância com a escravidão física, mental e espiritual proveio do homem maçom Deodoro da Fonseca. São de sua iniciativa: institucionalizar o casamento civil, tornar sem efeito jurídico o matrimônio religioso; instituir o registro civil; proibir o ensino de religião em escolas públicas; tirar os cemitérios do domínio das igrejas, secularizando-os; promulgar o Código Penal que extinguiu a pena de morte em tempo de paz no Brasil. Mesmo que tenha dirigido o país por curto tempo sob ditadura, ele é um exemplo do homem maçom que atuou na defesa das liberdades constitucionais e direitos inerentes ao povo. Usava da tolerância e da intolerância com equilíbrio.

É treinando seus adeptos que a Maçonaria combate intolerância, tirania, fanatismo, brutalidade e ignorância. O fato de desenvolver a tolerância, não significa que ela seja subserviente e sucumba diante da posição de homens mal orientados, mas bem intencionados, pois se assim fosse, ela já teria caído no esquecimento há bastante tempo. No exercício da tolerância e em seu treinamento a Maçonaria ensina que tolerância exige a definição de limites. Quando o maçom filosofa, faz exercícios na arte de pensar, especula e teoriza dentre as mais variadas linhas de pensamento, aí ele exercita a tolerância. Respeita e defende o que o outro maçom diz e pensa, a tal ponto que afirma ser capaz até de morrer para defender o pensamento de seu irmão.

Ao maçom é ensinado que o filosofar é pensar sem provas, isto exige tolerância, mas perseverar num erro é para ele uma falta que deve ser combatida, é a intolerância disparada pela ultrapassagem aos limites estabelecidos. É o limite do que é tolerável. Parte do princípio que ao intolerante imoral falta mesmo é inteligência, é desprovido de liberdade e não quer por isto dar liberdade aos outros. Para o maçom a liberdade de espírito vem da experiência e da razão exercida com tolerância limitada, pois só assim ela é efetiva.

E como a necessidade de tolerância surge apenas em questões de opinião, então em suas discussões ou estudos, normalmente é de praxe ao maçom sábio fazer severos exercícios de dicotomia, apresentar as mais diversas linhas de pensamento para qualquer verdade que defenda; deixa-se para o irmão ouvinte tirar suas próprias conclusões daquilo que postula em seu constante filosofar.

O maçom é condicionado na prática a combater a tolerância absoluta porque sabe que uma tolerância universal é moralmente condenável exatamente porque esqueceria as vítimas em casos intoleráveis de violência e abuso dos tiranos. Isto é, existem situações em que a tolerância em excesso perpetuaria o martírio das pobres vítimas. Dentro dos limites ditados pela moral, tolerar seria aceitar o que poderia ser condenado, seria deixar fazer o que se poderia impedir ou combater. Nesta linha podem-se tolerar os caprichos de uma criança ou as posições de um adversário, mas em nenhuma circunstancia o despotismo alienante de uma pessoa ou instituição.

Com humildade aceita que não há tolerância quando nada se tem a perder, haja vista que tolerar é se responsabilizar, porque uma tolerância que responsabiliza o outro já não é mais tolerância. Tolerar o sofrimento dos outros, a injustiça de que outros são vítimas, o horror que o poupa, já não é mais tolerância; é indiferença, egoísmo ou algo pior. Antes ódio, antes fúria, antes violência do que a passividade diante do horror, do que a aceitação vergonhosa do pior! Pela imposição de limites que o homem maçom se impõe em resultado de seu treinamento, uma tolerância universal seria tolerância do atroz. E quando levada ao extremo, a tolerância acabaria por negar a si mesma.

A tolerância só vale dentro de certos limites, que são os da sua própria salvaguarda e da preservação de suas condições e possibilidades. Se o maçom enveredasse por uma tolerância absoluta, mesmo para com os intolerantes, e se não defendesse a sociedade tolerante contra seus assaltos, os tolerantes seriam aniquilados, e com eles acabaria também a própria tolerância. O treinamento maçônico revela que uma sociedade em que uma tolerância universal fosse possível, já não seria humana. As conclusões da ordem maçônica levam seus adeptos a verificar que a tolerância é essencialmente limitada, pois uma tolerância infinita seria a fim da própria tolerância. Não se deve tolerar tudo, pois destina a tolerância à sua perda. Também não se deve renunciar a toda e qualquer tolerância para com aqueles que não a respeitam. Aquele que só é justo com os justos, generoso com os generosos, misericordioso com os misericordiosos, não é nem justo, nem generoso, nem misericordioso. Tampouco é tolerante aquele que só o é com os tolerantes. A tolerância como virtude depende do ponto de vista daqueles que não a têm. O justo é guiado pelos princípios da Justiça e não pelo fato do injusto não poder se queixar.

Democracia não é fraqueza. Tolerância não é passividade. Moralmente condenável e politicamente condenada, uma tolerância universal não seria nem virtuosa nem viável. A tolerância como força prática, como virtude, tem os seus fundamentos alicerçados no fato de que a fraqueza humana resulta de sua incapacidade de alcançar o absoluto.

A prática das oficinas maçônicas, naquelas aonde permanentemente é exercitada a capacidade de pensar, discutir, debater, ouvir e calar revela que a evidência é uma qualidade relativa. Mesmo que algo pareça exato, verdade, correto, pode no decurso de um debate mostrar que não é absoluto, daí nunca admitir-se que uma verdade é absoluta e final. As discussões, longe de afastar um irmão do outro, aproxima-os quando praticam dentro dos limites impostos pela tolerância que todos os seres humanos, indistintamente, são constituídos de fraquezas e de erros. Com isto em vista, o verdadeiro homem maçom, aquele que está desperto e ativo, perdoa as tolices que o outro comete e aguarda que aquele irmão de pensamento equivocado acorde de sua inconsciência, dando cumprimento para com esta primeira lei da sua natureza: a falibilidade.

A grande salvaguarda do homem maçom quando se contrapõe aos tiranos, é o conhecimento de que aquele, mesmo que possua em suas mãos o poder absoluto, não tem condições de impô-lo a ninguém, porque não poderia forçar um indivíduo a pensar diferente do que pensa, nem a crer verdadeiro o que lhe parece falso. Esta a razão da Maçonaria ter sido hostilizada e proibida desde quando surgiu na França e Holanda, países onde foi proscrita logo no início de sua expansão. É no pensamento que o maçom deve ser livre de forma absoluta, pois não há liberdade nem sociedade próspera sem inteligência.

A tolerância é tema fundamental da Maçonaria, inclusive sua existência é devida a ela, pois nasceu em decorrência da intolerância entre facções políticas e religiosas. É uma tolerância calcada na definição de limites claros. Ultrapassou o limite definido pelas leis em vigor em sua linha de tempo, não tem comiseração, o castigo deve ser aplicado com todo o rigor ou a sociedade fenece.

Cada maçom é estimulado de forma diferente pelo ensinamento da Maçonaria. O lastro que carrega mostra que o principal aspecto da ordem maçônica é o desenvolvimento de princípios morais calcados na espiritualidade. A simbologia, a ritualística e toda a filosofia envolvida, sempre em seu centro destaca a espiritualidade. O meio para desenvolver em espírito, apesar de ressaltado, não fica tão evidente. Apenas os mais sensíveis e aplicados a desenvolvem. Existem homens Maçons já bem antigos na ordem maçônica que sequer sabem de fato o que alguns símbolos representam. Um exemplo é o símbolo composto formado pelo esquadro, compasso e o livro da lei, onde o olho perspicaz visualiza um homem circunscrito por uma estrela de cinco pontas, significando a criatura religada ao Grande Arquiteto do Universo por laços de carne, pela espiritualidade encarnada. E disto se deduz a união com o Grande Arquiteto do Universo, sua religação com a divindade.

A tolerância é o que permite aos homens da Maçonaria viver em harmonia, onde esta última não existir, certamente não há tolerância com limites. Em consequência não existe amor, a única solução de todos os problemas da humanidade. E onde não existe amor também não se manifesta o Grande Arquiteto do Universo, o Deus que cada um venera a sua maneira, pois este só está onde as pessoas se tratam como irmãos, demonstram e praticam o mais profundo amor entre si.

Bibliografia:

1. BAYARD, Jean-Pierre, A Espiritualidade na Maçonaria, Da Ordem Iniciática Tradicional às Obediências, tradução: Julia Vidili, ISBN 85-7374-790-0, primeira edição, Madras Editora Ltda., 368 páginas, São Paulo, 2004;

2. BENNETT, William John, O Livro das Virtudes, Antologia, título original: A Tresaury of Great Moral Stories, ISBN 85-209-0672-9, primeira edição, Editora Nova Fronteira S/A, 534 páginas, Rio de Janeiro, 1993;

3. CAPRA, Fritjof, A Teia da Vida, Uma Nova Compreensão Científica dos Sistemas Vivos, título original: The Web of Life, a New Scientific Understandding Ofliving Systems, tradução: Newton Roberval Eichemberg, ISBN 85-316-0556-3, primeira edição, Editora Pensamento Cultrix Ltda., 256 páginas, São Paulo, 1996;

4. COMTE-SPONVILLE, André, O Espírito do Ateísmo, título original: L'esprit de L'théisme, tradução: Eduardo Brandão, ISBN 978-85-60156-66-5, primeira edição, Livraria Martins Fontes Editora Ltda., 192 páginas, São Paulo, 2007;

5. COMTE-SPONVILLE, André, Pequeno Tratado das Grandes Virtudes, tradução: Eduardo Brandão, ISBN 85-336-0444-0, primeira edição, Livraria Martins Fontes Editora Ltda., 392 páginas, São Paulo, 1995;

6. GREGÓRIO, Fernando César, Chaves da Espiritualidade Maçônica, ISBN 978-85-7252-236-6, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 184 páginas, Londrina, 2007;

7. ROHDEN, Humberto, Educação do Homem Integral, primeira edição, Martin Claret, 140 páginas, São Paulo, 2007;

8. SOUTO, Élcio, O Iniciado, Drama Cósmico Maçônico, ISBN 85-7374-331-X, primeira edição, Madras Editora Ltda., 106 páginas, São Paulo, 2001.

Data do texto: 01/01/2011

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná

Local: Curitiba

Grau do Texto: Aprendiz Maçom

Área de Estudo: Comportamento, Educação, Filosofia, Maçonaria

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Encadeamento Lógico dos Graus do Rito Escocês Antigo e Aceito

Charles Evaldo Boller

Sinopse: Considerações e significado da aparente desordenação dos graus do Rito Escocês Antigo e Aceito.

Ao fazer resumo dos graus filosóficos do Rito Escocês Antigo e Aceito buscou-se por um encadeamento lógico entre eles; um ou outro formam certa ligação, mas a conclusão até o momento é: não existe interconexão; os diversos graus não mantêm vínculo entre si; o amor é elo da maioria, mas existem graus que dele nem passam perto; é como se os temas dos graus fossem jogados ao léu, em desordem, logicamente desconexos, aleatórios em suas propostas, mas magníficos e esclarecedores em seus objetivos.

Esta inexistência de conexão lógica entre os graus é busca constante de mentes com formação cartesiana. Teria a Cabala respostas? O misticismo? O esoterismo? A lógica humana continua exuberante dentro da filosofia maçônica, seja ela mecanicista ou mística, mas em todos predomina cegueira, não se entende a possibilidade de existir ordem na desordem. O maçom busca a perfeição. Seu objetivo é a religação com a divindade. Estará ele munido de capacidade intelectual suficiente para ver beleza e ordem onde sua capacidade de pensar ainda não alcança e apenas vê desordem? Infelizmente é na busca desta condição de perfeição condicionada ao grau de evolução humana que se obscurece a razão para ver ordem na aparente desordem.

Kepler é bom exemplo quando forçou beleza e simetria em seus modelos, quando embutiu as órbitas planetárias do sistema solar em cubos e esferas; sabe-se hoje que as órbitas dos planetas que circundam o Sol são elípticas irregulares; ele não admitia que o Grande Arquiteto do Universo pudesse usar de figuras irregulares na construção do Universo. Esteve privado de visão devido à limitação da ciência e de seus referenciais transcendentais - em sua concepção, um Deus geômetra respeitaria proporções e figuras perfeitas na construção do Universo; aquilo que a mente de Kepler definia como perfeito e belo e não a realidade criada por Deus. Foi um erro de interpretação que trouxe luz para a ciência e assim ainda o é com respeito a muitas verdades a serem desveladas.

O sistema da ordem maçônica trata a mente de homens que pensam com lógica, mística e matemática em presença da desordem. Modifica o pensamento do místico e do sensitivo na presença da desordem e intui a presença de ordem. Leva o buscador cientista a encontrar nos mecanismos da Natureza a inspiração de espiritualidade que o religam ao Grande Arquiteto do Universo, mesmo na presença da aparente desordem. Existe evidência para especular e forte razão para inferir que a falta de ligação lógica entre os diversos graus do Rito Escocês Antigo e Aceito pretende demonstrar, provocar, que é na confusão que está assentada a ordem das coisas; que Deus escreve em "linhas tortas", em linguagem ainda incompreensível, indecifrável ao homem, todo o projeto do Universo. E que esta linguagem, em virtude da visão limitada do homem, mantém aparência de desordem quando em verdade manifesta perfeição num nível superior á compreensão da criatura.

A psique humana insiste em buscar ordem, perfeição e disciplina na Natureza porque não aceita que vai morrer, decompor-se em seus elementos químicos elementares, voltar para o lugar de onde foi tomado. Se o homem abandonar a ideia de buscar perfeição naquilo que ele define como perfeito, lógico e belo, encontrará na imperfeição, na aparente desorganização, razões onde tudo é gerado de forma perfeita e bela. Verá ordem no que aparenta desordem, haja vista o homem ser limitado pelos seus sensores e ainda é incapaz de entender a lógica do Criador. O indício transmitido da desarrumação dos graus acena que é da mistura de ideias e sentimentos, emanada da filosofia dos graus que ocorre ligação mais forte com a Natureza no bailado que celebra a vida.

Platão afirmava que o único círculo perfeito é a ideia de círculo que existe na imaginação. É comum encontrar o que insiste na formação de ligação matemática e perfeita entre o Grande Arquiteto do Universo e sua criatura, o homem. Ao olhar-se para a Natureza revela-se exatamente o contrário, que a ordem reside na confusão, da diversidade. Pretendem alguns que a experiência mística da existência da divindade de alguma forma esteja ligada ao homem por equações matemáticas, pela lógica ou consciência transcendente ao mundo físico. Sábios tentam estabelecer pontes entre a razão humana e a inteligência divina. O encadeamento ilógico dos graus do Rito Escocês Antigo e Aceito levanta a possibilidade de se observar a origem da Natureza no caos.

Ao se especular a história do Cosmos, desde o início da grande expansão até a formação da célula, o caos é uma boa e razoável - não única - explicação para a existência da vida. Quando o homem olha a si mesmo: primeiro - como matéria feita com quase nada de massa; se considerar o átomo composto essencialmente de espaço vazio, possuidor de diminutas partículas; que todas juntas possuem massa insignificante, mas tremenda energia; isto pode até justificar a volta ao pó. Segundo - como matéria totalmente destituída de massa, absolutamente nada em termos físicos; se o átomo for considerado resultado de fenômenos eletromagnéticos; o átomo ser o resultado da interação de campos magnéticos, dipolos; apenas energia; nada de matéria; apenas o vazio, o nada; isto pode até justificar a volta para a luz. Somos pó? Somos luz? Ainda não sabemos ao certo. Experiências de laboratório demonstram que a superfície da pele humana emite brilho, luz, fótons, que pode ser a manifestação do corpo físico do homem possuir nada em termos materiais, montado a partir da mais pura energia. A partir destas meditações pode-se especular que neste nível de observação da Natureza abala-se qualquer convicção de ordem e perfeição; ressalta-se desta observação que a vida é resultado de imperfeições, acidentes e assimetrias que ocorreram na linha de tempo construída pela história do Cosmos. A existência da vida ainda é um acontecimento fora das leis naturais inferidas pela concepção tecnológica e mística humana.

O que é inexplicável à compreensão humana ou é denominado milagre ou se constrói ao seu redor uma interpretação mística que usa da perfeição interpretada pelo homem e, a semelhança de Kepler, encaixa-se tudo o que não se consegue explicar dentro de padrões que são familiares aos sensores materiais. Na concepção do homem material, em sua concepção antropomórfica, o Grande Arquiteto do Universo usaria apenas aquilo que a mente humana já concebeu em termos de perfeição e beleza. É o homem quem encaixa o que não entende em padrões simbólicos ao seu alcance e é por isso que não aceita o padrão definido pelo Grande Arquiteto do Universo na construção do Universo. É a razão do maçom não discutir a constituição e aparência do Grande Arquiteto do Universo, um ser desta magnitude está fora de sua capacidade sensorial; cada homem cria um Deus de acordo com sua própria experiência sensorial. O conceito maçônico de Grande Arquiteto do Universo é o mais inteligente dos estratagemas para obter liberdade de dogmas e falácias resultantes da interpretação humana do Universo e da vida.

O homem que se conscientiza como resultado perfeito de fenômenos aleatórios e imperfeitos, percebe, justifica e testifica a existência de uma mente orientadora e criadora à qual o maçom materializa pelo conceito de Grande Arquiteto do Universo. Sem uma mente por detrás do caos a concepção de vida é impossível. Caos transmite para a lógica humana a ideia de destruição, imperfeição e apenas uma força ou mente orientadora poderia, na concepção humana de perfeição, colocar ordem no caos. O homem apenas não domina ainda a capacidade de entender como o Arquiteto dos Mundos desenha a matéria animada e inanimada; principalmente de onde resulta a vida, o que certamente afastaria o medo da morte, do nada, do esquecimento.

O homem considera-se muito importante, é a criatura eleita, o centro do Universo. Falta-lhe humildade para reconhecer que o código, a lógica divina está escrita em símbolos que ainda não formam sentido nem para a mente de formação mecanicista nem para a de formação mística. Todas as criaturas vivas da biosfera da Terra são parte de uma única criatura viva e interdependente, onde o homem é apenas mais uma criatura deste imenso caldeirão de massa viva. Sua percepção ainda não está capacitada para entender o alfabeto e a lógica do Grande Arquiteto do Universo. E como tenta construir a lógica divina enclausurada em sua própria experiência, condicionada a ilusão percebida pelos seus próprios sentidos, as tentativas de esclarecimento conduzem a respostas falaciosas, inverdades. Daí uma minoria tentar impor suas verdades aos demais pela força, resultando em prepotência e obscurantismo, empecilho na busca de aperfeiçoamento da simbologia da criação. O homem iludido pela sua percepção do Universo há que aperfeiçoar seus sensores ou utilizar-se de instrumentos que permitam ver muito além de sua restrita realidade, até o momento em que consiga ver ordem no caos.

A filosofia é um instrumento que permite ver aonde não existe luz, onde os sensores materiais e místicos nada percebem. A luz provém do caos. A ordem é inanimada, não se modifica, é sinônimo de morte. O caos é movimento, é energia, é manifestação de vida. Da divisa dos graus filosóficos do Rito Escocês Antigo e Aceito verte "ordo ab chao", "ordem no caos"; ou seria, "a ordem está no caos"?

Bibliografia:

1. ABBAGNANO, Nicola, Dicionário de Filosofia, Dizionario di Filosofia, tradução: Alfredo Bosi, Ivone Castilho Benedetti, ISBN 978-85-336-2356-9, quinta edição, Livraria Martins Fontes Editora Ltda., 1210 páginas, São Paulo, 2007;

2. ADOUM, Jorge, Do Mestre Perfeito e seus Mistérios, Esta é a Maçonaria, nona edição, Editora Pensamento Cultrix Ltda., 114 páginas, São Paulo, 2006;

3. ADOUM, Jorge, Do Mestre Secreto e seus Mistérios, Esta é a Maçonaria, primeira edição, Editora Pensamento Cultrix Ltda., 118 páginas, São Paulo, 2005;

4. ADOUM, Jorge, Secretário Íntimo, Preboste e Juíz e Intendente dos Edifícios, Esta é a Maçonaria, 14ª edição, Editora Pensamento Cultrix Ltda., 149 páginas, São Paulo, 2004;

5. ALENCAR, Renato de, Enciclopédia Histórica do Mundo Maçônico, Volume I, primeira edição, Maçônica, 444 páginas, Rio de Janeiro, 1979;

6. ALENCAR, Renato de, Enciclopédia Histórica do Mundo Maçônico, Volume II, primeira edição, Maçônica, 445 páginas, Rio de Janeiro, 1980;

7. ANATALINO, João, Conhecendo a Arte Real, A Maçonaria e Suas Influências Históricas e Filosóficas, ISBN 978-85-370-0158-5, primeira edição, Madras Editora Ltda., 320 páginas, São Paulo, 2007;

8. ASLAN, Nicola, Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia, Volume I, ISBN 85-7252-158-5, segunda edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 1270 páginas, Londrina, 2003;

9. ASLAN, Nicola, Instruções para Capítulos, para o 15º ao 18, ISBN 85-7252-218-2, quarta edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 114 páginas, Londrina, 2006;

10. ASLAN, Nicola, Instruções para Conselhos Kadosch, para o 19º ao 30, ISBN 85-7252-175-5, terceira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 100 páginas, Londrina, 2003;

11. ASLAN, Nicola, Instruções para lojas de Perfeição, Do Quinto ao 14º Graus do Ritual Escocês Antigo e Aceito, ISBN 85-7252-174-7, quarta edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 102 páginas, Londrina, 2003;

12. ASLAN, Nicola, Instruções para lojas de Perfeição, para o Quarto Grau, ISBN 85-7252-188-7, terceira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 116 páginas, Londrina, 2004;

13. BRASIL, Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito para a República Federativa do, Ritual do Grau 14 e Graus Inefáveis Intermediários 10, 11, 12 e 13 do Rito Escocês Antigo e Aceito, segunda edição, Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito para a República Federativa do Brasil, 174 páginas, Rio de Janeiro, 1925;

14. CAMINO, Rizzardo da, Dicionário Maçônico, ISBN 85-7374-251-8, primeira edição, Madras Editora Ltda., 414 páginas, São Paulo, 2001;

15. CAMINO, Rizzardo da, Os Grau Inefáveis, loja de Perfeição, Volume 1, Do Quarto ao Décimo Grau, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 178 páginas, Londrina, 1995;

16. CAMINO, Rizzardo da, Os Graus Inefáveis, loja de Perfeição, Volume II, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 306 páginas, Londrina, 1966;

17. CASTELLANI, José, Dicionário Etimológico Maçônico, A-B-C, Coleção Biblioteca do Maçom, ISBN 85-7252-169-0, segunda edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 143 páginas, Londrina, 2003;

18. CLAUSEN, Henry C., Comentários Sobre Moral e Dogma, primeira edição, 248 páginas, Estados Unidos da América, 1974;

19. DURÃO, João Ferreira, Ordenanças Graus Inefáveis: Cobridor, Rito Escocês Antigo e Aceito, ISBN 85-7374-700-5, primeira edição, Madras Editora Ltda., 160 páginas, São Paulo, 2005;

20. FAGUNDES, Morivalde Calvet, Uma Visão Dialética da Maçonaria Brasileira, Coleção Pensamento Maçônico Contemporâneo, primeira edição, Editora Aurora Ltda., 64 páginas, Rio de Janeiro;

21. FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio de, Dicionário de Maçonaria, Seus Mistérios, seus Ritos, sua Filosofia, sua História, quarta edição, Editora Pensamento Cultrix Ltda., 550 páginas, São Paulo, 1989;

22. GUIMARÃES, João Francisco, Maçonaria, A Filosofia do Conhecimento, ISBN 85-7374-565-7, primeira edição, Madras Editora Ltda., 308 páginas, São Paulo, 2003;

23. OLIVEIRA FILHO, Denizart Silveira de, Comentários Aos Graus Inefáveis do Ritual Escocês Antigo e Aceito, Coleção Biblioteca do Maçom, ISBN 85-7252-035-X, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 192 páginas, Londrina, 1997;

24. PETERS, Ambrósio, Maçonaria, Verdades e Fantasias, primeira edição, 252 páginas, Curitiba, 1927;

25. SOBRINHO, Octacílio Schüler, Maçonaria, Introdução Aos Fundamentos Filosóficos, ISBN 85-85775-54-8, primeira edição, Obra Juridica, 158 páginas, Florianópolis, 2000.

Biografia:

1. Johannes Kepler, astrônomo de nacionalidade alemã. Nasceu em Weil der Stadt em 27 de dezembro de 1571. Faleceu em Regensburg em 15 de novembro de 1630 com 58 anos de idade. Conhecido pela elaboração dos três princípios que regem os movimentos dos planetas em torno do Sol.

Data do texto: 31/08/2010

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná

Local: Curitiba

Grau do Texto: Aprendiz Maçom

Área de Estudo: Filosofia, Maçonaria, Ritualística

Conceito de Liberdade Maçônica

Charles Evaldo Boller

Sinopse: Limites da liberdade responsável do maçom; liberdade absoluta do pensamento.

"Artigo quinto: Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade" - (Constituição Brasileira, 1988).

"A Maçonaria é uma instituição filosófica"; "o caráter principal do maçom é ser livre e de bons costumes"; "O objeto essencial da Maçonaria é, na verdade, sua ação moral"; "Maçons fazem um estudo sereno e sério dos fenômenos históricos da religião e política"; "trabalham para o advento de novas ideias"; "a inteligência é, para nós, a mais perfeita manifestação da vida"; "... Onde o ensino é permanente, não pela palavra do presidente e do orador, mas, principalmente, pelo trabalho do adepto"; "A fecundação das ideias se faz no silêncio"; "A amizade fraternal, que liga os bons maçons, é o laço de união da ordem maçônica"; - (Ritual do grau 15 do Rito Escocês Antigo e Aceito). O que vem a ser liberdade maçônica? Em resumo, a liberdade maçônica preconiza o amor fraternal como única solução para todos os problemas da humanidade: sinônimo de liberdade; causa de igualdade; razão da fraternidade.

São três os aspectos onde se desfruta da mais ampla liberdade: consciência, espiritualidade e pensamento. Nenhum déspota pode mudar ou censurar o que se passa na mente do cidadão. Legisladores podem escrever as leis mais perfeitas que estas são nada perante a vontade individual. Apenas o próprio cidadão pode sabotar-se ou libertar-se no recôndito de seus processos mentais; é o trabalho na pedra bruta; o autoconhecimento. Daí ser lógico afirmar que a Maçonaria não dá nada para ninguém; todo progresso pessoal é resultado de esforço individual e intransferível. A liberdade jaz dormente na memória das pessoas, é parte do projeto da criatura, basta uma leve provocação para despertá-la; é o que ocorre nos debates entre os obreiros na sublime instituição. A Maçonaria entra com o sistema, o local, as ferramentas; o adepto com sua alma, coração e mente. Liberdade é resultado da convivência fraterna de pessoas em busca de sua liberdade individual.

Liberdade maçônica não é aquela em nome da qual já foram cometidos os mais perversos crimes, opressão, desajuste social, desequilíbrio e desilusão. Liberdade maçônica reside no pensamento. É nos processos cognitivos que qualquer cidadão torna-se absolutamente livre. É isto que o sistema da Maçonaria tenta - poucos o percebem - inculcar na mente de seus adeptos. É pelo pensamento que a Maçonaria liberta o homem para sua função de edificador social. É do pensamento, da conceituação deísta da Maçonaria, que nasce a noção, o conceito de Grande Arquiteto do Universo, a síntese de liberdade absoluta e que permite a convivência pacífica dos seres humanos. É pelo amor fraterno que o homem torna-se digno do sopro de vida que anima seu trabalho sobre a superfície paradisíaca deste lindo planeta azul, o qual se desloca numa velocidade vertiginosa a um destino desconhecido. Cabe a criatura fazer parte nesta viagem pelo espaço infindo desfrutando de liberdade absoluta em seu pensamento e de liberdade relativa em suas relações com as outras criaturas da biosfera terrestre.

Bibliografia:

1. BRASIL, Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito para a República Federativa do, Ritual do Grau 15 do Rito Escocês Antigo e Aceito, Cavaleiros do Oriente, da Espada e da Água, Segunda Série de Graus Históricos e Capitulares, primeira edição, Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito para a República Federativa do Brasil, 64 páginas, Rio de Janeiro, 1925;

2. CAMINO, Rizzardo da, Introdução à Maçonaria, Doutrina, História e Filosofia, ISBN 85-737-4876-1, primeira edição, Madras Editora Ltda., 431 páginas, São Paulo, 2005;

3. CAMINO, Rizzardo da, Simbolismo do Primeiro Grau, Aprendiz, ISBN 85-7374-076-0, primeira edição, Madras Editora Ltda., 188 páginas, São Paulo, 1998;

4. CHARLIER, René Joseph, Mosaico Maçônico, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 224 páginas, Londrina, 1995;

5. LACERDA JÚNIOR, Luiz Antonio Grieco e, Maçonaria, Manual do Candidato, primeira edição, Grande loja do Estado de São Paulo, 119 páginas, São Paulo;

6. PETERS, Ambrósio, Maçonaria, Verdades e Fantasias, primeira edição, 252 páginas, Curitiba, 1927;

7. RIGHETTO, Armando, Maçonaria, uma Esperança, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 160 páginas, Londrina, 1992;

8. SOBRINHO, Octacílio Schüler, Maçonaria, Introdução Aos Fundamentos Filosóficos, ISBN 85-85775-54-8, primeira edição, Obra Juridica, 158 páginas, Florianópolis, 2000.

Data do texto: 03/01/2011

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná

Local: Curitiba

Grau do Texto: Aprendiz Maçom

Área de Estudo: Consciência, Cultura, Educação, Liberdade, Maçonaria, Moral, Pensamento

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Porque Existe a Grande Loja do Paraná e o Grande Oriente do Paraná?

Charles Evaldo Boller

Sinopse: Considarações a respeito da diversidade de obediências; visão otimista da divisão da Maçonaria em entidades juridicas independentes; diversidade de filosofias e pensamentos na Maçonaria; homens imperfeitos em busca da perfeição.

Existem em cada estado da federação diferentes grandes lojas e grandes orientes, às quais se denomina obediência, diversificação manifesta pela mesma razão que existem dentro de uma universidade ou num shopping center diversos departamentos.

A Maçonaria é um sistema de aprimoramento do homem. Não é escola, religião, universidade ou shopping center. Os clientes das diversas obediências buscam todos eles o mesmo alimento: melhorar sua condição humana.

No Paraná deve-se incluir entre as obediências reconhecidas o Grande Oriente do Brasil - Paraná, uma obediência federada e subordinada a um poder central em Brasília, que tem vida independente como a Grande loja do Paraná.

Existem outras grandes lojas no Estado. Ou não são reconhecidas ou são espúrias. Estas últimas ferem a lei básica, os landemarques, porque algumas são formadas por obreiros de ambos o sexos e outras exclusivamente femininas. As obediências irregulares não são reconhecidas pela Grande loja do Paraná vedando a visita e o reconhecimento; é falta grave.

Inclusive entre as obediências devidamente reconhecidas existem retrações de tratados de amizade, por vezes em resultado de pequenas querelas, mas a visitação é tolerada.

Como funciona a sociedade, assim funciona a Maçonaria, ela é o reflexo da sociedade humana em constantes convulsões em busca de entendimento e equilíbrio.

O homem, por sua característica modificadora e crítica, cria situações aonde ele se aglomera em tribos e busca homogeneizar seus grupos de convivência formando automaticamente seus próprios líderes.

Em todo lugar aonde se reúnem pessoas existem conflitos. A fraternidade advém da habilidade que seus membros têm em se suportarem uns aos outros. É permanente o exercício de tolerância e persistência.

A profusão de obediências pode parecer estranha. Tira o brilho ou quebra expectativas de perfeccionismo para uma instituição que se diz universal e fraterna. Outra má impressão pode advir quando se depara com dezenas de ritos diferentes. Também levanta ranço de desentendimento e conflito as constantes divisões de lojas ou a criação de lojas novas numa mesma jurisdição.

Esta diversificação tem uma explicação simples: é necessária para o bom funcionamento do sistema da ordem maçônica universal.

Qual deveria ser o procedimento para absorver todas as linhas filosóficas, religiosas, políticas e culturais da humanidade? É impossível colocar as pessoas num molde e ainda assim declará-las livres? Liberdade exige exercício do livre arbítrio.

Como prover abrigo para tantas linhas de pensamentos diferentes de forma livre e igualitária? Quanto maior o grupo social maior o grau de complexidade e dificuldades de convivência.

Sabe-se que uma boa dinâmica de grupo não trás bons resultados se for composta por mais de onze pessoas; uma loja maçônica não é produtiva se dispuser de muitos obreiros - não existe um número de membros ideal, a fragmentação se dá de forma natural, por afinidade ou interesses.

De ótica mais ampla, as obediências também não ficam muito grandes, é de difícil administração.

É o caso do Grande Oriente do Brasil, inteligentemente fragmentado em um grande oriente regional por estado da federação, as obediências regionais federadas reportam-se a um grão-mestre geral no que diz respeito a sua homogeneidade litúrgica, mas são independentes política e administrativamente. Cada oriente federado do Grande Oriente do Brasil tem um grão-mestre e toda a estrutura de grandes oficiais necessários para seu funcionamento independente. Vantagem: formam-se mais líderes na Maçonaria, haja vista que cada maçom é um multiplicador da moral e evolução do sistema preconizado pela filosofia da ordem.

As grandes lojas são obediências juridicamente separadas por estado e mantém unidade de corpo ou unidade federada através da CMBS, Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil.

Administrativamente o Grande Oriente do Paraná é semelhante à Grande loja do Paraná e de sua parte obtém unidade federada através da Confederação Maçônica do Brasil, Confederação Maçônica do Brasil.

Todas estas obediências regionais, em essências iguais do ponto de vista maçônicos, são universais como sistema, formam um só corpo, mesmo que política, administrativa e juridicamente independentes.

Aos poucos e mediante acordos elas vão se acertando e acabam por conviver pacificamente debaixo do sistema único da Maçonaria. Bem diferente das religiões, partidos políticos, times de futebol, agremiações profissionais e outras associações humanas.

Mesmo com todas as diferenças vigentes no leque de interesses, a Maçonaria mantém uniformidade de pretensão no objetivo de: ao mudar o homem muda-se a sociedade para melhor; cria-se plêiade de homens de escol para, na diversidade e complexidade crescentes, focar a sociedade em direção a evolução e conscientização natural.

Quem consente em ser colocado numa prensa para adquirir a mesma forma dos outros? Ninguém! Os homens são diferentes uns dos outros e gostam de mudanças; faz parte de sua psique provocar mudanças. Trabalhar com a diferença e desigualdade visando buscar perfeição e igualdade é uma arte e pode ser reduzido ao sistema da Maçonaria que, da diversificação, da diferença, molda homens para o bem respeitando rigorosamente suas evidentes diferenças. É quase um paradoxo obter igualdade a partir de homens diferentes, mas no fundo a explicação é simples: trata-se de um notável insight dos criadores da ordem maçônica mundial, reunir debaixo de um mesmo teto pessoas das mais diversas origens, culturas, religiões, crenças, sem que se matem uns aos outros e que colaborem, contribuam na edificação de um templo com seus corpos e mentes ao qual se denomina sociedade.

A Maçonaria não é o resultado de instituições separadas em obediências e lojas, ela e estas sociedades são o resultado dos homens que se congregam debaixo de sua orientação. Brilham os homens, resplandecem as sociedades que os albergam e orientam. A participação nestas fraternidades se dá pelo constante contato entre pessoas, à semelhança de como o fizeram os homens das cavernas ao redor do fogo. Foi em ambientes umbrosos que despertaram as melhores características do homem. Desenvolveu-se o cérebro para o potencial que tem hoje e pela constante convivência continua a desenvolver-se.

Ao longo da história os encontros de homens nem sempre foram fraternos. O homem de hoje difere daquele das cavernas apenas em pequenos detalhes, insignificantes diferenças quanto a sua natureza, imensa quanto a sua capacidade intelectual, isto porque, o homem de hoje está apoiado nos ombros dos homens do passado e o sistema da Maçonaria é a maior expressão disso.

A diversificação da Maçonaria pode ser resultado da vaidade e sede de poder do homem? Definitivamente sim! Como funciona a sociedade, assim funciona a Maçonaria, esta é espelho daquela. Isto faz parte do processo de aperfeiçoamento do homem. São a razão de existir tamanha diversificação na organização daquilo que constitui a base do sistema da Maçonaria com suas sociedades civis que acolhem homens imperfeitos para deles esculpir pedras angulares da edificação de uma sociedade progressista, evolutiva.

Que ninguém se iluda que vai encontrar homens perfeitos na Maçonaria. É uma sociedade de homens imperfeitos em busca da perfeição. Ninguém chega à perfeição senão o Grande Arquiteto do Universo! Estes homens imperfeitos fumam, bebem, erram, acertam, dançam, cantam, amam e também brigam. Quando querelas afloram, existem diversos recursos na própria loja para acomodar e apaziguar interesses e diferenças. Quando todos os recursos jurídicos e de dissuasão esgotam na loja, existe apoio jurídico na grande loja ou grande oriente, se tudo falhar, então ocorre separação; surge nova loja ou novo oriente. Isto não deve ser visto como mal, ao contrário, continua possibilitando reunir as mais diversas linhas de interesse e pensamentos debaixo de um mesmo sistema, sob um mesmo teto.

Ao estudar a evolução do homem aprende-se que para aproximar-se da verdade o homem deve abandonar sua ideologia de perfeição a aceitar que toda a criação é resultado de processos imperfeitos, de falhas da natureza que provocaram mudanças até chegar ao que as criaturas estão imersas na biosfera são. As criaturas são produto de assimetrias nas entrelinhas do código oculto da Natureza.

Atente-se que as separações ocorrem por questões de opinião, filosofia e não em face de crimes e imoralidades. Mesmo que a motivação não seja lá muito fraterna, resultado de sede de poder ou vaidade, a cada divisão o sistema da Maçonaria fica mais forte porque continuará albergando pessoas normais, diferentes, com todos os seus defeitos e virtudes; que possuam em si, de forma latente, a motivação de melhorarem sua condição humana, de se autoeducarem pelo sistema natural da Maçonaria.

E pelo esforço despendido no constante cair e levantar com a ajuda de outros seres imperfeitos, com ajuda da corporação e de cavaleiros, o maçom segue em frente. Atento as nódoas que denigrem a pedra bruta, ele usa do maço e do cinzel para burilar a pedra, e com isto, mesmo que de forma imperfeita, dá honra e glória ao Grande Arquiteto do Universo.

Bibliografia:

1. GLEISER, Marcelo, Criação Imperfeita, ISBN 978-85-01-08977-7, primeira edição, Editora Record, 366 páginas, São Paulo, 2010.

Biografia:

1. Marcelo Gleiser, astrônomo, autor, físico, professor e roteirista de nacionalidade brasileira. Nasceu em Rio de Janeiro em 19 de março de 1959. Com 51 anos de idade. Apresenta temas complexos das ciências de maneira compreensível.

Data do texto: 30/01/2011

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

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Local: Curitiba

Grau do Texto: Aprendiz Maçom

Área de Estudo: Filosofia, Maçonaria, Tolerância